<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803</id><updated>2012-02-05T09:40:54.635-08:00</updated><title type='text'>Religare</title><subtitle type='html'>Assuntos relacionados a diversas religiões, com trechos de escrituras, hinos, mensagens inspiradoras, provérbios, sabedorias populares, comentários, etc.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>66</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-4995560665755285180</id><published>2012-01-17T13:48:00.000-08:00</published><updated>2012-01-17T16:26:15.925-08:00</updated><title type='text'>VERDADES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;BR&gt;A VERDADE se revela sutil e discretamente aos que a procuram. As meias-verdades são forjadas pelos ambiciosos do poder para servir de instrumento de opressão e tirania. &lt;br /&gt;A VERDADE não se impõe; se aceita ou não, de acordo com o livre-arbítrio e a maturidade espiritual de cada um. Azar dos menos esclarecidos, dos que seguem a tradição cegamente por comodismo ou por inércia, dos que não tiveram o despertar da consciência, dos que nem sabem o que é livre-arbítrio. Ainda existem pessoas que acreditam que questionar dogmas é pecado, é heresia, é ficar sujeito às torturas medievais e fogueiras da inquisição...&lt;br /&gt;Pode-se aceitar no todo ou em parte, de uma só vez ou aos poucos. Mas, a existência da VERDADE não depende da vontade do ser humano, por mais poderoso e rico que seja, por mais inteligente e culto que seja, e não pode ser manipulada por interesses escusos, muito menos falsificada. O que tem se visto é pessoas escrevendo e falando coisas em nome de Deus ou Espíritos Superiores ou Espírito da Verdade, dizendo ser enviado de Deus, o único representante de Deus na Terra, quando na verdade, pode estar sofrendo de algum transtorno psíquico (Por exemplo, Transtorno Dissociativo e Conversivo, Esquizofrenia, Depressão com Transtorno Bipolar, Alucinação, Delírio), por uso de drogas ou alimentos alucinógenos, etc.&lt;br /&gt;Quando algumas "Verdades" são forjadas para fortalecer uma instituição religiosa, os detentores dessas "Verdades" transformam isso em Dogmas e são impostas aos seus fiéis. Se aceitarem, muito que bem; se não, são considerados apóstatas ou hereges, recebem represálias, ou simplesmente afastados da congregação ou desassociados ou excomungados. Como ninguém quer ser excomungado ou arder nas chamas do inferno, aceitam a imposição e seguem a "religião".&lt;br /&gt;As meias-verdades são manipuladas, sim, porque é o fruto da imaginação e da mente humana.&lt;br /&gt;Poder, Fama e Glória - a razão da existência humana - a vã filosofia dos homens, que alguns a chamam de Religião.&lt;br /&gt;Aqueles que supõem conhecer a Verdade, que se tornam orgulhosos, vaidosos, detentores dos poderes do Céu e da Terra, que podem mobilizar e manipular os Espíritos em nome de Deus, falar em nome de Deus, autorizar e desautorizar em nome de Deus, aniquilar os povos astecas, maias, incas e saquear seus tesouros em nome de Deus, matar os mouros em suas Cruzadas em nome de Deus, forçar os judeus da Europa a se converterem ao cristianismo em nome de Deus, operar milagres em nome de Deus (ou quem quer que seja), saibam que não receberam a Procuração de Deus para isso. Você acha que alguém perfeito como Deus daria Procuração para aqueles imperfeitos agirem em Seu Nome? Jamais! Para esses, aplica-se bem o que consta na Bíblia, Evangelho segundo Mateus, cap.7 versículos 22-24, 26.&lt;br /&gt;Então, quem permitiu tais milagres?&lt;br /&gt;- Deus, é que não foi.&lt;br /&gt;Quem, então?&lt;br /&gt;- Além de Deus, há espíritos poderosos que conseguem fazer milagres, ludibriando os incautos. O Lúcifer consegue se transfigurar em Anjo de Luz... diz a Bíblia.&lt;br /&gt;Então... seria Quem ?&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;BR&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-4995560665755285180?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/4995560665755285180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2012/01/verdades.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4995560665755285180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4995560665755285180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2012/01/verdades.html' title='VERDADES'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-2867468265133142780</id><published>2011-11-23T09:57:00.000-08:00</published><updated>2012-02-05T09:39:16.529-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#990000;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;b&gt;ÍNDICE DO BLOG:&lt;/b&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Origem da Bíblia:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/08/origem-da-biblia.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/08/origem-da-biblia.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Origem do Cristianismo:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/08/origem-do-cristianismo.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/08/origem-do-cristianismo.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Origem do Catolicismo Romano:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/08/origem-do-catolicismo-romano.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/08/origem-do-catolicismo-romano.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Concílios Ecumênicos:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/08/concilios-ecumenicos.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/08/concilios-ecumenicos.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Primeiro Concílio de Nicéia:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/08/primeiro-concilio-de-niceia.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/08/primeiro-concilio-de-niceia.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Evangelho segundo Mateus:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-evangelho-segundo_24.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-evangelho-segundo_24.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Evangelho segundo Marcos:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-evangelho-segundo.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-evangelho-segundo.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Evangelho segundo Lucas:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-evangelho-segundo-lucas.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-evangelho-segundo-lucas.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Evangelho segundo João:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-evangelho-segundo-joao.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-evangelho-segundo-joao.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Ato dos Apóstolos:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-atos-dos-apostolos.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-atos-dos-apostolos.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Romanos:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-romanos.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-romanos.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Coríntios I:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-corintios_24.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-corintios_24.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Coríntios II:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-corintios.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-corintios.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Gálatas:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-galatas.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-galatas.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Efésios:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-efesios.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-efesios.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Filipenses:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-filipenses.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-filipenses.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Colossenses:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos_1837.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos_1837.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Tessalonicenses I:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos_24.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos_24.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Tessalonicenses II:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola ao Timóteo I:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-ao-timoteo-1.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-ao-timoteo-1.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola ao Timóteo II:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-ao-timoteo-2.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-ao-timoteo-2.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola ao Tito:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-ao-tito.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-ao-tito.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola ao Filemon:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-ao-filemon.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-ao-filemon.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola aos Hebreus:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-hebreus.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-aos-hebreus.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola de Tiago:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-tiago.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-tiago.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola de Pedro I:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-pedro-1.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-pedro-1.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola de Pedro II:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-pedro-2.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-pedro-2.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola de João I:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-joao-1.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-joao-1.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola de João II:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-joao-2.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-joao-2.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Epístola de João III:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-joao-3.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-epistola-de-joao-3.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Judas:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-judas.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-judas.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Novo Testamento – Apocalipse:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-apocalipse.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/07/novo-testamento-apocalipse.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Provérbios:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/proverbios.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/proverbios.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Verdade: Onde está?&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/verdade-onde-esta.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/verdade-onde-esta.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Doutrina do Sacerdócio:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/doutrina-do-sacerdocio.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/doutrina-do-sacerdocio.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Regras de Fé:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/07/regras-de-fe.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/07/regras-de-fe.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Curandeiros:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/curandeiros.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/curandeiros.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Durante o Sofrimento:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/durante-o-sofrimento.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/durante-o-sofrimento.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Não recebi nada do que pedi:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/nao-recebi-nada-do-que-pedi.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/nao-recebi-nada-do-que-pedi.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Prece do Nosso Lar:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/nosso-lar-prece.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/nosso-lar-prece.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Prece de Gratidão – Divaldo Pereira Franco:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/prece-de-gratidao-divaldo-pereira.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/prece-de-gratidao-divaldo-pereira.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Prece de São Francisco de Assis:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/07/prece-de-sao-francisco-de-assis.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/07/prece-de-sao-francisco-de-assis.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Madre Teresa de Calcutá:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/07/madre-teresa-de-calcuta.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/07/madre-teresa-de-calcuta.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mensagens Espirituais:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2009/08/mensagens-espirituais.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2009/08/mensagens-espirituais.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Emmanuel – Entre falsas vozes:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/09/emmanuel-entre-falsas-vozes.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/09/emmanuel-entre-falsas-vozes.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mensagem Shinyashiki:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/roberto-shinyashiki-mensagem.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/roberto-shinyashiki-mensagem.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Mensagem Seicho-no-Ie:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/01/mensagem-seicho-no-ie.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/01/mensagem-seicho-no-ie.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O que é o Espiritismo?:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/02/o-que-e-o-espiritismo.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/02/o-que-e-o-espiritismo.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Livro dos Espíritos – Introdução:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/02/livro-dos-espiritos-introducao.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/02/livro-dos-espiritos-introducao.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Ó meu Pai:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-o-meu-pai.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-o-meu-pai.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Semeando:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-semeando.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-semeando.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Se a vida é penosa:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-se-vida-e-penosa.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-se-vida-e-penosa.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Neste mundo:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-neste-mundo.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-neste-mundo.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Sim, eu te seguirei:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-sim-eu-te-seguirei.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-sim-eu-te-seguirei.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Onde encontrar a Paz ?:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-onde-encontrar-paz.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-onde-encontrar-paz.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Mais perto quero estar:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-mais-perto-quero-estar.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-mais-perto-quero-estar.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Vinde ó santos!:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-vinde-o-santos.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-vinde-o-santos.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Sou um filho de Deus:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-sou-um-filho-de-deus.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-sou-um-filho-de-deus.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Amai-vos uns aos outros:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-amai-vos-uns-aos-outros.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-amai-vos-uns-aos-outros.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Faz-me andar só na luz:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-faz-me-andar-so-na-luz.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-faz-me-andar-so-na-luz.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Deixe a luz do sol entrar:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/07/hino-deixe-luz-do-sol-entrar.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/07/hino-deixe-luz-do-sol-entrar.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Nossa Lei é trabalhar:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2011/07/hino-nossa-lei-e-trabalhar.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2011/07/hino-nossa-lei-e-trabalhar.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Hino – Alegres Cantemos:&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://religareakira.blogspot.com/2012/02/hino-alegres-cantemos.html"&gt;http://religareakira.blogspot.com/2012/02/hino-alegres-cantemos.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-2867468265133142780?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/2867468265133142780/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/10/indice-do-blog-origem-da-biblia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/2867468265133142780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/2867468265133142780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/10/indice-do-blog-origem-da-biblia.html' title=''/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-1221706225322831080</id><published>2011-09-20T17:38:00.000-07:00</published><updated>2011-09-20T18:21:19.967-07:00</updated><title type='text'>Emmanuel: Entre falsas vozes</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se a preguiça te pede:&lt;br /&gt;- "&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Descansa!&lt;/span&gt;",&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;responde-lhe com algum acréscimo de esforço no trabalho que espera por teu concurso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se a vaidade te afirma:&lt;br /&gt;- "&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Ninguém existe maior que tu!&lt;/span&gt;",&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;retribui com a humildade, reconhecendo que não passamos de meros servidores da vida, entre os nosso irmão de luta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se o orgulho te diz:&lt;br /&gt;- "&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Não cedas!&lt;/span&gt;",&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;aprende a esquecer-te, auxiliando sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se o ciúme te segreda aos ouvidos: &lt;br /&gt;- "&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;A posse é tua!&lt;/span&gt;",&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;guarda silêncio em tua alma e procura entender que o amor e o bem são bênçãos do Céu, extensivas a todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se o egoismo te aconselha:&lt;br /&gt;- "&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Retém!&lt;/span&gt;",&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;abre as tuas mãos e distribui a bondade com os que te cercam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se a revolta te assevera:&lt;br /&gt;- "&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Reage e reivindica os teus direitos!&lt;/span&gt;",&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;aguarda a Justiça Divina, trabalhando e servindo com mais abnegação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Se a maldade te sugere:&lt;br /&gt;- "&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Vinga-te!&lt;/span&gt;",&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;considera que mais vale amparar constantemente o companheiro, quanto temos sido auxiliados por Jesus, afim de que o amor fulgure em nossas vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os falsos profetas vivem nos recessos de nosso próprio ser!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surgem, cada dia, invariáveis, na forma de intriga ou de maledicência, de leviandade ou de indisciplina, induzindo-nos a cerrar o coração contra a consciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se aceitamos Jesus em nosso roteiro, ouçamos o que nos diz o seu ensinamento e apliquemo-nos à prática de Suas lições sublimes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olvidemos as insinuações da ignorância e da treva, da crueldade e da má fé, que nos enrijecem o sentimento e, de coração unido à Vontade do Mestre, vendo a vida por seus olhos e ouvindo os nosso irmãos, através de Seus ouvidos, estaremos realmente habituados à posição de intérpretes do seu Infinito Amor, em qualquer parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Médium: Francisco Cândido Xavier&lt;br /&gt;Livro: "Levantar e Seguir" - Edição Geem&lt;br /&gt;Visite o site: &lt;a href="http://www.mensageiros.org.br/"&gt;http://www.mensageiros.org.br/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-1221706225322831080?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/1221706225322831080/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/09/emmanuel-entre-falsas-vozes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1221706225322831080'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1221706225322831080'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/09/emmanuel-entre-falsas-vozes.html' title='Emmanuel: Entre falsas vozes'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-782773613260377898</id><published>2011-07-17T09:48:00.000-07:00</published><updated>2011-09-04T18:28:13.882-07:00</updated><title type='text'>Madre Teresa de Calcutá</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O dia mais belo? Hoje&lt;br /&gt;A coisa mais fácil? Equivocar-se&lt;br /&gt;O obstáculo maior? O medo&lt;br /&gt;O erro maior? Abandonar-se&lt;br /&gt;A raiz de todos os males? O egoísmo&lt;br /&gt;A distração mais bela? O trabalho&lt;br /&gt;A pior derrota? O desalento&lt;br /&gt;Os melhores professores? As crianças&lt;br /&gt;A primeira necessidade? Comunicar-se&lt;br /&gt;O que mais faz feliz? Ser útil aos demais&lt;br /&gt;O mistério maior? A morte&lt;br /&gt;O pior defeito: O mau humor&lt;br /&gt;A coisa mais perigosa? A mentira&lt;br /&gt;O sentimento pior? O rancor&lt;br /&gt;O presente mais belo? O perdão&lt;br /&gt;O mais imprescindível? O lar&lt;br /&gt;A estrada mais rápida? O caminho correto&lt;br /&gt;A sensação mais grata? A paz interior&lt;br /&gt;O resguardo mais eficaz? O sorriso&lt;br /&gt;O melhor remédio? O otimismo&lt;br /&gt;A maior satisfação? O dever cumprido&lt;br /&gt;A força mais potente do mundo? A fé&lt;br /&gt;As pessoas mais necessárias? Os pais&lt;br /&gt;A coisa mais bela de todas? O amor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-782773613260377898?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/782773613260377898/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/madre-teresa-de-calcuta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/782773613260377898'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/782773613260377898'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/madre-teresa-de-calcuta.html' title='Madre Teresa de Calcutá'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-2119021196164845699</id><published>2011-07-17T07:11:00.000-07:00</published><updated>2011-07-17T07:19:48.533-07:00</updated><title type='text'>Prece de São Francisco de Assis</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Senhor!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Faze de mim um instrumento da tua paz!&lt;br /&gt;Onde houver ódio, que eu leve o amor.&lt;br /&gt;Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.&lt;br /&gt;Onde houver discórdia, que eu leve a união.&lt;br /&gt;Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.&lt;br /&gt;Onde houver erros, que eu leve a verdade.&lt;br /&gt;Onde houver desespero, que eu leve a esperança.&lt;br /&gt;Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.&lt;br /&gt;Onde houver trevas, que eu leve a luz!&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ó Mestre! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Faze que eu procure mais&lt;br /&gt;consolar, que ser consolado,&lt;br /&gt;compreender que ser compreendido,&lt;br /&gt;amar que ser amado...&lt;br /&gt;pois é dando que se recebe,&lt;br /&gt;é perdoando que se é perdoado,&lt;br /&gt;e é morrendo que se nasce para a Vida Eterna. &lt;/span&gt;&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-2119021196164845699?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/2119021196164845699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/prece-de-sao-francisco-de-assis.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/2119021196164845699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/2119021196164845699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/prece-de-sao-francisco-de-assis.html' title='Prece de São Francisco de Assis'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-4247670146612561412</id><published>2011-07-17T06:11:00.000-07:00</published><updated>2011-07-17T07:09:21.240-07:00</updated><title type='text'>REGRAS DE FÉ</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;1&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;. Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos que os homens serão punidos por seus próprios pecados e não pela transgressão de Adão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos que, por meio da Expiação de Cristo, toda a humanidade pode ser salva por obediência às leis e ordenanças do Evangelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos que os primeiros princípios e ordenanças do Evangelho são: primeiro, Fé no Senhor Jesus Cristo; segundo, Arrependimento; terceiro, Batismo por imersão para remissão de pecados; quarto: Imposição de mãos para o dom do Espírito Santo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos que um homem deve ser chamado por Deus, por profecia e pela imposição de mãos, por quem possua autoridade, para pregar o Evangelho e administrar suas ordenanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos na mesma organização que existia na Igreja Primitiva, isto é, apóstolos, profetas, pastores, mestres, evangelistas, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos no dom de línguas, profecia, revelação, visões, cura, interpretação de línguas, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus, desde que esteja traduzida corretamente; também cremos ser o Livro de Mórmon a palavra de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;9&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos em tudo o que Deus revelou, em tudo o que Ele revela agora e cremos que Ele ainda revelará muitas coisas grandiosas e importantes relativas ao Reino de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;10&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos na coligação literal de Israel e na restauração das Dez Tribos; que Sião (a Nova Jerusalém) será construída no continente americano; que Cristo reinará pessoalmente na Terra; e que a Terra será renovada e receberá sua glória paradisíaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;11&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde ou o que desejarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;12&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos na submissão a reis, presidentes, governantes e magistrados; na obediência, honra e manutenção da lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;13&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo: Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;Joseph Smith&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-4247670146612561412?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/4247670146612561412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/regras-de-fe.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4247670146612561412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4247670146612561412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/regras-de-fe.html' title='REGRAS DE FÉ'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-4295663577617888603</id><published>2011-07-03T17:28:00.000-07:00</published><updated>2011-07-03T17:39:31.802-07:00</updated><title type='text'>Hino: Deixe a luz do sol entrar</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Deixa a luz do sol entrar,&lt;/br&gt;Deixa a luz do sol brilhar,&lt;/br&gt;Dentro de teu coração.&lt;/br&gt;Pode pouco parecer,&lt;/br&gt;Mas ventura hás de ter&lt;/br&gt;Tendo sempre o sol no coração.&lt;/br&gt;Tendo o sol no coração&lt;/br&gt;Tu verás a doce luz&lt;/br&gt;Irradiando de Jesus.&lt;/br&gt;Tuas mágoas longe vão&lt;/br&gt;Tendo sempre o sol no coração.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Diz palavras bem gentis,&lt;/br&gt;Se quiseres ser feliz,&lt;/br&gt;Tendo o sol no coração.&lt;/br&gt;Teu trabalho enfrentarás,&lt;/br&gt;Tua dor esquecerás,&lt;/br&gt;Tendo sempre o sol no coração.&lt;/br&gt;Tendo o sol no coração&lt;/br&gt;Tu verás a doce luz&lt;/br&gt;Irradiando de Jesus.&lt;/br&gt;Tuas mágoas longe vão&lt;/br&gt;Tendo sempre o sol no coração.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Mais feliz tu viverás,&lt;/br&gt;Sempre alegre, sempre em paz,&lt;/br&gt;Com o sol no coração.&lt;/br&gt;Essa luz que a ti virá,&lt;/br&gt;Teu caminho alumiará,&lt;/br&gt;Tendo sempre o sol no coração.&lt;/br&gt;Tendo o sol no coração&lt;/br&gt;Tu verás a doce luz&lt;/br&gt;Irradiando de Jesus.&lt;/br&gt;Tuas mágoas longe vão&lt;/br&gt;Tendo sempre o sol no coração.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Ergue do pecado o véu,&lt;/br&gt;Deixa entrar a luz do céu,&lt;/br&gt;Abre ao sol teu coração.&lt;/br&gt;Canta hosanas ao Senhor,&lt;/br&gt;Leva a Deus o teu louvor,&lt;/br&gt;Tendo sempre o sol no coração.&lt;/br&gt;Tendo o sol no coração&lt;/br&gt;Tu verás a doce luz&lt;/br&gt;Irradiando de Jesus.&lt;/br&gt;Tuas mágoas longe vão&lt;/br&gt;Tendo sempre o sol no coração.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-4295663577617888603?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/4295663577617888603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/hino-deixe-luz-do-sol-entrar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4295663577617888603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4295663577617888603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/hino-deixe-luz-do-sol-entrar.html' title='Hino: Deixe a luz do sol entrar'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-6454194565877304085</id><published>2011-07-03T17:13:00.000-07:00</published><updated>2011-07-03T17:27:13.403-07:00</updated><title type='text'>Hino: Nossa lei é trabalhar</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;A vida é luta sem quartel,&lt;/br&gt;Viver é batalhar!&lt;/br&gt;Portanto, vinde meus irmãos,&lt;/br&gt;Nossa lei é trabalhar!&lt;/br&gt;Nosa lei é trabalhar, trabalhar&lt;/br&gt;Trabalhar com alegria e cantar&lt;/br&gt;Pois para nós e nossa grei,&lt;/br&gt;Trabalhar é sempre a lei.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Não há preguiça entre nós;&lt;/br&gt;Saibamos bem lutar,&lt;/br&gt;Que a luta é longa e dura, mas&lt;/br&gt;Nossa lei é trabalhar!&lt;/br&gt;Nossa lei é trabalhar, trabalhar&lt;/br&gt;Trabalhar com alegria e cantar&lt;/br&gt;Pois para nós e nossa grei,&lt;/br&gt;Trabalhar é sempre a lei.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Em toda hora e lugar&lt;/br&gt;Contente hei de estar,&lt;/br&gt;Pois trabalhando sou feliz&lt;/br&gt;Nossa lei é trabalhar!&lt;/br&gt;Nossa lei é trabalhar, trabalhar&lt;/br&gt;Trabalhar com alegria e cantar&lt;/br&gt;Pois para nós e nossa grei,&lt;/br&gt;Trabalhar é sempre a lei.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Na luta contra o tentador&lt;/br&gt;Não há desanimar,&lt;/br&gt;Por isso avante, meus irmãos,&lt;/br&gt;Nossa lei é trabalhar!&lt;/br&gt;Nossa lei é trabalhar, trabalhar&lt;/br&gt;Trabalhar com alegria e cantar&lt;/br&gt;Pois para nós e nossa grei&lt;/br&gt;Trabalhar é sempre a lei.&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-6454194565877304085?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/6454194565877304085/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/hino-nossa-lei-e-trabalhar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/6454194565877304085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/6454194565877304085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/07/hino-nossa-lei-e-trabalhar.html' title='Hino: Nossa lei é trabalhar'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-9162301802168655765</id><published>2011-07-02T09:23:00.000-07:00</published><updated>2012-02-05T09:40:54.639-08:00</updated><title type='text'>Hino: Alegres Cantemos</title><content type='html'>&lt;BR&gt;1. Alegres cantemos, não somos estranhos,&lt;br /&gt;Podemos na Terra encontrar salvação;&lt;br /&gt;Alegres notícias os povos recebem;&lt;br /&gt;Em breve virá a final redenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tantas promessas nós, santos, teremos&lt;br /&gt;A paz reinará para sempre e, assim, &lt;br /&gt;O mundo vai ser como um Édem alegre;&lt;br /&gt;Jesus falará: "Israel, vem a mim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Então viveremos, sem ódio ou pecado,&lt;br /&gt;Bem longe de nós se afastou o rancor.&lt;br /&gt;E quando os ímpios tremerem de medo&lt;br /&gt;Teremos a crença no bom Salvador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tantas promessas nós, santos, teremos&lt;br /&gt;A paz reinará para sempre e, assim, &lt;br /&gt;O mundo vai ser como um Édem alegre;&lt;br /&gt;Jesus falará: "Israel, vem a mim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. Se nos encontrarmos nas trevas perdidos,&lt;br /&gt;Confiemos no branço potente de Deus.&lt;br /&gt;Depois do juízo, da hora extrema&lt;br /&gt;Seremos guiados aos domínios seus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E receberemos de Deus as promessas,&lt;br /&gt;os anjos do céu nos virão coroar,&lt;br /&gt;O mundo vai ser como um Édem celeste;&lt;br /&gt;E o povo de Cristo irá paz gozar.&lt;br /&gt;&lt;BR&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-9162301802168655765?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/9162301802168655765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2012/02/hino-alegres-cantemos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/9162301802168655765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/9162301802168655765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2012/02/hino-alegres-cantemos.html' title='Hino: Alegres Cantemos'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-6321770046469232660</id><published>2011-06-21T10:41:00.000-07:00</published><updated>2011-06-21T10:55:56.876-07:00</updated><title type='text'>Não recebi nada do que pedi</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Pedi a Deus para ser forte&lt;/br&gt;A fim de executar projetos grandiosos&lt;/br&gt;E Ele me fez fraco&lt;/br&gt;Para conservar-me humilde.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Pedi a Deus que me desse saúde&lt;/br&gt;Para realizar grandes empreendimentos&lt;/br&gt;E Ele me deu a doença&lt;/br&gt;Para compreendê-Lo melhor.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Pedi a Deus riqueza&lt;/br&gt;Para tudo possuir&lt;/br&gt;E Ele me deixou pobre&lt;/br&gt;Para não ser egoísta.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Pedi a Deus poder&lt;/br&gt;Para que os homens precisassem de mim&lt;/br&gt;E Ele me deu humildade&lt;/br&gt;Para que dele precisasse.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Pedi a Deus tudo&lt;/br&gt;Para gozer a vida&lt;/br&gt;E Ele me deu a vida&lt;/br&gt;Para gozer de tudo.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Senhor, não recebi nada do que pedi,&lt;/br&gt;Mas deste-me tudo o que eu precisava,&lt;/br&gt;E, quase contra a minha vontade,&lt;/br&gt;As preces que não fiz foram ouvidas.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Louvado sejas, ó meu Deus!&lt;/br&gt;Entre todos os homens,&lt;/br&gt;Ninguém tem mais do que eu!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-6321770046469232660?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/6321770046469232660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/nao-recebi-nada-do-que-pedi.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/6321770046469232660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/6321770046469232660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/nao-recebi-nada-do-que-pedi.html' title='Não recebi nada do que pedi'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-1651820017394276575</id><published>2011-06-17T10:55:00.000-07:00</published><updated>2011-06-23T11:08:21.208-07:00</updated><title type='text'>PROVÉRBIOS</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;div align="right"&gt;Site de referência: &lt;a href="http://www.biblia.com.br/"&gt;http://www.biblia.com.br/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 1&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1 Estes são os provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel. 2 Eles ajudarão a experimentar a sabedoria e a disciplina; a compreender as palavras que dão entendimento; 3 a viver com disciplina e sensatez, fazendo o que é justo, direito e correto; 4 ajudarão a dar prudência aos inexperientes e conhecimento e bom senso aos jovens. 5 Se o sábio lhes der ouvidos, aumentará seu conhecimento, e quem tem discernimento obterá orientação 6 para compreender provérbios e parábolas, ditados e enigmas dos sábios. 7 O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina. 8 Ouça, meu filho, a instrução de seu pai e não despreze o ensino de sua mãe. 9 Eles serão um enfeite para a sua cabeça, um adorno para o seu pescoço. 10 Meu filho, se os maus tentarem seduzi-lo, não ceda! 11 Se disserem: Venha conosco; fiquemos de tocaia para matar alguém, vamos divertir-nos armando emboscada contra quem de nada suspeita! 12 Vamos engoli-los vivos, como a sepultura engole os mortos; vamos destruí-los inteiros, como são destruídos os que descem à cova; 13 acharemos todo tipo de objetos valiosos e encheremos as nossas casas com o que roubarmos; 14 junte-se ao nosso bando; dividiremos em partes iguais tudo o que conseguirmos! 15 Meu filho, não vá pela vereda dessa gente! Afaste os pés do caminho que eles seguem, 16 pois os pés deles correm para fazer o mal, estão sempre prontos para derramar sangue. 17 Assim como é inútil estender a rede se as aves o observam, 18 também esses homens não percebem que fazem tocaia contra a própria vida; armam emboscadas contra eles mesmos! 19 Tal é o caminho de todos os gananciosos; quem assim procede a si mesmo se destrói. 20 A sabedoria clama em alta voz nas ruas, ergue a voz nas praças públicas; 21 nas esquinas das ruas barulhentas ela clama, nas portas da cidade faz o seu discurso: 22 Até quando vocês, inexperientes, irão contentar-se com a sua inexperiência? Vocês, zombadores, até quando terão prazer na zombaria? E vocês, tolos, até quando desprezarão o conhecimento? 23 Se acatarem a minha repreensão, eu lhes darei um espírito de sabedoria e lhes revelarei os meus pensamentos. 24 Vocês, porém, rejeitaram o meu convite; ninguém se importou quando estendi minha mão! 25 Visto que desprezaram totalmente o meu conselho e não quiseram aceitar a minha repreensão, 26 eu, de minha parte, vou rir-me da sua desgraça; zombarei quando o que temem se abater sobre vocês, 27 quando aquilo que tem em abater-se sobre vocês como uma tempestade, quando a desgraça os atingir como um vendaval, quando a angústia e a dor os dominarem. 28 Então vocês me chamarão, mas não responderei; procurarão por mim, mas não me encontrarão. 29 Visto que desprezaram o conhecimento e recusaram o temor do Senhor¬, 30 não quiseram aceitar o meu conselho e fizeram pouco caso da minha advertência, 31 comerão do fruto da sua conduta e se fartarão de suas próprias maquinações. 32 Pois a inconstância dos inexperientes os matará, e a falsa segurança dos tolos os destruirá; 33 mas quem me ouvir viverá em segurança e estará tranqüilo, sem temer nenhum mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 2&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1 Meu filho, se você aceitar as minhas palavras e guardar no coração os meus mandamentos; 2 se der ouvidos à sabedoria e inclinar o coração para o discernimento; 3 se clamar por entendimento e por discernimento gritar bem alto; 4 se procurar a sabedoria como se procura a prata e buscá-la como quem busca um tesouro escondido, 5 então você entenderá o que é temer o Senhor e achará o conhecimento de Deus. 6 Pois o Senhor é quem dá sabedoria; de sua boca procedem o conhecimento e o discernimento. 7 Ele reserva a sensatez para o justo; como um escudo protege quem anda com integridade, 8 pois guarda a vereda do justo e protege o caminho de seus fiéis. 9 Então você entenderá o que é justo, direito e certo, e aprenderá os caminhos do bem. 10 Pois a sabedoria entrará em seu coração, e o conhecimento será agradável à sua alma. 11 O bom senso o guardará, e o discernimento o protegerá. 12 A sabedoria o livrará do caminho dos maus, dos homens de palavras perversas, 13 que abandonam as veredas retas para andarem por caminhos de trevas, 14 têm prazer em fazer o mal, exultam com a maldade dos perversos, 15 andam por veredas tortuosas e no caminho se extraviam. 16 Ela também o livrará da mulher imoral, da pervertida que seduz com suas palavras, 17 que abandona aquele que desde a juventude foi seu companheiro e ignora a aliança que fez diante de Deus. 18 A mulher imoral se dirige para a morte, que é a sua casa, e os seus caminhos levam às sombras. 19 Os que a procuram jamais voltarão, nem tornarão a encontrar as veredas da vida. 20 A sabedoria o fará andar nos caminhos dos homens de bem e a manter-se nas veredas dos justos. 21 Pois os justos habitarão na terra, e os íntegros nela permanecerão; 22 mas os ímpios serão eliminados da terra, e dela os infiéis serão arrancados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 3&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;1 Meu filho, não se esqueça da minha lei, mas guarde no coração os meus mandamentos, 2 pois eles prolongarão a sua vida por muitos anos e lhe darão prosperidade e paz. 3 Que o amor e a fidelidade jamais o abandonem; prenda-os ao redor do seu pescoço, escreva-os na tábua do seu coração. 4 Então você terá o favor de Deus e dos homens, e boa reputação. 5 Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apóie em seu próprio entendimento; 6 reconheça o Senhor em todos os seus caminhos, e ele endireitará as suas veredas. 7 Não seja sábio aos seus próprios olhos; tema o Senhor e evite o mal. 8 Isso lhe dará saúde ao corpo e vigor aos ossos. 9 Honre o Senhor com todos os seus recursos e com os primeiros frutos de todas as suas plantações; 10 os seus celeiros ficarão plenamente cheios, e os seus barris transbordarão de vinho. 11 Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor nem se magoe com a sua repreensão, 12 pois o Senhor disciplina a quem ama, assim como o pai faz ao filho de quem deseja o bem. 13 Como é feliz o homem que acha a sabedoria, o homem que obtém entendimento, 14 pois a sabedoria é mais proveitosa do que a prata e rende mais do que o ouro. 15 É mais preciosa do que rubis; nada do que você possa desejar se compara a ela. 16 Na mão direita, a sabedoria lhe garante vida longa; na mão esquerda, riquezas e honra. 17 Os caminhos da sabedoria são caminhos agradáveis, e todas as suas veredas são paz. 18 A sabedoria é árvore que dá vida a quem a abraça; quem a ela se apega será abençoado. 19 Por sua sabedoria o Senhor lançou os alicerces da terra, por seu entendimento fixou no lugar os céus; 20 por seu conhecimento as fontes profundas se rompem, e as nuvens gotejam o orvalho. 21 Meu filho, guarde consigo a sensatez e o equilíbrio, nunca os perca de vista; 22 trarão vida a você e serão um enfeite para o seu pescoço. 23 Então você seguirá o seu caminho em segurança, e não tropeçará; 24 quando se deitar, não terá medo, e o seu sono será tranqüilo. 25 Não terá medo da calamidade repentina nem da ruína que atinge os ímpios, 26 pois o Senhor será a sua segurança e o impedirá de cair em armadilha. 27 Quanto lhe for possível, não deixe de fazer o bem a quem dele precisa. 28 Não diga ao seu próximo: “Volte amanhã, e eu lhe darei algo”, se pode ajudá-lo hoje. 29 Não planeje o mal contra o seu próximo, que confiantemente mora perto de você. 30 Não acuse alguém sem motivo, se ele não lhe fez nenhum mal. 31 Não tenha inveja de quem é violento nem adote nenhum dos seus procedimentos, 32 pois o Senhor detesta o perverso, mas o justo é seu grande amigo. 33 A maldição do Senhor está sobre a casa dos ímpios, mas ele abençoa o lar dos justos. 34 Ele zomba dos zombadores, mas concede graça aos humildes. 35 A honra é herança dos sábios, mas o Senhor expõe os tolos ao ridículo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 4&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Ouçam, meus filhos, a instrução de um pai; estejam atentos, e obterão discernimento. 2 O ensino que lhes ofereço é bom; por isso não abandonem a minha instrução. 3 Quando eu era menino, ainda pequeno, em companhia de meu pai, um filho muito especial para minha mãe, 4 ele me ensinava e me dizia: Apegue-se às minhas palavras de todo o coração; obedeça aos meus mandamentos, e você terá vida. 5 Procure obter sabedoria e entendimento; não se esqueça das minhas palavras nem delas se afaste. 6 Não abandone a sabedoria, e ela o protegerá; ame-a, e ela cuidará de você. 7 O conselho da sabedoria é: Procure obter sabedoria; use tudo o que você possui para adquirir entendimento. 8 Dedique alta estima à sabedoria, e ela o exaltará; abrace-a, e ela o honrará. 9 Ela porá um belo diadema sobre a sua cabeça e lhe dará de presente uma coroa de esplendor. 10 Ouça, meu filho, e aceite o que digo, e você terá vida longa. 11 Eu o conduzi pelo caminho da sabedoria e o encaminhei por veredas retas. 12 Assim, quando você por elas seguir, não encontrará obstáculos; quando correr, não tropeçará. 13 Apegue-se à instrução, não a abandone; guarde-a bem, pois dela depende a sua vida. 14 Não siga pela vereda dos ímpios nem ande no caminho dos maus. 15 Evite-o, não passe por ele; afaste-se e não se detenha. 16 Porque eles não conseguem dormir enquanto não fazem o mal; perdem o sono se não causarem a ruína de alguém. 17 Pois eles se alimentam de maldade, e se embriagam de violência. 18 A vereda do justo é como a luz da alvorada, que brilha cada vez mais até a plena claridade do dia. 19 Mas o caminho dos ímpios é como densas trevas; nem sequer sabem em que tropeçam. 20 Meu filho, escute o que lhe digo; preste atenção às minhas palavras. 21 Nunca as perca de vista; guarde-as no fundo do coração, 22 pois são vida para quem as encontra e saúde para todo o seu ser. 23 Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida. 24 Afaste da sua boca as palavras perversas; fique longe dos seus lábios a maldade. 25 Olhe sempre para a frente, mantenha o olhar fixo no que está adiante de você. 26 Veja bem por onde anda, e os seus passos serão seguros. 27 Não se desvie nem para a direita nem para a esquerda; afaste os seus pés da maldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 5&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Meu filho, dê atenção à minha sabedoria, incline os ouvidos para perceber o meu discernimento. 2 Assim você manterá o bom senso, e os seus lábiosguardarão o conhecimento. 3 Pois os lábios da mulher imoral destilam mel; sua voz é mais suave que o azeite, 4 mas no final é amarga como fel, afiada como uma espada de dois gumes. 5 Os seus pés descem para a morte; os seus passos conduzem diretamente para a sepultura. 6 Ela nem percebe que anda por caminhos tortuosos, e não enxerga a vereda da vida. 7 Agora, então, meu filho, ouça-me; não se desvie das minhas palavras. 8 Fique longe dessa mulher; não se aproxime da porta de sua casa, 9 para que você não entregue aos outros o seu vigor nem a sua vida a algum homem cruel, 10 para que estranhos não se fartem do seu trabalho e outros não se enriqueçam à custa do seu esforço. 11 No final da vida você gemerá, com sua carne e seu corpo desgastados. 12 Você dirá: Como odiei a disciplina! Como o meu coração rejeitou a repreensão! 13 Não ouvi os meus mestres nem escutei os que me ensinavam. 14 Cheguei à beira da ruína completa, à vista de toda a comunidade. 15 Beba das águas da sua cisterna, das águas que brotam do seu próprio poço. 16 Por que deixar que as suas fontes transbordem pelas ruas, e os seus ribeiros pelas praças? 17 Que elas sejam exclusivamente suas, nunca repartidas com estranhos. 18 Seja bendita a sua fonte! Alegre-se com a esposa da sua juventude. 19 Gazela amorosa, corça graciosa; que os seios de sua esposa sempre o fartem de prazer, e sempre o embriaguem os carinhos dela. 20 Por que, meu filho, ser desencaminhado pela mulher imoral? Por que abraçar o seio de uma leviana? 21 O Senhor vê os caminhos do homem e examina todos os seus passos. 22 As maldades do ímpio o prendem; ele se torna prisioneiro das cordas do seu pecado. 23 Certamente morrerá por falta de disciplina; andará cambaleando por causa da sua insensatez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 6&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Meu filho, se você serviu de fiador do seu próximo, se, com um aperto de mãos, empenhou-se por um estranho 2 e caiu na armadilha das palavras que você mesmo disse, está prisioneiro do que falou. 3 Então, meu filho, uma vez que você caiu nas mãos do seu próximo, vá e humilhe-se; insista, incomode o seu próximo! 4 Não se entregue ao sono, não procure descansar. 5 Livre-se como a gazela se livra do caçador, como a ave do laço que a pode prender. 6 Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio! 7 Ela não tem nem chefe, nem supervisor, nem governante, 8 e ainda assim armazena as suas provisões no verão e na época da colheita ajunta o seu alimento. 9 Até quando você vai ficar deitado, preguiçoso? Quando se levantará de seu sono? 10 Tirando uma soneca, cochilando um pouco, cruzando um pouco os braços para descansar, 11 assim sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade, como um homem armado. 11 a sua pobreza o surpreenderá como um assaltante, e a sua necessidade lhe sobrevirá como um homem armado. 12 O perverso não tem caráter. Anda de um lado para o outro dizendo coisas maldosas; 13 pisca o olho, arrasta os pés e faz sinais com os dedos; 14 tem no coração o propósito de enganar; planeja sempre o mal e semeia discórdia. 15 Por isso a desgraça se abaterá repentinamente sobre ele; de um golpe será destruído, irremediavelmente. 16 Há seis coisas que o Senhor odeia, sete coisas que ele detesta: 17 olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, 18 coração que traça planos perversos, pés que se apressam para fazer o mal, 19 a testemunha falsa que espalha mentiras e aquele que provoca discórdia entre irmãos. 20 Meu filho, obedeça aos mandamentos de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe. 21 Amarre-os sempre junto ao coração; ate-os ao redor do pescoço. 22 Quando você andar, eles o guiarão; quando dormir, o estarão protegendo; quando acordar, falarão com você. 23 Pois o mandamento é lâmpada, a instrução é luz, e as advertências da disciplina são o caminho que conduz à vida; 24 eles o protegerão da mulher imoral, e dos falsos elogios da mulher leviana. 25 Não cobice em seu coração a sua beleza nem se deixe seduzir por seus olhares, 26 pois o preço de uma prostituta é um pedaço de pão, mas a adúltera sai à caça de vidas preciosas. 27 Pode alguém colocar fogo no peito sem queimar a roupa? 28 Pode alguém andar sobre brasas sem queimar os pés? 29 Assim acontece com quem se deita com mulher alheia; ninguém que a toque ficará sem castigo. 30 O ladrão não é desprezado se, faminto, rouba para matar a fome. 31 Contudo, se for pego, deverá pagar sete vezes o que roubou, embora isso lhe custe tudo o que tem em casa. 32 Mas o homem que comete adultério não tem juízo; todo aquele que assim procede a si mesmo se destrói. 33 Sofrerá ferimentos e vergonha, e a sua humilhação jamais se apagará, 34 pois o ciúme desperta a fúria do marido, que não terá misericórdia quando se vingar. 35 Não aceitará nenhuma compensação; os melhores presentes não o acalmarão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 7&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Meu filho, obedeça às minhas palavras e no íntimo guarde os meus mandamentos. 2 Obedeça aos meus mandamentos, e você terá vida; guarde os meus ensinos como a menina dos seus olhos. 3 Amarre-os aos dedos; escreva-os na tábua do seu coração. 4 Diga à sabedoria: “Você é minha irmã”, e chame ao entendimento seu parente; 5 eles o manterão afastado da mulher imoral, da mulher leviana com suas palavras sedutoras. 6 Da janela de minha casa olhei através da grade 7 e vi entre os inexperientes, no meio dos jovens, um rapaz sem juízo. 8 Ele vinha pela rua, próximo à esquina de certa mulher, andando em direção à casa dela. 9 Era crepúsculo, o entardecer do dia, chegavam as sombras da noite, crescia a escuridão. 10 A mulher veio então ao seu encontro, vestida como prostituta, cheia de astúcia no coração. 11 (Ela é espalhafatosa e provocadora, seus pés nunca param em casa; 12 uma hora na rua, outra nas praças, em cada esquina fica à espreita.) 13 Ela agarrou o rapaz, beijou-o e lhe disse descaradamente: 14 Tenho em casa a carne dos sacrifícios de comunhão, que hoje fiz para cumprir os meus votos. 15 Por isso saí para encontrá-lo; vim à sua procura e o encontrei! 16 Estendi sobre o meu leito cobertas de linho fino do Egito. 17 Perfumei a minha cama com mirra, aloés e canela. 18 Venha, vamos embriagar-nos de carícias até o amanhecer; gozemos as delícias do amor! 19 Pois o meu marido não está em casa; partiu para uma longa viagem. 20 Levou uma bolsa cheia de prata e não voltará antes da lua che¬ia. 21 Com a sedução das palavras o persuadiu, e o atraiu com o dulçor dos lábios. 22 Imediatamente ele a seguiu como o boi levado ao matadouro, ou como o cervo que vai cair no laço 23 até que uma flecha lhe atravesse o fígado, ou como o pássaro que salta para dentro do alçapão, sem saber que isso lhe custará a vida. 24 Então, meu filho, ouça-me; dê atenção às minhas palavras. 25 Não deixe que o seu coração se volte para os caminhos dela, nem se perca em tais veredas. 26 Muitas foram as suas vítimas; os que matou são uma grande multidão. 27 A casa dela é um caminho que desce para a sepultura, para as moradas da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 8&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 A sabedoria está clamando, o discernimento ergue a sua voz; 2 nos lugares altos, junto ao caminho, nos cruzamentos ela se coloca; 3 ao lado das portas, à entrada da cidade, portas adentro, ela clama em alta voz: 4 A vocês, homens, eu clamo; a todos levanto a minha voz. 5 Vocês, inexperientes, adquiram a prudência; e vocês, tolos, tenham bom senso. 6 Ouçam, pois tenho coisas importantes para dizer; os meus lábios falarão do que é certo. 7 Minha boca fala a verdade, pois a maldade causa repulsa aos meus lábios. 8 Todas as minhas palavras são justas; nenhuma delas é distorcida ou perversa. 9 Para os que têm discernimento, são todas claras, e retas para os que têm conhecimento. 10 Prefiram a minha instrução à prata, e o conhecimento ao ouro puro, 11 pois a sabedoria é mais preciosa do que rubis; nada do que vocês possam desejar compara-se a ela. 12 Eu, a sabedoria, moro com a prudência, e tenho o conhecimento que vem do bom senso. 13 Temer o Senhor é odiar o mal; odeio o orgulho e a arrogância, o mau comportamento e o falar perverso. 14 Meu é o conselho sensato; a mim pertencem o entendimento e o poder. 15 Por meu intermédio os reis governam, e as autoridades exercem a justiça; 16 também por meu intermédio governam os nobres, todos os juízes da terra. 17 Amo os que me amam, e quem me procura me encontra. 18 Comigo estão riquezas e honra, prosperidade e justiça duradouras. 19 Meu fruto é melhor do que o ouro, do que o ouro puro; o que ofereço é superior à prata escolhida. 20 Ando pelo caminho da retidão, pelas veredas da justiça, 21 concedendo riqueza aos que me amam e enchendo os seus tesouros. 22 O Senhor me criou como o princípio de seu caminho, antes das suas obras mais antigas; 23 fui formada desde a eternidade, desde o princípio, antes de existir a terra. 24 Nasci quando ainda não havia abismos, quando não existiam fontes de águas; 25 antes de serem estabelecidos os montes e de existirem colinas eu nasci. 26 Ele ainda não havia feito a terra, nem os campos, nem o pó com o qual formou o mundo. 27 Quando ele estabeleceu os céus, lá estava eu; quando traçou o horizonte sobre a superfície do abismo, 28 quando colocou as nuvens em cima e estabeleceu as fontes do abismo, 29 quando determinou as fronteiras do mar para que as águas não violassem a sua ordem, quando marcou os limites dos alicerces da terra, 30 eu estava ao seu lado, e era o seu arquiteto; dia a dia eu era o seu prazer e me alegrava continuamente com a sua presença. 31 Eu me alegrava com o mundo que ele criou, e a humanidade me dava alegria. 32 Ouçam-me agora, meus filhos: Como são felizes os que guardam os meus caminhos! 33 Ouçam a minha instrução, e serão sábios. Não a desprezem. 34 Como é feliz o homem que me ouve, vigiando diariamente à minha porta, esperando junto às portas da minha casa. 35 Pois todo aquele que me encontra, encontra a vida e recebe o favor do Senhor. 36 Mas aquele que de mim se afasta, a si mesmo se agride; todos os que me odeiam amam a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 9&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 A sabedoria construiu sua casa; ergueu suas sete colunas. 2 Matou animais para a refeição, preparou seu vinho e arrumou sua mesa. 3 Enviou suas servas para fazerem convites desde o ponto mais alto da cidade, clamando: 4 “Venham todos os inexperientes!” Aos que não têm bom senso ela diz: 5 Venham comer a minha comida e beber o vinho que preparei. 6 Deixem a insensatez, e vocês terão vida; andem pelo caminho do entendimento. 7 Quem corrige o zombador traz sobre si o insulto; quem repreende o ímpio mancha o próprio nome. 8 Não repreenda o zombador, caso contrário ele o odiará; repreenda o sábio, e ele o amará. 9 Instrua o homem sábio, e ele será ainda mais sábio; ensine o homem justo, e ele aumentará o seu saber. 10 O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento. 11 Pois por meu intermédio os seus dias serão multiplicados, e o tempo da sua vida se prolongará. 12 Se você for sábio, o benefício será seu; se for zombador, sofrerá as conseqüências. 13 A insensatez é pura exibição, sedução e ignorância. 14 Sentada à porta de sua casa, no ponto mais alto da cidade, 15 clama aos que passam por ali seguindo o seu caminho:&lt;br /&gt;16 “Venham todos os inexperientes!” Aos que não têm bom senso ela diz: 17 “A água roubada é doce, e o pão que se come escondido é saboroso!” 18 Mas eles nem imaginam que ali estão os espíritos dos mortos, que os seus convidados estão nas profundezas da sepultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 10&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 de Salomão: O filho sábio dá alegria ao pai; o filho tolo dá tristeza à mãe. 2 Os tesouros de origem desonesta não servem para nada, mas a retidão livra da morte. 3 O Senhor não deixa o justo passar fome, mas frustra a ambição dos ímpios. 4 As mãos preguiçosas empobrecem o homem, porém as mãos diligentes lhe trazem riqueza. 5 Aquele que faz a colheita no verão é filho sensato, mas aquele que dorme durante a ceifa é filho que causa vergonha. 6 As bênçãos coroam a cabeça dos justos, mas a boca dos ímpios abriga a violência. 7 A memória deixada pelos justos será uma bênção, mas o nome dos ímpios apodrecerá. 8 Os sábios de coração aceitam mandamentos, mas a boca do insensato o leva à ruína. 9 Quem anda com integridade anda com segurança, mas quem segue veredas tortuosas será descoberto. 10 Aquele que pisca maliciosamente causa tristeza, e a boca do insensato o leva à ruína. 11 A boca do justo é fonte de vida, mas a boca dos ímpios abriga a violência. 12 O ódio provoca dissensão, mas o amor cobre todos os pecados. 13 A sabedoria está nos lábiosdos que têm discernimento, mas a vara é para as costas daquele que não tem juízo. 14 Os sábios acumulam conhecimento, mas a boca do insensato é um convite à ruína. 15 A riqueza dos ricos é a sua cidade fortificada, mas a pobreza é a ruína dos pobres. 16 O salário do justo lhe traz vida, mas a renda do ímpio lhe traz castigo. 17 Quem acolhe a disciplina mostra o caminho da vida, mas quem ignora a repreensão desencaminha outros. 18 Quem esconde o ódio tem lábios mentirosos, e quem espalha calúnia é tolo. 19 Quando são muitas as palavras, o pecado está presente, mas quem controla a língua é sensato. 20 A língua dos justos é prata escolhida, mas o coração dos ímpios quase não tem valor.&lt;br /&gt;21 As palavras dos justos dão sustento a muitos, mas os insensatos morrem por falta de juízo. 22 A bênção do Senhor traz riqueza, e não inclui dor alguma. 23 O tolo encontra prazer na má conduta, mas o homem cheio de entendimento deleita-se na sabedoria. 24 O que o ímpio teme lhe acontecerá; o que os justos desejam lhes será concedido. 25 Passada a tempestade, o ímpio já não existe, mas o justo permanece firme para sempre. 26 Como o vinagre para os dentes e a fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para aqueles que o enviam. 27 O temor do Senhor prolonga a vida, mas a vida do ímpio é abreviada. 28 O que o justo almeja redunda em alegria, mas as esperanças dos ímpios dão em nada. 29 O caminho do Senhor é o refúgio dos íntegros, mas é a ruína dos que praticam o mal. 30 Os justos jamais serão desarraigados, mas os ímpios pouco duram na terra. 31 A boca do justo produz sabedoria, mas a língua perversa será extirpada. 32 Os lábios do justo sabem o que é próprio, mas a boca dos ímpios só conhece a perversidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 11&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 O Senhor repudia balanças desonestas, mas os pesos exatos lhe dão prazer. 2 Quando vem o orgulho, chega a desgraça, mas a sabedoria está com os humildes. 3 A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói. 4 De nada vale a riqueza no dia da ira divina, mas a retidão livra da morte. 5 A retidão dos irrepreensíveis lhes abre um caminho reto, mas os ímpios são abatidos por sua própria impiedade. 6 A justiça dos justos os livra, mas o desejo dos infiéis os aprisiona. 7 Quando morre o ímpio, sua esperança perece; tudo o que ele esperava do seu poder dá em nada. 8 O justo é salvo das tribulações, e estas são transferidas para o ímpio. 9 Com a boca o ímpio pretende destruir o próximo, mas pelo seu conhecimento o justo se livra. 10 Quando os justos prosperam, a cidade exulta; quando os ímpios perecem, há cantos de alegria. 11 Pela bênção dos justos a cidade é exaltada, mas pela boca dos ímpios é destruída. 12 O homem que não tem juízo ridiculariza o seu próximo, mas o que tem entendimento refreia a língua. 13 Quem muito fala trai a confidência, mas quem merece confiança guarda o segredo. 14 Sem diretrizes a nação cai; o que a salva é ter muitos conselheiros. 15 Quem serve de fiador certamente sofrerá, mas quem se nega a fazê-lo está seguro. 16 A mulher bondosa conquista o respeito, mas os homens cruéis só conquistam riquezas. 17 Quem faz o bem aos outros, a si mesmo o faz; o homem cruel causa o seu próprio mal. 18 O ímpio recebe salários enganosos, mas quem semeia a retidão colhe segura recompensa. 19 Quem permanece na justiça viverá, mas quem sai em busca do mal corre para a morte. 20 O Senhor detesta os perversos de coração, mas os de conduta irrepreensível dão-lhe prazer. 21 Esteja certo de que os ímpios não ficarão sem castigo, mas os justos serão poupados. 22 Como anel de ouro em focinho de porco, assim é a mulher bonita, mas indiscreta. 23 O desejo dos justos resulta em bem; a esperança dos ímpios, em ira. 24 Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza. 25 O generoso prosperará; quem dá alívio aos outros, alívio receberá. 26 O povo amaldiçoa aquele que esconde o trigo, mas a bênção coroa aquele que logo se dispõe a vendê-lo.&lt;br /&gt;27 Quem procura o bem será respeitado; já o mal vai de encontro a quem o busca. 28 Quem confia em suas riquezas certamente cairá, mas os justos florescerão como a folhagem verdejante. 29 Quem causa problemas à sua família herdará somente vento; o insensato será servo do sábio. 30 O fruto da retidão é árvore de vida, e aquele que conquista almas é sábio. 31 Se os justos recebem na terra a punição que merecem, quanto mais o ímpio e o pecador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 12&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Todo o que ama a disciplina ama o conhecimento, mas aquele que odeia a repreensão é tolo. 2 O homem bom obtém o favor do Senhor, mas o que planeja maldades o Senhor condena. 3 Ninguém consegue se firmar mediante a impiedade, e não se pode desarraigar o justo. 4 A mulher exemplar é a coroa do seu marido, mas a de comportamento vergonhoso é como câncer em seus ossos. 5 Os planos dos justos são retos, mas o conselho dos ímpios é enganoso. 6 As palavras dos ímpios são emboscadas mortais, mas quando os justos falam há livramento. 7 Os ímpios são derrubados e desaparecem, mas a casa dos justos permanece firme. 8 O homem é louvado segundo a sua sabedoria, mas o que tem o coração perverso é desprezado. 9 Melhor é não ser ninguém e, ainda assim, ter quem o sirva, do que fingir ser alguém e não ter comida. 10 O justo cuida bem dos seus rebanhos, mas até os atos mais bondosos dos ímpios são cruéis. 11 Quem trabalha a sua terra terá fartura de alimento, mas quem vai atrás de fantasias não tem juízo. 12 Os ímpios cobiçam o despojo tomado pelos maus, mas a raiz do justo floresce. 13 O mau se enreda em seu falar pecaminoso, mas o justo não cai nessas dificuldades. 14 Do fruto de sua boca o homem se beneficia, e o trabalho de suas mãos será recompensado. 15 O caminho do insensato parece-lhe justo, mas o sábio ouve os conselhos. 16 O insensato revela de imediato o seu aborrecimento, mas o homem prudente ignora o insulto. 17 A testemunha fiel dá testemunho honesto, mas a testemunha falsa conta mentiras. 18 Há palavras que ferem como espada, mas a língua dos sábios traz a cura. 19 Os lábios que dizem a verdade permanecem para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante. 20 O engano está no coração dos que maquinam o mal, mas a alegria está entre os que promovem a paz. 21 Nenhum mal atingirá o justo, mas os ímpios estão cobertos de problemas. 22 O Senhor odeia os lábios mentirosos, mas se deleita com os que falam a verdade. 23 O homem prudente não alardeia o seu conhecimento, mas o coração dos tolos derrama insensatez. 24 As mãos diligentes governarão, mas os preguiçosos acabarão escravos. 25 O coração ansioso deprime o homem, mas uma palavra bondosa o anima. 26 O homem honesto é cauteloso em suas amizades, mas o caminho dos ímpios os leva a perder-se. 27 O preguiçoso não aproveita a sua caça, mas o diligente dá valor a seus bens. 28 No caminho da justiça está a vida; essa é a vereda que nos preserva da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 13&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 O filho sábio acolhe a instrução do pai, mas o zombador não ouve a repreensão. 2 Do fruto de sua boca o homem desfruta coisas boas, mas o que os infiéis desejam é violência. 3 Quem guarda a sua boca guarda a sua vida, mas quem fala demais acaba se arruinando. 4 O preguiçoso deseja e nada consegue, mas os desejos do diligente são amplamente satisfeitos. 5 Os justos odeiam o que é falso, mas os ímpios trazem vergonha e desgraça. 6 A retidão protege o homem íntegro, mas a impiedade derruba o pecador. 7 Alguns fingem que são ricos e nada têm; outros fingem que são pobres, e têm grande riqueza. 8 As riquezas de um homem servem de resgate para a sua vida, mas o pobre nunca recebe ameaças. 9 A luz dos justos resplandece esplendidamente, mas a lâmpada dos ímpios apaga-se. 10 O orgulho só gera discussões, mas a sabedoria está com os que tomam conselho. 11 O dinheiro ganho com desonestidade diminuirá, mas quem o ajunta aos poucos terá cada vez mais. 12 A esperança que se retarda deixa o coração doente, mas o anseio satisfeito é árvore de vida. 13 Quem zomba da instrução pagará por ela, mas aquele que respeita o mandamento será recompensado. 14 O ensino dos sábios é fonte de vida, e afasta o homem das armadilhas da morte. 15 O bom ntendimento conquista favor, mas o caminho do infiel é áspero. 16 Todo homem prudente age com base no conhecimento, mas o tolo expõe a sua insensatez. 17 O mensageiro ímpio cai em dificuldade, mas o enviado digno de confiança traz a cura. 18 Quem despreza a disciplina cai na pobreza e na vergonha, mas quem acolhe a repreensão recebe tratamento honroso. 19 O anseio satisfeito agrada a alma, mas o tolo detesta afastar-se do mal. 20 Aquele que anda com os sábios será cada vez mais sábio, mas o companheiro dos tolos acabará mal. 21 O infortúnio persegue o pecador, mas a prosperidade é a recompensa do justo. 22 O homem bom deixa herança para os filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é armazenada para os justos. 23 A lavoura do pobre produz alimento com fartura, mas por falta de justiça ele o perde. 24 Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em discipliná-lo. 25 O justo come até satisfazer o apetite, mas os ímpios permanecem famintos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 14&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 A mulher sábia edifica a sua casa, mas com as próprias mãos a insensata derruba a sua. 2 Quem anda direito teme o Senhor, mas quem segue caminhos enganosos o despreza. 3 A conversa do insensato traz a vara para as suas costas, mas os lábios dos sábios os protegem. 4 Onde não há bois o celeiro fica vazio, mas da força do boi vem a grande colheita. 5 A testemunha sincera não engana, mas a falsa transborda em mentiras. 6 O zombador busca sabedoria e nada encontra, mas o conhecimento vem facilmente ao que tem discernimento. 7 Mantenha-se longe do tolo, pois você não achará conhecimento no que ele falar. 8 A sabedoria do homem prudente é discernir o seu caminho, mas a insensatez dos tolos é enganosa. 9 Os insensatos zombam da idéia de reparar o pecado cometido, mas a boa vontade está entre os justos. 10 Cada coração conhece a sua própria amargura, e não há quem possa partilhar sua alegria. 11 A casa dos ímpios será destruída, mas a tenda dos justos florescerá. 12 Há caminho que parece certo ao homem, mas no final conduz à morte. 13 Mesmo no riso o coração pode sofrer, e a alegria pode terminar em tristeza. 14 Os infiéis receberão a retribuição de sua conduta, mas o homem bom será recompensado. 15 O inexperiente acredita em qualquer coisa, mas o homem prudente vê bem onde pisa. 16 O sábio é cauteloso e evita o mal, mas o tolo é impetuoso e irresponsável. 17 Quem é irritadiço faz tolices, e o homem cheio de astúcias é odiado. 18 Os inexperientes herdam a insensatez, mas o conhecimento é a coroa dos prudentes. 19 Os maus se inclinarão diante dos homens de bem, e os ímpios, às portas da justiça. 20 Os pobres são evitados até por seus vizinhos, mas os amigos dos ricos são muitos. 21 Quem despreza o próximo comete pecado, mas como é feliz quem trata com bondade os necessitados! 22 Não é certo que se perdemos que só pensam no mal? Mas os que planejam o bem encontram amor e fidelidade. 23 Todo trabalho árduo traz proveito, mas o só falar leva à pobreza. 24 A riqueza dos sábios é a sua coroa, mas a insensatez dos tolos produz apenas insensatez. 25 A testemunha que fala a verdade salva vidas, mas a testemunha falsa é enganosa. 26 Aquele que teme o Senhor possui uma fortaleza segura, refúgio para os seus filhos. 27 O temor do Senhor é fonte de vida, e afasta das armadilhas da morte. 28 Uma grande população é a glória do rei, mas, sem súditos, o príncipe está arruinado. 29 O homem paciente dá prova de grande entendimento, mas o precipitado revela insensatez. 30 O coração em paz dá vida ao corpo, mas a inveja apodrece os ossos. 31 Oprimir o pobre é ultrajar o seu Criador, mas tratar com bondade o necessitado é honrar a Deus. 32 Quando chega a calamidade, os ímpios são derrubados; os justos, porém, até em face da morte encontram refúgio. 33 A sabedoria repousa no coração dos que têm discernimento, e mesmo entre os tolos ela se deixa conhecer. 34 A justiça engrandece a nação, mas o pecado é uma vergonha para qualquer povo. 35 O servo sábio agrada o rei, mas o que procede vergonhosamente incorre em sua ira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 15&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira. 2 A língua dos sábios torna atraente o conhecimento, mas a boca dos tolos derrama insensatez. 3 Os olhos do Senhor estão em toda parte, observando atentamente os maus e os bons. 4 O falar amável é árvore de vida, mas o falar enganoso esmaga o espírito. 5 O insensato faz pouco caso da disciplina de seu pai, mas quem acolhe a repreensão revela prudência. 6 A casa do justo contém grande tesouro, mas os rendimentos dos ímpios lhes trazem inquietação. 7 As palavras dos sábios espalham conhecimento; mas o coração dos tolos não é assim. 8 O Senhor detesta o sacrifício dos ímpios, mas a oração do justo o agrada. 9 O Senhor detesta o caminho dos ímpios, mas ama quem busca a justiça. 10 Há uma severa lição para quem abandona o seu caminho; quem despreza a repreensão morrerá. 11 A Sepultura e a Destruição estão abertas diante do Senhor; quanto mais os corações dos homens! 12 O zombador não gosta de quem o corrige, nem procura a ajuda do sábio. 13 A alegria do coração transparece no rosto, mas o coração angustiado oprime o espírito. 14 O coração que sabe discernir busca o conhecimento, mas a boca dos tolos alimenta-se de insensatez. 15 Todos os dias do oprimido são infelizes, mas o coração bem disposto está sempre em festa. 16 É melhor ter pouco com o temor do Senhor do que grande riqueza com inquietação. 17 É melhor ter verduras na refeição onde há amor do que um boi gordo acompanhado de ódio. 18 O homem irritável provoca dissensão, mas quem é paciente acalma a discussão. 19 O caminho do preguiçoso é cheio de espinhos, mas o caminho do justo é uma estrada plana. 20 O filho sábio dá alegria a seu pai, mas o tolo despreza a sua mãe. 21 A insensatez alegra quem não tem bom senso, mas o homem de entendimento procede com retidão. 22 Os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem-sucedidos quando há muitos conselheiros. 23 Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa! 24 O caminho da vida conduz para cima quem é sensato, para que ele não desça à sepultura. 25 O Senhor derruba a casa do orgulhoso, mas mantém intactos os limites da propriedade da viúva. 26 O Senhor detesta os pensamentos dos maus, mas se agrada de palavras ditas sem maldade. 27 O avarento põe sua família em apuros, mas quem repudia o suborno viverá. 28 O justo pensa bem antes de responder, mas a boca dos ímpios jorra o mal. 29 O Senhor está longe dos ímpios, mas ouve a oração dos justos. 30 Um olhar animador dá alegria ao coração, e as boas notícias revigoram os ossos. 31 Quem ouve a repreensão construtiva terá lugar permanente entre os sábios. 32 Quem recusa a disciplina faz pouco caso de si mesmo, mas quem ouve a repreensão obtém entendimento. 33 O temor do Senhor ensina a sabedoria, e a humildade antecede a honra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 16&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Ao homem pertencemos planos do coração, mas do Senhor vem a resposta da língua. 2 Todos os caminhos do homem lhe parecem puros, mas o Senhor avalia o espírito. 3 Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos. 4 O Senhor faz tudo com um propósito; até os ímpios para o dia do castigo. 5 O Senhor detesta os orgulhosos de coração. Sem dúvida serão punidos. 6 Com amor e fidelidade se faz expiação pelo pecado; com o temor do Senhor o homem evita o mal. 7 Quando os caminhos de um homem são agradáveis ao Senhor, ele faz que até os seus inimigos vivam em paz com ele. 8 É melhor ter pouco com retidão do que muito com injustiça. 9 Em seu coração o homem planeja o seu caminho, mas o Senhor determina os seus passos. 10 Os lábios do rei falam com grande autoridade; sua boca não deve trair a justiça. 11 Balanças e pesos honestos vêm do Senhor; todos os pesos da bolsa são feitos por ele. 12 Os reis detestam a prática da maldade, porquanto o trono se firma pela justiça. 13 O rei se agrada dos lábios honestos, e dá valor ao homem que fala a verdade. 14 A ira do rei é um mensageiro da morte, mas o homem sábio a acalmará. 15 Alegria no rosto do rei é sinal de vida; seu favor é como nuvem de chuva na primavera. 16 É melhor obter sabedoria do que ouro! É melhor obter entendimento do que prata! 17 A vereda do justo evita o mal; quem guarda o seu caminho preserva a sua vida. 18 O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda. 19 Melhor é ter espírito humilde entre os oprimidos do que partilhar despojos com os orgulhosos. 20 Quem examina cada questão com cuidado prospera, e feliz é aquele que confia no Senhor. 21 O sábio de coração é considerado prudente; quem fala com equilíbrio promove a instrução. 22 O entendimento é fonte de vida para aqueles que o têm, mas a insensatez traz castigo aos insensatos. 23 O coração do sábio ensina a sua boca, e os seus lábios promovem a instrução. 24 As palavras agradáveis são como um favo de mel, são doces para a alma e trazem cura para os ossos. 25 Há caminho que parece reto ao homem, mas no final conduz à morte. 26 O apetite do trabalhador o obriga a trabalhar; a sua fome o impulsiona. 27 O homem sem caráter maquina o mal; suas palavras são um fogo devorador. 28 O homem perverso provoca dissensão, e o que espalha boatos afasta bons amigos. 29 O violento recruta o seu próximo e o leva por um caminho ruim. 30 Quem pisca os olhos planeja o mal; quem franze os lábios já o vai praticar. 31 O cabelo grisalho é uma coroa de esplendor, e se obtém mediante uma vida justa. 32 Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade. 33 A sorte é lançada no colo, mas a decisão vem do Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 17&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Melhor é um pedaço de pão seco com paz e tranqüilidade do que uma casa onde há banquetes, e muitas brigas. 2 O servo sábio dominará sobre o filho de conduta vergonhosa, e participará da herança como um dos irmãos. 3 O crisol é para a prata e o forno é para o ouro, mas o Senhor prova o coração. 4 O ímpio dá atenção aos lábios maus; o mentiroso dá ouvidos à língua destruidora. 5 Quem zomba dos pobres mostra desprezo pelo Criador deles; quem se alegra com a desgraça não ficará sem castigo. 6 Os filhos dos filhos são uma coroa para os idosos, e os pais são o orgulho dos seus filhos. 7 Os lábios arrogantes não ficam bem ao insensato; muito menos os lábios mentirosos ao governante! 8 O suborno é um recurso fascinante para aquele que o oferece; aonde quer que vá, ele tem sucesso. 9 Aquele que cobre uma ofensa promove amor, mas quem a lança em rosto e para bons amigos. 10 A repreensão faz marca mais profunda no homem de entendimento do que cem açoites no tolo. 11 O homem mau só pende para a rebeldia; por isso um oficial impiedoso será enviado contra ele. 12 Melhor é encontrar uma ursada qual roubaram os filhotes do que um tolo em sua insensatez. 13 Quem retribui o bem com o mal, jamais deixará de ter mal no seu lar. 14 Começar uma discussão é como abrir brecha num dique; por isso resolva a questão antes que surja a contenda. 15 Absolver o ímpio e condenar o justo são coisas que o Senhor odeia. 16 De que serve o dinheiro na mão do tolo, já que ele não quer obter sabedoria? 17 O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade. 18 O homem sem juízo com um aperto de mãos se compromete e se torna fiador do seu próximo. 19 Quem ama a discussão ama o pecado; quem constrói portas altas está procurando a sua ruína. 20 O homem de coração perverso não prospera, e o de língua enganosa cai na desgraça. 21 O filho tolo só dá tristeza, e nenhuma alegria tem o pai do insensato. 22 O coração bem disposto é remédio eficiente, mas o espírito oprimido resseca os ossos. 23 O ímpio aceita às escondidas o suborno para desviar o curso da justiça. 24 O homem de discernimento mantém a sabedoria em vista, mas os olhos do tolo vagueiam até os confins da terra. 25 O filho tolo é a tristeza do seu pai e a amargura daquela que o deu à luz. 26 Não é bom castigar o inocente, nem açoitar quem merece ser honrado. 27 Quem tem conhecimento é comedido no falar, e quem tem entendimento é de espírito sereno. 28 Até o insensato passará por sábio, se ficar quieto, e, se contiver a língua, parecerá que tem discernimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 18&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Quem se isola busca interesses egoístas e se rebela contra a sensatez. 2 O tolo não tem prazer no entendimento, mas sim em expor os seus pensamentos. 3 Com a impiedade vem o desprezo, e com a desonra vem a vergonha. 4 As palavras do homem são águas profundas, mas a fonte da sabedoria é um ribeiro que transborda. 5 Não é bom favorecer os ímpios para privar da justiça o justo. 6 As palavras do tolo provocam briga, e a sua conversa atrai açoites. 7 A conversa do tolo é a sua desgraça, e seus lábios são uma armadilha para a sua alma. 8 As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem até o íntimo do homem. 9 Quem relaxa em seu trabalho é irmão do que o destrói. 10 O nome do Senhor é uma torre forte; os justos correm para ela e estão seguros. 11 A riqueza dos ricos é a sua cidade fortificada, eles a imaginam como um muro que é impossível escalar. 12 Antes da sua queda o coração do homem se envaidece, mas a humildade antecede a honra. 13 Quem responde antes de ouvir comete insensatez e passa vergonha. 14 O espírito do homem o sustenta na doença, mas o espírito deprimido, quem o levantará? 15 O coração do que tem discernimento adquire conhecimento; os ouvidos dos sábios saem à sua procura. 16 O presente abre o caminho para aquele que o entrega e o conduz à presença dos grandes. 17 O primeiro a apresentar a sua causa parece ter razão, até que outro venha à frente e o questione. 18 Lançar sortes resolve contendas e decide questões entre poderosos. 19 Um irmão ofendido é mais inacessível do que uma cidade fortificada, e as discussões são como as portas trancadas de uma cidadela. 20 Do fruto da boca enche-se o estômago do homem; o produto dos lábios o satisfaz. 21 A língua tem poder sobre a vida e sobre a morte; os que gostam de usá-la comerão do seu fruto. 22 Quem encontra uma esposa encontra algo excelente; recebeu uma bênção do Senhor. 23 O pobre implora misericórdia, mas o rico responde com aspereza. 24 Quem tem muitos amigos pode chegar à ruína, mas existe amigo mais apegado que um irmão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 19&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Melhor é o pobre que vive com integridade do que o tolo que fala perversamente. 2 Não é bom ter zelo sem conhecimento, nem ser precipitado e perder o caminho. 3 É a insensatez do homem que arruína a sua vida, mas o seu coração se ira contra o Senhor. 4 A riqueza traz muitos amigos, mas até o amigo do pobre o abandona. 5 A testemunha falsa não ficará sem castigo, e aquele que despeja mentiras não sairá livre. 6 Muitos adulam o governante, e todos são amigos de quem dá presentes. 7 O pobre é desprezado por todos os seus parentes, quanto mais por seus amigos! Embora os procure, para pedir-lhes ajuda, não os encontra em lugar nenhum. 8 Quem obtém sabedoria ama-se a si mesmo; quem acalenta o entendimento prospera. 9 A testemunha falsa não ficará sem castigo, e aquele que despeja mentiras perecerá. 10 Não fica bem o tolo viver no luxo; quanto pior é o servo dominar príncipes! 11 A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas. 12 A ira do rei é como o rugido do leão, mas a sua bondade é como o orvalho sobre a relva. 13 O filho tolo é a ruína de seu pai, e a esposa briguenta é como uma goteira constante. 14 Casas e riquezas herdam-se dos pais, mas a esposa prudente vem do Senhor. 15 A preguiça leva ao sono profundo, e o preguiçoso passa fome. 16 Quem obedece aos mandamentos preserva a sua vida, mas quem despreza os seus caminhos morrerá. 17 Quem trata bem os pobres empresta ao Senhor, e ele o recompensará. 18 Discipline seu filho, pois nisso há esperança; não queira a morte dele. 19 O homem de gênio difícil precisa do castigo; se você o poupar, terá que poupá-lo de novo. 20 Ouça conselhos e aceite instruções, e acabará sendo sábio. 21 Muitos são os planos no coração do homem, mas o que prevalece é o propósito do Senhor. 22 O que se deseja ver num homem é amor perene; melhor é ser pobre do que mentiroso. 23 O temor do Senhor conduz à vida: quem o teme pode descansar em paz, livre de problemas. 24 O preguiçoso põe a mão no prato, e não se dá ao trabalho de levá-la à boca!&lt;br /&gt;25 Açoite o zombador, e os inexperientes aprenderão a prudência; repreenda o homem de discernimento, e ele obterá conhecimento. 26 O filho que rouba o pai e expulsa a mãe é causador de vergonha e desonra. 27 Se você parar de ouvir a instrução, meu filho, irá afastar-se das palavras que dão conhecimento. 28 A testemunha corrupta zomba da justiça, e a boca dos ímpios tem fome de iniqüidade. 29 Os castigos estão preparados para os zombadores, e os açoites para as costas dos tolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 20&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 O vinho é zombador e a bebida fermentada provoca brigas; não é sábio deixar-se dominar por eles. 2 O medo que o rei provoca é como o do rugido de um leão; quem o irrita põe em risco a própria vida. 3 É uma honra dar fim a contendas, mas todos os insensatos envolvem-se nelas. 4 O preguiçoso não ara a terra na estação própria; mas na época da colheita procura, e não acha nada. 5 Os propósitos do coração do homem são águas profundas, mas quem tem discernimento os traz à tona. 6 Muitos se dizem amigos leais, mas um homem fiel, quem poderá achar? 7 O homem justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos! 8 Quando o rei se assenta no trono para julgar, com o olhar esmiúça todo o mal. 9 Quem poderá dizer: “Purifiquei o coração; estou livre do meu pecado”? 10 Pesos adulterados e medidas falsificadas são coisas que o Senhor detesta. 11 Até a criança mostra o que é por suas ações; o seu procedimento revelará se ela é pura e justa. 12 Os ouvidos que ouvem e os olhos que vêem foram feitos pelo Senhor. 13 Não ame o sono, senão você acabará ficando pobre; fique desperto, e terá alimento de sobra. 14 “Não vale isso! Não vale isso!”, diz o comprador, mas, quando se vai, gaba-se do bom negócio. 15 Mesmo onde há ouro e rubis em grande quantidade, os lábios que transmitem conhecimento são uma rara preciosidade. 16 Tome-se a veste de quem serve de fiador ao estranho; sirva ela de penhor de quem dá garantia a uma mulher leviana. 17 Saborosa é a comida que se obtém com mentiras, mas depois dá areia na boca. 18 Os conselhos são importantes para quem quiser fazer planos, e quem sai à guerra precisa de orientação. 19 Quem vive contando casos não guarda segredo; por isso, evite quem fala demais. 20 Se alguém amaldiçoar seu pai ou sua mãe, a luz de sua vida se extinguirá na mais profunda escuridão. 21 A herança que se obtém com ganância no princípio, no final não será abençoada. 22 Não diga: “Eu o farei pagar pelo mal que me fez!” Espere pelo Senhor, e ele dará a vitória a você. 23 O Senhor detesta pesos adulterados, e balanças falsificadas não o agradam. 24 Os passos do homem são dirigidos pelo Senhor. Como poderia alguém discernir o seu próprio caminho? 25 É uma armadilha consagrar algo precipitadamente, e só pensar nas conseqüências depois que se fez o voto. 26 O rei sábio abana os ímpios, e passa sobre eles a roda de debulhar. 27 O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, e vasculha cada parte do seu ser. 28 A bondade e a fidelidade preservam o rei; por sua bondade ele dá firmeza ao seu trono. 29 A beleza dos jovens está na sua força; a glória dos idosos, nos seus cabelos brancos. 30 Os golpes e os ferimentos eliminam o mal; os açoites limpam as profundezas do ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 21&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 O coração do rei é como um rio controlado pelo Senhor; ele o dirige para onde quer. 2 Todos os caminhos do homem lhe parecem justos, mas o Senhor pesa o coração. 3 Fazer o que é justo e certo é mais aceitável ao Senhor do que oferecer sacrifícios. 4 A vida de pecado dos ímpios se vê no olhar orgulhoso e no coração arrogante. 5 Os planos bem elaborados levam à fartura; mas o apressado sempre acaba na miséria. 6 A fortuna obtida com língua mentirosa é ilusão fugidia e armadilha mortal. 7 A violência dos ímpios os arrastará, pois recusam-se a agir corretamente. 8 O caminho do culpado é tortuoso, mas a conduta do inocente é reta. 9 Melhor é viver num canto sob o telhado do que repartir a casa com uma mulher briguenta. 10 O desejo do perverso é fazer o mal; ele não tem dó do próximo. 11 Quando o zombador é castigado, o inexperiente obtém sabedoria; quando o sábio recebe instrução, obtém conhecimento. 12 O justo observa a casa dos ímpios e os faz cair na desgraça. 13 Quem fecha os ouvidos ao clamor dos pobres também clamará e não terá resposta. 14 O presente que se faz em segredo acalma a ira, e o suborno oferecido às ocultas apazigua a maior fúria. 15 Quando se faz justiça, o justo se alegra, mas os malfeitores se apavoram. 16 Quem se afastado caminho da sensatez repousará na companhia dos mortos. 17 Quem se entrega aos prazeres passará necessidade; quem se apega ao vinho e ao azeite jamais será rico. 18 O ímpio serve de resgate para o justo, e o infiel, para o homem íntegro. 19 Melhor é viver no deserto do que com uma mulher briguenta e amargurada. 20 Na casa do sábio há comida e azeite armazenados, mas o tolo devora tudo o que pode. 21 Quem segue a justiça e a lealdade encontra vida, justiça e honra. 22 O sábio conquista a cidade dos valentes e derruba a fortaleza em que eles confiam. 23 Quem é cuidadoso no que fala evita muito sofrimento. 24 O vaidoso e arrogante chama-se zombador; ele age com extremo orgulho. 25 O preguiçoso morre de tanto desejar e de nunca pôr as mãos no trabalho. 26 O dia inteiro ele deseja mais e mais, enquanto o justo reparte sem cessar. 27 O sacrifício dos ímpios já por si é detestável; tanto mais quando oferecido com más intenções. 28 A testemunha falsa perecerá, mas o testemunho do homem bem informado permanecerá. 29 O ímpio mostra no rosto a sua arrogância, mas o justo mantém em ordem o seu caminho. 30 Não há sabedoria alguma, nem discernimento algum, nem plano algum que possa opor-se ao Senhor. 31 Prepara-se o cavalo para o dia da batalha, mas o ¬Senhoré que dá a vitória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 22&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 A boa reputação vale mais que grandes riquezas; desfrutar de boa estima vale mais que prata e ouro. 2 O rico e o pobre têm isto em comum: o Senhor é o Criador de ambos. 3 O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as conseqüências. 4 A recompensa da humildade e do temor do Senhor são a riqueza, a honra e a vida. 5 No caminho do perverso há espinhos e armadilhas; quem quer proteger a própria vida mantém-se longe dele. 6 Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com o passar dos anos não se desviará deles. 7 O rico domina sobre o pobre; quem toma emprestado é escravo de quem empresta. 8 Quem semeia a injustiça colhe a maldade; o castigo da sua arrogância será completo. 9 Quem é generoso será abençoado, pois reparte o seu pão com o pobre. 10 Quando se manda embora o zombador, a briga acaba; cessam as contendas e os insultos. 11 Quem ama a sinceridade de coração e se expressa com elegância será amigo do rei. 12 Os olhos do Senhor protegem o conhecimento, mas ele frustra as palavras dos infiéis. 13 O preguiçoso diz: “Há um leão lá fora!” “Serei morto na rua!” 14 A conversa da mulher imoral é uma cova profunda; nela cairá quem estiver sob a ira do Senhor. 15 A insensatez está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a livrará dela. 16 Tanto quem oprime o pobre para enriquecer-se como quem faz cortesia ao rico, com certeza passarão necessidade. 17 Preste atenção e ouça os ditados dos sábios, e aplique o coração ao meu ensino. 18 Será uma satisfação guardá-los no íntimo e tê-los todos na ponta da língua. 19 Para que você confie no Senhor, a você hoje ensinarei. 20 Já não lhe escrevi conselhos e instruções, 21 ensinando-lhe palavras dignas de confiança, para que você responda com a verdade a quem o enviou? 22 Não explore os pobres por serem pobres, nem oprima os necessitados no tribunal, 23 pois o Senhor será o advogado deles, e despojará da vida os que os despojarem. 24 Não se associe com quem vive de mau humor, nem ande em companhia de quem facilmente se ira; 25 do contrário você acabará imitando essa conduta e cairá em armadilha mortal. 26 Não seja como aqueles que, com um aperto de mãos, empenham-se com outros e se tornam fiadores de dívidas; 27 se você não tem como pagá-las, por que correr o risco de perder até a cama em que dorme? 28 Não mude de lugar os antigos marcos que limitam as propriedades e que foram colocados por seus antepassados. 29 Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real; não trabalhará para gente obscura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 23&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Quando você se assentar para uma refeição com alguma autoridade, observe com atenção quem está diante de você, 2 e encoste a faca à sua própria garganta, se estiver com grande apetite. 3 Não deseje as iguarias que lhe oferece, pois podem ser enganosas. 4 Não esgote suas forças tentando ficar rico; tenha bom senso! 5 As riquezas desaparecem assim que você as contempla; elas criam asas e voam como águias pelo céu. 6 Não aceite a refeição de um hospedeiro invejoso, nem deseje as iguarias que lhe oferece; 7 pois ele só pensa nos gastos. Ele lhe diz: “Coma e beba!”, mas não fala com sinceridade. 8 Você vomitará o pouco que comeu, e desperdiçará a sua cordialidade. 9 Não vale a pena conversar com o tolo, pois ele despreza a sabedoria do que você fala. 10 Não mude de lugar os antigos marcos de propriedade, nem invada as terras dos órfãos, 11 pois aquele que defende os direitos deles é forte. Ele lutará contra você para defendê-los. 12 Dedique à disciplina o seu coração, e os seus ouvidos às palavras que dão conhecimento. 13 Não evite disciplinar a criança; se você a castigar com a vara, ela não morrerá. 14 Castigue-a, você mesmo, com a vara, e assim a livrará da sepultura. 15 Meu filho, se o seu coração for sábio, o meu coração se alegrará. 16 Sentirei grande alegria quando os seus lábios falarem com retidão. 17 Não inveje os pecadores em seu coração; melhor será que tema sempre o Senhor. 18 Se agir assim, certamente haverá bom futuro para você, e a sua esperança não falhará. 19 Ouça, meu filho, e seja sábio; guie o seu coração pelo bom caminho. 20 Não ande com os que se encharcam de vinho, nem com os que se empanturram de carne. 21 Pois os bêbados e os glutões se empobrecerão, e a sonolência os vestirá de trapos. 22 Ouça o seu pai, que o gerou; não despreze sua mãe quando ela envelhecer. 23 Compre a verdade e não abra mão dela, nem tampouco da sabedoria, da disciplina e do discernimento. 24 O pai do justo exultará de júbilo; quem tem filho sábio nele se alegra. 25 Bom será que se alegrem seu pai e sua mãe e que exulte a mulher que o deu à luz! 26 Meu filho, dê-me o seu coração; mantenha os seus olhos em meus caminhos, 27 pois a prostituta é uma cova profunda, e a mulher pervertida é um poço estreito. 28 Como o assaltante, ela fica de tocaia, e multiplica entre os homens os infiéis. 29 De quem são os ais? De quem as tristezas? E as brigas, de quem são? E os ferimentos desnecessários? De quem são os olhos vermelhos? 30 Dos que se demoram bebendo vinho, dos que andam à procura de bebida misturada. 31 Não se deixe atrair pelo vinho quando está vermelho, quando cintila no copo e escorre suavemente! 32 No fim, ele morde como serpente e envenena como víbora. 33 Seus olhos verão coisas estranhas, e sua mente imaginará coisas distorcidas. 34 Você será como quem dorme no meio do mar, como quem se deita no alto das cordas do mastro. 35 E dirá: “Espancaram-me, mas eu nada senti! Bateram em mim, mas nem percebi! Quando acordarei para que possa beber mais uma vez?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 24&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Não tenha inveja dos ímpios, nem deseje a companhia deles; 2 pois destruição é o que planejam no coração, e só falam de violência. 3 Com sabedoria se constrói a casa, e com discernimento se consolida. 4 Pelo conhecimento os seus cômodos se enchem do que é precioso e agradável. 5 O homem sábio é poderoso, e quem tem conhecimento aumenta a sua força; 6 quem sai à guerra precisa de orientação, e com muitos conselheiros se obtém a vitória. 7 A sabedoria é elevada demais para o insensato; ele não sabe o que dizer nas assembléias. 8 Quem maquina o mal será conhecido como criador de intrigas. 9 A intriga do insensato é pecado, e o zombador é detestado pelos homens.&lt;br /&gt;10 Se você vacila no dia da dificuldade, como será limitada a sua força! 11 Liberte os que estão sendo levados para a morte; socorra os que caminham trêmulos para a matança! 12 Mesmo que você diga: “Não sabíamos o que estava acontecendo!” Não o perceberia aquele que pesa os corações? Não o saberia aquele que preserva a sua vida? Não retribuirá ele a cada um segundo o seu procedimento? 13 Coma mel, meu filho. É bom. O favo é doce ao paladar. 14 Saiba que a sabedoria também será boa para a sua alma; se você a encontrar, certamente haverá futuro para você, e a sua esperança não vai decepcioná-lo. 15 Não fique de tocaia, como faz o ímpio, contra a casa do justo, e não destrua o seu local de repouso, 16 pois ainda que o justo caia sete vezes, tornará a erguer-se, mas os ímpios são arrastados pela calamidade. 17 Não se alegre quando o seu inimigo cair, nem exulte o seu coração quando ele tropeçar, 18 para que o Senhor não veja isso, e se desagrade, e desvie dele a sua ira. 19 Não se aborreça por causa dos maus, nem tenha inveja dos ímpios, 20 pois não há futuro para o mau, e a lâmpada dos ímpios se apagará. 21 Tema o Senhor e o rei, meu filho, e não se associe aos dissidentes, 22 pois terão repentina destruição, e quem pode imaginar a ruína que o Senhor e o rei podem causar? 23 Aqui vão outros ditados dos sábios: Agir com parcialidade nos julgamentos não é nada bom. 24 Quem disser ao ímpio: “Você é justo”, será amaldiçoado pelos povo se sofrerá a indignação das nações. 25 Mas os que condenam o culpado terão vida agradável; receberão grandes bênçãos. 26 A resposta sincera é como beijo nos lábios. 27 Termine primeiro o seu trabalho a céu aberto; deixe pronta a sua lavoura. Depois constitua família. 28 Não testemunhe sem motivo contra o seu próximo nem use os seus lábios para enganá-lo. 29 Não diga: “Farei com ele o que fez comigo; ele pagará pelo que fez”. 30 Passei pelo campo do preguiçoso, pela vinha do homem sem juízo; 31 havia espinheiros por toda parte, o chão estava coberto de ervas daninhas e o muro de pedra estava em ruínas. 32 Observei aquilo, e fiquei pensando; olhei, e aprendi esta lição: 33 “Vou dormir um pouco”, você diz. “Vou cochilar um momento; vou cruzar os braços e descansar mais um pouco”, 34 mas a pobreza lhe sobrevirá como um assaltante, e a sua miséria como um homem armado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 25&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Estes são outros provérbios de Salomão, compilados pelos servos de Ezequias, rei de Judá: 2 A glória de Deus é ocultar certas coisas; tentar descobri-las é a glória dos reis. 3 Assim como o céu é elevado e a terra é profunda, também o coração dos reis é insondável. 4 Quando se retira a escória da prata, nesta se tem material para o ourives; 5 quando os ímpios são retirados da presença do rei, a justiça firma o seu trono. 6 Não se engrandeça na presença do rei, e não reivindique lugar entre os homens importantes; 7 é melhor que o rei lhe diga: “Suba para cá!”, do que ter que humilhá-lo diante de uma autoridade. O que você viu com os olhos 8 não leve precipitadamente ao tribunal, pois o que você fará, se o seu próximo o desacreditar? 9 Procure resolver sua causa diretamente com o seu próximo, e não revele o segredo de outra pessoa, 10 caso contrário, quem o ouvir poderá recriminá-lo, e você jamais perderá sua má reputação. 11 A palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura de prata. 12 Como brinco de ouro e enfeite de ouro fino é a repreensão dada com sabedoria a quem se dispõe a ouvir. 13 Como o frescor da neve na época da colheita é o mensageiro de confiança para aqueles que o enviam; ele revigora o ânimo de seus senhores. 14 Como nuvens e ventos sem chuva é aquele que se gaba de presentes que não deu. 15 Com muita paciência pode-se convencer a autoridade, e a língua branda quebra até ossos. 16 Se você encontrar mel, coma apenas o suficiente, para que não fique enjoado e vomite. 17 Não faça visitas freqüentes à casa do seu vizinho para que ele não se canse de você e passe a odiá-lo. 18 Como um pedaço de pau, uma espada ou uma flecha aguda é o que dá falso testemunho contra o seu próximo. 19 Como dente estragado ou pé deslocado é a confiança no hipócrita na hora da dificuldade. 20 Como tirar a própria roupa num dia de frio, ou derramar vinagre numa ferida, é cantar com o coração entristecido. 21 Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. 22 Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele, e o Senhor recompensará você. 23 Como o vento norte traz chuva, assim a língua fingida traz o olhar irado. 24 Melhor é viver num canto sob o telhado do que repartir a casa com uma mulher briguenta. 25 Como água fresca para a garganta sedenta é a boa notícia que chega de uma terra distante. 26 Como fonte contaminada ou nascente poluída, assim é o justo que fraqueja diante do ímpio. 27 Comer mel demais não é bom, nem é honroso buscar a própria honra. 28 Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe dominar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 26&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Como neve no verão ou chuva na colheita, assim a honra é imprópria para o tolo. 2 Como o pardal que voa em fuga, e a andorinha que esvoaça veloz, assim a maldição sem motivo justo não pega. 3 O chicote é para o cavalo, o freio, para o jumento, e a vara, para as costas do tolo! 4 Não responda ao insensato com igual insensatez, do contrário você se igualará a ele. 5 Responda ao insensato como a sua insensatez merece, do contrário ele pensará que é mesmo um sábio. 6 Como cortar o próprio pé ou beber veneno, assim é enviar mensagem pelas mãos do tolo. 7 Como pendem inúteis as pernas do coxo, assim é o provérbio na boca do tolo. 8 Como amarrar uma pedra na atiradeira, assim é prestar honra ao insensato. 9 Como ramo de espinhos nas mãos do bêbado, assim é o provérbio na boca do insensato. 10 Como o arqueiro que atira ao acaso, assim é quem contrata o tolo ou o primeiro que passa. 11 Como o cão volta ao seu vômito, assim o insensato repete a sua insensatez. 12 Você conhece alguém que se julga sábio? Há mais esperança para o insensato do que para ele. 13 O preguiçoso diz: “Lá está um leão no caminho, um leão feroz rugindo nas ruas!” 14 Como a porta gira em suas dobradiças, assim o preguiçoso se revira em sua cama. 15 O preguiçoso coloca a mão no prato, mas acha difícil demais levá-la de volta à boca. 16 O preguiçoso considera-se mais sábio do que sete homens que respondem com bom senso. 17 Como alguém que pega pelas orelhas um cão qualquer, assim é quem se mete em discussão alheia. 18 Como o louco que atira brasas e flechas mortais, 19 assim é o homem que engana o seu próximo e diz: “Eu estava só brincando!” 20 Sem lenha a fogueira se apaga; sem o caluniador morre a contenda. 21 O que o carvão é para as brasas e a lenha para a fogueira, o amigo de brigas é para atiçar discórdias. 22 As palavras do caluniador são como petiscos deliciosos; descem saborosos até o íntimo. 23 Como uma camada de esmalte sobre um vaso de barro, os lábios amistosos podem ocultar um coração mau. 24 Quem odeia disfarça as suas intenções com os lábios, mas no coração abriga a falsidade. 25 Embora a sua conversa seja mansa, não acredite nele, pois o seu coração está cheio de maldade. 26 Ele pode fingir e esconder o seu ódio, mas a sua maldade será exposta em público. 27 Quem faz uma cova, nela cairá; se alguém rola uma pedra, esta rolará de volta sobre ele. 28 A língua mentirosa odeia aqueles a quem fere, e a boca lisonjeira provoca a ruína.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 27&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Não se gabe do dia de amanhã, pois você não sabe o que este ou aquele dia poderá trazer. 2 Que outros façam elogios a você, não a sua própria boca; outras pessoas, não os seus próprios lábios. 3 A pedra é pesada e a areia é um fardo, mas a irritação causada pelo insensato é mais pesada do que as duas juntas. 4 O rancor é cruel e a fúria é destruidora, mas quem consegue suportar a inveja? 5 Melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto. 6 Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos. 7 Quem está satisfeito despreza o mel, mas para quem tem fome até o amargo é doce. 8 Como a ave que vagueia longe do ninho, assim é o homem que vagueia longe do lar. 9 Perfume e incenso trazem alegria ao coração; do conselho sincero do homem nasce uma bela amizade. 10 Não abandone o seu amigo nem o amigo de seu pai; quando for atingido pela adversidade não vá para a casa de seu irmão; melhor é o vizinho próximo do que o irmão distante. 11 Seja sábio, meu filho, e traga alegria ao meu coração; poderei então respondera quem me desprezar. 12 O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o inexperiente segue adiante e sofre as conseqüências. 13 Tome-se a veste de quem serve de fiador ao estranho; sirva ela de penhor de quem dá garantia a uma mulher leviana. 14 A bênção dada aos gritos cedo de manhã, como maldição é recebida. 15 A esposa briguenta é como o gotejar constante num dia chuvoso; 16 detê-la é como deter o vento, como apanhar óleo com a mão. 17 Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro. 18 Quem cuida de uma figueira comerá de seu fruto, e quem trata bem o seu senhor receberá tratamento de honra. 19 Assim como a água reflete o rosto, o coração reflete quem somos nós. 20 O Sheol e a Destruição são insaciáveis, como insaciáveis são os olhos do homem. 21 O crisol é para a prata e o forno é para o ouro, mas o que prova o homem são os elogios que recebe. 22 Ainda que você moa o insensato, como trigo no pilão, a insensatez não se afastará dele. 23 Esforce-se para saber bem como suas ovelhas estão, dê cuidadosa atenção aos seus rebanhos, 24 pois as riquezas não duram para sempre, e nada garante que a coroa passe de uma geração a outra. 25 Quando o feno for retirado, surgirem novos brotos e o capim das colinas for colhido, 26 os cordeiros lhe fornecerão roupa, e os bodes lhe renderão o preço de um campo. 27 Haverá fartura de leite de cabra para alimentar você e sua família, e para sustentar as suas servas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 28&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 O ímpio foge, embora ninguém o persiga, mas os justos são corajosos como o leão. 2 Os pecados de uma nação fazem mudar sempre os seus governantes, mas a ordem se mantém com um líder sábio e sensato. 3 O pobre que se torna poderoso e oprime os pobres é como a tempestade súbita que destrói toda a plan¬tação. 4 Os que abandonam a lei elogiam os ímpios, mas os que obedecem à lei lutam contra eles. 5 Os homens maus não entendem a justiça, mas os que buscam o Senhor a entendem plenamente. 6 Melhor é o pobre íntegro em sua conduta do que o rico perverso em seus caminhos. 7 Quem obedece à lei é filho sábio, mas o companheiro dos glutões envergonha o pai. 8 Quem aumenta sua riqueza com juros exorbitantes ajunta para algum outro, que será bondoso com os pobres. 9 Se alguém se recusa a ouvir a lei, até suas orações serão detestáveis. 10 Quem leva o homem direito pelo mau caminho cairá ele mesmo na armadilha que preparou, mas o que não se deixa corromper terá boa recompensa. 11 O rico pode até se julgar sábio, mas o pobre que tem discernimento o conhece a fundo. 12 Quando os justos triunfam, há prosperidade geral, mas, quando os ímpios sobem ao poder, os homens tratam de esconder-se. 13 Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia. 14 Como é feliz o homem constante no temor do Senhor! Mas quem endurece o coração cairá na desgraça. 15 Como um leão que ruge ou um urso feroz é o ímpio que governa um povo necessitado. 16 O governante sem discernimento aumenta as opressões, mas os que odeiam o ganho desonesto prolongarão o seu governo. 17 O assassino atormentado pela culpa será fugitivo até a morte; que ninguém o proteja! 18 Quem procede com integridade viverá seguro, mas quem procede com perversidade de repente cairá. 19 Quem lavra sua terra terá comida com fartura, mas quem persegue fantasiasse fartará de miséria. 20 O fiel será ricamente abençoado, mas quem tenta enriquecer-se depressa não ficará sem castigo. 21 Agir com parcialidade não é bom; pois até por um pedaço de pão o homem se dispõe a fazer o mal. 22 O invejoso é ávido por riquezas, e não percebe que a pobreza o aguarda. 23 Quem repreende o próximo obterá por fim mais favor do que aquele que só sabe bajular. 24 Quem rouba seu pai ou sua mãe e diz: “Não é errado”, é amigo de quem destrói. 25 O ganancioso provoca brigas, mas quem confia no Senhor prosperará. 26 Quem confia em si mesmo é insensato, mas quem anda segundo a sabedoria não corre perigo. 27 Quem dá aos pobres não passará necessidade, mas quem fecha os olhos para não vê-los sofrerá muitas maldições. 28 Quando os ímpios sobem ao poder, o povo se esconde; mas, quando eles sucumbem, os justos florescem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 29&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Quem insiste no erro depois de muita repreensão, será destruído, sem aviso e irremediavelmente. 2 Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme. 3 O homem que ama a sabedoria dá alegria a seu pai, mas quem anda com prostitutas dá fim à sua fortuna. 4 O rei que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína. 5 Quem adula seu próximo está armando uma rede para os pés dele. 6 O pecado do homem mau o apanha na sua própria armadilha, mas o justo pode cantar e alegrar-se. 7 Os justos levam em conta os direitos dos pobres, mas os ímpios nem se importam com isso. 8 Os zombadores agitam a cidade, mas os sábios a apaziguam. 9 Se o sábio for ao tribunal contra o insensato, não haverá paz, pois o insensato se enfurecerá e zombará. 10 Os violentos odeiam os honestos e procuram matar o homem íntegro. 11 O tolo dá vazão à sua ira, mas o sábio domina-se. 12 Para o governante que dá ouvidos a mentiras, todos os seus oficiais são ímpios. 13 O pobre e o opressor têm algo em comum: o Senhor dá vista a ambos. 14 Se o rei julga os pobres com justiça, seu trono estará sempre seguro. 15 A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe. 16 Quando os ímpios prosperam, prospera o pecado, mas os justos verão a queda deles. 17 Discipline seu filho, e este lhe dará paz; trará grande prazer à sua alma. 18 Onde não há revelação divina, o povo se desvia; mas como é feliz quem obedece à lei! 19 Meras palavras não bastam para corrigir o escravo; mesmo que entenda, não reagirá bem. 20 Você já viu alguém que se precipita no falar? Há mais esperança para o insensato do que para ele. 21 Se alguém mima seu escravo desde jovem, no fim terá tristezas. 22 O homem irado provoca brigas, e o de gênio violento comete muitos pecados. 23 O orgulho do homem o humilha, mas o de espírito humilde obtém honra. 24 O cúmplice do ladrão odeia a si mesmo; posto sob juramento, não ousa testemunhar. 25 Quem teme o homem cai em armadilhas, mas quem confia no Senhor está seguro. 26 Muitos desejam os favores do governante, mas é do Senhor que procede a justiça. 27 Os justos detestam os desonestos, já os ímpios detestam os íntegros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 30&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Ditados de Agur, filho de Jaque; oráculo: Este homem declarou a Itiel; a Itiel e a Ucal: 2 Sou o mais tolo dos homens; não tenho o entendimento de um ser humano. 3 Não aprendi sabedoria, nem tenho conhecimento do Santo. 4 Quem subiu aos céus e desceu? Quem ajuntou nas mãos os ventos? Quem embrulhou as águas em sua capa? Quem fixou todos os limites da terra? Qual é o seu nome, e o nome do seu filho? Conte-me, se você sabe! 5 Cada palavra de Deus é comprovadamente pura; ele é um escudo para quem nele se refugia. 6 Nada acrescente às palavras dele, do contrário, ele o repreenderá e mostrará que você é mentiroso. 7 Duas coisas peço que me dês antes que eu morra: 8 Mantém longe de mima falsidade e a mentira; não me dês nem pobreza nem riqueza; dá-me apenas o alimento necessário. 9 Se não, tendo demais, eu te negaria e te deixaria, e diria: “Quem é o Senhor?”Se eu ficasse pobre, poderia vir a roubar, desonrando assim o nome do meu Deus. 10 Não fale mal do servo ao seu senhor; do contrário, o servo o amaldiçoará, e você levará a culpa. 11 Existem os que amaldiçoam seu pai e não abençoam sua mãe; 12 os que são puros aos seus próprios olhos e que ainda não foram purificados da sua impureza; 13 os que têm olhos altivos e olhar desdenhoso; 14 pessoas cujos dentes são espada se cujas mandíbulas estão armadas de facas para devorarem os necessitados desta terra e os pobres da humanidade. 15 Duas filhas tem a sanguessuga. “Dê! Dê!”, gritam elas. Há três coisas que nunca estão satisfeitas, quatro que nunca dizem: “É o bastante!”: 16 o Sheol, o ventre estéril, a terra, cuja sede nunca se aplaca, e o fogo, que nunca diz: “É o bastante!” 17 Os olhos de quem zomba do pai, e, zombando, nega obediência à mãe, serão arrancados pelos corvos do vale, e serão devorados pelos filhotes do abutre. 18 Há três coisas misteriosas demais para mim, quatro que não consigo entender: 19 o caminho do abutre no céu, o caminho da serpente sobre a rocha, o caminho do navio em alto-mar, e o caminho do homem com uma moça. 20 Este é o caminho da adúltera: ela come e limpa a boca, e diz: “Não fiz nada de errado”. 21 Três coisas fazem tremer a terra, e quatro ela não pode suportar: 22 o escravo que se torna rei, o insensato farto de comida, 23 a mulher desprezada que por fim se casa, e a escrava que toma o lugar de sua senhora. 24 Quatro seres da terra são pequenos, e, no entanto, muito sábios: 25 as formigas, criaturas de pouca força, contudo, armazenam sua comida no verão; 26 os coelhos, criaturas sem nenhum poder, contudo, habitam nos penhascos; 27 os gafanhotos, que não têm rei, contudo, avançam juntos em fileiras; 28 a lagartixa, que se pode apanhar com as mãos, contudo, encontra-se nos palácios dos reis. 29 Há três seres de andar elegante, quatro que se movem com passo garboso: 30 o leão, que é poderoso entre os animais e não foge de ninguém; 31 o galo de andar altivo; o bode; e o rei à frente do seu exército. 32 Se você agiu como tolo e exaltou-se a si mesmo, ou se planejou o mal, tape a boca com a mão! 33 Pois assim como bater o leite produz manteiga, e assim como torcer o nariz produz sangue, também suscitar a raiva produz contenda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;CAPÍTULO 31&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 Ditados do rei Lemuel; uma exortação que sua mãe lhe fez: 2 Ó meu filho, filho do meu ventre, filho de meus votos, 3 não gaste sua força com mulheres, seu vigor com aquelas que destroem reis. 4 Não convém aos reis, ó Lemuel; não convém aos reis beber vinho, não convém aos governantes desejar bebida fermentada, 5 para não suceder que bebam e se esqueçam do que a lei determina, e deixem de fazer justiça aos oprimidos. 6 Dê bebida fermentada aos que estão prestes a morrer, vinho aos que estão angustiados; 7 para que bebam e se esqueçam da sua pobreza, e não mais se lembrem da sua infelicidade. 8 Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. 9 Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados. 10 Uma esposa exemplar; feliz quem a encontrar! É muito mais valiosa que os rubis. 11 Seu marido tem plena confiança nela e nunca lhe falta coisa alguma. 12 Ela só lhe faz o bem, e nunca o mal, todos os dias da sua vida. 13 Escolhe a lã e o linho e com prazer trabalha com as mãos. 14 Como os navios mercantes, ela traz de longe as suas provisões. 15 Antes de clarear o dia ela se levanta, prepara comida para todos os de casa, e dá tarefas às suas servas. 16 Ela avalia um campo e o compra; com o que ganha planta uma vinha. 17 Entrega-se com vontade ao seu trabalho; seus braços são fortes e vigorosos. 18 Administra bem o seu comércio lucrativo, e a sua lâmpada fica acesa durante a noite. 19 Nas mãos segura o fuso e com os dedos pega a roca. 20 Acolhe os necessitados e estende as mãos aos pobres. 21 Não teme por seus familiares quando chega a neve, pois todos eles vestem agasalhos. 22 Faz cobertas para a sua cama; veste-se de linho fino e de púrpura. 23 Seu marido é respeitado na porta da cidade, onde toma assento entre as autoridades da sua terra. 24 Ela faz vestes de linho e as vende, e fornece cintos aos comerciantes. 25 Reveste-se de força e dignidade; sorri diante do futuro. 26 Fala com sabedoria e ensina com amor. 27 Cuida dos negócios de sua casa e não dá lugar à preguiça. 28 Seus filhos se levantam e a elogiam; seu marido também a elogia, dizendo: 29 “Muitas mulheres são exemplares, mas você a todas supera”. 30 A beleza é enganosa, e a formosura é passageira; mas a mulher que teme o Senhor será elogiada. 31 Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-1651820017394276575?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/1651820017394276575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/proverbios.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1651820017394276575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1651820017394276575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/proverbios.html' title='PROVÉRBIOS'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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vivi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo Espírito Celeste&lt;br /&gt;Chamar-te Pai eu aprendi&lt;br /&gt;E a doce luz do evangelho&lt;br /&gt;Deu-me vida, paz em ti.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Há somente um Pai Celeste?&lt;br /&gt;Não, pois temos mãe também.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Essa verdade tão suplime&lt;br /&gt;Nós recebemos do além!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando deixar a humana vida&lt;br /&gt;Este frágil corpo mortal,&lt;br /&gt;Pai e mãe verei contente&lt;br /&gt;Na mansão celestial.&lt;br /&gt;E terminada a tarefa&lt;br /&gt;Que me mandaste executar,&lt;br /&gt;Dá-me santo assentimento&lt;br /&gt;Para a teu lado sempre estar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-1898745048645351534?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/1898745048645351534/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-o-meu-pai.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1898745048645351534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1898745048645351534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-o-meu-pai.html' title='Hino: Ó meu Pai'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-2597503846655375752</id><published>2011-06-16T10:04:00.000-07:00</published><updated>2011-06-16T10:29:34.742-07:00</updated><title type='text'>Hino: Semeando</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Semeando dia a dia&lt;/br&gt;Semeando o bem e o mal,&lt;/br&gt;Espalhamos as sementes&lt;/br&gt;Sob o duro vendaval.&lt;/br&gt;Umas são abençoadas&lt;/br&gt;Pela chuva celestial,&lt;/br&gt;Outras foram atiradas &lt;/br&gt;Em terreno estéril, mau.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Há sementes que germinam&lt;/br&gt;Nas encostas e sopés&lt;/br&gt;Outras caem nos caminhos&lt;/br&gt;E se esmagam sob os pés.&lt;/br&gt;Umas são logo olvidadas&lt;/br&gt;Pelo ingrato coração;&lt;/br&gt;Outras sempre são lembradas,&lt;/br&gt;Cultivadas na oração.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Há sementes que fenecem&lt;/br&gt;Sem viver, no embião,&lt;/br&gt;Outras há que vivem, crescem,&lt;/br&gt;Pois plantou a boa mão.&lt;/br&gt;Há palavras que são bênçãos,&lt;/br&gt;Outras há que trazem dor;&lt;/br&gt;Nossos atos são sementes&lt;/br&gt;De alegria ou de dor.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Nossas faltas tu conheces,&lt;/br&gt;Forças dá nos para semear;&lt;/br&gt;Anjos guardem nossos campos&lt;/br&gt;Para a planta germinar.&lt;/br&gt;E os frutos dessa seara&lt;/br&gt;Crescem cheios de vigor.&lt;/br&gt;Frutos são da vida eterna&lt;/br&gt;Que semeamos com amor.&lt;/span&gt;&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-2597503846655375752?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/2597503846655375752/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-semeando.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/2597503846655375752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/2597503846655375752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-semeando.html' title='Hino: Semeando'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-1687395770467308712</id><published>2011-06-16T09:52:00.000-07:00</published><updated>2011-06-16T10:03:48.671-07:00</updated><title type='text'>Hino: Se a vida é penosa</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se a vida é penosa para nós;&lt;/br&gt;Se pesares são difíceis para nós;&lt;/br&gt;Se a luta é amarga,&lt;/br&gt;Já não pesa nossa carga&lt;/br&gt;E o horizonte se alarga para nós.&lt;/br&gt;Não te canses de lutar.&lt;/br&gt;De Deus atende a voz;&lt;/br&gt;Deus descanso mandará&lt;/br&gt;Perdão e graças para nós.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Se na vida há desgosto para nós,&lt;/br&gt;Cristo sempre tem consolo para nós;&lt;/br&gt;Sua graça nos alcança.&lt;/br&gt;Nele temos esperança,&lt;/br&gt;Sua voz é sempre mansa para nós.&lt;/br&gt;Não te canses de lutar.&lt;/br&gt;De Deus atende a voz;&lt;/br&gt;Deus descanso mandará&lt;/br&gt;Perdão e graças para nós&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Se tristezas se preparam para nós,&lt;/br&gt;O futuo será doce para nós;&lt;/br&gt;Se desgosto nós sofremos,&lt;/br&gt;Os pezares mais extremos,&lt;/br&gt;Salvação alcançaremos para nós.&lt;/br&gt;Não te canses de lutar.&lt;/br&gt;De Deus atende a voz;&lt;/br&gt;Deus descanso mandará&lt;/br&gt;Perdão e graças para nós.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-1687395770467308712?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/1687395770467308712/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-se-vida-e-penosa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1687395770467308712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1687395770467308712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-se-vida-e-penosa.html' title='Hino: Se a vida é penosa'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-8600166294845394259</id><published>2011-06-14T13:28:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T13:40:44.064-07:00</updated><title type='text'>Hino: Neste mundo</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Neste mundo, acaso, fiz hoje eu&lt;/br&gt;A alguém um favor ou bem?&lt;/br&gt;Se ainda não fiz ser alguém mais feliz,&lt;/br&gt;Falhei ante os céus, também!&lt;/br&gt;A carga de alguém mais leve fiz eu,&lt;/br&gt;Porque um auxílio lhe dei?&lt;/br&gt;Ou, acaso, ao pobre que as mãos estendeu&lt;/br&gt;Um pouco do meu ofertei?&lt;/br&gt;Desperta e faz algo mais.&lt;/br&gt;Não queiras somente sonhar&lt;/br&gt;Pelo bem que fazemos a paz ganharemos&lt;/br&gt;No céu que será nosso lar!&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Muita coisa no mundo há que fazer,&lt;/br&gt;Muita coisa que melhorar!&lt;/br&gt;Abre teu coração e dedica atenção&lt;/br&gt;Àquele que precisar!&lt;/br&gt;É nobre e belo prestar um favor,&lt;/br&gt;Servindo ao nosso irmão.&lt;/br&gt;Só quem isso procura merece louvor&lt;/br&gt;Só esse terá galardão!&lt;/br&gt;Desperta e faz algo mais,&lt;/br&gt;Não queiras somente sonhar&lt;/br&gt;Pelo bem que fazemos a paz ganharemos&lt;/br&gt;No céu que será nosso lar!&lt;/br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-8600166294845394259?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/8600166294845394259/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-neste-mundo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/8600166294845394259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/8600166294845394259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-neste-mundo.html' title='Hino: Neste mundo'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-3240867725732246277</id><published>2011-06-14T13:17:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T13:28:06.255-07:00</updated><title type='text'>Hino: Sim, eu te seguirei</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Salvador, eu quero amar-te, em tua senda quero andar.&lt;/br&gt;Socorrer o irmão aflito, minha força em ti buscar.&lt;/br&gt;Salvador eu quero amar-te sim, eu te seguirei.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Não me entrego a julgamentos, imperfeito sou também.&lt;/br&gt;Nos recônditos da alma, dores há que não se vêem.&lt;/br&gt;Não me entrego a julgamentos sim, eu te seguirei.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Cuidarei do irmão que sofre, sua dor consolarei.&lt;/br&gt;E ao fraco e ferido meu auxílio estenderei.&lt;/br&gt;Cuidarei do irmão que sofre sim, eu te seguirei.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Quero amar meu semelhante, como tu amaste a mim.&lt;/br&gt;Dá-me forças, ó meu Mestre, para ser teu servo enfim.&lt;/br&gt;Quero amar meu semelhante sim, eu te seguirei.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-3240867725732246277?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/3240867725732246277/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-sim-eu-te-seguirei.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/3240867725732246277'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/3240867725732246277'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-sim-eu-te-seguirei.html' title='Hino: Sim, eu te seguirei'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-4678514506402026226</id><published>2011-06-14T13:09:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T13:17:08.832-07:00</updated><title type='text'>Hino: Onde encontrar a Paz?</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Onde encontrar a paz e o consolo&lt;/br&gt;Quando o mundo estiver contra mim?&lt;/br&gt;Se na alma carregar dor, desconsolo&lt;/br&gt;Onde encontrarei a paz sem fim?&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Se me aflige a dor, se perco alento,&lt;/br&gt;Anseio por saber a quem correrei.&lt;/br&gt;Quem pode aliviar o meu tormento?&lt;/br&gt;Em Cristo paz real, certo, terei.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Ele é meu Salvador e meu amigo,&lt;/br&gt;Responde minha oração, dá me paz.&lt;/br&gt;Sempre que eu lhe pedir, virá comigo,&lt;/br&gt;Para vencer o mal, forte me faz.&lt;/span&gt;&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-4678514506402026226?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/4678514506402026226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-onde-encontrar-paz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4678514506402026226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4678514506402026226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-onde-encontrar-paz.html' title='Hino: Onde encontrar a Paz?'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-4397155062774481053</id><published>2011-06-14T11:00:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T13:09:34.081-07:00</updated><title type='text'>Hino: Mais perto quero estar</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Mais perto quero estar, meu Deus, de ti,&lt;/br&gt;Mesmo que seja a dor, que me una a ti!&lt;/br&gt;Sempre hei de suplicar: "Mais perto quero estar;&lt;/br&gt;Mais perto quero estar, meu Deus, de ti!"&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Vivendo triste aqui, na solidão,&lt;/br&gt;Paz e descanso a mim os teus braços dão.&lt;/br&gt;Sempre hei de suplicar: "Mais perto quero estar;&lt;/br&gt;Mais perto quero estar, meu Deus, de ti!"&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Sejam meus passos, pois, degraus do céu,&lt;/br&gt;Todas as provações proveito meu.&lt;/br&gt;Sempre hei de suplicar: "Mais perto quero estar;&lt;/br&gt;Mais perto quero estar, meu Deus, de ti!"&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Então ao despertar junto de ti,&lt;/br&gt;As minhas aflições deixarei ali.&lt;/br&gt;Sempre hei de suplicar: "Mais perto quero estar;&lt;/br&gt;Mais perto quero estar, meu Deus, de ti"&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Minha alma cantará a ti, Senhor,&lt;/br&gt;Cheia de gratidão pelo Teu amor.&lt;/br&gt;Sempre hei de suplicar: "Mais perto quero estar;&lt;/br&gt;Mais perto quero estar, meu Deus, de ti!"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-4397155062774481053?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/4397155062774481053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-mais-perto-quero-estar.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4397155062774481053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4397155062774481053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-mais-perto-quero-estar.html' title='Hino: Mais perto quero estar'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-4064683480383778490</id><published>2011-06-14T10:47:00.000-07:00</published><updated>2011-06-14T11:00:01.680-07:00</updated><title type='text'>Hino: Vinde, ó santos</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Vinde, ó santos, sem medo ou temor;&lt;/br&gt;Mas alegres andai,&lt;/br&gt;Rude é o caminho ao triste viajor,&lt;/br&gt;Mas com fé caminhai.&lt;/br&gt;É bem melhor encorajar&lt;/br&gt;E o sofrimento amenizar;&lt;/br&gt;Podeis agora em paz cantar:&lt;/br&gt;Tudo bem! Tudo bem!&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Por que dizeis: "É dura a provação"?&lt;/br&gt;Tudo é bom, não temais.&lt;/br&gt;Por que pensais em grande galardão,&lt;/br&gt;Se a luta evitais?&lt;/br&gt;Mas não deveis desanimar&lt;/br&gt;Se tendes Deus para vos amar;&lt;/br&gt;Podeis agora proclamar:&lt;/br&gt;Tudo bem! Tudo bem!&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Sem aflição, em paz e sem temor,&lt;/br&gt;Encontramos um lar.&lt;/br&gt;Hoje, libertos do pesar e dor,&lt;/br&gt;Vamos todos cantar.&lt;/br&gt;Partindo de nosso coração&lt;/br&gt;Bem alto e com resolução,&lt;/br&gt;O nosso glorioso refrão:&lt;/br&gt;Tudo bem! Tudo bem!&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Chegando a morte, tudo irá bem,&lt;/br&gt;Vamos paz todos ter.&lt;/br&gt;Livres das lutas e dores também,&lt;/br&gt;Com os justos viver.&lt;/br&gt;Mas se a vida Deus nos poupar&lt;/br&gt;Bem alto poderemos cantar,&lt;/br&gt;A uma só voz entoar:&lt;/br&gt;Tudo bem! Tudo bem!&lt;/br&gt;&lt;/span&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-4064683480383778490?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/4064683480383778490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-vinde-o-santos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4064683480383778490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4064683480383778490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-vinde-o-santos.html' title='Hino: Vinde, ó santos'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-3159060638595416250</id><published>2011-06-12T15:20:00.000-07:00</published><updated>2011-06-13T18:02:50.240-07:00</updated><title type='text'>Durante o sofrimento</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Se te for requerido sofrer tribulações; se te encontrares em perigo entre os falsos irmãos; se te encontrares entre os salteadores; se te encontrares em perigo na terra ou no mar; se fores acusado de toda sorte de falsidades; se teus inimigos caírem sobre ti; se eles te arrancarem do convívio de teu pai e mãe e irmãos e irmãs; e se fores lançado na cova ou nas mãos de assassinos e receberes sentença de morte; se fores lançado no abismo; se vagas encapeladas conspirarem contra ti; se ventos furiosos se tornarem teus inimigos; se os céus se cobrirem de escuridão e todos os elementos da Natureza se unirem para obstruir o caminho; sabe, meu filho, que todas essas coisas te servirão de experiência e serão para o teu bem.&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;Filho do Homem desceu abaixo de todas elas.&lt;/br&gt;És tu maior do que Ele?&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;Portanto, persevera em teu caminho e o sacerdócio permanecerá contigo; pois os limites deles estão determinados e não podem ultrapassá-los. Teus dias são conhecidos e teus anos não serão diminuídos; portanto, não temas o que o homem possa fazer, pois Deus estará contigo para todo o sempre. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-3159060638595416250?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/3159060638595416250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/durante-o-sofrimento.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/3159060638595416250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/3159060638595416250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/durante-o-sofrimento.html' title='Durante o sofrimento'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-2063598034175394244</id><published>2011-06-12T14:59:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T15:20:09.869-07:00</updated><title type='text'>Doutrina do Sacerdócio</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Seu coração está tão fixo nas coisas deste mundo e aspiram tanto as honras dos homens, que eles não aprendem esta lição:&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;Que os Direitos do Sacerdócio são inseparavelmente ligados com os Poderes do Céu e que os Poderes do Céu não podem ser controlados nem exercidos, a não ser de acordo com os Princípios da Retidão.&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;Que eles nos podem ser conferidos, é verdade; mas quando nos propomos a encobrir nossos pecados ou satisfazer nosso orgulho, nossa vã ambição ou exercer controle ou domínio ou coação sobre a alma dos filhos dos homens, em qualquer grau de iniquidade, eis que os Céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa e, quando se afasta, amém para o Sacerdócio ou a autoridade desse homem.&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;Aprendemos, por tristes experiências que é a natureza e índole de quase todos os homens, tão logo suponham ter adquirido um pouco de autoridade, começar a exercer imediatamente domínio injusto.&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;Nenhum poder ou influência pode ou deve ser mantido em virtude do Sacerdócio, a não ser com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma, sem hipocrisia e sem dolo, reprovando prontamente com firmeza, quando movido pelo Espírito Santo; e depois, mostrando então um amor maior por aquele que repriendeste, para que ele não te julgue seu inimigo; para que ele saiba que tua fidelidade é mais forte que os laços da morte. Que tuas entranhas também sejam cheias de caridade para com todos os homens e para a família da fé; e que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus; e a Doutrina do Sacerdócio destilar-se-á sobre tua alma como o orvalho do céu. O Espírito Santo será teu companheiro constante, e teu cetro (poder real), um cetro imutável de retidão e verdade; e teu domínio será um domínio eterno e sem ser compelido, fluirá para ti eternamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-2063598034175394244?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/2063598034175394244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/doutrina-do-sacerdocio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/2063598034175394244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/2063598034175394244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/doutrina-do-sacerdocio.html' title='Doutrina do Sacerdócio'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-1272975070565771545</id><published>2011-06-12T14:40:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T14:44:18.167-07:00</updated><title type='text'>Verdade: onde está?</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ainda existe muita gente na Terra, em todas as seitas, partidos e denominações, que é cegada pela astúcia &lt;em&gt;sutil&lt;/em&gt; dos homens que ficam à espreita para enganar, e que só está afastada da Verdade por não saber onde encontrá-la.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-1272975070565771545?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/1272975070565771545/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/verdade-onde-esta.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1272975070565771545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1272975070565771545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/verdade-onde-esta.html' title='Verdade: onde está?'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-1883500050270354102</id><published>2011-06-12T13:41:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T14:08:25.257-07:00</updated><title type='text'>Curandeiros</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Como podemos discernir os dons verdadeiros do Espírito Santo das imitações de Satanás?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/br&gt;- Satanás pode imitar os dons de língua, profecia, visões, cura e outros milagres. Moisés teve que competir com as imitações de Satanás na Corte do Faraó. Ele deseja que acreditemos em seus falsos profetas, falsos curandeiros e falsos fazedores de milagres. Eles podem parecer tão reais para nós que a única maneira de sabermos se são ou não de Deus é pedindo ao Pai o Dom do Discernimento. O próprio Diabo pode parecer como um Anjo de Luz. Satanás deseja cegar-nos, para que não enxerguemos a Verdade e deixemos de procurar os verdadeiros Dons do Espírito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, &lt;strong&gt;não profetizamos nós em teu nome&lt;/strong&gt;? e &lt;strong&gt;em teu nome não expulsamos demônios&lt;/strong&gt;? e &lt;strong&gt;em teu nome não fizemos muitas maravilhoas&lt;/strong&gt;? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci: &lt;strong&gt;apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade&lt;/strong&gt;. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelha-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha... E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;(Mateus 7:22-26)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-1883500050270354102?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/1883500050270354102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/curandeiros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1883500050270354102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1883500050270354102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/curandeiros.html' title='Curandeiros'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-1817272963158754603</id><published>2011-06-12T13:34:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T13:39:46.204-07:00</updated><title type='text'>Hino: Sou um Filho de Deus</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Sou um Filho de Deus,&lt;/br&gt;Por Ele estou aqui&lt;/br&gt;Mandou-me à Terra, deu-me um lar,&lt;/br&gt;E pais tão bons pra mim.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Ensinai-me, ajudai-me&lt;/br&gt;As Leis de Deus guardar&lt;/br&gt;Para que um dia eu vá&lt;/br&gt;Com Ele habitar.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Sou um Filho de Deus,&lt;/br&gt;Não me desampareis&lt;/br&gt;E hoje mesmo começai&lt;/br&gt;A ensinar-me as Leis.&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;Sou um Filho de Deus,&lt;/br&gt;E galardão terei,&lt;/br&gt;Se cumpro sua Lei aqui,&lt;/br&gt;Com Ele viverei&lt;/br&gt;&lt;/br&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-1817272963158754603?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/1817272963158754603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-sou-um-filho-de-deus.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1817272963158754603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/1817272963158754603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-sou-um-filho-de-deus.html' title='Hino: Sou um Filho de Deus'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-6414046694523353369</id><published>2011-06-12T13:28:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T13:33:38.430-07:00</updated><title type='text'>Hino: Amai-vos uns aos outros</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Amai-vos uns aos outros&lt;br /&gt;Como eu vos amo&lt;br /&gt;Este é o novo mandamento&lt;br /&gt;Por isto saberão&lt;br /&gt;Que sois meus discípulos,&lt;br /&gt;Se vos amardes uns aos outros&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;x&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-6414046694523353369?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/6414046694523353369/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-amai-vos-uns-aos-outros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/6414046694523353369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/6414046694523353369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-amai-vos-uns-aos-outros.html' title='Hino: Amai-vos uns aos outros'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-895685455303375020</id><published>2011-06-12T13:17:00.000-07:00</published><updated>2011-06-12T13:27:49.336-07:00</updated><title type='text'>Hino: Faz-me andar só na luz</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Quero aprender a seguir ao Senhor,&lt;br /&gt;Quero aprender a orar com fervor,&lt;br /&gt;Quero saber que à glória conduz.&lt;br /&gt;Faz-me, faz-me andar só na luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinde, filhinos, eu vou ensinar&lt;br /&gt;Os mandamentos que podem levar&lt;br /&gt;De volta ao lar onde habita Jesus&lt;br /&gt;Sempre, sempre, andando na luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom Pai Celeste, queremos te dar&lt;br /&gt;Graças por tua bondade sem par&lt;br /&gt;Por nos mandares teu Filho Jesus&lt;br /&gt;Para, para que andemos na luz.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-895685455303375020?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/895685455303375020/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-faz-me-andar-so-na-luz.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/895685455303375020'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/895685455303375020'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/hino-faz-me-andar-so-na-luz.html' title='Hino: Faz-me andar só na luz'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-3840368216091758118</id><published>2011-06-10T13:43:00.000-07:00</published><updated>2011-06-10T13:47:15.322-07:00</updated><title type='text'>Prece do Nosso Lar</title><content type='html'>&lt;/br&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Senhor, faze-me perceber que o trabalho do bem me aguarda em toda parte. Não me consintas perder tempo através de indagações inúteis. Lembra-me, por misericórdia, que estou no caminho da evolução com os meus semelhantes, não para consertá-los e sim para atender à minha própria melhoria. Induze-me a respeitar os direitos alheios a fim de que os meus sejam preservados. Dá-me consciência do lugar que me compete para que não esteja a exigir da vida aquilo que não me pertence. Não me permitas sonhar com realizações incompatíveis com os meus recursos, entretanto, por acréscimo de bondade, fortalece-me para a execução das pequeninas tarefas ao meu alcance.&lt;br /&gt;Apaga-me os melindres pessoais de modo que não me transforme em estorvo diante dos irmãos, aos quais devo convivência e cooperação. Auxilia-me a reconhecer que cansaço e dificuldade não podem converter-me em pessoa intratável, mas mostra-me, por piedade, quanto posso fazer nas boas obras usando paciência e coragem, acima de quaisquer provações que me atinjam a existência. Concede-me forças para irradiar a Paz e o Amor que nos ensinaste. E, sobretudo, Senhor, perdoa as minhas fragilidades e sustenta-me a fé para que eu possa estar sempre em Ti, servindo aos outros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-3840368216091758118?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/3840368216091758118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/nosso-lar-prece.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/3840368216091758118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/3840368216091758118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/nosso-lar-prece.html' title='Prece do Nosso Lar'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-9065571321309501035</id><published>2011-06-10T12:51:00.001-07:00</published><updated>2011-06-10T13:50:19.891-07:00</updated><title type='text'>Prece de Gratidão - Divaldo Pereira Franco</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Senhor, muito obrigado, pelo que me deste, pelo que me dás!&lt;br /&gt;Pelo ar, pelo pão, pela paz!&lt;br /&gt;Muito obrigado, pela beleza que meus olhos vêem no altar da natureza. Olhos que contemplam o céu cor de anil, e se detém na terra verde, salpicada de flores em tonalidades mil!&lt;br /&gt;Pela minha faculdade de ver, pelos cegos eu quero interceder, por aqueles que vivem na escuridão e tropeçam na multidão, por eles eu oro e a Ti imploro comiseração, pois eu sei que depois dessa lida, numa outra vida, eles enxergarão!&lt;br /&gt;Senhor, muito obrigado pelos ouvidos meus. Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro, a melodia do vento nos ramos do salgueiro, a dor e as lágrimas que escorrem no rosto do mundo inteiro. Ouvidos que ouvem a música do povo, que desce do morro na praça a cantar. A melodia dos imortais que a gente ouve uma vez e não se esquece nunca mais. Diante de minha capacidade de ouvir, pelos surdos eu te quero pedir, pois eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles voltarão a ouvir!&lt;br /&gt;Muito obrigado Senhor, pela minha voz! Mas também pela voz que canta, que ensina, que consola. Pela voz que com emoção, profere uma sentida oração! Pela minha capacidade de falar, pelos mudos eu Te quero rogar, pois eu sei que depois desta dor, no teu reino de amor, eles também cantarão!&lt;br /&gt;Muito obrigado Senhor, pelas minhas mãos, mas também pelas mãos que aram, que semeiam, que agasalham. Mãos de caridade, de solidariedade. Mãos que apertam mãos. Mãos de poesias, de cirurgias, de sinfonias, de psicografias, mãos que numa noite fria, cuida ou lava louça numa pia. Mãos que a beira de uma sepultura, abraça alguém com ternura, num momento de amargura. Mãos que no seio, agasalham o filho de um corpo alheio, sem receio.&lt;br /&gt;E meus pés que me levam a caminhar, sem reclamar. Porque eu vejo na Terra amputados, deformados, aleijados... e eu posso bailar!... Por eles eu oro, e a ti imploro, porque eu sei que depois dessa expiação, numa outra situação, eles também bailarão.&lt;br /&gt;Por fim Senhor, muito obrigado pelo meu lar! Pois é tão maravilhoso ter um lar... Não importa se este lar é uma mansão, um ninho, uma casa no caminho, um bangalô, seja lá o que for! O importante é que dentro dele exista a presença da harmonia e do amor! O amor de mãe, de pai, de irmão, de uma companheira... De alguém que nos dê a mão, nem que seja a presença de um cão, porque é tão doloroso viver na solidão! Mas se eu ninguém tiver, nem um teto para me agasalhar, uma cama para eu deitar, um ombro para eu chorar, ou alguém para desabafar..., não reclamarei, não lastimarei, nem blasfemarei. Porque eu tenho a Ti! Então muito obrigado porque eu nasci! E pelo Teu amor, Teu sacrifício, Tua paixão por nós, muito obrigado Senhor!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-9065571321309501035?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/9065571321309501035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/prece-de-gratidao-divaldo-pereira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/9065571321309501035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/9065571321309501035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/prece-de-gratidao-divaldo-pereira.html' title='Prece de Gratidão - Divaldo Pereira Franco'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-4153106585160088448</id><published>2011-06-10T10:44:00.000-07:00</published><updated>2011-06-10T10:52:13.678-07:00</updated><title type='text'>Mensagem Shinyashiki</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Freqüentemente, eu me pergunto:&lt;br /&gt;“O que cada um de nós está fazendo neste planeta?”&lt;br /&gt;Se a vida for somente tentar aproveitar o máximo possível as horas e minutos, esse filme é bobo.&lt;br /&gt;Tenho certeza de que existe um sentido melhor em tudo o que vivemos.&lt;br /&gt;Para mim, nossa vinda ao planeta Terra tem basicamente dois motivos: evoluir espiritualmente e aprender a amar melhor.&lt;br /&gt;Todos os nossos bens na verdade não são nossos.&lt;br /&gt;Somos apenas as nossas almas.&lt;br /&gt;E devemos aproveitar todas as oportunidades que a vida nos dá para nos aprimorarmos como pessoas.&lt;br /&gt;Portanto, lembre sempre que os seus fracassos são sempre os melhores professores e é nos momentos difíceis que as pessoas precisam encontrar uma razão para continuar em frente.&lt;br /&gt;As nossas ações, especialmente quando temos de nos superar, fazem de nós pessoas melhores.&lt;br /&gt;A nossa capacidade de resistir às tentações, aos desânimos para continuar no caminho é que nos torna pessoas especiais.&lt;br /&gt;Ninguém veio a essa vida com a missão de juntar dinheiro e comer do bom e do melhor.&lt;br /&gt;Ganhar dinheiro e alimentar-se faz parte da vida, mas não pode ser a razão da vida.&lt;br /&gt;Tenho certeza de que pessoas como Martin Luther King, Mahatma Ghandi, Nelson Mandela, Madre Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Betinho e tantas outras anônimas, que lutaram e lutam para melhorar a vida dos mais fracos e dos mais pobres, não estavam motivadas pela idéia de ganhar dinheiro.&lt;br /&gt;O que move essas pessoas generosas a trabalhar diariamente, a não desistir nunca?&lt;br /&gt;A resposta é uma só: a consciência de sua missão nesta vida.&lt;br /&gt;Quando você tem a consciência de que através do seu trabalho você está realizando sua missão, você desenvolve uma força extra, capaz de levá-lo ao cume da montanha mais alta do planeta.&lt;br /&gt;Infelizmente, muita gente se perde nesta viagem e distorce o sentido de sua existência, pensando que acumular bens materiais é o objetivo da vida.&lt;br /&gt;E quando chega ao final do caminho percebe que só vai poder levar daqui o bem que fez às pessoas.&lt;br /&gt;Se você tem estado angustiado sem motivo aparente, está aí um aviso para parar e refletir sobre o seu estilo de vida.&lt;br /&gt;Escute a sua alma: ela tem a orientação sobre qual caminho seguir.&lt;br /&gt;Tudo na vida é um convite para o avanço e a conquista de valores na harmonia e na glória do bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-4153106585160088448?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/4153106585160088448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/roberto-shinyashiki-mensagem.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4153106585160088448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/4153106585160088448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/06/roberto-shinyashiki-mensagem.html' title='Mensagem Shinyashiki'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-5622995267948462825</id><published>2011-02-22T15:22:00.000-08:00</published><updated>2011-02-23T18:07:23.543-08:00</updated><title type='text'>LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Antes de mais nada, pode-se afirmar que a crença é um direito constitucional brasileiro. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ninguém pode cercear a sua liberdade de expressão, sendo crime o preconceito religioso &lt;strong&gt;(*)&lt;/strong&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;A perseguição ao Espiritismo terminou no Brasil já faz tempo, &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;assim como a Santa Inquisição de perseguir os seus opositores. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Em tese, ninguém teria o direito de excomungar ninguém por acreditar numa Doutrina ou outra, porque todos têm o direito de religar com Deus do jeito que quiser, seguindo o seu Livre-Arbítrio. "Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de Lei". Por isso, a crença não deve ser imposta, aceita por tradição ou por qualquer outro motivo fútil sob nenhum pretexto. O ser humano, por ter essência espiritual no seu íntimo, procura religar com Deus num determinado momento da vida. Não deve ser coagido nem convencido da necessidade. Sempre haverá um momento especial de crescimento espiritual na vida. É aí que a Espiritualidade manda um recado. Você pode acatar ou recusar por algum motivo. É crescer espiritualmente ou continuar na mesma. Você escolhe. A propósito, estamos na Terra para crescer espiritualmente; não para ficar rico e deixar tudo por aí, depois da morte. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que Deus abençoe você e sua família hoje e sempre.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Que assim seja.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(*) Constituição da República Federativa do Brasil&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;TÍTULO II - Dos Direitos e Garantias Fundamentais&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;CAPÍTULO I - DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Art. 5º &lt;strong&gt;Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança &lt;/strong&gt;e à propriedade, nos termos seguintes:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="5I"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;II - &lt;strong&gt;ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei&lt;/strong&gt;;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="5IV"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;IV - &lt;strong&gt;é livre a manifestação do pensamento&lt;/strong&gt;, sendo vedado o anonimato;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="5V"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="5VI"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;VI - &lt;strong&gt;é inviolável a liberdade de consciência e de crença&lt;/strong&gt;, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="5VII"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a name="5VIII"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;VIII - &lt;strong&gt;ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política&lt;/strong&gt;, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Para se designarem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os vocábulos espiritual, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida. Dar-lhes outra, para aplicá-los à doutrina dos Espíritos, fora multiplicar as causas já numerosas de anfibologia. Com efeito, o espiritismo é o oposto do materialismo. Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em vez das palavras espiritual, espiritualismo, empregamos, para indicar a crença a que vimos de referir-nos, os termos espírita e espiritismo, cuja forma lembra a origem e o sentido radical e que, por isso mesmo, apresentam a vantagem de ser perfeitamente inteligíveis, deixando ao vocábulo espiritualismo a acepção que lhe é própria. Diremos, pois, que a doutrina espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com os Espíritos ou seres do mundo invisível. Os adeptos do Espiritismo serão os espíritas, ou, se quiserem, os espiritistas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como especialidade, o Livro dos Espíritos contém a doutrina espírita; como generalidade, prende-se à doutrina espiritualista, uma de cujas fases apresenta. Essa a razão porque traz no cabeçalho do seu título as palavras: Filosofia espiritualista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;II&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Há outra palavra acerca da qual importa igualmente que todos se entendam, por constituir um dos fechos de abóbada de toda doutrina moral e ser objeto de inúmeras controvérsias, à míngua de uma acepção bem determinada. É a palavra alma. A divergência de opiniões sobre a natureza da alma provém da aplicação particular que cada um dá a esse termo. Uma língua perfeita, em que cada ideia fosse expressa por um termo próprio, evitaria muitas discussões.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo uns, a alma é o princípio da vida material orgânica. Não tem existência própria e se aniquila com a vida: é o materialismo puro. Neste sentido e por comparação, diz-se de um instrumento rachado, que nenhum som mais emite: não tem alma. De conformidade com essa opinião, a alma seria efeito e não causa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pensam outros que a alma é o princípio da inteligência, agente universal do qual cada ser absorve uma certa porção. Segundo esses, não haveria em todo o Universo senão uma só alma a distribuir centelhas pelos diversos seres inteligentes durante a vida destes, voltando cada centelha, mortos ou seres, à fonte comum, a se confundir com o todo, como os regatos e os rios voltam ao mar, donde saíram. Essa opinião difere da precedente em que, nesta hipótese, não há em nós somente matéria, subsistindo alguma coisa após a morte. Mas é quase como se nada subsistisse, porquanto, destituídos de individualidade, não mais teríamos consciência de nós mesmos. Dentro desta opinião, a alma universal seria Deus, e cada ser um fragmento da divindade. Simples variante do panteísmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo outros, finalmente, a alma é um ser moral, distinto, independente da matéria e que conserva sua individualidade após a morte. Esta acepção é, sem contradita, a mais geral, porque, debaixo de um nome ou de outro, a ideia desse ser que sobrevive ao corpo se encontra, no estado de crença instintiva, não derivada de ensino, entre todos os povos, qualquer que seja o grau de civilização de cada um. Essa doutrina, segundo a qual a alma é causa e não efeito, é a dos espiritualistas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem discutir o mérito de tais opiniões e considerando apenas o lado linguístico da questão, diremos que estas três aplicações do termo alma correspondem a três ideias distintas, que demandariam, para serem expressas, três vocábulos diferentes. Aquela palavra tem, pois, tríplice acepção e cada um, do seu ponto de vista, pode com razão defini-la como o faz. O mal está em a língua dispor somente de uma palavra para exprimir três ideias. A fim de evitar todo equívoco, seria necessário restringir-se a acepção do termo alma a uma daquelas ideias. A escolha é indiferente; o que se faz mister é o entendimento entre todos reduzindo-se o problema a uma simples questão de convenção. Julgamos mais lógico tomá-lo na sua acepção vulgar e por isso chamamos ALMA ao ser imaterial e individual que em nós reside e sobrevive ao corpo. Mesmo quando esse ser não existisse, não passasse de produto da imaginação, ainda assim fora preciso um termo para designá-lo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na ausência de um vocábulo especial para tradução de cada uma das outras ideias a que corresponde a palavra alma, denominamos: Princípio vital o princípio da vida material e orgânica, qualquer que seja a fonte donde promane, princípio esse comum a todos os seres vivos, desde as plantas até o homem. Pois que pode haver vida com exclusão da faculdade de pensar, o princípio vital é uma propriedade da matéria, um efeito que se produz achando-se a matéria em dadas circunstâncias. Segundo outros, e esta é a ideia mais comum, ele reside em um fluido especial, universalmente espalhado e do qual cada ser absorve e assimila uma parcela durante a vida, tal como os corpos inertes absorvem a luz. Esse seria então o fluido vital que, na opinião de alguns, em nada difere do fluido elétrico animalizado, ao qual também se dão os nomes de fluido magnético, fluido nervoso, etc.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seja como for, um fato há que ninguém ousaria contestar, pois que resulta da observação: é que os seres orgânicos têm em si uma forma íntima que determina o fenômeno da vida, enquanto essa força existe; que a vida material é comum a todos os seres orgânicos e independe da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas; finalmente, que entre as espécies orgânicas dotadas de inteligência e de pensamento há uma dotada também de um senso moral especial, que lhe dá incontestável superioridade sobre as outras: a espécie humana.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concebe-se que, com uma acepção múltipla, o termo alma não exclui o materialismo, nem o panteísmo. O próprio espiritualismo pode entender a alma de acordo com uma ou outra das duas primeiras definições, sem prejuízo do Ser imaterial distinto, a que então dará um nome qualquer. Assim, aquela palavra não representa uma opinião: é um Proteu, que cada um ajeita a seu bel-prazer. Daí tantas disputas intermináveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Evitar-se-ia igualmente a confusão, embora usando-se do termo alma nos três casos, desde que se lhe acrescentasse um qualificativo especificando o ponto de vista em que se está colocado, ou a aplicação que se faz da palavra. Esta teria, então, um caráter genérico, designando, ao mesmo tempo, o princípio da vida material, o da inteligência e o do senso moral, que se distinguiriam mediante um atributo, como os gases, por exemplo, que se distinguem aditando-se ao termo genérico as palavras hidrogênio, oxigênio ou azoto. Poder-se-ia, assim dizer, e talvez fosse o melhor, a alma vital - indicando o princípio da vida material; a alma intelectual - o princípio da inteligência, e a alma espírita - o da nossa individualidade após a morte. Como se vê, tudo isto não passa de uma questão de palavras, mas questão muito importante quando se trata de nos fazermos entendidos. De conformidade com essa maneira de falar, a alma vital seria comum a todos os seres orgânicos: plantas, animais e homens; a alma intelectual pertenceria aos animais e aos homens; e a alma espírita somente ao homem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Julgamos dever insistir nestas explicações pela razão de que a doutrina espírita repousa naturalmente sobre a existência, em nós, de um ser independente da matéria e que sobrevive ao corpo. A palavra alma, tendo que aparecer com frequência no curso desta obra, cumpria fixássemos bem o sentido que lhe atribuímos, a fim de evitarmos qualquer engano.&lt;br /&gt;Passemos agora ao objeto principal desta instrução preliminar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;III&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Como tudo que constitui novidade, a doutrina espírita conta com adeptos e contraditores. Vamos tentar responder a algumas das objeções destes últimos, examinando o valor dos motivos em que se apoiam, sem alimentarmos, todavia, a pretensão de convencer a todos, pois muitos há que creem ter sido a luz feita exclusivamente para eles.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dirigimo-nos aos de boa-fé, aos que não trazem ideias preconcebidas ou decididamente firmadas contra tudo e todos, aos que sinceramente desejam instruir-se e lhes demonstraremos que a maior parte das objeções opostas à doutrina promanam de incompleta observação dos fatos e de juízo leviano e precipitadamente formado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Lembremos, antes de tudo, em poucas palavras, a série progressiva dos fenômenos que deram origem a esta doutrina.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O primeiro fato observado foi o da movimentação de objetos diversos. Designaram no vulgarmente pelo nome de mesas girantes ou dança das mesas. Este fenômeno, que parece ter sido notado primeiramente na América, ou melhor, que se repetiu nesse país, porquanto a História prova que ele remonta à mais alta antiguidade, se produziu rodeado de circunstâncias estranhas, tais como ruídos insólitos, pancadas sem nenhuma causa ostensiva. Em seguida, propagou-se rapidamente pela Europa e pelas partes do mundo. A princípio quase que só encontrou incredulidade, porém, ao cabo de pouco tempo, a multiplicidade das experiências não mais permitiu lhe pusessem em dúvida a realidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se tal fenômeno se houvesse limitado ao movimento de objetos materiais, poderia explicar-se por uma causa puramente física. Estamos longe de conhecer todos os agentes ocultos da Natureza, ou todas as propriedades dos que conhecemos: a eletricidade multiplica diariamente os recursos que proporciona ao homem e parece destinada a iluminar a Ciência com uma nova luz. Nada de impossível haveria, portanto, em que a eletricidade modificada por certas circunstâncias, ou qualquer outro agente desconhecido, fosse a causa dos movimentos observados. O fato de que a reunião de muitas pessoas aumenta a potencialidade da ação parecia vir em apoio dessa teoria. Visto poder-se considerar o conjunto dos assistentes como uma pilha múltipla, com o seu potencial na razão direta do número dos elementos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O movimento circular nada apresentava de extraordinário: está na Natureza. Todos os astros se movem em curvas elipsóides; poderíamos, pois, ter ali, em ponto menor, um reflexo do movimento geral do Universo, ou, melhor, uma causa, até então desconhecida, produzindo acidentalmente, com pequenos objetos em dadas condições, uma corrente análoga à que impele os mundos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, o movimento nem sempre era circular; muitas vezes era brusco e desordenado, sendo o objeto violentamente sacudido, derrubado, levado numa direção qualquer e, contrariamente a todas as leis da estática, levantando e mantido em suspensão. Ainda aqui nada havia que se não pudesse explicar pela ação de um agente físico invisível, Não vemos a eletricidade deitar por terra edifícios, desarraigar árvores, atirar longe os mais pesados corpos, atraí-los ou repeli-los?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os ruídos insólitos, as pancadas, ainda que não fossem um dos efeitos ordinários da dilatação da madeira, ou de qualquer outra causa acidental, podiam muito bem ser produzidos pela acumulação de um fluido oculto: a eletricidade não produz formidáveis ruídos?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até aí, como se vê, tudo pode caber no domínio dos fatos puramente físicos e fisiológicos. Sem sair desse âmbito de ideias, já ali havia, no entanto, matéria para estudos sérios e dignos de prender a atenção dos sábios. Por que assim não aconteceu? É penoso dizê-lo, mas o fato deriva de causas que provam, entre mil outros semelhantes, a leviandade do espírito humano. A vulgaridade do objeto principal que serviu de base às primeiras experiências não foi alheia à indiferença dos sábios. Que influência não tem tido muitas vezes uma palavra sobre as coisas mais graves!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sem atenderem a que o movimento podia ser impresso a um objeto qualquer, a ideia das mesas prevaleceu, sem dúvida, por ser o objeto mais cômodo e porque, à roda de uma mesa, muito mais naturalmente do que em torno de qualquer outro móvel, se sentam diversas pessoas. Ora, os homens superiores são com frequência tão pueris que não há como ter por impossível que certos espíritos de escol hajam considerado deprimente ocuparem-se com o que se convencionara chamar a dança das mesas. É mesmo provável que se o fenômeno observado por Galvani o fora por homens vulgares e ficasse caracterizado por um nome burlesco, ainda estaria relegado a fazer companhia à varinha mágica. Qual, com efeito, o sábio que não houvera julgado uma indignidade ocupar-se com a dança das rãs?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Alguns, entretanto, muito modestos para convirem em que bem poderia dar-se não lhes ter ainda a Natureza dito a última palavra, quiseram ver, para tranquilidade de suas consciências. Mas aconteceu que o fenômeno nem sempre lhes correspondeu à expectativa e, do fato de não se haver produzido constantemente à vontade deles e segundo a maneira de se comportarem na experimentação, concluíram pela negativa. Mau grado, porém, ao que decretaram, as mesas - pois que há mesas - continuam a girar e podemos dizer com Galileu: todavia, elas se movem! Acrescentaremos que os fatos se multiplicaram de tal modo que desfrutam hoje do direito de cidade, não mais se cogitando senão de lhes achar uma explicação racional.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contra a realidade do fenômeno, poder-se-ia induzir alguma coisa da circunstância de ele não se produzir de modo sempre idêntico, conforme à vontade e às exigências do observador? Os fenômenos de eletricidade e de química não estão subordinados a certas condições? Será lícito negá-los, porque não se produzem fora dessas condições? Que há, pois, de surpreendente em que o fenômeno do movimento dos objetos pelo fluido humano também se ache sujeito a determinadas condições e deixe de se produzir quando o observador, colocando-se no seu ponto de vista, pretende fazê-lo seguir a marcha que caprichosamente lhe imponha, ou queira sujeitá-lo às leis dos fenômenos conhecidos, sem considerar que para fatos novos pode e deve haver novas leis? Ora, para se conhecerem essas leis, preciso é que se estudem as circunstâncias em que os fatos se produzem e esse estudo não pode deixar de ser fruto de observação perseverante, atenta e às vezes muito longa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Objetam, porém, algumas pessoas: há frequentemente fraudes manifestas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perguntar-lhes-emos, em primeiro lugar, se estão bem certas de que haja fraudes e se não tomaram por fraude efeitos que não podiam explicar, mas ou menos como o camponês que tomava por destro escamoteador um sábio professor de Física a fazer experiências.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Admitindo-se mesmo que tal coisa tenha podido verificar-se algumas vezes, constituiria isso razão para negar-se o fato? Dever-se-ia negar a Física, porque há prestidigitadores que se exornam com o título de físicos? Cumpre, ao demais, se leve em conta o caráter das pessoas e o interesse que possam ter em iludir. Seria tudo, então, mero gracejo? Admite-se que uma pessoa se divirta por algum tempo, mas um gracejo prolongado indefinidamente se tornaria tão fastidioso para o mistificador, como para o mistificado. Acresce que, numa mistificação que se propaga de um extremo a outro do mundo e por entre as mais austeras, veneráveis e esclarecidas personalidades, qualquer coisa há, com certeza, tão extraordinária, pelo menos, quanto o próprio fenômeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;IV&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Se os fenômenos, com que nos estamos ocupando, houvessem ficado restritos ao movimento dos objetos, teriam permanecido, como dissemos, no domínio das ciências físicas. Assim, entretanto, não sucedeu: estava-lhes reservado colocar-nos na pista de fatos de ordem singular. Acreditaram haver descoberto, não sabemos pela iniciativa de quem, que a impulsão dada aos objetos não era apenas o resultado de uma força mecânica cega; que havia nesse movimento a intervenção de uma causa inteligente. Uma vez aberto, esse caminho conduziu a um campo totalmente novo de observações. De sobre muitos mistérios se erguia o véu. Haverá, com efeito, no caso, uma potência inteligente? Tal a questão. Se essa potência existe, qual é ela, qual a sua natureza, a sua origem? Encontra-se acima da Humanidade? Eis outras questões que decorrem da anterior.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As primeiras manifestações inteligentes se produziram por meio de mesas que se levantavam e, com um dos pés, davam certo número de pancadas, respondendo desse modo - sim, ou - não, conforme fora convencionado, a uma pergunta feita. Até aí nada de convincente havia para os cépticos, porquanto bem podiam crer que tudo fosse obra do acaso. Obtiveram-se depois respostas mais desenvolvidas com o auxílio das letras do alfabeto: dando o móvel um número de pancadas correspondente ao número de ordem de cada letra, chegava-se a formar palavras e frases que respondiam às questões propostas. A precisão das respostas e a correlação que denotavam com as perguntas causaram espanto. O ser misterioso que assim respondia, interrogado sobre a sua natureza, declarou que era Espírito ou Gênio, declinou um nome e prestou diversas informações a seu respeito. Há aqui uma circunstância muito importante, que se deve assinalar. É que ninguém imaginou os Espíritos como meio de explicar o fenômeno; foi o próprio fenômeno que revelou a palavra. Muitas vezes, em se tratando das ciências exatas, se formulam hipóteses para dar-se uma base ao raciocínio. Não é aqui o caso.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tal meio de correspondência era, porém, demorado e incômodo. O Espírito (e isto constitui nova circunstância digna de nota) indicou outro. Foi um desses seres invisíveis quem aconselhou a adaptação de um lápis a uma cesta ou a outro objeto. Colocada em cima de uma folha de papel, a cesta é posta em movimento pela mesma potência oculta que move as mesas; mas, em vez de um simples movimento regular, o lápis traça por si mesmo caracteres formando palavras, frases, dissertações de muitas páginas sobre as mais altas questões de filosofia, de moral, de metafísica, de psicologia, etc., e com tanta rapidez quanta se se escrevesse com a mão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O conselho foi dado simultaneamente na América, na França e em diversos outros países. Eis em que termos o deram em Paris, a 10 de junho de 1853, a um dos mais fervorosos adeptos da doutrina e que, havia muitos anos, desde 1849, se ocupava com a evocação dos Espíritos: “Vai buscar, no aposento ao lado, a cestinha; amarra-lhe um lápis; coloca-a sobre o papel; põe lhe os teus dedos sobre a borda” Alguns instantes após, a cesta entrou a mover-se e o lápis escreveu, muito legível, esta frase: “Proíbo expressamente que transmitas a quem quer que seja o que acabo de dizer. Da primeira vez que escrever, escreverei melhor.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O objeto a que se adapta o lápis, não passando de mero instrumento, completamente indiferentes são a natureza e a forma que tenha. Daí o haver-se procurado dar-lhe a disposição mais cômoda. Assim é que muita gente se serve de uma prancheta pequena.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A cesta ou a prancheta só podem ser postas em movimento debaixo da influência de certas pessoas, dotadas, para isso, de um poder especial, as quais se designam pelo nome de médiuns, isto é - meios ou intermediários entre os Espíritos e os homens. As condições que dão esse poder resultam de causas ao mesmo tempo físicas e morais, ainda imperfeitamente conhecidas, porquanto há médiuns de todas as idades, de ambos os sexos e em todos os graus de desenvolvimento intelectual. É, todavia, uma faculdade que se desenvolve pelo exercício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;V&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Reconheceu -se mais tarde que a cesta e a prancheta não eram, realmente, mais do que um apêndice da mão; e o médium, tomando diretamente do lápis, se pôs a escrever por um impulso involuntário e quase febril. Dessa maneira, as comunicações se tornaram mais rápidas, mais fáceis e mais completas. Hoje é esse o meio geralmente empregado e com tanto mais razão quanto o número das pessoas dotadas dessa aptidão é muito considerável e cresce todos os dias. Finalmente, a experiência deu a conhecer muitas outras variedades da faculdade mediadora, vindo-se a saber que as comunicações podiam igualmente ser transmitidas pela palavra, pela audição, pela visão, pelo tato, etc., e até pela escrita direta dos Espíritos, isto é, sem o concurso da mão do médium, nem do lápis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Obtido o fato, restava comprovar um ponto essencial - o papel do médium nas respostas e a parte que, mecânica e moralmente, pode ter nelas. Duas circunstâncias capitais, que não escapariam a um observador atento, tornam possível resolver-se a questão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A primeira consiste no modo por que a cesta se move sob a influência do médium, apenas lhe impondo este os dedos sobre os bordos. O exame do fato demonstra a impossibilidade de o médium imprimir uma direção qualquer ao movimento daquele objeto. Essa impossibilidade se patenteia, sobretudo, quando duas ou três pessoas colocam juntamente as mãos sobre a cesta. Fora preciso entre elas uma concordância verdadeiramente fenomenal de movimentos. Fora preciso, demais, a concordância dos pensamentos, para que pudessem estar de acordo quanto à resposta a dar à questão formulada. Outro fato, não menos singular, ainda vem aumentar a dificuldade. É a mudança radical da caligrafia, conforme o Espírito que se manifesta, reproduzindo-se a de um determinado Espírito todas as vezes que ele volta a escrever. Fora necessário, pois que o médium se houvesse exercitado em dar à sua própria caligrafia vinte formas diferentes e, principalmente, que pudesse lembrar-se da que corresponde a tal ou tal Espírito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A segunda circunstância resulta da natureza mesma das respostas que, as mais das vezes, especialmente quando se ventilam questões abstratas e científicas, estão notoriamente fora do campo dos conhecimentos e, amiúde, do alcance intelectual do médium, que, além disso, como de ordinário sucede, não tem consciência do que se escreve debaixo da sua influência; que, frequentemente, não entende ou não compreende a questão proposta, pois que esta o pode ser num idioma que ele desconheça, ou mesmo mentalmente, podendo a resposta ser dada nesse idioma. Enfim, acontece muito escrever a cesta espontaneamente, sem que se haja feito pergunta alguma, sobre um assunto qualquer, inteiramente inesperado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em certos casos, as respostas revelam tal cunho de sabedoria, de profundeza e de oportunidade; exprimem pensamentos tão elevados, tão sublimes, que não podem emanar senão de uma Inteligência superior, impregnada da mais pura moralidade. Doutras vezes, são tão levianas, tão frívolas, tão triviais, que a razão recusa admitir derivem da mesma fonte. Tal diversidade de linguagem não se pode explicar senão pela diversidade das Inteligências que se manifestam. E essas Inteligências estão na Humanidade ou fora da Humanidade? Este o ponto a esclarecer-se e cuja explicação se encontrará completa nesta obra, como a deram os próprios Espíritos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis, pois, efeitos patentes, que se produzem fora do círculo habitual das nossas observações; que não ocorrem misteriosamente, mas, ao contrário, à luz meridiana, que toda gente pode ver e comprovar; que não constituem privilégio de um único indivíduo e que milhares de pessoas repetem todos os dias. Esses efeitos têm necessariamente uma causa e, do momento que denotam a ação de uma inteligência e de uma vontade, saem do domínio puramente físico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Muitas teorias foram engendradas a este respeito. Examiná-las-emos dentro em pouco e veremos se são capazes de oferecer a explicação de todos os fatos que se observam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Admitamos, enquanto não chegamos até lá, a existência de seres distintos dos humanos, pois que esta é a explicação ministrada pelas Inteligências que se manifestam, e vejamos o que eles nos dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;VI &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conforme notamos acima, os próprios seres que se comunicam se designam a si mesmos pelo nome de Espíritos ou Gênios, declarando, alguns, pelo menos, terem pertencido a homens que viveram na Terra. Eles compõem o mundo espiritual, como nós constituímos o mundo corporal durante a vida terrena.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vamos resumir, em poucas palavras, os pontos principais da doutrina que nos transmitiram, a fim de mais facilmente respondermos a certas objeções.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e “imateriais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o “mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a “tudo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais “existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja “destruição pela morte lhes restitui a liberdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Entre as diferentes espécies de seres corpóreo, Deus escolheu a espécie humana “para a encarnação dos Espíritos que chegaram a certo grau de desenvolvimento, dando-lhe “superioridade moral e intelectual sobre as outras.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Há no homem três coisas: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;1) o corpo ou ser material análogo aos animais e “animado pelo mesmo princípio vital; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;2) a alma ou ser imaterial, Espírito encarnado no “corpo; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;3) o laço que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o “Espírito.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Tem assim o homem duas naturezas: pelo corpo, participa da natureza dos animais, cujos “instintos lhe são comuns; pela alma, participa da natureza dos Espíritos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório “semi material. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o “segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que “pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das “aparições.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo “pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela “vista, pelo ouvido e pelo tato.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os Espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em “inteligência, nem em saber, nem em moralidade. Os da primeira ordem são os Espíritos “superiores, que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua “proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos “ou puros Espíritos. Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa “perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria eivados das nossas “paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. Comprazem-se no mal. Há também, entre “os inferiores, os que não são nem muito bons nem muito mais, antes perturbadores e “enredadores, do que perversos. A malícia e as inconsequências parecem ser o que neles “predomina. São os Espíritos estúrdios ou levianos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram “passando pelos diferentes graus da hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da “encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é “uma prova que lhes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta “perfeição moral.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Deixando o corpo, a alma volve ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar “por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual “permanece em estado de Espírito errante. (1)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido “muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, “quer em outros mundos. A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal. As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca “regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à “perfeição.&lt;br /&gt;“As qualidades da alma são as do Espírito que está encarnado em nós; assim, o “homem de bem é a encarnação de um bom Espírito, o homem perverso a de um Espírito impuro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“A alma possuía sua individualidade antes de encarnar; conserva-a depois de se “haver separado do corpo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Na sua volta ao mundo dos Espíritos, encontra ela todos aqueles que conhecera na “Terra, e todas as suas existências anteriores se lhe desenham na memória, com a lembrança “de todo bem e de todo mal que fez.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“O Espírito encarnado se acha sob a influência da matéria; o homem que vence esta “influência, pela elevação e depuração de sua alma, se aproxima dos bons Espíritos, em cuja “companhia um dia estará. Aquele que se deixa dominar pelas más paixões, e põe todas as “suas alegrias na satisfação dos apetites grosseiros, se aproxima dos Espíritos impuros, “dando preponderância à sua natureza animal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; “estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo “físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da “Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“As relações dos Espíritos com os homens são constantes. Os bons Espíritos nos “atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suportá-las com “coragem e resignação. Os maus nos impelem para o mal: é-lhes um gozo ver-nos e “assemelhar-nos a eles.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas. As “ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. As comunicações ostensivas se dão por meio da escrita, da palavra ou de outras manifestações materiais, quase sempre pelos médiuns que lhes servem de instrumentos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Podem evocar-se todos os Espíritos: os que animaram homens obscuros, como os “das personagens mais ilustres, seja qual for a época em que tenham vivido; os de nossos parentes, amigos, ou inimigos, e obter-se deles, por comunicações escritas ou verbais, conselhos, informações sobre a situação em que se encontram no Além, sobre o que pensam a nosso respeito, assim como as revelações que lhes sejam permitidas fazer-nos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que lhes inspire a natureza moral do “meio que os evoca. Os Espíritos superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde “predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se “instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, “encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou “impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. Longe de se “obterem bons conselhos, ou informações úteis, deles só se devem esperar utilidades, “mentiras, gracejos de mau gosto, ou mistificações, pois que muitas vezes tomam nomes “venerados, a fim de melhor induzirem ao erro.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil. Os Espíritos superiores “usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade, “escoimada de qualquer paixão inferior; a mais pura sabedoria lhes transparece dos “conselhos, que objetivam sempre o nosso melhoramento e o bem da Humanidade. A dos “Espíritos inferiores, ao contrário, é inconsequente, amiúde trivial e até grosseira. Se, por “vezes, dizem alguma coisa boa e verdadeira, muito mais vezes dizem falsidades e absurdos, “por malícia ou ignorância. Zombam da credulidade dos homens e se divertem à custa dos “que os interrogam, lisonjeando lhes a vaidade, alimentando-lhes os desejos com falazes esperanças. Em resumo, as comunicações sérias, na “mais ampla acepção do termo, só são dadas nos centros sérios, onde intima comunhão de “pensamentos, tendo em vista o bem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima “evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o “bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, “mesmo para as suas menores ações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;“Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos “aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria; que o homem que, já neste mundo, “se desliga da matéria, desprezando as futilidades mundanas e amando o próximo, se “avizinha da natureza espiritual; que cada um deve tornar-se útil, de acordo com as “faculdades e os meios que Deus lhe pôs nas mãos para experimentá-lo; que o Forte e o “Poderoso devem amparo e proteção ao Fraco, porquanto transgride a Lei de Deus aquele “que abusa da força e do poder para oprimir o seu semelhante. Ensinam, finalmente, que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas todas as suas torpezas, que a presença inevitável, e de todos os instantes, “daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão “reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem “penas e gozos desconhecidos na Terra.&lt;br /&gt;“Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis, que a expiação não possa “apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem “avançar, conforme aos seus desejos e esforços, na senda do progresso, para a “perfeição, que é o seu destino final.”&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Este o resumo da Doutrina Espírita, como resulta dos ensinamentos dados pelos Espíritos superiores. Vejamos agora as objeções que se lhe contrapõem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;VII&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para muita gente, a oposição das corporações científicas constitui, senão uma prova, pelo menos forte presunção contra o que quer que seja. Não somos dos que se insurgem contra os sábios, pois não queremos dar azo a que de nós digam que escouceamos. Temo-los, ao contrário, em grande apreço e muito honrado nos julgaríamos se fôssemos conta do entre eles. Suas opiniões, porém, não podem representar, em todas as circunstâncias, uma sentença irrevogável.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Desde que a Ciência sai da observação material dos fatos, em se tratando de os apreciar e explicar, o campo está aberto às conjeturas. Cada um arquiteta o seu sistemazinho, disposto a sustentá-lo com fervor, para fazê-lo prevalecer. Não vemos todos os dias as mais opostas opiniões serem alternativamente preconizadas e rejeitadas, ora repelidas como erros absurdos, para logo depois aparecerem proclamadas como verdades incontestáveis? Os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos juízos, o argumento sem réplica. Na ausência dos fatos, a dúvida se justifica no homem ponderado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Com relação às coisas notórias, a opinião dos sábios é, com toda razão, fidedigna, porquanto eles sabem mais e melhor do que o vulgo. Mas, no tocante a princípios novos, a coisas desconhecidas, essa opinião quase nunca é mais do que hipotética, por isso que eles não se acham, menos que os outros, sujeitos a preconceitos. Direi mesmo que o sábio tem mais prejuízos que qualquer outro, porque uma propensão natural o leva a subordinar tudo ao ponto de vista donde mais aprofundou os seus conhecimentos: o matemático não vê prova senão numa demonstração algébrica, o químico refere tudo à ação dos elementos, etc.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aquele que se fez especialista prende todas as suas ideias à especialidade que adotou. Tirai- o daí e o vereis quase sempre desarrazoar, por querer submeter tudo ao mesmo cadinho: consequência da fraqueza humana. Assim, pois, consultarei, do melhor grado e com a maior confiança, um químico sobre uma questão de análise, um físico sobre a potência elétrica, um mecânico sobre uma força motriz. Hão de eles, porém, permitir-me, sem que isto afete a estima a que lhes dá direito o seu saber especial, que eu não tenha em melhor conta suas opiniões negativas acerca do Espiritismo, do que o parecer de um arquiteto sobre uma questão de música.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As ciências ordinárias assentam nas propriedades da matéria, que se pode experimentar e manipular livremente; os fenômenos espíritas repousam na ação de inteligências dotadas de vontade própria e que nos provam a cada instante não se acharem subordinadas aos nossos caprichos. As observações não podem, portanto, ser feitas da mesma forma; requerem condições especiais e outro ponto de partida. Querer submetê-las aos processos comuns de investigação é estabelecer analogias que não existem. A Ciência, propriamente dita, é, pois, como ciência, incompetente para se pronunciar na questão do Espiritismo: não tem que se ocupar com isso e qualquer que seja o seu julgamento, favorável ou não, nenhum peso poderá ter. O Espiritismo é o resultado de uma convicção pessoal, que os sábios, como indivíduos, podem adquirir, abstração feita da qualidade de sábios. Pretender deferir a questão à Ciência equivaleria a querer que a existência ou não da alma fosse decidida por uma assembleia de físicos ou de astrônomos. Com efeito, o Espiritismo está todo na existência da alma e no seu estado depois da morte. Ora, é soberanamente ilógico imaginar-se que um homem deva ser grande psicologista, porque é eminente matemático ou notável anatomista. Dissecando o corpo humano, o anatomista procura a alma e, porque não a encontra, debaixo do seu escalpelo, como encontra um nervo, ou porque não a vê evolar-se como um gás, conclui que ela não existe, colocado num ponto de vista exclusivamente material. Segue-se que tenha razão contra a opinião universal? Não. Vedes, portanto, que o Espiritismo não é da alçada da Ciência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando as crenças espíritas se houverem vulgarizado, quando estiverem aceitas pelas massas humanas (e, a julgar pela rapidez com que se propagam, esse tempo não vem longe), com elas se dará o que tem acontecido a todas as ideias novas que hão encontrado oposição: os sábios se renderão à evidência. Lá chegarão, individualmente, pela força das coisas. Até então será intempestivo desviá-los de seus trabalhos especiais, para obrigá-los a se ocuparem com um assunto estranho, que não lhes está nem nas atribuições, nem no programa. Enquanto isso não se verifica, os que, sem estudo prévio e aprofundado da matéria, se pronunciam pela negativa e escarnecem de quem não lhes subscreve o conceito, esquecem que o mesmo se deu com a maior parte das grandes descobertas que fazem honra à Humanidade. Expõem-se a ver seus nomes alongando a lista dos ilustres proscritores das ideias novas e inscritos a par dos membros da douta assembleia que, em 1752, acolheu com retumbante gargalhada a memória de Franklin sobre os para-raios, julgando-a indigna de figurar entre as comunicações que lhe eram dirigidas; e dos daquela outra que ocasionou perder a França as vantagens da iniciativa da marinha a vapor, declarando o sistema de Fulton um sonho irrealizável. Entretanto, essas eram questões da alçada daquelas corporações. Ora, se tais assembleias, que contavam em seu seio a nata dos sábios do mundo, só tiveram a zombaria e o sarcasmo para ideias que elas não percebiam, ideias que, alguns anos mais tarde, revolucionaram a ciência, os costumes e a indústria, como esperar que uma questão, alheia aos trabalhos que lhes são habituais, alcance hoje das suas congêneres melhor acolhimento?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Esses erros de alguns homens eminentes, se bem que deploráveis, atenta a memória deles, de nenhum modo poderiam privá-los dos títulos que a outros respeitos conquistaram à nossa estima; mas, será precisa a posse de um diploma oficial para se ter bom-senso? Dar-se-á que fora das cátedras acadêmicas só se encontrem tolos e imbecis? Dignem-se de lançar os olhos para os adeptos da Doutrina Espírita e digam se só com ignorantes deparam e se a imensa legião de homens de mérito que a têm abraçado autoriza seja ela atirada ao rol das crendices de simplórios. O caráter e o saber desses homens dão peso a esta proposição: pois que eles afirmam, forçoso é reconhecer que alguma coisa há.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Repetimos mais uma vez que, se os fatos a que aludimos se houvessem reduzido ao movimento mecânico dos corpos, a indagação da causa física desse fenômeno caberia no domínio da Ciência; porém, desde que se trata de uma manifestação que se produz com exclusão das leis da Humanidade, ela escapa à competência da ciência material, visto não poder explicar-se por algarismos, nem por uma força mecânica. Quando surge um fato novo, que não guarda relação com alguma ciência conhecida, o sábio, para estudá-lo, tem que abstrair na sua ciência e dizer a si mesmo que o que se lhe oferece constitui um estudo novo, impossível de ser feito com ideias preconcebidas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O homem que julga infalível a sua razão está bem perto do erro. Mesmo aqueles, cujas ideias são as mais falsas, se apoiam na sua própria razão e é por isso que rejeitam tudo o que lhes parece impossível. Os que outrora repeliram as admiráveis descobertas de que a Humanidade se honra, todos endereçavam seus apelos a esse juiz, para repeli-las. O que se chama razão não é muitas vezes senão orgulho disfarçado e quem quer que se considere infalível apresenta-se como igual a Deus. Dirigimo-nos, pois, aos ponderados, que duvidam do que não viram, mas que, julgando do futuro pelo passado, não creem que o homem haja chegado ao apogeu nem que a Natureza lhe tenha facultado ler a última página do seu livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;VIII &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acrescentemos que o estudo de uma doutrina, qual a Doutrina Espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova quão grande, só pode ser feito com utilidade por homens sérios, perseverantes, livres de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado. Não sabemos como dar esses qualificativos aos que julgam a priori, levianamente, sem tudo ter visto; que não imprimem a seus estudos a continuidade, a regularidade e o recolhimento indispensáveis. Ainda menos saberíamos dá-los a alguns que, para não decaírem da reputação de homens de espírito, se afadigam por achar um lado burlesco nas coisas mais verdadeiras, ou tidas como tais por pessoas cujo saber, caráter e convicções lhes dão direito à consideração de quem quer que se preze de bem-educado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abstenham-se, portanto, os que entendem não serem dignos de sua atenção os fatos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém pensa em lhes violentar a crença; concordem, pois, em respeitar a dos outros.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. Será de admirar que muitas vezes não se obtenha nenhuma resposta sensata a questões de si mesmas graves, quando propostas ao acaso e à queima-roupa, em meio de uma aluvião de outras extravagantes? Demais, sucede frequentemente que, por complexa, uma questão, para ser elucidada, exige a solução de outras preliminares ou complementares. Quem deseje tornar-se versado numa ciência tem que a estudar metodicamente, começando pelo princípio e acompanhando o encadeamento e o desenvolvimento das ideias. Que adiantará aquele que, ao acaso, dirigir a um sábio perguntas acerca de uma ciência cujas primeiras palavras ignore? Poderá o próprio sábio, por maior que seja a sua boa-vontade, dar-lhe resposta satisfatória? A resposta isolada, que der, será forçosamente incompleta e quase sempre por isso mesmo, ininteligível, ou parecerá absurda e contraditória. O mesmo ocorre em nossas relações com os Espíritos. Quem quiser com eles instruir-se tem que com eles fazer um curso; mas, exatamente como se procede entre nós deverá escolher seus professores e trabalhar com assiduidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dissemos que os Espíritos superiores somente às sessões sérias acorrem, sobretudo às em que reina perfeita comunhão de pensamentos e de sentimentos para o bem. A leviandade e as questões ociosas os afastam, como, entre os homens, afastam as pessoas criteriosas; o campo fica, então, livre à turba dos Espíritos mentirosos e frívolos, sempre à espreita de ocasiões propícias para zombarem de nós e se divertirem à nossa custa. Que é o que se dará com uma questão grave em reuniões de tal ordem? Será respondida; mas, por quem? Acontece como se a um bando de levianos, que estejam a divertir-se, propusésseis estas questões: Que é a alma? Que é a morte? e outras tão recreativas quanto essas. Se quereis respostas sisudas, haveis de comportar-vos com toda a sisudeza, na mais ampla acepção do termo, e de preencher todas as condições reclamadas. Só assim obtereis grandes coisas. Sede, além do mais, laboriosos e perseverantes nos vossos estudos, sem o que os Espíritos superiores vos abandonarão, como faz um professor com os discípulos negligentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;IX &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento dos objetos é um fato incontestável. A questão está em saber se, nesse movimento, há ou não uma manifestação inteligente e, em caso de afirmativa, qual a origem essa manifestação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não falamos do movimento inteligente de certos objetos, nem das comunicações verbais, nem das que o médium escreve diretamente. Este gênero de manifestações, evidente para os que viram e aprofundaram o assunto, não se mostra, à primeira vista, bastante independente da vontade, para firmar a convicção de um observador novato. Não rataremos, portanto, senão da escrita obtida com o auxílio de um objeto qualquer munido de um lápis, como cesta, prancheta, etc. A maneira pela qual os dedos do médium repousam sobre os objetos desafia, como atrás dissemos, a mais consumada destreza de sua parte no intervir, de qualquer modo, em o traçar das letras. Mas admitamos que a alguém, dotado de maravilhosa habilidade, seja isso possível e que esse alguém consiga iludir o olhar do observador; como explicar a natureza das respostas, quando se apresentam fora do quadro das ideias e conhecimentos do médium? E note-se que não se trata de respostas monossilábicas, porém, muitas vezes, de numerosas páginas escritas com admirável rapidez, quer espontaneamente, quer sobre determinado assunto. De sob os dedos do médium menos versado em literatura, surgem de quando em quando poesias de impecáveis sublimidade e pureza, que os melhores poetas humanos não se dignariam de subscrever.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que ainda torna mais estranhos esses fatos é que ocorrem por toda parte e que os médiuns se multiplicam ao infinito. São eles reais ou não? Para esta pergunta só temos uma resposta: vede e observai; não vos faltarão ocasiões de fazê-lo; mas, sobretudo, observai repetidamente, por longo tempo e de acordo com as condições exigidas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Que respondem a essa evidência os antagonistas? - Sois vítimas do charlatanismo ou joguete de uma ilusão. Diremos, primeiramente, que a palavra charlatanismo não cabe onde não há proveito. Os charlatães não fazem grátis o seu ofício. Seria, quando muito, uma mistificação. Mas, por que singular coincidência esses mistificadores se achariam acordes, de um extremo a outro do mundo, para proceder do mesmo modo, produzir os mesmos efeitos e dar, sobre os mesmos assuntos e em línguas diversas, respostas idênticas, senão quanto à forma, pelo menos quanto ao sentido? Como compreender-se que pessoas austeras, honradas, instruídas se prestassem a tais manejos? E com que fim? Como achar em crianças a paciência e a habilidade necessárias a tais resultados? Porque, se os médiuns não são instrumentos passivos, indispensáveis se lhes fazem habilidade e conhecimentos incompatíveis com a idade infantil e com certas posições sociais.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dizem então que, se não há fraude, pode haver ilusão de ambos os lados. Em boa lógica, a qualidade das testemunhas é de alguma importância. Ora, é aqui o caso de perguntarmos se a Doutrina Espírita, que já conta milhões de adeptos, só os recruta entre os ignorantes? Os fenômenos em que ela se baseia são tão extraordinários que concebemos a existência da dúvida. O que, porém, não podemos admitir é a pretensão de alguns incrédulos, a de terem o monopólio do bom-senso, e que, sem guardarem as conveniências e respeitarem o valor moral de seus adversários, tachem, com desplante, de ineptos os que lhes não seguem o parecer. Aos olhos de qualquer pessoa judiciosa, a opinião das que, esclarecidas, observaram durante muito tempo, estudaram e meditaram uma coisa, constituirá sempre, quando não uma prova, uma presunção, no mínimo, a seu favor, visto ter logrado prender a atenção de homens respeitáveis, que não tinham interesse algum em propagar erros nem tempo a perder com futilidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;X &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre as objeções, algumas há das mais especiosas, ao menos na aparência, porque tiradas da observação e feitas por pessoas respeitáveis.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A uma delas serve de base a linguagem de certos Espíritos, que não parece digna da elevação atribuída a seres sobrenaturais. Quem se reportar ao resumo da doutrina acima apresentado, verá que os próprios Espíritos nos ensinam não haver entre eles igualdade de conhecimentos nem de qualidades morais, e que não se deve tomar ao pé da letra tudo quanto dizem. Às pessoas sensatas incumbe separar o bom do mau. Indubitavelmente, os que desse fato deduzem que só se comunicam conosco seres malfazejos, cuja única ocupação consista em nos mistificar, não conhecem as comunicações que se recebem nas reuniões onde só se manifestam Espíritos superiores; do contrário, assim não pensariam. É de lamentar que o acaso os tenha servido tão mal, que apenas lhes haja mostrado o lado mau do mundo espírita, pois nos repugna supor que uma tendência simpática atraia para eles, em vez dos bons Espíritos, os maus, os mentirosos, ou aqueles cuja linguagem é de revoltante grosseria. Poder-se-ia, quando muito, deduzir daí que a solidez dos princípios dessas pessoas não é bastante forte para preservá-las do mal e que, achando certo prazer em lhes satisfazerem a curiosidade, os maus Espíritos disso se aproveitam para se aproximar delas, enquanto os bons se afastam. Julgar a questão dos Espíritos por esses fatos seria tão pouco lógico, quanto julgar do caráter de um povo pelo que se diz e faz numa reunião de desatinados ou de gente de mánota, com os quais não entretêm relações as pessoas circunspectas nem as sensatas. Os que assim julgam se colocam na situação do estrangeiro que, chegando a uma grande capital pelo mais abjeto dos seus arrabaldes, julgasse de todos os habitantes pelos costumes e linguagem desse bairro ínfimo. No mundo dos Espíritos também há uma sociedade boa e uma sociedade má; dignem-se, os que daquele modo se pronunciam, de estudar o que se passa entre os Espíritos de escol e se convencerão de que a cidade celeste não contém apenas a escória popular.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perguntam eles: os Espíritos de escol descem até nós? Responderemos: Não fiqueis no subúrbio; vede, observai e julgareis; os fatos aí estão para todo o mundo. A menos que lhes sejam aplicáveis estas palavras de Jesus: Têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como variante dessa opinião, temos a dos que não veem, nas comunicações espíritas e em todos os fatos materiais a que elas dão lugar, mais do que a intervenção de uma potência diabólica, novo Proteu que revestiria todas as formas, para melhor nos enganar. Não a julgamos suscetível de exame sério, por isso não nos demoramos em considerá-la. Aliás, ela está refutada pelo que acabamos de dizer. Acrescentaremos, tão-somente, que, se assim fosse, forçoso seria convir em que o diabo é às vezes bastante criterioso e ponderado, sobretudo muito moral; ou então, em que também há bons diabos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Efetivamente, como acreditar que Deus só ao Espírito do mal permita que se manifeste, para perder-nos, sem nos dar por contrapeso os conselhos dos bons Espíritos? Se Ele não o pode fazer, não é onipotente; se pode e não o faz, desmente a Sua bondade. Ambas as suposições seriam blasfemas. Note-se que admitir a comunicação dos maus Espíritos é reconhecer o princípio das manifestações. Ora, se elas se dão, não pode deixar de ser com a permissão de Deus. Como, então, se há de acreditar, sem impiedade, que Ele só permita o mal, com exclusão do bem? Semelhante doutrina é contrária às mais simples noções do bom-senso e da Religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;XI &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquisito é, acrescentam, que só se fale dos Espíritos de personagens conhecidas e perguntam por que são eles os únicos a se manifestarem. Há ainda aqui um erro, oriundo, como tantos outros, de superficial observação. Dentre os Espíritos que vêm espontaneamente, muito maior é, para nós, o número dos desconhecidos do que o dos ilustres, designando-se aqueles por um nome qualquer, muitas vezes por um nome alegórico ou característico. Quanto aos que se evocam, desde que não se trate de parente ou amigo, é muito natural nos dirijamos aos que conhecemos, de preferência a chamar pelos que nos são desconhecidos. O nome das personagens ilustres atrai mais a atenção, por isso é que são notadas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acham também singular que os Espíritos dos homens eminentes acudam familiarmente ao nosso chamado e se ocupem, às vezes, com coisas insignificantes, comparadas com as de que cogitavam durante a vida. Nada aí há de surpreendente para os que sabem que a autoridade, ou a consideração de que tais homens gozaram neste mundo, nenhuma supremacia lhes dá no mundo espírita. Nisto, os Espíritos confirmam estas palavras do Evangelho: “Os grandes serão rebaixados e os pequenos serão elevados”, devendo esta sentença entender-se com relação à categoria em que cada um de nós se achará entre eles. É assim que aqueles que foi primeiro na Terra pode vir a ser lá um dos últimos. Aquele diante de quem curvávamos aqui a cabeça pode, portanto, vir falar-nos como o mais humilde operário, pois que deixou, com a vida terrena, toda a sua grandeza, e o mais poderoso monarca pode achar-se lá muito abaixo do último dos seus soldados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;XII &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fato demonstrado pela observação e confirmado pelos próprios Espíritos é o de que os Espíritos inferiores muitas vezes usurpam nomes conhecidos e respeitados. Quem pode, pois, afirmar que os que dizem ter sido, por exemplo, Sócrates, Júlio César, Carlos Magno, Fénelon, Napoleão, Washington, etc., tenham realmente animado essas personagens? Esta dúvida existe mesmo entre alguns adeptos fervorosos da Doutrina Espírita, os quais admitem a intervenção e a manifestação dos Espíritos, mas inquirem como se lhes pode comprovar a identidade. Semelhante prova é, de fato, bem difícil de produzir-se. Conquanto, porém, não o possa ser de modo tão autêntico como por uma certidão de registro civil, pode-o ao menos por presunção, segundo certos indícios.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando se manifesta o Espírito de alguém que conhecemos pessoalmente, de um parente ou de um amigo, por exemplo, mormente se há pouco tempo que morreu, sucede geralmente que sua linguagem se revela de perfeito acordo com o caráter que tinha aos nossos olhos, quando vivo. Já isso constitui indício de identidade. Não mais, entretanto, há lugar para dúvidas, desde que o Espírito fala de coisas particulares, lembra acontecimentos de família, sabidos unicamente do seu interlocutor. Um filho não se enganará, decerto, com a linguagem de seu pai ou de sua mãe, nem pais haverá que se equivoquem quanto à de um filho. Neste gênero de evocações, passam-se às vezes coisas íntimas verdadeiramente empolgantes, de natureza a convencerem o maior incrédulo. O mais obstinado céptico fica, não raro, aterrado com as inesperadas revelações que lhe são feitas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outra circunstância muito característica acode em apoio da identidade. Dissemos que a caligrafia do médium muda, em geral, quando outro passa a ser o Espírito evocado e que a caligrafia é sempre a mesma quando o mesmo Espírito se apresenta. Tem-se verificado inúmeras vezes, sobretudo se se trata de pessoas mortas recentemente, que a escrita denota flagrante semelhança com a dessa pessoa em vida. Assinaturas se hão obtido de exatidão perfeita. Longe estamos, todavia, de querer apontar esse fato como regra e menos ainda como regra constante. Mencionamo-lo apenas como digna de nota.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só os Espíritos que atingiram certo grau de purificação se acham libertos de toda influência corporal. Quando ainda não estão completamente desmaterializados (é a expressão de que usam) conservam a maior parte das ideias, dos pensadores e até das manias que tinham na Terra, o que também constitui um meio de reconhecimento, ao qual igualmente, se chega por uma imensidade de fatos minuciosos, que só uma observação acurada e detida pode revelar. Veem-se escritores a discutir suas próprias obras ou doutrinas, a aprovar ou condenar certas partes delas; outros a lembrar circunstâncias ignoradas, ou quase desconhecidas de suas vidas ou de suas mortes, toda sorte de particularidades, enfim, que são, quando nada, provas morais de identidade, únicas invocáveis, tratando-se de coisas abstratas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ora, se a identidade de um Espírito evocado pode, até certo ponto, ser estabelecida em alguns casos, razão não há para que não o seja em outros; e se, com relação a pessoas, cuja morte data de muito tempo, não se têm os mesmos meios de verificação, resta sempre o da linguagem e do caráter, porquanto, inquestionavelmente, o Espírito de um homem de bem não falará como o de um perverso ou de um devasso. Quanto aos Espíritos que se apropriam de nomes respeitáveis, esses se traem logo pela linguagem que empregam e pelas máximas que formulam. Um que se dissesse Fénelon, por exemplo, e que, ainda quando apenas acidentalmente ofendesse o bom-senso e a moral, mostraria, por esse simples fato, o embuste. Se, ao contrário, forem sempre puros os pensamentos que exprima, sem contradições e constantemente à altura do caráter de Fénelon, não há motivo para que se duvide da sua identidade. De outra forma, havíamos de supor que um Espírito que só prega o bem é capaz de mentir conscientemente e, ainda mais, sem utilidade alguma.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A experiência nos ensina que os Espíritos da mesma categoria, do mesmo caráter e possuídos dos mesmos sentimentos formam grupos e famílias. Ora, incalculável é o número dos Espíritos e longe estamos de conhecê-los a todos; a maior parte deles não têm mesmo nomes para nós. Nada, pois, impede que um Espírito da categoria de Fénelon venha em seu lugar, muitas vezes até como seu mandatário. Apresenta-se então com o seu nome, porque lhe é idêntico e pode substituí-lo e ainda porque precisamos de um nome para fixar as nossas ideias. Mas, que importa, afinal, seja um Espírito, realmente ou não, o de Fénelon? Desde que tudo o que ele diz é bom e que fala como o teria feito o próprio Fénelon, é um bom Espírito. Indiferente é o nome pelo qual se dá a conhecer, não passando muitas vezes de um meio de que lança mão para nos fixar as ideias. O mesmo, entretanto, não é admissível nas evocações íntimas; mas, aí, como dissemos há pouco, se consegue estabelecer a identidade por provas de certo modo patentes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Inegavelmente a substituição dos Espíritos pode dar lugar a uma porção de equívocos, ocasionar erros e, amiúde, mistificações. Essa é uma das dificuldades do Espiritismo prático. Nunca, porém, dissemos que esta ciência fosse fácil, nem que se pudesse aprendê-la brincando, o que, aliás, não é possível, qualquer que seja a ciência.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Jamais teremos repetido bastante que ela demanda estudo assíduo e por vezes muito prolongado. Não sendo lícito provocarem-se os fatos, tem-se que esperar que eles se apresentem por si mesmos. Frequentemente ocorrem por efeito de circunstâncias em que se não pensa. Para o observador atento e paciente os fatos abundam, por isso que ele descobre milhares de matizes característicos, que são verdadeiros raios de luz. O mesmo se dá com as ciências comuns. Ao passo que o homem superficial não vê numa flor mais do que uma forma elegante, o sábio descobre nela tesouros para o pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOTA: (1) Há entre esta doutrina da reencarnação e a da metempsicose, como a admitem certas seitas, uma diferença característica, que é explicada no curso da presente obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;XIII &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As observações que aí ficam nos levam a dizer alguma coisa acerca de outra dificuldade, a da divergência que se nota na linguagem dos Espíritos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Diferindo estes muito uns dos outros, do ponto de vista dos conhecimentos e da moralidade, é evidente que uma questão pode ser por eles resolvida em sentidos opostos, conforme a categoria que ocupam, exatamente como sucederia, entre os homens, se a propusessem ora a um sábio, ora a um ignorante, ora a um gracejador de mau gosto. O ponto essencial, temo-lo dito, é sabermos a quem nos dirigimos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas, ponderam, como se explica que os tidos por Espíritos de ordem superior nem sempre estejam de acordo? Diremos, em primeiro lugar, que, independentemente da causa que vimos de assinalar, outras há de molde a exercerem certa influência sobre a natureza das respostas, abstração feita da probidade dos Espíritos. Este é um ponto capital, cuja explicação alcançaremos pelo estudo. Por isso é que dizemos que estes estudos requerem atenção demorada, observação profunda e, sobretudo, como aliás o exigem todas as ciências humanas, continuidade e perseverança. Anos são precisos para forma-se um médico medíocre e três quartas partes da vida para chegar-se a ser um sábio. Como pretender-se em algumas horas adquirir a Ciência do Infinito?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ninguém, pois, se iluda: o estudo do Espiritismo é imenso; interessa a todas as questões da metafísica e da ordem social; é um mundo que se abre diante de nós. Será de admirar que o efetuá-lo demande tempo, muito tempo mesmo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A contradição, demais, nem sempre é tão real quanto possa parecer. Não vemos todos os dias homens que professam a mesma ciência divergirem na definição que dão de uma coisa, quer empreguem termos diferentes, quer a encarem de pontos de vista diversos, embora seja sempre a mesma a ideia fundamental? Conte quem puder as definições que se têm dado de gramática! Acrescentaremos que a forma da resposta depende muitas vezes da forma da questão. Pueril, portanto, seria apontar contradição onde frequentemente só há diferença de palavras. Os Espíritos superiores não se preocupam absolutamente com a forma. Para eles, o fundo do pensamento é tudo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Tomemos, por exemplo, a definição de alma. Carecendo este termo de uma acepção invariável, compreende-se que os Espíritos, como nós, divirjam na definição que dela deem: um poderá dizer que é o princípio da vida, outro chamar-lhe centelha anímica, um terceiro afirmar que ela é interna, que é externa, etc., tendo todos razão, cada um do seu ponto de vista. Poder-se-á mesmo crer que alguns deles professem doutrinas materialistas e, todavia, não ser assim. Outro tanto acontece relativamente a Deus. Será: o princípio de todas as coisas, o criador do Universo, a inteligência suprema, o infinito, o grande Espírito, etc. Em definitivo, será sempre Deus. Citemos, finalmente, a classificação dos Espíritos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eles formam uma série ininterrupta, desde o mais ínfimo grau até o grau superior. A classificação é, pois, arbitrária. Um, grupá-los-á em três classes, outro em cinco, dez ou vinte, à vontade, sem que nenhum esteja em erro. Todas as ciências humanas nos oferecem idênticos exemplos. Cada sábio tem o seu sistema; os sistemas mudam, a Ciência, porém, não muda. Aprenda-se a botânica pelo sistema de Linneu, ou pelo de Jussieu, ou pelo de Tournefort, nem por isso se saberá menos botânica. Deixemos, conseguintemente, de emprestar a coisas de pura convenção mais importância do que merecem, para só nos atermos ao que é verdadeiramente importante e, não raro, a reflexão fará se descubra, no que pareça disparate, uma similitude que escapara a um primeiro exame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;XIV &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaríamos de longe pela objeção que fazem alguns cépticos, a propósito das faltas ortográficas que certos Espíritos cometem, se ela não oferecesse margem a uma observação essencial. A ortografia deles, cumpre dizê-lo, nem sempre é irreprochável; mas, grande escassez de razões seria mister para se fazer disso objeto de crítica séria, dizendo que, visto saberem tudo, os Espíritos devem saber ortografia. Poderíamos opor-lhes os múltiplos pecados desse gênero cometidos por mais de um sábio da Terra, o que, entretanto, em nada lhes diminui o mérito. Há, porém, no fato, uma questão mais grave. Para os Espíritos, principalmente para os Espíritos superiores, a ideia é tudo, a forma nada vale. Livres da matéria, a linguagem de que usam entre si é rápida como o pensamento, porquanto são os próprios pensamentos que se comunicam sem intermediário. Muito pouco à vontade hão de eles se sentirem, quando obrigados, para se comunicarem conosco, a utilizarem-se das formas longas e embaraçosas da linguagem humana e a lutarem com a insuficiência e a imperfeição dessa linguagem, para exprimirem todas as ideias. É o que eles próprios declaram Por isso mesmo, bastante curiosos são os meios de que se servem com frequência para obviarem a esse inconveniente. O mesmo se daria conosco, se houvéssemos de exprimir-nos num idioma de vocábulos e fraseados mais longos e de maior pobreza de expressões do que o de que usamos. É o embaraço que experimenta o homem de gênio constitui motivo de impaciência a lentidão da sua pena sempre muito atrasada no lhe acompanhar o pensamento. Compreende-se, diante disto, que os Espíritos liguem pouca importância à puerilidade da ortografia, mormente quando se trata de ensino profundo e grave. Já não é maravilhoso que se exprimam indiferentemente em todas as línguas e que as entendam todas? Não se conclua daí, todavia, que desconheçam a correção convencional da linguagem. Observam-na, quando necessário. Assim é, por exemplo, que a poesia por eles ditada desafiaria quase sempre a crítica do mais meticuloso purista, a despeito da ignorância do médium.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;XV &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também pessoas que veem perigo por toda parte e em tudo o que não conhecem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daí a pressa com que, do fato de haverem perdido a razão alguns dos que se entregaram a estes estudos, tiram conclusões desfavoráveis ao Espiritismo. Como é que homens sensatos enxergam nisto uma objeção valiosa? Não se dá o mesmo com todas as preocupações de ordem intelectual que empolguem um cérebro fraco? Quem será capaz de precisar quantos loucos e maníacos os estudos da matemática, da medicina, da música, da filosofia e outros têm produzido? Dever-se-ia, em consequência, banir esses estudos? Que prova isso? Nos trabalhos corporais, estropiam-se os braços e as pernas, que são os instrumentos da ação material; nos trabalhos da inteligência, estropia-se o cérebro, que é o do pensamento. Mas, por se haver quebrado o instrumento, não se segue que o mesmo tenha acontecido ao Espírito. Este permanece intacto e, desde que se liberte da matéria, gozará, tanto quanto qualquer outro, da plenitude das suas faculdades. No seu gênero, ele é, como homem, um mártir do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todas as grandes preocupações do espírito podem ocasionar a loucura: as ciências, as artes e até a religião lhe fornecem contingentes. A loucura tem como causa primária uma predisposição orgânica do cérebro, que o torna mais ou menos acessível a certas impressões. Dada a predisposição para a loucura, esta tomará o caráter de preocupação principal, que então se muda em ideia fixa, podendo tanto ser a dos Espíritos, em quem com eles se ocupou, como a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade, de um sistema político ou social. Provavelmente, o louco religioso se houvera tornado um louco espírita, se o Espiritismo fora a sua preocupação dominante, do mesmo modo que o louco espírita o seria sob outra forma, de acordo com as circunstâncias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Digo, pois, que o Espiritismo não tem privilégio algum a esse respeito. Vou mais longe: digo que, bem compreendido, ele é um preservativo contra a loucura.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre as causas mais comuns de sobre excitação cerebral, devem contar-se as decepções, os infortúnios, as afeições contrariadas, que, ao mesmo tempo, são as causas mais frequentes de suicídio. Ora, o verdadeiro espírita vê as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado; elas lhe parecem tão pequenas, tão mesquinhas, a par do futuro que o aguarda; a vida se lhe mostra tão curta, tão fugaz, que, aos seus olhos, as tribulações não passam de incidentes desagradáveis, no curso de uma viagem. O que, em outro, produziria violenta emoção, mediocremente o afeta. Demais, ele sabe que as amarguras da vida são provas úteis ao seu adiantamento, se as sofrer sem murmurar, porque será recompensado na medida da coragem com que as houver suportado. Suas convicções lhe dão, assim, uma resignação que o preserva do desespero e, por conseguinte, de uma causa permanente de loucura e suicídio. Conhece também, pelo espetáculo que as comunicações com os Espíritos lhe proporcionam, qual a sorte dos que voluntariamente abreviam seus dias e esse quadro é bem de molde a fazê-lo refletir, tanto que a cifra muito considerável já ascende o número dos que foram detidos em meio desse declive funesto. Este é um dos resultados do Espiritismo. Riam quanto queiram os incrédulos. Desejo-lhes as consolações que ele prodigaliza a todos os que se hão dado ao trabalho de lhe sondar as misteriosas profundezas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cumpre também colocar entre as causas da loucura o pavor, sendo que o do diabo já desequilibrou mais de um cérebro. Quantas vítimas não têm feito os que abalam imaginações fracas com esse quadro, que cada vez mais pavoroso se esforçam por tornar, mediante horríveis pormenores? O diabo, dizem, só mete medo a crianças, é um freio para fazê-las ajuizadas. Sim, é, do mesmo modo que o papão e o lobisomem. Quando, porém, elas deixam de ter medo, estão piores do que dantes. E, para alcançar-se tão belo resultado, não se levam em conta as inúmeras epilepsias causadas pelo abalo de cérebros delicados. Bem frágil seria a religião se, por não infundir terror, sua força pudesse ficar comprometida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Felizmente, assim não é. De outros meios dispõe ela para atuar sobre as almas. Mais eficazes e mais sérios são os que o Espiritismo lhe faculta, desde que ela os saiba utilizar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele mostra a realidade da coisas e só com isso neutraliza os funestos efeitos de um temor exagerado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;XVI &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta-nos ainda examinar duas objeções, únicas que realmente merecem este nome, porque se baseiam em teorias racionais. Ambas admitem a realidade de todos os fenômenos materiais e morais, mas excluem a intervenção dos Espíritos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo a primeira dessas teorias, todas as manifestações atribuídas aos Espíritos não seriam mais do que efeitos magnéticos. Os médiuns se achariam num estado a que se poderia chamar sonambulismo desperto, fenômeno de que podem dar testemunho todos os que hão estudado o magnetismo. Nesse estado, as faculdades intelectuais adquirem um desenvolvimento anormal; o círculo das operações intuitivas se amplia, para além das raias da nossa concepção ordinária. Assim sendo, o médium tiraria de si mesmo e por efeito da sua lucidez tudo o que diz e todas as noções que transmite, mesmo sobre os assuntos que mais estranhos lhe sejam, quando no estado habitual.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não seremos nós quem conteste o poder do sonambulismo, cujos prodígios observamos, estudando lhe todas as fases durante mais de trinta e cinco anos. Concordamos em que, efetivamente, muitas manifestações espíritas são explicáveis por esse meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Contudo, uma observação cuidadosa e prolongada mostra grande cópia de fatos em que a intervenção do médium, a não ser como instrumento passivo, é materialmente impossível.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aos que partilham dessa opinião, como aos outros, diremos: “Vede e observai, porque certamente ainda não vistes tudo.” Opor-lhes-emos, em seguida, duas considerações tiradas da própria doutrina deles. Donde veio a teoria espírita? É um sistema imaginado por alguns homens para explicar os fatos? De modo algum. Quem então a revelou? Precisamente esses médiuns cuja lucidez exaltais. Ora, se essa lucidez é tal como a supondes, por que teriam eles atribuído aos Espíritos o que em si mesmos hauriam? Como teriam dado, sobre a natureza dessas inteligências extra-humanas, as informações precisas, lógicas e tão sublimes, que conhecemos? Uma de duas: ou eles são lúcidos, ou não o são. Se o são e se se pode confiar na sua veracidade, não haveria meio de admitir-se, sem contradição, que não estejam com a verdade. Em segundo lugar, se todos os fenômenos promanassem do médium, seriam sempre idênticos num determinado indivíduo; jamais se veria a mesma pessoa usar de uma linguagem disparatada, nem exprimir alternativamente as coisas mais contraditórias. Esta falta de unidade nas manifestações obtidas pelo mesmo médium prova a diversidade das fontes. Ora, desde que não as podemos encontrar todas nele, forçoso é que procuremos fora dele.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Segundo outra opinião, o médium é a única fonte produtora de todas as manifestações; mas, em vez de extraí-las de si mesmo, como o pretendem os partidários da teoria sonambúlica, ele as toma ao meio ambiente. O médium seria então uma espécie de espelho a refletir todas as ideias, todos os pensamentos e todos os conhecimentos das pessoas que o cercam; nada diria que não fosse conhecido, pelo menos, de algumas destas. Não é lícito negar-se, e isso constitui mesmo um princípio da doutrina, a influência que os assistentes exercem sobre a natureza das manifestações. Esta influência, no entanto, difere muito da que supõem existir, e, dela à que faria do médium um eco dos pensamentos daqueles que o rodeiam, vai grande distância, porquanto milhares de fatos demonstram o contrário. Há, pois, nessa maneira de pensar, grave erro, que uma vez mais prova o perigo das conclusões prematuras. Sendo-lhes impossível negar a realidade de um fenômeno que a ciência vulgar não pode explicar e não querendo admitir a presença dos Espíritos, os que assim opinam o explicam a seu modo. Seria especiosa a teoria que sustentam, se pudesse abranger todos os fatos. Tal, entretanto, não se dá. Quando se lhes demonstra, até à evidência, que certas comunicações do médium são completamente estranhas aos pensamentos, aos conhecimentos, às opiniões mesmo de todos os assistentes, que essas comunicações frequentemente são espontâneas e contradizem todas as ideias preconcebidas, ah! eles não se embaraçam com tão pouca coisa. Respondem que a irradiação vai muito além do círculo imediato que nos envolve; o médium é o reflexo de toda a Humanidade, de tal sorte que se as inspirações não lhe vêm dos que se acham a seu lado, ele as vai beber fora, na cidade, no país, em todo o globo e até nas outras esferas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não me parece que em semelhante teoria se encontre explicação mais simples e mais provável que a do Espiritismo, visto que ela se baseia numa causa bem mais maravilhosa. A ideia de que seres que povoam os espaços e que, em contato conosco, nos comunicam seus pensamentos, nada tem que choque mais a razão do que a suposição dessa radiação universal, vindo, de todos os pontos do Universo, concentrar-se no cérebro de um indivíduo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda uma vez, e este é o ponto capital sobre que nunca insistiremos bastante: a teoria sonambúlica e a que se poderia chamar refletiva foram imaginadas por alguns homens; são opiniões individuais, criadas para explicar um fato, ao passo que a Doutrina dos Espíritos não é de concepção humana. Foi ditada pelas próprias Inteligências que se manifestam, quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral a repelia. Ora, perguntamos, onde foram os médiuns beber uma doutrina que não passava pelo pensamento de ninguém na Terra? Perguntamos ainda mais: por que estranha coincidência milhares de médiuns espalhados por todos os pontos do globo terráqueo, e que jamais se viram, acordaram em dizer a mesma coisa? Se o primeiro médium que apareceu na França sofreu a influência de opiniões já aceitas na América, por que singularidade foi ele buscá-las a 2.000 léguas além-mar e no seio de um povo tão diferente pelos costumes e pela linguagem, em vez de as tomar ao seu derredor?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Também ainda há outra circunstância em que não se tem atentado muito. As primeiras manifestações, na França, como na América, não se verificaram por meio da escrita nem da palavra, e, sim, por pancadas concordantes com as letras do alfabeto e formando palavras e frases. Foi por esse meio que as inteligências, autoras das manifestações, se declararam Espíritos. Ora, dado se pudesse supor a intervenção do pensamento dos médiuns nas comunicações verbais ou escritas, outro tanto não seria lícito fazer-se com relação às pancadas, cuja significação não podia ser conhecida de antemão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poderíamos citar inúmeros fatos que demonstram, na inteligência que se manifesta, uma individualidade evidente e uma absoluta independência de vontade. Recomendamos, portanto, aos dissidentes, observação mais cuidadosa e, se quiserem estudar bem, sem prevenções, e não formular conclusões antes de terem visto tudo, reconhecerão a impotência de sua teoria para tudo explicar. Limitar-nos-emos a propor as questões seguintes: Por que é que a inteligência que se manifesta, qualquer que ela seja, recusa responder a certas perguntas sobre assuntos perfeitamente conhecidos, como, por exemplo, sobre o nome ou a idade do interlocutor, sobre o que ele tem na mão, o que fez na véspera, o que pensa fazer no dia seguinte, etc.? Se o médium fosse o espelho do pensamento dos assistentes, nada lhe seria mais fácil do que responder.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A esse argumento retrucam os adversários, perguntando, a seu turno, por que os Espíritos, que devem saber tudo, não podem dizer coisa tão simples, de acordo com o axioma: Quem pode o mais pode o menos, e daí concluem que não são os Espíritos os que respondem. Se um ignorante ou um zombador, apresentando-se a uma douta assembleia, perguntasse, por exemplo, por que é dia às doze horas, acreditará alguém que ela se daria o incômodo de responder seriamente e fora lógico que, do seu silêncio ou das zombarias com que pagasse ao interrogante, se concluísse serem todos os seus membros? Ora, exatamente porque os Espíritos são superiores, é que não respondem a questões ociosas ou ridículas e não consentem em ir para a berlinda; é por isso que se calam ou declaram que só se ocupam com coisas sérias.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perguntaremos, finalmente, por que é que os Espíritos vêm e vão-se, muitas vezes em dado momento e, passado este, não há pedidos, nem súplicas que os façam voltar? Se o médium obrasse unicamente por impulsão mental dos assistentes, é claro que, em tal circunstância, o concurso de todas as vontades reunidas haveria de estimular-lhe a clarividência. Desde, portanto, que não cede ao desejo da assembleia, corroborado pela própria vontade dele, é que o médium obedece a uma influência que lhe é estranha e aos que o cercam, influência que, por esse simples fato, testifica da sua independência e da sua individualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:180%;color:#cc0000;"&gt;XVII &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cepticismo, no tocante à Doutrina Espírita, quando não resulta de uma oposição sistemática por interesse, origina-se quase sempre do conhecimento incompleto dos fatos, o que não obsta a que alguns cortem a questão como se a conhecessem a fundo. Pode-se ter muito atilamento, muita instrução mesmo, e carecer-se de bom-senso. Ora, o primeiro indício da falta de bom-senso está em crer alguém infalível o seu juízo. Muita gente também para quem as manifestações espíritas nada mais são do que objeto de curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Confiamos em que, lendo este livro, encontrarão nesses extraordinários fenômenos alguma coisa mais do que simples passatempo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ciência espírita compreende duas partes: experimental uma, relativa às manifestações em geral, filosófica, outra, relativa às manifestações inteligentes. Aquele que apenas haja observado a primeira se acha na posição de quem não conhecesse a Física senão por experiências recreativas, sem haver penetrado no âmago da ciência. A verdadeira Doutrina Espírita está no ensino que os Espíritos deram, e os conhecimentos que esse ensino comporta são por demais profundos e extensos para serem adquiridos de qualquer modo, que não por um estudo perseverante, feito no silêncio e no recolhimento. Porque, só dentro desta condição se pode observar um número infinito de fatos e particularidades que passam despercebidos ao observador superficial, e firmar opinião. Não produzisse este livro outro resultado além do de mostrar o lado sério da questão e de provocar estudos neste sentido e rejubilaríamos por haver sido eleito para executar uma obra em que, aliás, nenhum mérito pessoal pretendemos ter, pois que os princípios nela exarados não são de criação nossa. O mérito que apresenta cabe todo aos Espíritos que a ditaram. Esperamos que dará outro resultado, o de guiar os homens que desejem esclarecer-se, mostrando-lhes, nestes estudos, um fim grande e sublime: o do progresso individual e social e o de lhes indicar o caminho que conduz a esse fim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Concluamos, fazendo uma última consideração. Alguns astrônomos, sondando o espaço, encontraram, na distribuição dos corpos celestes, lacunas não justificadas e em desacordo com as leis do conjunto. Suspeitaram que essas lacunas deviam estar preenchidas por globos que lhes tinham escapado à observação. De outro lado, observaram certos efeitos, cuja causa lhes era desconhecida e disseram: Deve haver ali um mundo, porquanto esta lacuna não pode existir e estes efeitos hão de ter uma causa. Julgando então da causa pelo efeito, conseguiram calcular-lhe os elementos e mais tarde os fatos lhes vieram confirmar as previsões. Apliquemos este raciocínio a outra ordem de ideias. Se se observa a série dos seres, descobre-se que eles formam uma cadeia sem solução de continuidade, desde a matéria bruta até o homem mais inteligente. Porém, entre o homem e Deus, alfa e ômega de todas as coisas, que imensa lacuna! Será racional pensar-se que no homem terminam os anéis dessa cadeia e que ele transponha sem transição a distância que o separa do infinito? A razão nos diz que entre o homem e Deus outros elos necessariamente haverá, como disse aos astrônomos que, entre os mundos conhecidos, outros haveria, desconhecidos. Que filosofia já preencheu esta lacuna? O Espiritismo no-la mostra preenchida pelos seres de todas as ordens do mundo invisível e estes seres não são mais do que os Espíritos dos homens, nos diferentes graus que levam à perfeição. Tudo então se liga, tudo se encadeia, desde o alfa até o ômega. Vós, que negais a existência dos Espíritos, preenchei o vácuo que eles ocupam. E vós, que rides deles, ousai rir das obras de Deus e da Sua onipotência!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;ALLAN KARDEC&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2714679790810658803-5622995267948462825?l=religareakira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://religareakira.blogspot.com/feeds/5622995267948462825/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/02/livro-dos-espiritos-introducao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/5622995267948462825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2714679790810658803/posts/default/5622995267948462825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://religareakira.blogspot.com/2011/02/livro-dos-espiritos-introducao.html' title='LIVRO DOS ESPÍRITOS - INTRODUÇÃO'/><author><name>Akira Nakano</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05775251664955038027</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2714679790810658803.post-6784517289099746893</id><published>2011-02-20T10:35:00.000-08:00</published><updated>2011-02-20T11:28:20.158-08:00</updated><title type='text'>O que é o Espiritismo ?</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;color:#006600;"&gt;ÍNDICE&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;Preâmbulo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;1. Pequena Conferência Espírita &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.1. Primeiro Diálogo - O Crítico&lt;br /&gt;1.2. Segundo Diálogo - O Céptico&lt;br /&gt;1.3. Espiritismo e Espiritualismo&lt;br /&gt;1.4. Dissidências&lt;br /&gt;1.5. Fenômenos espíritas simulados&lt;br /&gt;1.6. Impotência dos detratores&lt;br /&gt;1.7. O maravilhoso e o sobrenatural&lt;br /&gt;1.8. Oposição da Ciência&lt;br /&gt;1.9. Falsas explicações dos fenômenos&lt;br /&gt;1.10. Os incrédulos não podem ver para se convencerem&lt;br /&gt;1.11. Boa ou má vontade dos Espíritos para convencerem&lt;br /&gt;1.12. Origem das idéias Espíritas modernas&lt;br /&gt;1.13. Meios de comunicação&lt;br /&gt;1.14. Os médiuns interesseiros&lt;br /&gt;1.15. Os médiuns e os feiticeiros&lt;br /&gt;1.16. Diversidade nos Espíritos&lt;br /&gt;1.17. Utilidade prática das manifestações&lt;br /&gt;1.18. Loucura - Suicídio - Obsessão&lt;br /&gt;1.19. Esquecimento do passado&lt;br /&gt;1.20. Elementos de convicção&lt;br /&gt;1.21. Sociedade Espírita de Paris&lt;br /&gt;1.22. Interdição ao Espiritismo&lt;br /&gt;1.23. Terceiro Diálogo - O Padre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;2. Noções Elementares de Espiritismo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.1. Observações preliminares&lt;br /&gt;2.2. Dos Espíritos&lt;br /&gt;2.3. Comunicações com o mundo invisível&lt;br /&gt;2.4. Fim providencial das manifestações espíritas&lt;br /&gt;2.5. Dos Médiuns&lt;br /&gt;2.6. Escolhos dos médiuns&lt;br /&gt;2.7. Qualidade dos médiuns&lt;br /&gt;2.8. Charlatanismo&lt;br /&gt;2.9. Identidade dos Espíritos&lt;br /&gt;2.10. Contradições&lt;br /&gt;2.11. Conseqüências do Espiritismo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ff6600;"&gt;3. Solução de alguns problemas pela Doutrina Espírita&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.1. Pluralidade dos mundos&lt;br /&gt;3.2. Da alma&lt;br /&gt;3.3. O Homem durante a vida terrestre&lt;br /&gt;3.4. O Homem depois da morte&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;--------------------------------------------------------------------------------------&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;Preâmbulo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;As pessoas que não têm do Espiritismo senão um conhecimento superficial, são naturalmente levadas a fazer certas indagações, às quais um estudo completo lhes daria, sem dúvida, a solução. Mas o tempo e, freqüentemente, a vontade, lhes faltam para se consagrarem às observações continuadas. Quereriam, antes de empreender essa tarefa, saber ao menos do que se trata e se vale a pena dela se ocuparem. Pareceu-nos útil, pois, apresentar, em um quadro restrito, a resposta a algumas das questões fundamentais que nos são diariamente dirigidas. Isso será, para o leitor, uma primeira iniciação e, para nós, tempo ganho pela dispensa de repetir constantemente a mesma coisa.&lt;br /&gt;O primeiro capítulo contém, sob a forma de diálogos, respostas às objeções mais comuns da parte daqueles que ignoram os primeiros fundamentos da Doutrina, assim como a refutação dos principais argumentos dos seus opositores. Essa forma nos pareceu mais conveniente, porque não tem a aridez da forma dogmática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo capítulo é consagrado à exposição sumária das partes da ciência prática e experimental, sobre as quais, na falta de uma instrução completa, o observador novato deve dirigir sua atenção para julgar com conhecimento de causa. É de alguma forma o resumo de O Livro dos Médiuns. As objeções nascem, o mais freqüentemente, de idéias falsas que são feitas, a priori, sobre o que não se conhece. Corrigir essas idéias é antecipar-se às objeções: tal é o objeto deste pequeno escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro capítulo pode ser considerado como o resumo de O Livro dos Espíritos. É a solução, pela Doutrina Espírita, de um certo número de problemas do mais alto interesse de ordem psicológica, moral e filosófica, que são colocados diariamente, e aos quais nenhuma filosofia deu, ainda, soluções satisfatórias. Que se procure resolvê-los por outra teoria, e sem a chave que nos oferece o Espiritismo, e ver-se-á que elas são as respostas mais lógicas e que melhor satisfazem à razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este resumo não é somente útil para os iniciantes que poderão nele, em pouco tempo e sem muito esforço, haurir as noções mais essenciais, mas também o é para os adeptos aos quais ele fornece os meios para responder às primeiras objeções que não deixam de lhe fazer, e, de outra parte, porque aqui encontrarão reunidos, em um quadro restrito, e sob um mesmo exame, os princípios que eles não devem jamais perder de vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para responder, desde agora e sumariamente, à questão formulada no título deste opúsculo, nós diremos que:&lt;br /&gt;O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, ele compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações.&lt;br /&gt;Pode-se defini-lo assim:&lt;br /&gt;O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos Espíritos, e das suas relações com o mundo corporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;1. Pequena Conferência Espírita&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.1. Primeiro Diálogo - O Crítico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Eu vos direi, senhor, que minha razão se recusa a admitir a realidade dos fenômenos estranhos atribuídos aos Espíritos e que, disso estou persuadido, não existem senão na imaginação. Todavia, diante da evidência, seria preciso se inclinar, e é o que farei se eu puder ter provas incontestáveis. Venho, pois, solicitar de vossa bondade a permissão para assistir somente a uma ou duas experiências, para não ser indiscreto, a fim de me convencer, se for possível.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Desde o instante, senhor, que vossa razão se recusa a admitir o que nós consideramos fatos comprovados, é que vós a credes superior à de todas as pessoas que não compartilham de vossa opinião. Eu não duvido do vosso mérito e não teria a pretensão de colocar a minha inteligência acima da vossa. Admiti, pois, que eu me engano, uma vez que é a razão que vos fala, e que esteja dito tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Todavia, se vós chegásseis a me convencer, eu que sou conhecido como um antagonista das vossas idéias, isso seria um milagre eminentemente favorável à vossa causa.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Eu o lamento, senhor, mas não tenho o dom dos milagres. Pensais que uma ou duas sessões bastarão para vos convencer? Isso seria, com efeito, um verdadeiro prodígio. Foi-me necessário mais de um ano de trabalho para eu mesmo estar convencido, o que vos prova que, se o sou, não o foi por leviandade. Aliás, senhor, eu não dou sessões e parece que vos enganastes sobre o objetivo de nossas reuniões, já que nós não fazemos experiências para satisfazer à curiosidade de quem quer que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Não desejais, pois, fazer prosélitos?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Por que eu desejaria fazer de vós um prosélito se vós mesmo isso não o desejais? Eu não forço nenhuma convicção. Quando encontro pessoas sinceramente desejosas de se instruírem e que me dão a honra de solicitar-me esclarecimentos, é para mim um prazer, e um dever, responder-lhes no limite dos meus conhecimentos. Quanto aos antagonistas que, como vós, têm convicções firmadas, eu não faço uma tentativa para os desviar, já que encontro bastante pessoas bem dispostas, sem perder meu tempo com as que não o são. A convicção virá, cedo ou tarde, pela força das coisas, e os mais incrédulos serão arrastados pela torrente. Alguns partidários a mais, ou a menos, no momento, não pesam na balança. Por isso, não vereis jamais zangar-me para conduzir às nossas idéias aqueles que têm tão boas razões como vós para delas se distanciarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Haveria, entretanto, no meu convencimento mais interesse do que vós o credes. Quereis me permitir explicar-me com franqueza e me prometer não vos ofender com minhas palavras? São minhas idéias sobre o assunto e não sobre a pessoa à qual me dirijo; posso respeitar a pessoa sem partilhar sua opinião.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – O Espiritismo me ensinou a dar pouco valor às mesquinhas suscetibilidades do amor próprio, e a não me ofender com palavras. Se vossas palavras saírem dos limites da urbanidade e das conveniências, concluirei, com isso, que sois um homem mal educado, eis tudo. Quanto a mim, prefiro deixar aos outros os erros, ao invés de os partilhar. Vedes, só por isso, que o Espiritismo serve para alguma coisa.&lt;br /&gt;Eu vos disse, senhor, não me empenho de nenhum modo em vos fazer partilhar minha opinião; respeito a vossa, se ela é sincera, como desejo que se respeite a minha. Uma vez que tratais o Espiritismo como um sonho quimérico, vindo para mim, dizíeis a vós mesmo: eu vou ver um louco. Confessai-o, francamente, isso não me melindrará. Todos os espíritas são loucos, é coisa convencionada. Pois bem, senhor, uma vez que olhais isso como uma doença mental, sentiria escrúpulo em vô-la comunicar, e eu me espanto que com um tal pensamento vós procureis adquirir uma convicção que vos colocará entre os loucos. Se estais antecipadamente persuadido de não poder ser convencido, vossa tentativa é inútil, porque não tem por objetivo senão a curiosidade. Abreviemos, pois, eu vos rogo, porque eu não teria tempo a perder em conversas sem objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Podemos nos enganar, iludir-nos, sem por isso ser louco.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Falai claramente: dizeis, como tantos outros, que é um capricho que tem seu tempo; mas convireis que um capricho que em alguns anos ganhou milhões de partidários em todos os países, que conta com sábios de todas as ordens, que se propaga de preferência nas classes esclarecidas, é uma singular mania que merece algum exame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Eu tenho minhas idéias sobre esse assunto, é verdade. Elas, porém, não são tão absolutas que eu não consinta sacrificá-las à evidência. Eu vos disse, pois, senhor, que tendes um certo interesse em me convencer. Eu vos confessarei que devo publicar um livro onde me proponho demonstrar ex-professo (sic) o que eu vejo como um erro, e como esse livro deve ter um grande alcance e atacar vivamente os Espíritos, se eu chegar a ser convencido, não o publicarei.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Eu ficaria desolado, senhor, por vos privar do benefício de um livro que deve ter um grande alcance. Eu não tenho, de resto, nenhum interesse em vos impedir de fazê-lo, mas lhe desejo, ao contrário, uma grande popularidade, já que isso nos servirá de prospectos e de anúncios. Quando uma coisa é atacada, isso desperta a atenção; há muitas pessoas que querem ver os prós e os contras, e a crítica a faz conhecida daqueles mesmos que dela não sonhavam. É assim que a publicidade, freqüentemente, sem o querer, aproveita àqueles aos quais se quer prejudicar. A questão dos Espíritos, aliás, é tão palpitante de interesse e ela espicaça a curiosidade a um tal ponto, que basta mencioná-la à atenção para dar o desejo de aprofundá-la. (1)&lt;br /&gt;(1) Depois deste diálogo, escrito em 1859, a experiência veio demonstrar largamente a justeza desta proposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Então, segundo vós, a crítica não serve para nada, a opinião pública não conta para nada?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Eu não considero a crítica como a expressão da opinião pública, mas como uma opinião individual que pode se enganar. Lede a História e vereis quantas obras-primas foram criticadas quando apareceram, o que não as impediu de permanecerem obras-primas. Quando uma coisa é má, todos os elogios possíveis não a tornarão boa. Se o Espiritismo é um erro, ele cairá por si mesmo; se é uma verdade, todas as diatribes não farão dele uma mentira. Vosso livro será uma apreciação pessoal sob o vosso ponto de vista; a verdadeira opinião pública julgará se é correta. Por isso, quererão ver e se, mais tarde, for reconhecido que vos enganastes, vosso livro será ridículo como aquele que se publicou recentemente contra a teoria da circulação do sangue, da vacina, etc.&lt;br /&gt;Mas esqueci que vós deveis tratar a questão ex-professo, o que quer dizer que a haveis estudado sob todas as faces, que haveis visto tudo o que se poder ver, tudo o que se escreveu sobre a matéria, analisado e comparado as diversas opiniões; que vos encontrastes nas melhores condições para observar por vós mesmo; que vós lhe consagrastes vossas vigílias, durante anos; em uma palavra, que não negligenciastes em nada para atingir a constatação da verdade. Eu devo crer que assim o é, se sois um homem sério, porque só aquele que fez tudo isso, tem o direito de dizer que fala com conhecimento de causa.&lt;br /&gt;Que pensaríeis de um homem que se erigisse em censor de uma obra literária sem conhecer literatura? De um quadro sem ter estudado pintura? É de uma lógica elementar que o crítico deva conhecer, não superficialmente, mas a fundo, aquilo de que fala, sem o que sua opinião não tem valor. Para combater um cálculo, é preciso opor-lhe outro cálculo mas, para isso, é preciso saber calcular. O crítico não deve se limitar a dizer que tal coisa é boa ou má; é preciso que ele justifique sua opinião por uma demonstração clara e categórica, baseada sobre os próprios princípios da arte ou da ciência. Como poderá fazê-lo se ignora esses princípios? Poderíeis apreciar as qualidades ou os defeitos de uma máquina se vós não conheceis a mecânica? Não, pois bem! vosso julgamento sobre o Espiritismo, que não conheceis, não teria mais valor do que o que faríeis sobre essa máquina. Seríeis a cada instante preso em flagrante delito de ignorância, porque aqueles que o estudaram, verão, conseqüentemente, que estais fora da questão; de onde se concluirá ou que não sois um homem sério ou que não sois de boa fé; em um e outro caso vos exporeis a receber desmentidos pouco lisonjeiros para vosso amor-próprio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – É precisamente para evitar esse escolho que vim vos pedir permissão para assistir a algumas experiências.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – E pensais que isso vos bastaria para falar do Espiritismo ex-professo? Mas como poderíeis compreender essas experiências, e com mais forte razão julgá-las, se não haveis estudado os princípios que lhes servem de base? Como poderíeis apreciar o resultado, satisfatório ou não, de experiências metalúrgicas, por exemplo, se não conheceis a fundo a metalurgia? Permiti-me dizer-vos, senhor, que vosso projeto é absolutamente como se, não sabendo nem matemática, nem astronomia, fosseis dizer a um desses senhores do Observatório: Senhor, eu quero escrever um livro sobre astronomia, e além disso provar que vosso sistema é falso; mas como disso eu não sei nem a primeira palavra, deixai-me olhar uma ou duas vezes através de vossas lunetas. Isso me bastará para conhecê-la tanto quanto vós.&lt;br /&gt;Não é senão por extensão que a palavra criticar é sinônimo de censurar. Em seu significado próprio, e segundo sua etmologia, ela significa julgar, apreciar. A crítica pode, pois, ser aproveitada ou desaproveitada. Fazer crítica de um livro não é necessariamente condená-lo. Aquele que empreende essa tarefa deve fazê-la sem idéias preconcebidas. Mas, se antes de abrir o livro já o condenou em seu pensamento, seu exame não pode ser imparcial.&lt;br /&gt;Tal é o caso da maioria daqueles que têm falado do Espiritismo. Apenas sobre o nome formaram uma opinião e fizeram como um juiz que pronunciou uma sentença sem se dar ao trabalho de examinar o processo. Disso resultou que seu julgamento ficou sem razão e, ao invés de persuadir, provocou riso. Quanto àqueles que estudaram seriamente a questão, a maioria mudou de opinião e mais de um adversário dela tornou-se partidário, quando viu que se tratava de coisa diversa daquela em que ele acreditava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Falais do exame dos livros em geral. Credes que seja materialmente possível a um jornalista, ler e estudar todos os que lhe passam pelas mãos, sobretudo quando se trata de teorias novas que lhe seria preciso aprofundar e verificar? Igualmente exigirias de um impressor que lesse todas as obras que saem das suas impressoras.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – A um raciocínio tão judicioso eu não tenho nada a responder, senão que, quando não se tem tempo de fazer conscientemente uma coisa, não se deve envolver-se com ela, e que é melhor não fazer senão uma coisa bem, do que fazer dez mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Não creais, senhor, que minha opinião esteja formada levianamente. Eu vi mesas girarem e baterem; pessoas que estavam supostamente escrevendo sob a influência de Espíritos; mas eu estou convencido de que havia charlatanismo.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Quanto pagastes para ver isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Nada, seguramente.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Então eis charlatães de uma espécie singular, e que vão reabilitar a palavra. Até o presente não se viu ainda charlatães desinteressados. Se algum brincalhão maldoso quis se divertir uma vez por acaso, segue-se que as outras pessoas sejam cúmplices da fraude? Aliás, com que objetivo se tornariam cúmplices de uma mistificação? Para divertir a sociedade, direis. Eu aceito que uma vez alguém se preste a um gracejo; mas quando um gracejo dura meses e anos, é, eu creio, o mistificador que está mistificado. É provável que, pelo único prazer de fazer crer em uma coisa que se sabe ser falsa, espera-se aborrecidamente horas inteiras sobre uma mesa? O prazer não valeria o trabalho.&lt;br /&gt;Antes de concluir pela fraude é preciso primeiro se perguntar qual interesse se pode ter em enganar; ora, concordareis que há posições que excluem toda suspeita de fraude; pessoas das quais só o caráter é uma garantia de probidade.&lt;br /&gt;Outra coisa seria se se tratasse de uma especulação, porque a atração do lucro é uma péssima conselheira. Mas, admitindo-se mesmo que, neste último caso, um fato de manobra fraudulenta seja positivamente constatado, isso não provaria nada contra a realidade do princípio, já que se pode abusar de tudo. Do fato de que há pessoas que vendem vinhos adulterados, não se segue daí que não haveria vinho puro. O Espiritismo não é mais responsável pelos que abusam desse nome e o exploram, do que a ciência médica não o é pelos charlatães que vendem suas drogas, nem a religião pelos sacerdotes que abusam do seu ministério.&lt;br /&gt;O Espiritismo, pela sua novidade e pela sua própria natureza, devia prestar-se a abuso; mas ele dá os meios de os reconhecer, definindo claramente seu verdadeiro caráter e recusando qualquer solidariedade com aqueles que o exploram ou o desviam de seu objetivo exclusivamente moral para fazer dele um ofício, um instrumento de adivinhação ou de procuras fúteis.&lt;br /&gt;Desde que o próprio Espiritismo traça os limites nos quais ele se contém, precisa o que ele diz e o que não diz, o que ele pode e o que não pode, o que está ou não está em suas atribuições, o que ele aceita e o que repudia, o erro está naqueles que, não se dando ao trabalho de o estudar, julgam-no sobre as aparências; que, porque encontram saltimbancos usando o nome de Espíritas, para atrair os que passam, dirão gravemente: Eis o que é o Espiritismo. Sobre o que, em definitivo, recai o ridículo? Não é sobre o saltimbanco que faz o seu trabalho, nem sobre o Espiritismo cuja doutrina escrita desmente semelhantes assertivas, mas sobre os críticos convictos de falarem daquilo que não sabem, ou de alterarem conscientemente a verdade. Aqueles que atribuem ao Espiritismo o que está contra sua própria essência, o fazem, ou por ignorância ou deliberadamente. No primeiro caso é por leviandade, no segundo é por má fé. Neste último caso, eles se assemelham a certos historiadores que alteram os fatos históricos no interesse de um partido ou de uma opinião. Um partido se desacredita sempre pelo emprego de semelhantes meios, e falta ao seu objetivo.&lt;br /&gt;Notai bem, senhor, que eu não pretendo que a crítica deva necessariamente aprovar nossas idéias, mesmo depois de as ter estudado; não censuramos de modo algum aqueles que não pensam como nós. O que é evidente para nós, pode não o ser para todo o mundo. Cada um julga as coisas pelo seu ponto de vista, e do fato mais positivo todo o mundo não tira as mesmas conseqüências. Se um pintor, por exemplo, coloca em seu quadro um cavalo branco, qualquer um poderá dizer que esse cavalo faz um mau efeito e que um preto conviria melhor: mas seu erro será dizer que o cavalo é branco se ele é preto. É o que faz a maioria dos nossos adversários.&lt;br /&gt;Em resumo, senhor, cada um é perfeitamente livre para aprovar ou criticar os princípios do Espiritismo, para deduzir deles tais conseqüências boas ou más, como lhe agrade, mas a consciência impõe um dever a todo crítico sério de não dizer ao contrário do que é; ora, por isso, a primeira condição é de não falar daquilo que não se sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Retornemos, eu vos peço, às mesas moventes e falantes. Não poderia ocorrer que elas estivessem preparadas?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – É sempre a questão da boa fé à qual já respondi. Quando a fraude estiver provada eu vô-la entrego; se vós assinalardes fatos confirmados de fraude, de charlatanismo, de exploração, ou de abuso de confiança, eu os entrego à vossa fustigação, vos declarando de antemão que não lhes tomarei a defesa, porque, o Espiritismo sério é o primeiro a repudiá-los, e mencionar os abusos é ajudar a preveni-los e prestar-lhe serviço. Mas generalizar essas acusações, derramar sobre uma massa de pessoas honradas a reprovação que merecem alguns indivíduos isolados, é um abuso de um outro gênero: o da calúnia.&lt;br /&gt;Admitindo, como vós o dizeis, que as mesas estivessem preparadas, seria preciso um mecanismo bem engenhoso para fazer executar movimentos e ruídos tão variados. Como não se conhece, ainda, o nome do hábil fabricante que as confecciona? No entanto, ele deveria ter uma enorme celebridade, uma vez que seus aparelhos estão espalhados nas cinco partes do mundo. É preciso convir, também, que seu procedimento é bem sutil, uma vez que se pode adaptar à primeira mesa encontrada, sem nenhum sinal exterior. Por que desde Tertuliano que, ele também, falou das mesas girantes e falantes, até o presente ninguém pôde ver o mecanismo, nem descrevê-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Eis o que vos engana. Um célebre cirurgião reconheceu que certas pessoas podem, pela contração de um músculo da perna, produzir um ruído parecido com o que vós atribuís à mesa, de onde ele concluiu que vossos médiuns se divertem às custas da credulidade.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Então, se é um estalido do músculo, não é a mesa que está preparada. Uma vez que cada um explica essa pretendida fraude à sua maneira, isso é prova, a mais evidente, de que nem uns nem outros conhecem a verdadeira causa.&lt;br /&gt;Eu respeito a ciência desse sábio cirurgião, somente que surgem algumas dificuldades na aplicação dos fatos que ele assinala às mesas falantes. A primeira, que é singular que essa faculdade, até o presente excepcional, e olhada como um caso patológico, tenha de repente se tornado tão comum. A segunda, que é preciso ter uma bem robusta vontade de mistificar para fazer estalar seu músculo durante duas ou três horas seguidas, quando isso não produz nada além da fadiga e da dor. A terceira é que não entendo como esse músculo se corresponde com as portas e paredes nas quais as pancadas se fazem ouvir. A quarta, enfim, que é preciso a esse músculo estalante uma propriedade bem maravilhosa, para fazer mover uma pesada mesa, levantá-la, abri-la, fechá-la, mantê-la suspensa sem ponto de apoio e, finalmente, quebrá-la na queda. Não se desconfiava que esse músculo tivesse tanta virtude. (Revista Espírita, junho de 1859, página 141: O músculo estalador).&lt;br /&gt;O célebre cirurgião do qual falastes, estudou o fenômeno da tiptologia naqueles que o produzem? Não; ele constatou um efeito fisiológico anormal entre alguns indivíduos que jamais se ocuparam com as mesas batedoras, tendo uma certa analogia com aquele que se produz nas mesas, e, sem um exame mais amplo, concluiu, com toda a autoridade da sua ciência, que todos aqueles que fazem as mesas falarem devem ter a propriedade de fazer estalar seu músculo curto peroneiro, e que não são senão enganadores, sejam eles príncipes ou operários, façam-se pagar ou não. Ao menos estudou o fenômeno da tiptologia em todas as suas fases?&lt;br /&gt;Verificou se, com a ajuda desse estalido muscular, poder-se-ia produzir todos os efeitos tiptológicos? Nada mais, sem isso estaria convencido da insuficiência do seu processo; o que não impediu de proclamar sua descoberta em pleno Instituto. Não há aqui, para um sábio, um julgamento bem sério? O que restou dele hoje? Eu vos confesso que, se tivesse que sofrer uma intervenção cirúrgica, hesitaria muito em me confiar a esse profissional, porque temeria que ele não julgasse meu mal com mais perspicácia.&lt;br /&gt;Uma vez que esse julgamento é de umas das autoridades sobre as quais pareceis dever vos apoiar para abrir uma brecha no Espiritismo, isso me tranqüiliza completamente sobre a força dos outros argumentos que apresentareis, se vós não os tomardes de fontes mais autênticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Todavia, vedes que a moda das mesas girantes já passou; durante um tempo foi um furor, hoje, dela não se ocupam mais. Por que isso, se é uma coisa séria?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Porque das mesas girantes saiu uma coisa mais séria ainda; delas saiu toda uma ciência, toda uma doutrina filosófica, muito mais interessante para os homens que refletem. Quando estes não tinham mais nada para aprender vendo rodar uma mesa, dela não se ocuparam mais. Para as pessoas fúteis que não se aprofundam em nada, era um passatempo, um brinquedo e o tiveram bastante; essas pessoas não são consideradas em ciência. O período de curiosidade teve seu tempo: o da observação lhe sucedeu. O Espiritismo, então, entrou para o domínio das pessoas sérias, que não se divertem com ele, mas que se instruem. Também as pessoas que fazem dele uma coisa séria não se prestam para nenhuma experiência de curiosidade, e menos ainda para aqueles que nela viriam com pensamentos hostis. Como elas próprias não se divertem, não procuram divertir os outros; e eu sou desse número.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Não há, todavia, senão a experiência para convencer, mesmo não tendo, no início, senão um objetivo de curiosidade. Se vós não operais senão em presença de pessoas convencidas, permiti-me dizer-vos que pregais aos convertidos.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Uma coisa é estar convencido, outra é estar disposto a se convencer. É a estes últimos que eu me dirijo, e não àqueles que crêem humilhar sua razão vindo escutar aquilo que chamam de fantasia. Com estes eu me preocupo o menos possível. Quanto àqueles que dizem ter o desejo sincero de se esclarecer, a melhor maneira de o provar é mostrando perseverança. Se os conhece por outros sinais além do desejo de ver uma ou duas experiências: estes querem trabalhar seriamente.&lt;br /&gt;A convicção não se forma senão com o tempo, por uma contínua observação feita com um cuidado particular. Os fenômenos espíritas diferem essencialmente daqueles que se apresentam nas ciências exatas: eles não se produzem à vontade. É preciso compreendê-los quando ocorrem. É vendo-os muito e por longo tempo, que se descobre uma multidão de provas que escapam ao primeiro olhar, sobretudo, quando não se está familiarizado com as condições nas quais eles podem se produzir, e ainda mais quando se leva um espírito de prevenção. Para o observador assíduo e refletido, as provas são bastante: para ele uma palavra, um fato aparentemente insignificante, pode ser um sinal de luz, uma confirmação. Para o observador superficial e de passagem, para o simples curioso, elas nada são. Eis porque eu não me presto para experiências sem resultado provável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Mas, enfim, é preciso um começo para tudo. O iniciante, que é uma tábula rasa, que não viu nada, mas que quer se esclarecer, como pode fazê-lo se vós, para isso, não lhe dais os meios?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Eu faço uma grande diferença entre o incrédulo por ignorância e o incrédulo sistemático. Quando vejo em alguém disposições favoráveis, nada me custa esclarecê-lo. Mas há pessoas em que o desejo de se instruir não é senão uma aparência: com estes perde-se tempo, porque se eles não encontram imediatamente o que têm o ar de procurar, e que talvez os descontentariam encontrar, o pouco que vêem é insuficiente para destruir suas prevenções. É inútil lhes fornecer oportunidade porque elas a julgam mal e a fazem objeto de zombaria.&lt;br /&gt;Àquele que deseja se instruir, direi: "Não se pode fazer um curso de Espiritismo experimental como se faz um curso de física ou de química, já que não se é jamais senhor para produzir os fenômenos à vontade, e que as inteligências que lhes são agentes, frustram freqüentemente todas as nossas previsões. O que vós poderíeis ver acidentalmente, não apresentando nenhuma continuidade, nenhuma ligação necessária, seria pouco inteligível para vós. Instruí-vos, primeiro, pela teoria; lede e meditai os livros que tratam dessa ciência; ali aprendereis seus princípios, encontrareis a descrição de todos os fenômenos, compreendereis sua possibilidade pela explicação que é dada, e pela narração de uma multidão de fatos espontâneos, dos quais podeis ter sido testemunhas sem o saber e que vos tornarão à memória. Vós vos edificareis sobre todas as dificuldades que podem se apresentar e formareis, assim, uma primeira convicção moral. Então, quando se apresentarem as circunstâncias de ver e de operar por vós mesmos, compreendereis, qualquer que seja a ordem pela qual os fatos se apresentem, porque nada vos será estranho."&lt;br /&gt;Eis, senhor, o que aconselho a quem diz querer se instruir, e, pela sua resposta, é fácil de se ver se tem outra coisa além da curiosidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.2. Segundo Diálogo - O Céptico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE - Eu compreendo, senhor, a utilidade do estudo prévio do qual acabais de falar. Como predisposição pessoal, não sou nem pró nem contra o Espiritismo, mas o assunto, por si mesmo, excita ao mais alto grau meu interesse. No círculo dos meus conhecimentos se encontram partidários, mas, também, adversários; ouvi a esse respeito argumentos muito contraditórios. Eu me proporia submeter-vos algumas das objeções que foram feitas em minha presença, e que me parecem ter um certo valor, pelo menos para mim, que confesso minha ignorância.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Ser-me-á um prazer, senhor, responder às questões que se queira me endereçar, quando elas são feitas com sinceridade e sem prevenção, sem me iludir, entretanto, de poder resolvê-las todas. O Espiritismo é uma ciência que acaba de nascer e na qual há, ainda, muito a aprender. Seria, pois, muito presunçoso pretendendo tirar todas as dificuldades: eu não posso dizer senão daquilo que sei.&lt;br /&gt;O Espiritismo toca em todos os ramos da filosofia, da metafísica, da psicologia e da moral. É um campo imenso que não se pode percorrer em algumas horas. Ora, compreendeis, senhor, que me seria materialmente impossível repetir de viva voz, e a cada um em particular, tudo o que escrevi sobre esse assunto para uso geral. Em uma séria leitura prévia, encontrar-se-á, aliás, a resposta à maioria das perguntas que vêm, naturalmente, ao pensamento. Ela tem a dupla vantagem de evitar as repetições inúteis, e de provar um desejo sério de se instruir. Se depois disso, ainda restarem dúvida ou pontos obscuros, a sua explicação torna-se mais fácil, porque se apóia sobre alguma coisa e não se perde tempo em retornar sobre os princípios mais elementares. Se o permitirdes, nós nos limitaremos, pois, até nova ordem, a algumas questões gerais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.3. Espiritismo e Espiritualismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Seja. Eu vos peço me chamar à ordem se delas me afastar.&lt;br /&gt;Eu vos perguntaria, primeiro, que necessidade haveria de criar as palavras novas de espírita, Espiritismo para substituir as de Espiritualismo, espiritualista, que estão na linguagem popular e compreendidas por todo o mundo? Já ouvi alguém tratar essas palavras de barbarismos.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – A palavra espiritualista, desde muito tempo, tem uma significação bem definida; é a Academia que no-la dá: ESPIRITUALISTA é aquele ou aquela cuja doutrina é oposta ao materialismo. Todas as religiões, necessariamente, estão baseadas no Espiritualismo. Quem crê haver em nós outra coisa além da matéria, é espiritualista, o que não implica na crença nos Espíritos e nas suas manifestações. Como vós o distinguiríeis daquele que o crê? Precisar-se-ia, pois, empregar uma perífrase e dizer: é um espiritualista que crê, ou não crê, nos Espíritos. Para as coisas novas, é preciso palavras novas, se se quer evitar equívocos. Se eu tivesse dado à minha REVISTA a qualificação de Espiritualista, não lhe teria de, modo algum, especificado o objeto, porque, sem faltar ao meu título, poderia não dizer uma palavra sobre os Espíritos e mesmo combatê-los. Eu li, há algum tempo em um jornal, a propósito de uma obra filosófica, um artigo onde se dizia que o autor o havia escrito sob o ponto de vista espiritualista. Ora, os partidários dos Espíritos ficariam singularmente desapontados se, na confiança dessa indicação, tivessem acreditado nela encontrar a menor concordância com suas idéias. Portanto, se adotei as palavras Espírita e Espiritualismo, é porque elas exprimem, sem equívoco, as idéias relativas aos Espíritos. Todo espírita é, necessariamente, espiritualista, sem que todos os espiritualistas sejam espíritas. Fossem os Espíritos uma quimera e seria ainda útil existirem termos especiais para aquilo que lhes concerne, porque são necessárias palavras para as idéias falsas como para as idéias verdadeiras.&lt;br /&gt;Essas palavras não são, aliás, mais bárbaras que todas aquelas que as ciências, as artes e a indústria criam cada dia. Elas não o são, seguramente, mais que as que Gall imaginou para sua nomenclatura das faculdades, tais como: secrétivité, amativité, combativité, alimentivité, affectionivité, etc. Há pessoas que, por espírito de contradição, criticam tudo que não provém delas e desejam aparentar oposição; aqueles que levantam tão miseráveis contestações capciosas, não provam senão uma coisa: a pequenez de suas idéias. Prender-se a semelhantes bagatelas é provar que se tem pouco de boas razões.&lt;br /&gt;Espiritualismo, espiritualista, são as palavras inglesas empregadas nos Estados Unidos desde o início das manifestações: delas se serviu, primeiro, por algum tempo, na França. Mas, desde que apareceram as palavras espírita e Espiritismo, compreendeu-se tão bem sua utilidade, que foram imediatamente aceitas pelo público. Hoje o uso delas é de tal modo consagrado, que os próprios adversários, os que primeiro as apregoaram de barbarismo, não empregam outras. Os sermões e as pastorais que fulminam contra o Espiritismo e os espíritas, não poderiam, sem confundir as idéias, lançar anátema sobre o Espiritualismo e os espiritualistas.&lt;br /&gt;Bárbaras ou não, essas palavras doravante passaram para a linguagem popular e em todas as línguas da Europa. Só elas são empregadas em todas as publicações, pró ou contra, feitas em todos os países. Elas formaram o sustentáculo da nomenclatura da nova ciência; para exprimir os fenômenos especiais dessa ciência, foram precisos termos especiais. O Espiritismo tem, de hoje em diante, sua nomenclatura, como a química tem a sua (1)&lt;br /&gt;(1) Essas palavras, aliás, hoje têm direito de burguesia, pois estão no suplemento do Petit Dictionnaire des Dictionnaires Français, extraído de Napoleón Landais, obra que se tira em vinte mil exemplares. Nela se encontra a definição e a etimologia das palavras: erraticidade, medianímico, médium, mediunidade, perispírito, pneumatografia, pneumatofonia, psicográfico, psicografia, psicofonia, reencarnação, sematologia, espírita, Espiritismo, estereorito, tiptologia. Elas se encontram igualmente, com todo o desenvolvimento que comportam, na nova edição do Dictionnaire Universel de Maurice Lachâtre.&lt;br /&gt;As palavras Espiritualismo e espiritualista, aplicadas às manifestações dos Espíritos, não são mais empregadas hoje, senão pelos adeptos da escola dita americana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.4. Dissidências&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Essa diversidade na crença do que chamais uma ciência, me parece ser a sua condenação. Se essa ciência repousasse sobre fatos positivos, não deveria ser a mesma na América como na Europa?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – A isso eu responderei primeiro que essa diferença está mais na forma que no fundo. Ela não consiste, na realidade, senão na maneira de encarar alguns pontos da doutrina, mas não constitui um antagonismo radical nos princípios, como afetam em dizer nossos adversários, sem haverem estudado a questão.&lt;br /&gt;Mas, dizei-me qual é a ciência que, em seu início, não suscitou dissidências até que seus princípios estivessem claramente estabelecidos? Não existem dissidências, ainda hoje, nas ciências melhor constituídas? Todos os sábios estão de acordo sobre o mesmo princípio? Não têm eles seus sistemas particulares? As sessões do Instituto apresentam sempre o quadro de um entendimento perfeito e cordial? Em medicina não há a Escola de Paris e a de Montpellier? Cada descoberta, em uma ciência, não é ocasião de um cisma entre os que querem avançar e os que querem manter-se atrás?&lt;br /&gt;No que concerne ao Espiritismo, não é natural que, na aparição dos primeiros fenômenos, quando se ignoravam as leis que os regiam, cada um tenha dado seu sistema particular e os examinado à sua maneira? Em que se tornaram todos esses sistemas primitivos isolados? Eles ruíram diante de uma observação mais completa dos fatos. Alguns anos bastaram para estabelecer a unidade grandiosa que prevalece hoje na doutrina e que reúne a imensa maioria dos adeptos, salvo algumas individualidades que, aqui como em todas as coisas, se agarram às idéias primitivas e morrem com elas. Qual a ciência, qual a doutrina filosófica ou religiosa que oferece um semelhante exemplo? O Espiritismo jamais apresentou a centésima parte das divisões que afligiram a Igreja durante vários séculos, e que a dividem ainda hoje.&lt;br /&gt;É verdadeiramente curioso ver as puerilidades às quais se fixam os adversários do Espiritismo; isso não indica a falta de razões sérias? Se as tivessem, eles não deixariam de as apresentar. Que lhe opõem? Zombarias, negações, calúnias, mas, argumentos peremptórios, nenhum. A prova de que não encontraram um lado vulnerável é que nada detém sua marcha ascendente, e que depois de dez anos ele conta mais adeptos do que jamais o contou nenhuma seita depois de um século. Esse é um fato tirado da experiência e reconhecido pelos próprios adversários. Para o arruinar, não basta dizer: isto não existe, isso é um absurdo. Precisar-se-ia provar categoricamente que os fenômenos não existem e não podem existir. E é isso o que ninguém fez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.5. Fenômenos espíritas simulados&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Não se provou que fora do Espiritismo poder-se-ia produzir esses mesmos fenômenos? Pode-se concluir, daí, que eles não têm a origem que lhe atribuem os espíritas.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Do fato de se poder imitar uma coisa, não se segue que ela não existe. Que diríeis da lógica daquele que pretendesse que, porque se faz vinho da Champagne com água de Seltz, todo o vinho de Champagne não é senão de água de Seltz? É privilégio de todas as coisas que têm ressonâncias, produzir falsificações. Os prestidigitadores pensaram que o nome do Espiritismo, devido à sua popularidade e as controvérsias das quais era objeto, poderia ser bom para explorar, e, para atrair a multidão, simularam mais ou menos grosseiramente, alguns fenômenos mediúnicos, como recentemente simularam a clarividência sonambúlica, e todos os escarnecedores, aplaudindo, exclamaram: eis o que é o Espiritismo! Quando a engenhosa produção dos espectros apareceu em cena, não proclamaram por toda parte que era seu golpe de misericórdia? Antes de pronunciarem uma sentença tão positiva, deveriam refletir que as assertivas de um escamoteador não são palavras do Evangelho, e se assegurarem de que haveria identidade real entre a imitação e a coisa imitada. Ninguém compra um brilhante sem antes se assegurar de que não é uma imitação. Um estudo não muito sério os teria convencido de que os fenômenos espíritas se apresentam em outras condições e teriam sabido, além disso, que os espíritas não se ocupam nem em fazer aparecer espectros, nem em adivinhações.&lt;br /&gt;Só a malevolência e uma notável má fé puderam assemelhar o Espiritismo à magia e à feitiçaria, uma vez que ele repudia o objetivo, as práticas, fórmulas e as palavras místicas. Há mesmo os que não temem comparar as reuniões espíritas às assembléias do sabbat, onde se espera a hora fatal de meia-noite para fazer aparecerem os fantasmas.&lt;br /&gt;Um espírita, meu amigo, encontrava-se um dia em uma representação de Macbeth, ao lado de um jornalista que não conhecia. Quando chegou a cena das feiticeiras, ele ouviu este último dizer ao seu vizinho: "Olha! vamos assistir a uma sessão de Espiritismo. É justamente isso o que preciso para meu próximo artigo. Eu vou saber como as coisas se passam. Se houvesse aqui um desses loucos eu lhe perguntaria se ele se reconhece nesse quadro." - "Eu sou um desses loucos, disse-lhe o espírita, e posso vos certificar que não me reconheço inteiramente, porque embora já tenha assistido a centenas de reuniões espíritas, jamais vi nelas nada semelhante. Se é aqui onde vindes haurir informações para vosso artigo, ele não se distinguirá pela verdade."&lt;br /&gt;Muitos críticos não têm base mais séria. Sobre quem cai o ridículo senão sobre aqueles que se adiantam estouvadamente? Quanto ao Espiritismo, seu crédito, longe de sofrer com isso, tem aumentado pela ressonância que todas essas manobras lhe deram, chamando a atenção de uma multidão de pessoas que dele não haviam ouvido falar, provocando seu exame e aumentando o número de adeptos, porque se reconheceu que ao invés de uma brincadeira, ele era uma coisa séria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.6. Impotência dos detratores&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Eu concordo que entre os detratores do Espiritismo há pessoas inconseqüentes, como esta de que acabais de falar; mas, ao lado destas, não há homens de um valor real e cuja opinião é de um certo peso?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Eu não o contesto de modo algum. A isso respondo que o Espiritismo conta também em suas fileiras com um bom número de homens de um valor não menos real. Eu digo mais: que a imensa maioria dos espíritas se compõem de homens inteligentes e estudiosos. Só a má fé poder dizer que eles são recrutados entre os incautos e os ignorantes.&lt;br /&gt;Um fato peremptório responde, aliás, a esta objeção: é que malgrado seu saber ou sua posição oficial, ninguém conseguiu deter a marcha do Espiritismo. Todavia, não há entre eles um só, desde o mais medíocre folhetinista, que não esteja se vangloriando de lhe vibrar o golpe mortal. Todos, sem exceção, ajudaram, sem o querer, a vulgarizá-lo. Uma idéia que resiste a tantos esforços, que avança sem tropeço através da fúria dos golpes que lhe dão, não prova sua força e a profundidade de suas raízes? Esse fenômeno não merece atenção dos pensadores sérios? Outros também se dizem hoje que ele deve ter alguma coisa, que pode ser um desses grandes e irresistíveis movimentos, que, de tempos em tempos, comovem as sociedades para transformá-las.&lt;br /&gt;Assim o foi sempre com todas as idéias novas chamadas a revolucionarem o mundo. Elas encontram obstáculos, porque têm que lutar contra os interesses, os preconceitos, os abusos que elas vêm derrubar. Mas como estão nos desígnios de Deus, para cumprir a lei do progresso da Humanidade, quando a hora é chegada, nada saberia detê-las. É a prova de que elas são a expressão da verdade.&lt;br /&gt;Essa impotência dos adversários do Espiritismo prova, primeiro, como eu o disse, a ausência de boas razões, uma vez que aqueles que se lhe opõem não convencem; ela, porém, se prende a uma outra causa que frustra todas as suas combinações. Espantam-se com o seu progresso, malgrado tudo o que fazem para detê-lo; ninguém lhe encontra a causa, porque a procuram onde ela não está. Uns a vêem na força do diabo, que se mostraria assim mais forte que eles, e mesmo que Deus, outros, no desenvolvimento da loucura humana. O erro de todos é crer que a fonte do Espiritismo é única, e que repousa sobre a opinião de um homem; daí a idéia de que arruinando a opinião desse homem, arruinarão o Espiritismo. Eles procuram essa fonte sobre a Terra, enquanto ela está no espaço; ela não está num lugar determinado, está por toda parte, porque os Espíritos se manifestam por toda parte, em todos os países, no palácio como na choupana. A verdadeira causa está, pois, na própria natureza do Espiritismo que não recebe seu impulso de uma pessoa só, mas que permite a cada um receber diretamente comunicações dos Espíritos e se assegurar assim da realidade dos fatos. Como persuadir a milhões de indivíduos que tudo isso não é senão malabarismo, charlatanismo, destreza, quando são eles mesmos que obtêm esses resultados sem o concurso de ninguém? Se lhes fará crer que são seus próprios companheiros que fazem charlatanismo e escamoteação só para eles?&lt;br /&gt;Essa universalidade das manifestações dos Espíritos que vêm a todos os pontos do globo, vem dar um desmentido aos detratores e confirmar os princípios da doutrina; é uma força que não pode ser compreendida por aqueles que não conhecem o mundo invisível, da mesma forma que aqueles que não conhecem a lei da eletricidade não podem compreender a rapidez da transmissão de um telegrama. É contra essa força que vêm se quebrar todas as negações, porque é como se se dissesse às pessoas que recebem os raios do sol, que o sol não existe.&lt;br /&gt;Abstração feita das qualidades da doutrina, que satisfaz mais do que aquelas que se lhe opõem, aí está a causa dos fracassos daqueles que tentam deter-lhe a marcha. Para terem sucesso seria preciso que encontrassem um meio de impedir os Espíritos de se manifestarem. Eis porque os espíritas tomam tão pouco cuidado com as suas manobras; eles têm a experiência e a autoridade dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.7. O maravilhoso e o sobrenatural&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – O Espiritismo, evidentemente, tende a reviver as crenças fundadas sobre o maravilhoso e o sobrenatural. Ora, no nosso século de positivismo, isso me parece difícil, porque é recomendar superstições e erros populares já julgados pela razão.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Uma idéia não é supersticiosa senão porque ela é falsa; ela cessa de sê-lo desde o momento em que é reconhecida verdadeira. A questão, pois, é saber se há, ou não, manifestações de Espíritos. Ora, vós não podeis taxar a coisa de supersticiosa visto que não haveis provado que ela não existe. Direis: minha razão as recusa; mas todos aqueles que nelas crêem, e que não são tolos, invocam também sua razão, e mais, invocam os fatos. Qual das duas razões deve prevalecer? O grande juiz, aqui, é o futuro, como o foi em todas as questões científicas e industriais taxadas de absurdas e impossíveis em sua origem. Vós julgais a priori segundo vossa opinião. Nós não julgamos senão depois de ter visto e observado durante muito tempo. Acrescentamos que o Espiritismo esclarecido, como o é hoje, tende, ao contrário, a destruir as idéias supersticiosas porque ele mostra aquilo que há de verdadeiro e de falso nas crenças populares, e tudo aquilo que a ignorância e os preconceitos nela introduziram de absurdo.&lt;br /&gt;Eu vou mais longe e digo que é precisamente o positivismo do século que faz aceitar o Espiritismo e a ele é que deve sua rápida propagação, e não, como alguns o pretendem, a uma recrudescência do amor ao maravilhoso e ao sobrenatural. O sobrenatural desaparece diante da luz da ciência, da filosofia e da razão, como os deuses do paganismo desapareceram diante da luz do Cristianismo.&lt;br /&gt;O sobrenatural é o que está fora das leis da Natureza. O positivismo não admite nada fora dessas leis; mas as conhece todas? Em todos os tempos, os fenômenos cuja causa era desconhecida foram reputados sobrenaturais; cada nova lei descoberta pela Ciência recuou os limites do sobrenatural. Pois bem! o Espiritismo vem revelar uma lei segundo a qual a conversação com o Espírito de um morto repousa sobre uma lei tão natural como aquela que permite à eletricidade estabelecer contacto entre dois indivíduos a quinhentas léguas de distância; e assim todos os outros fenômenos espíritas. O Espiritismo repudia, no que lhe concerne, todo efeito maravilhoso, quer dizer, fora das leis da Natureza. Ele não faz nem milagres, nem prodígios, mas explica, em virtude de uma lei, certos efeitos reputados até hoje como milagres e prodígios, e por isso mesmo demonstra sua possibilidade. Amplia assim o domínio da Ciência, e é nisso que ele próprio é uma ciência. Mas a descoberta dessa nova lei, ocasionando conseqüências morais, a codificação dessas conseqüências fez dele uma doutrina filosófica.&lt;br /&gt;Neste último ponto de vista ele responde às aspirações do homem, no que diz respeito ao futuro, sobre bases positivas e racionais e é por isso que ele convém ao Espírito positivista do século. É o que vós compreendereis quando vos derdes ao trabalho de estudá-lo. (O Livro dos Médiuns, cap. II - Revista Espírita, dezembro de 1861, página 393, e janeiro de 1862, página 21 – Veja-se também, adiante, o cap. II).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.8. Oposição da Ciência&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Vós dizeis que vos apoiais sobre fatos; mas se vos opõe a opinião dos sábios que os contestam ou que os explicam de maneira diversa da vossa. Por que eles não encamparam o fenômeno das mesas girantes? Se eles tivessem visto nelas alguma coisa de sério, não teriam, me parece, negligenciado de fatos tão extraordinários, e ainda menos de os repelir com desdém, ao passo que eles estão todos contra vós. Os sábios não são o farol das nações e seu dever não é de espalhar a luz? Por que quereríeis que eles a tivessem abafado, quando se lhes apresentava uma tão bela ocasião de revelar ao mundo uma força nova?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Acabais de traçar o dever dos sábios de um modo admirável; pena que o tenham olvidado em mais de uma circunstância. Mas antes de responder a esta judiciosa observação, eu devo revelar um erro grave que vós haveis cometido, dizendo que todos os sábios estão contra nós. Como já disse, é precisamente na classe esclarecida que o Espiritismo faz mais prosélitos, e isso em todos os países do mundo. Eles se contam, em grande número, entre os médicos de todas as nações, e são homens de Ciência. Os magistrados, os professores, os artistas, os homens de letras, os oficiais, os altos funcionários, os grandes dignitários, os eclesiásticos, etc., que se alinham sob sua bandeira, todos são pessoas às quais não se pode recusar uma certa dose de luz. Não há sábios senão na ciência oficial e nos corpos constituídos?&lt;br /&gt;Do fato de o Espiritismo não ter ainda direito de cidadania na ciência oficial é motivo para condená-lo? Se a Ciência não tivesse jamais se enganado, aqui sua opinião poderia pesar na balança; infelizmente, a experiência prova o contrário. Não foram rejeitadas como quimeras uma multidão de descobertas que, mais tarde, ilustraram a memória de seus autores? Não foi a um relatório de nosso primeiro corpo de sábios que deve a França ter sido privada da iniciativa do vapor? Quando Fulton veio ao campo de Bolonha apresentar seu sistema a Napoleão I, que o recomendou ao exame imediato do Instituto, este não concluiu que esse sistema era um sonho impraticável e não tinham tempo para com ele se ocupar? É preciso concluir que os membros do Instituto são ignorantes? Isso justifica os epítetos triviais, e de mau gosto, que certas pessoas se comprazem em lhes prodigalizar? Seguramente que não; não há pessoa sensata que não renda justiça ao seu eminente saber, embora reconhecendo que eles não são infalíveis e que, assim, seu julgamento não é o de última instância, sobretudo em fatos de idéias novas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Eu admito perfeitamente que eles não são infalíveis; mas não é menos verdadeiro que, em razão do seu saber, sua opinião tem algum valor, e se os tivésseis convosco isso daria um grande peso ao vosso sistema.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Vós admitis também que cada um não é bom juiz senão naquilo que é da sua competência. Se quereis construir uma casa, procurais um músico? Se estivésseis doente, vos faríeis cuidar por um arquiteto? Se tivésseis um processo, procuraríeis a opinião de um dançarino? Enfim, se se trata de uma questão de teologia, a fareis resolver por um químico ou um astrônomo? Não; cada um em seu trabalho. As ciências vulgares repousam sobre as propriedades da matéria que se pode manipular à vontade, e os fenômenos que ela produz têm por agentes as forças materiais. Os do Espiritismo têm por agentes inteligências independentes, que têm seu livre arbítrio e não estão submetidas aos nossos caprichos. Eles escapam, assim, aos nossos procedimentos de laboratório e aos nossos cálculos e, desde então, não são mais da alçada da Ciência propriamente dita.&lt;br /&gt;A ciência, pois, enganou-se quando quis experimentar os Espíritos como uma pilha voltaica; ela fracassou, e assim deveria sê-lo porque usou uma analogia que não existe. Depois, sem ir mais longe, ela concluiu pela negativa. Julgamento temerário que o tempo se encarrega, todos os dias, de reformar, como reformou muitos outros, e aqueles que o tiverem pronunciado, passarão pela vergonha de se inscreverem, muito levianamente, por falsearem contra o poder infinito do Criador.&lt;br /&gt;As corporações científicas não têm, e não terão jamais, que se pronunciar sobre a questão; ela não é mais da sua alçada que a de decretar se Deus existe, ou não. Portanto, é um erro fazer delas juízes. O Espiritismo é uma questão de crença pessoal que não pode depender do voto de uma assembléia, porque esse voto, mesmo favorável, não pode forçar as convicções. Quando a opinião pública estiver formada a esse respeito, os sábios, como indivíduos, a aceitarão, e suportarão a força das coisas. Deixai passar uma geração e, com ela, os preconceitos do amor-próprio em que se obstina, e vereis que ocorrerá com o Espiritismo como ocorreu com tantas outras verdades antes combatidas, e que agora seria ridículo pô-las em dúvidas. Hoje são aos crentes que se chama de loucos; amanhã serão todos os que não creiam; da mesma forma como se chamou de loucos outrora, aqueles que criam que a Terra girava.&lt;br /&gt;Mas todos os sábios não julgaram da mesma forma, e por sábios eu entendo os homens de estudo e de ciência, com ou sem título oficial. Muitos fizeram o seguinte raciocínio:&lt;br /&gt;"Não há efeito sem causa, e os mais vulgares efeitos podem conduzir ao caminho dos maiores problemas. Se Newton tivesse desprezado a queda de uma maçã; se Galvani tivesse menosprezado sua criada, tratando-a de louca e visionária quando ela lhe falou das rãs que dançavam no prato, talvez estivessem ainda por serem descobertas a admirável lei da gravitação universal e as fecundas propriedades da pilha. O fenômeno que se designa sob o nome burlesco de dança das mesas, não é mais ridículo que o da dança das rãs, e talvez encerre, também, um desses segredos que revolucionam a Humanidade quando se tem sua chave".&lt;br /&gt;Disseram ainda, por outro lado: "Uma vez que tantas pessoas deles se ocupam, uma vez que homens sérios deles fizeram um estudo, é preciso que haja aí alguma coisa. Uma ilusão, se se quer, não pode ter caráter de generalidade. Ela pode seduzir um círculo, uma comunidade, mas não o mundo todo. Guardemo-nos, pois, de negar a possibilidade do que não compreendemos sob pena de receber, cedo ou tarde, um desmentido que não fará o elogio da nossa perspicácia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Muito bem, eis um sábio que raciocina com sabedoria e prudência e, sem ser sábio, penso como ele. Mas anotai que não afirma nada: ele duvida. Ora, sobre o que basear a crença na existência dos Espíritos e, sobretudo, na possibilidade de comunicação com eles?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Essa crença se apóia sobre o raciocínio e sobre os fatos. Eu mesmo não a adotei senão depois de um maduro exame. Tendo adquirido, nos estudos das ciências exatas, o hábito das coisas positivas, eu sondei, perscrutei essa nova ciência em seus detalhes mais ocultos. Eu quis conhecer tudo, porque não aceito uma idéia senão quando lhe conheço o porquê e o como. Eis o raciocínio que me fez um sábio médico, outrora incrédulo, e hoje adepto fervoroso:&lt;br /&gt;"Diz-se que os seres invisíveis se comunicam; e por que não? Antes da invenção do microscópio, supunha-se a existência desses bilhões de animálculos que causam tantos prejuízos na economia? Onde está a impossibilidade material de que haja no espaço seres que escapam aos nossos sentidos? Teríamos por acaso a ridícula pretensão de tudo saber e de dizer a Deus que ele nada mais nos pode ensinar? Se esses seres invisíveis que nos cercam são inteligentes, por que não se comunicariam conosco? Se eles estão em relação com os homens, devem desempenhar um papel na vida, nos acontecimentos. Quem sabe? pode ser uma das forças da Natureza, uma dessas forças ocultas que não supúnhamos existir. Que novo horizonte isso abriria ao pensamento! Que vasto campo de observação! A descoberta do mundo dos seres invisíveis seria diversa da dos infinitamente pequenos; isso seria mais que uma descoberta, seria uma revolução nas idéias. Que luz pode dela jorrar! quantas coisas misteriosas seriam explicadas! Aqueles que crêem nisso, são ridicularizados; mas o que isso prova? Não ocorreu o mesmo com todas as grandes descobertas? Cristóvão Colombo não foi repelido, coberto de desgostos e tratado como insensato? Essas idéias, diz-se, são tão estranhas que nelas não se pode crer. Mas, àquele que tivesse dito, há somente meio século, que em alguns minutos poder-se-ia corresponder de uma parte à outra do mundo; que em algumas horas, atravessar-se-ia a França; que com o vapor de um pouco de água fervente um navio avançaria contra o vento; que se tiraria da água os meios de se iluminar e aquecer; que tivesse proposto iluminar toda Paris em um instante com um só reservatório de uma substância invisível, teria sido caçoado. É, pois, uma coisa mais prodigiosa que o espaço seja povoado por seres pensantes que, depois de terem vivido sobre a Terra, deixaram seus envoltórios materiais? Não se encontra nesse fato a explicação de uma multidão de crenças que remontam à mais alta antigüidade? Semelhantes coisas bem que valem a pena serem aprofundadas."&lt;br /&gt;Eis as reflexões de um sábio, mas de um sábio sem pretensão, e que também o são de uma multidão de homens esclarecidos que viram, não superficialmente e com prevenção, e estudaram seriamente sem tomarem partido, mas que tiveram a modéstia de não dizer: eu não compreendo, portanto, isso não é verdade. Sua convicção formou-se pela observação e pelo raciocínio. Se essas idéias fossem quiméricas, pensais que todos esses homens de elite as teriam adotado? que tivessem estado muito tempo vítima de uma ilusão?&lt;br /&gt;Não há, pois, impossibilidade material à existência de seres invisíveis para nós e povoando o espaço, e só essa consideração deveria levar a uma maior circunspecção. Há pouco tempo, quem poderia pensar que uma gota de água límpida poderia encerrar milhares de seres de uma pequenez que confunde nossa imaginação? Ora, eu digo que era mais difícil à razão conceber seres de uma tal pequenez, providos de todos os nossos órgãos e funcionando como nós, que admitir aqueles que nós nomeamos Espíritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Sem dúvida; mas do fato de uma coisa ser possível, não se segue que ela exista.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – De acordo; mas convireis que já é uma grande coisa desde que ela não é impossível, porque não tem nada que repugne à razão. Resta, pois, constatá-la pela observação dos fatos. Essa observação não é nova: a História, tanto sacra como profana, prova a antigüidade e a universalidade dessa crença, que se perpetuou através de todas as vicissitudes do mundo, e se encontra entre os povos mais selvagens, no estado de idéias inatas e intuitivas, gravadas no pensamento, como a do Ser Supremo e da existência futura. O Espiritismo, portanto, não é criação moderna, muito longe disso; tudo prova que os antigos o conheciam tão bem e talvez melhor que nós. Somente ele não foi ensinado senão com precauções misteriosas que o tornaram inacessível ao vulgo, deixado propositadamente na difícil situação supersticiosa.&lt;br /&gt;Quanto aos fatos, eles são de duas naturezas: espontâneos e provocados. Entre os primeiros, é preciso situar as visões e aparições, que são muito freqüentes; os ruídos, barulhos e movimentação de objetos sem causa material, e uma multidão de efeitos insólitos que se considerava como sobrenaturais, e que, hoje, nos parecem muito simples, porque, para nós, não há nada de sobrenatural uma vez que tudo se esconde nas leis imutáveis da Natureza. Os fatos provocados são aqueles que se obtêm por intermédio dos médiuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.9. Falsas explicações dos fenômenos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Alucinação – Fluido magnético – Reflexo do pensamento – Superexcitação cerebral – Estado sonambúlico dos médiuns.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – É contra os fenômenos provocados que se exerce, sobretudo, a crítica. Coloquemos de lado toda suposição de charlatanismo, e admitamos uma inteira boa-fé; não se poderia pensar que eles próprios são joguetes de uma alucinação?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Não é do meu conhecimento que se tenha, ainda, explicado claramente o mecanismo da alucinação. Tal como é entendida, é, todavia, um efeito muito singular e digno de estudo. Como, pois, aqueles que, através dela, pretendem explicar os fenômenos espíritas não podem explicitar sua explicação? Aliás, há fatos que escapam a essa hipótese: quando uma mesa, ou um outro objeto, se move, se eleva ou bate; quando ela passeia à vontade num quarto sem o contacto de alguém; quando ela se desprende do solo e se sustém no espaço, sem ponto de apoio; enfim, quando ela se quebra caindo, certamente isso não é uma alucinação. Supondo-se que o médium, por um efeito de sua imaginação, creia ver o que não existe, é provável que todo um grupo esteja tomado da mesma vertigem? que se repita por todos os lados, em todos os países? A alucinação, nesse caso, seria mais prodigiosa que o fato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Admitindo-se a realidade do fenômeno das mesas girantes e batedoras, não é mais racional atribuí-lo à ação de um fluido qualquer, o fluido magnético por exemplo?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Tal foi o primeiro pensamento e eu o tive como tantos outros. Se os efeitos tivessem se limitado aos efeitos materiais, ninguém duvida que poder-se-ia explicar assim. Mas quando esses movimentos e golpes deram provas de inteligência, quando se reconheceu que respondiam ao pensamento com inteira liberdade, tirou-se esta conseqüência: se todo efeito tem causa, todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. É isso o efeito de um fluido, a menos que se diga que esse fluido é inteligente? Quando vedes o manipulador do telégrafo fazer os sinais que transmitem o pensamento, sabeis bem que não são esses braços de madeira ou de ferro que são inteligentes, mas dizeis que uma inteligência os faz mover. Ocorre o mesmo com a mesa. Há, sim ou não, efeitos inteligentes? Esta é a questão. Aqueles que a contestam, são pessoas que não puderam ver tudo e se apressam em concluir segundo suas próprias idéias e sobre uma observação superficial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – A isso responde-se que se há um efeito inteligente ele não é outra coisa senão a própria inteligência, seja do médium, seja do interrogante, seja dos assistentes; porque, diz-se, a resposta está sempre no pensamento de alguém.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Isso é ainda um erro, conseqüente de uma falsa observação. Se aqueles que assim pensam tivessem se dado ao trabalho de estudar o fenômeno em todas as suas fases, teriam, a cada passo, reconhecido a independência absoluta da inteligência que se manifesta. Como essa tese poderia se conciliar com respostas que estão fora da capacidade intelectual e de instrução do médium? que contradizem suas idéias, seus desejos, suas opiniões, ou que confundem completamente as previsões dos assistentes? de médiuns que escrevem em um idioma que não conhecem, ou em seu próprio idioma, quando eles não sabem nem ler nem escrever? Essa opinião, à primeira vista, não tem nada de irracional, eu convenho, porém, ela é desmentida pelos fatos de tal modo numerosos e concludentes, dos quais não é mais possível duvidar.&lt;br /&gt;De resto, admitindo-se mesmo essa teoria, o fenômeno, longe de ser simplificado, seria bem mais prodigioso. Ora, o pensamento se refletiria sobre uma superfície como a luz, o som e o calor? Na verdade, haveria nisso motivo para exercer a sagacidade da ciência. Aliás, o que se adicionaria ainda ao maravilhoso, é que, sobre vinte pessoas reunidas, seria precisamente o pensamento de tal ou tal que seria refletido, e não o pensamento de tal outra. Um semelhante sistema é insustentável. É verdadeiramente curioso ver os contraditores se esforçarem em procurar causas cem vezes mais extraordinárias e difíceis de compreender do que as que se lhes fornece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Não se poderia admitir, segundo a opinião de alguns, que o médium está em um estado de crise e goze de uma lucidez que lhe dá uma percepção sonambúlica, uma espécie de dupla vista, o que explicaria a extensão momentânea das faculdades intelectuais? Por que, diz-se, as comunicações obtidas pelo médium não ultrapassam a importância daqueles que se obtêm pelos sonâmbulos?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – É isso, ainda, um desses sistemas que não suporta um exame aprofundado. O médium não está em crise, nem em sono, mas perfeitamente desperto, agindo e pensando como todo o mundo, sem nada ter de extraordinário. Certos efeitos particulares puderam dar lugar a esse equívoco. Mas, qualquer um que não se limite a julgar as coisas por um único aspecto, reconhecerá, sem esforço, que o médium é dotado de uma faculdade particular que não permite confundi-lo com o sonâmbulo, e a completa independência do seu pensamento é provada por fatos da máxima evidência. Abstração feita das comunicações escritas, qual é o sonâmbulo que fez brotar um pensamento de um corpo inerte? que produziu aparições visíveis e mesmo tangíveis? que pode manter um corpo pesado no espaço sem ponto de apoio? Foi por um efeito sonambúlico que um médium desenhou, um dia, para mim, em presença de vinte testemunhas, o retrato de uma jovem que morreu dezoito meses antes e que jamais havia conhecido, retrato reconhecido pelo pai presente à sessão? É por um efeito sonambúlico que uma mesa responde com precisão às questões propostas, mesmo mentalmente? Seguramente, se se admite que o médium esteja em um estado magnético, me parece difícil crer-se que a mesa seja sonâmbula.&lt;br /&gt;Diz-se, ainda, que os médiuns não falam claramente senão de coisas conhecidas. Como explicar o fato seguinte e cem outros do mesmo gênero? Um de meus amigos, muito bom médium escrevente, perguntou a um Espírito se uma pessoa, que ele havia perdido de vista há quinze anos, estava ainda neste mundo. "Sim, ela vive ainda, respondeu-lhe; ela mora em Paris, à rua tal, número tal." Ele vai e encontra a pessoa no endereço indicado. É isso ilusão? Seu pensamento poderia tanto menos sugerir-lhe essa resposta pois, em razão da idade da pessoa, havia toda possibilidade de que ela não existisse mais. Se, em certos casos, viram-se respostas concordarem com o pensamento, é racional concluir daí que isso seja uma lei geral? Nisso, como em todas as coisas, os julgamentos precipitados são sempre perigosos, porque podem estar enfraquecidos pela não observação dos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.10. Os incrédulos não podem ver para se convencerem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – São os fatos positivos que os incrédulos querem ver, que eles pedem e, na maioria das vezes, não se pode lhes fornecer. Se todo mundo pudesse testemunhar esses fatos, a dúvida não seria mais permitida. Como ocorre, pois, que tanta gente nada tenha podido ver, malgrado sua boa vontade? Se os contesta dizendo faltar-lhes fé, a isso respondem, com razão, que não podem ter uma fé antecipada, e que se quer que eles creiam é preciso dar-lhes os meios de crerem.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – A razão é bem simples. Eles querem os fatos sob seu comando e os Espíritos não obedecem a ele; é preciso esperar sua boa vontade. Não basta, pois, dizer: mostre-me tal fato e eu crerei; é preciso ter vontade e perseverança, deixar os fatos se produzirem espontaneamente, sem pretender forçá-los ou dirigi-los. Aquele que desejais, talvez seja precisamente o que não obtereis; mas se apresentarão outros, e aquele que quereis virá no momento em que menos esperais. Aos olhos do observador atento e assíduo, os fatos se somam e se corroboram uns aos outros, mas aquele que crê bastar virar uma manivela para mover a máquina, se engana extraordinariamente. Que faz o naturalista que quer estudar os costumes de um animal? Leva-o a fazer tal ou tal coisa para ter todo o tempo de observação à sua vontade? Não, porque sabe bem que não será obedecido; ele espreita as manifestações espontâneas do seu instinto; espera-as e as apreende quando ocorrem. O simples bom-senso mostra que, por mais forte razão, deve ocorrer o mesmo com os Espíritos, que são inteligências com independência bem diversa da dos animais.&lt;br /&gt;É um erro crer que a fé seja necessária; mas a boa fé é outra coisa. Ora, há cépticos que negam até a evidência, e que os prodígios não poderiam convencer. Quantos há que, depois de terem visto, não persistem menos em explicar os fatos à sua maneira, dizendo que isso não prova nada! Essas pessoas não servem senão para levar a perturbação às reuniões, sem proveito para elas mesmas; é por isso que as repelimos e não queremos perder tempo com elas. Ocorre mesmo que ficariam bem irritadas de serem forçadas a crer, porque seu amor próprio sofreria em concordar que estavam enganadas. Que responder a essas pessoas que não vêem por toda parte senão a ilusão e o charlatanismo? Nada; é preciso deixá-las tranqüilas e dizer, tanto como querem, que elas nada viram, e mesmo que não se pôde ou não se quis fazê-las ver.&lt;br /&gt;Ao lado desses cépticos endurecidos, há aqueles que querem ver à sua maneira; que tendo formado uma opinião, querem com ela tudo relacionar: eles não compreendem que os fenômenos não possam obedecer à sua vontade; eles não sabem, ou não querem, se colocar nas condições necessárias. Aquele que quer observar de boa-fé deve – não digo crer sob palavra, mas se despojar de toda idéia preconcebida – não querer comparar coisas incompatíveis. Deve esperar, continuar, observar com uma paciência infatigável; esta condição mesma está a favor dos adeptos, uma vez que ela prova que sua convicção não se formou levianamente. Tendes essa paciência? Não, dizeis, eu não tenho tempo. Então não vos ocupeis com os fenômenos, nem deles faleis; ninguém a isso vos obriga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.11. Boa ou má vontade dos Espíritos para convencerem&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Os Espíritos devem ter interesse em fazer prosélitos. Por que não consentem, mais do que o fazem, nos meios para convencer certas pessoas, cuja opinião seria de uma grande influência?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – É que, aparentemente, no momento, eles não têm interesse em convencer certas pessoas, cuja importância não medem como elas mesmas o fazem. É pouco lisonjeiro, eu convenho, mas nós não comandamos suas opiniões, pois os Espíritos têm um modo de julgar as coisas que não é sempre o nosso. Eles vêem, pensam e agem segundo outros elementos; enquanto nossa visão está circunscrita pela matéria, limitada pelo círculo estreito no meio do qual nos encontramos, eles abarcam o conjunto. O tempo, que nos parece tão longo, para eles é um instante, assim como a distância, que não é senão um passo; certos detalhes, que nos parecem de uma importância extrema, para eles são pueris; em compensação, acham importantes, coisas das quais não compreendemos a importância. Para compreendê-los, é preciso se elevar pelo pensamento acima do nosso horizonte material e moral, e nos colocar em sua posição; não cabe a eles descerem até nós, mas cabe a nós nos elevarmos até eles, e é a isso que nos conduz o estudo e a observação.&lt;br /&gt;Os Espíritos apreciam os observadores assíduos e conscienciosos, para os quais multiplicam as fontes de luz; o que os afasta não é a dúvida que nasce da ignorância, mas a fatuidade desses pretensos observadores que, nada tendo observado, pretendem colocá-los na berlinda e manobrá-los como a marionetes; é sobretudo o sentimento de hostilidade e de difamação que carregam consigo e que está em seu pensamento, se não está em suas palavras. Para estes, os Espíritos nada fazem e se inquietam muito pouco com aquilo que eles possam falar ou pensar, porque sua vez chegará. Por isso eu disse que o necessário não é a fé, mas a boa-fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.12. Origem das idéias Espíritas modernas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Uma coisa que eu desejaria saber, senhor, é o ponto de partida das idéias espíritas modernas; elas são o resultado de uma revelação espontânea dos Espíritos ou o resultado de uma crença anterior à sua existência? Compreendeis a importância da minha pergunta, porque, neste último caso, poder-se-ia crer que a imaginação não pode ser posta de lado.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Esta questão, senhor, como o dissestes, é importante nesse ponto de vista, embora seja difícil admitir-se, supondo-se que essas idéias tenham nascido de uma crença antecipada, que a imaginação tenha podido produzir todos os resultados materiais observados. Com efeito, se o Espiritismo estivesse baseado sobre o pensamento preconcebido da existência dos Espíritos, poder-se-ia, com alguma aparência de razão, duvidar da sua realidade, porque se a causa é uma quimera, as próprias conseqüências devem ser quiméricas. Mas as coisas não se passam assim.&lt;br /&gt;Anotai primeiro que essa seqüência seria completamente ilógica. Os Espíritos são causa e não efeito; quando se vê um efeito, pode-se procurar a sua causa, mas não é natural imaginar uma causa antes de ter visto os efeitos. Não se poderia, pois, conceber o pensamento dos Espíritos se não estivessem presentes os efeitos que encontrassem sua explicação provável na existência de seres invisíveis. Pois bem, não foi assim que esse pensamento surgiu, quer dizer, não foi uma hipótese imaginada para explicar certos fenômenos; a primeira suposição que se fez deles foi de uma causa inteiramente material. Assim, longe de os Espíritos terem sido uma idéia preconcebida, partiu-se do ponto de vista materialista, o qual sendo incapaz de tudo explicar, a própria observação conduziu à causa espiritual. Eu falo das idéias espíritas modernas, uma vez que nós sabemos ser essa crença tão velha quanto o mundo. Eis aqui a seqüência das coisas.&lt;br /&gt;Fenômenos espontâneos se produziram, tais os ruídos estranhos, pancadas, movimento de objetos, etc., sem causa ostensiva conhecida, e esses fenômenos puderam ser reproduzidos sob a influência de certas pessoas. Até aí nada autorizava a procurar a causa além da ação de um fluido magnético ou outro cujas propriedades eram ainda desconhecidas. Mas não se tardou em reconhecer, nesses ruídos e nesses movimentos, um caráter intencional e inteligente, do que se concluiu, como já disse, que: se todo efeito tem uma causa, todo efeito inteligente tem uma causa inteligente. Essa inteligência não poderia estar no próprio objeto, porque a matéria não é inteligente. Era o reflexo da inteligência da pessoa ou das pessoas presentes? Assim se pensou primeiro, como eu disse igualmente. Só a experiência poderia se pronunciar, e a experiência demonstrou, por provas irrecusáveis, em muitas circunstâncias, a completa independência dessa inteligência. Ela estava, pois, fora do objeto e fora da pessoa. Quem era ela? Foi ela mesma quem respondeu, declarando pertencer à ordem de seres incorpóreos, designados sob o nome de Espíritos. A idéia dos Espíritos, pois, não preexistiu nem foi mesmo consecutiva; em uma palavra, ela não saiu do cérebro, mas foi dada pelos próprios Espíritos, e tudo o que soubemos depois a seu respeito, foram eles que nos ensinaram.&lt;br /&gt;Uma vez revelada a existência dos Espíritos e estabelecidos os meios de comunicação, pôde-se ter conversações seguidas e obter esclarecimentos sobre a natureza desses seres, as condições da sua existência, seu papel no mundo visível. Se se pudesse interrogar assim os seres do mundo dos infinitamente pequenos, que coisas curiosas não se aprenderia sobre eles!&lt;br /&gt;Supondo-se que, antes do descobrimento da América, existisse um fio elétrico através do Atlântico, e que na sua extremidade européia fossem notados sinais inteligentes, se poderia concluir que, na outra extremidade, havia seres inteligentes procurando se comunicar; ter-se-ia podido questioná-los, e eles teriam respondido. Adquirir-se-ia assim, a certeza da sua existência, o conhecimento dos seus costumes, dos seus hábitos, da sua maneira de ser, sem jamais tê-los visto. Ocorre o mesmo nas relações com o mundo invisível; as manifestações materiais foram como sinais, meios de advertências, que nos colocaram na trilha de comunicações mais regulares e mais continuadas. E, coisa notável, à medida que os meios mais fáceis de comunicação estão à nossa disposição, os Espíritos abandonam os meios primitivos, insuficientes e incômodos, como o mudo que recupera a palavra renuncia à linguagem dos sinais.&lt;br /&gt;Que eram os habitantes desse mundo? Eram seres à parte, fora da Humanidade? Eram bons ou maus? Foi ainda a experiência que se encarregou de resolver essas questões. Mas, até que numerosas observações deitaram luz sobre esse assunto, o campo das conjecturas e dos sistemas estava aberto, e Deus sabe quantas surgiram! Alguns acreditaram serem os Espíritos superiores a tudo, outros não viam neles senão demônios. Foi por suas palavras e seus atos que se pôde julgá-los. Suponhamos que entre os habitantes transatlânticos desconhecidos, dos quais falamos, uns tivessem dito coisas boas, enquanto outros fossem notados pelo cinismo de sua linguagem, ter-se-ia concluído que haveria bons e maus. Foi a isso que se chegou com os Espíritos, reconhecendo-se entre eles todos os graus de bondade e de maldade, de ignorância e de saber. Uma vez sabedores dos seus defeitos e qualidades, cabe à nossa prudência distinguir o bom do mau, o verdadeiro do falso em suas relações conosco, absolutamente como nós fazemos com respeito aos homens.&lt;br /&gt;A observação não só nos esclareceu sobre as qualidades morais dos Espíritos, mas também sobre sua natureza e sobre o que poderíamos chamar seu estado fisiológico. Soube-se, pelos próprios Espíritos, que uns são muito felizes e outros muito infelizes; que eles não são seres à parte, de uma natureza excepcional, mas que são as almas daqueles que viveram sobre a Terra, onde deixaram seu envoltório corporal, que povoam os espaços, nos cercam e nos acotovelam sem cessar, e, entre eles, cada um pôde reconhecer, por sinais incontestáveis, seus parentes, seus amigos e aqueles que conheceu neste mundo. Pôde-se segui-los em todas as fases de sua existência de além-túmulo, desde o instante em que deixaram seus corpos, e observar sua situação segundo o gênero de morte e a maneira pela qual viveram sobre a Terra. Soube-se, enfim, que não são seres abstratos, imateriais, no sentido absoluto da palavra, eles têm um envoltório, ao qual demos o nome de perispírito, espécie de corpo fluídico, vaporoso, diáfano, invisível em seu estado normal, mas que, em certos casos, e por uma espécie de condensação ou de disposição molecular pode tornar-se momentaneamente visível e mesmo tangível e, desde então, foi explicado o fenômeno das aparições e dos toques sobre elas. Esse envoltório existe durante a vida do corpo e é o laço entre o Espírito e a matéria; na morte do corpo, a alma ou o Espírito, o que são a mesma coisa, não se despoja senão do envoltório grosseiro, conservando o segundo, como quando nós tiramos uma roupa de cima para conservar apenas a de baixo, como o germe de um fruto se despoja do envoltório cortical e não conserva senão o perisperma. É esse envoltório semi-material do Espírito o agente dos diferentes fenômenos por meio do qual ele manifesta sua presença.&lt;br /&gt;Tal é, em poucas palavras, senhor, a história do Espiritismo; vedes e o reconhecereis ainda melhor, quando o tiverdes estudado a fundo, que tudo nele é o resultado da observação e não de um sistema preconcebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.13. Meios de comunicação&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Falastes de meios de comunicação; poderíeis dar-me uma idéia deles, porque é difícil compreender como esses seres invisíveis podem conversar conosco?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – De bom grado; todavia, o farei ligeiramente porque isso exigiria um desenvolvimento muito grande, que encontrareis notadamente em O Livro dos Médiuns. Mas o pouco que vos direi bastará para vos colocar a par do mecanismo e servirá, sobretudo, para compreenderdes melhor algumas experiências às quais poderíeis assistir até vossa iniciação completa.&lt;br /&gt;A existência desse envoltório semi-material, ou perispírito, é já uma chave que explica muitas coisas e mostra a possibilidade de certos fenômenos. Quanto aos meios, eles são muito variados e dependem, seja da natureza mais ou menos depurada dos Espíritos, seja das disposições particulares às pessoas que lhes ser vem de intermediárias. O mais vulgar, aquele que se pode dizer universal, consiste na intuição, quer dizer, nas idéias e pensamentos que eles nos sugerem; mas esse meio é muito pouco apreciável na generalidade dos casos. Há outros mais materiais.&lt;br /&gt;Certos Espíritos se comunicam por pancadas, respondendo por sim ou por não, ou designando as letras que devem formar as palavras. As pancadas podem ser obtidas pelo movimento basculante de um objeto, uma mesa, por exemplo, que bate o pé. Freqüentemente, eles se fazem ouvir na própria substância dos corpos, sem movimento destes. Esse modo primitivo é demorado e dificilmente se presta ao desenvolvimento de idéias de uma certa extensão. A escrita a substituiu, obtendo-se esta de diferentes maneiras. Primeiro serviu-se, e algumas vezes se usa ainda, de um objeto móvel, como uma pequena prancheta, uma cesta, uma caixa, à qual se adapta um lápis cuja ponta repousa sobre o papel. A natureza e a substância do objeto são indiferentes. O médium coloca as mãos sobre esse objeto, transmitindo-lhe a influência que recebe do Espírito, e o lápis traça os caracteres. Mas esse objeto não é, propriamente falando, senão um apêndice da mão, uma espécie de porta-lápis. Reconheceu-se depois a inutilidade desse intermediário, que é apenas uma complicação do processo, cujo único mérito é de constatar, de uma maneira material, a independência do médium, que pode escrever tomando ele próprio o lápis.&lt;br /&gt;Os Espíritos se manifestam ainda, e podem transmitir seus pensamentos, por sons articulados que repercutem, seja no vago do ar, seja no ouvido, pela voz do médium, pela vista, por desenhos, pela música e por outros meios que um estudo completo faz conhecer. Os médiuns têm, para esses diferentes meios, aptidões especiais que se prendem ao seu organismo. Temos, assim, os médiuns de efeitos físicos, quer dizer, os que estão aptos a produzir fenômenos materiais como as pancadas, o movimento dos corpos, etc; os médiuns audientes, falantes, videntes, desenhistas, musicistas, escreventes. Esta última faculdade é a mais comum e se desenvolve pelo exercício; é também a mais preciosa, pois é a que permite comunicações mais freqüentes e mais rápidas.&lt;br /&gt;O médium escrevente apresenta numerosas variedades, das quais duas muito distintas. Para entendê-las é preciso inteirar-se da maneira pela qual se opera o fenômeno. O Espírito, algumas vezes, age diretamente sobre a mão do médium à qual imprime um impulso, independentemente da sua vontade, e sem que este tenha consciência do que escreve: é o médium escrevente mecânico. Outras vezes o Espírito age sobre o cérebro; seu pensamento atravessa o do médium que, então, embora escrevendo de uma maneira involuntária, tem uma consciência mais ou menos nítida do que obtém; é o médium intuitivo. Seu papel é exatamente o de um intérprete que transmite um pensamento que não é o seu e que, todavia, deve compreender. Ainda que, neste caso, o pensamento do Espírito e o do médium se confundam algumas vezes, a experiência ensina a distingui-los facilmente. Obtêm-se, igualmente, boas comunicações por esses dois gêneros de médiuns; a vantagem dos que são mecânicos é, sobretudo, para as pessoas que ainda não estão convencidas. De resto, a qualidade essencial de um médium está na natureza dos Espíritos que o assistem e nas comunicações que ele recebe, bem mais que nos meios de execução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – O procedimento me parece dos mais simples. Ser-me-ia possível experimentá-lo eu mesmo?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC Perfeitamente; eu digo mesmo que se estiverdes dotado da faculdade medianímica, esse seria o melhor meio de vos convencer, porque não poderíeis duvidar de vossa boa-fé. Só que vos exorto vivamente a não tentar nenhum ensaio antes de ter estudado com atenção. As comunicações de além-túmulo estão cercadas de mais dificuldades do que se pensa; elas não estão isentas de inconvenientes, e mesmo de perigo, para aqueles a quem falta a experiência necessária. Ocorre aqui como ao que quisesse fazer manipulações químicas sem saber química: correria o risco de queimar os dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Há algum indício pelo qual se possa reconhecer essa aptidão?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Até o presente não se conhece nenhum diagnóstico para a mediunidade; todos os que se acreditou reconhecer, não têm nenhum valor. Ensaiar é o único meio de saber se se é dotado. De resto, os médiuns são muito numerosos e é muito raro que, quando não o sejamos, que não encontremos entre os membros da família e das pessoas que nos cercam. O sexo, a idade e o temperamento são indiferentes; são encontrados entre os homens e entre as mulheres, as crianças e os velhos, as pessoas que se portam bem e as que estão doentes.&lt;br /&gt;Se a mediunidade se traduzisse por um sinal exterior qualquer, isso implicaria na permanência da faculdade, ao passo que ela é essencialmente móvel e fugidia. Sua causa física está na assimilação, mais ou menos fácil, dos fluidos perispirituais do encarnado e do Espírito desencarnado. Sua causa moral está na vontade do Espírito que se comunica quando isso lhe apraz, e não na nossa vontade, do que resulta, em primeiro lugar, que todos os Espíritos não podem se comunicar indiferentemente por todos os médiuns e, em segundo lugar, que todo médium pode perder ou ter suspensa sua faculdade no momento em que menos o espera. Essas poucas palavras bastam para vos mostrar que há todo um estudo a fazer para poder se inteirar das variações que esse fenômeno apresenta.&lt;br /&gt;Seria, pois, um erro crer-se que todo Espírito pode atender ao apelo que lhe é feito e se comunicar pelo primeiro médium que encontra. Para que um Espírito se comunique, é preciso primeiro que lhe convenha fazê-lo; em segundo lugar, que sua posição ou suas ocupações lhe permitam; em terceiro lugar, que ele encontre no médium um instrumento propício, apropriado à sua natureza.&lt;br /&gt;Em princípio, pode-se comunicar com os Espíritos de todas as ordens, com seus parentes e seus amigos, com os Espíritos mais elevados, como com os mais vulgares. Mas, independentemente das condições individuais de possibilidade, eles vêm mais ou menos voluntariamente segundo as circunstâncias e, sobretudo, em razão de sua simpatia pelas pessoas que os chamam, e não pela requisição da primeira pessoa que tenha a fantasia de os evocar por um sentimento de curiosidade; em caso semelhante eles não se importariam quando vivos e não o fazem mais depois da sua morte.&lt;br /&gt;Os Espíritos sérios não vêm senão nas reuniões sérias, onde são chamados com recolhimento e por motivos sérios. Eles não se prestam a nenhuma questão de curiosidade, de prova, ou tendo um objetivo fútil, nem a nenhuma experiência.&lt;br /&gt;Os Espíritos levianos vão por toda parte; mas nas reuniões sérias se calam e se afastam para escutar, como o faria um escolar em uma douta assembléia. Nas reuniões frívolas eles se divertem, distraem-se com tudo e, freqüentemente, zombam dos assistentes, e respondem a todos sem se inquietarem com a verdade.&lt;br /&gt;Os Espíritos ditos batedores, e geralmente todos aqueles que produzem manifestações físicas, são de uma ordem inferior, sem, por isso, serem essencialmente maus; eles têm uma aptidão de alguma sorte especial para os efeitos materiais. Os Espíritos superiores não se ocupam mais dessas coisas que nossos sábios de fazerem exibição de força; se disso têm necessidade, servem-se desses Espíritos de ordem inferior, como nós nos servimos de serviçais para o trabalho pesado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.14. Os médiuns interesseiros&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Antes de se entregarem a um estudo de fôlego, certas pessoas gostariam de ter a certeza de não perderem seu tempo, certeza que lhes daria um fato concludente, mesmo obtido ao preço do dinheiro.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Naquele que não quer se dar ao trabalho de estudar, há mais de curiosidade que desejo real de se instruir. Ora, os Espíritos não gostam mais de curiosos que eu próprio. Aliás, a cupidez lhes é, sobretudo, antipática, e eles não se prestam a nada que possa satisfazê-la. Seria preciso ter deles uma idéia bem errada para crer que os Espíritos superiores, como Fénelon, Bossuet, Pascal, Santo Agostinho, por exemplo, se colocassem às ordens do primeiro que os solicitasse, a tanto por hora. Não, senhor, as comunicações de além-túmulo são uma coisa muito grave, e exigem muito respeito, para servirem de exibição.&lt;br /&gt;Aliás, sabemos que os fenômenos espíritas não se desenrolam como as engrenagens de um mecanismo, uma vez que dependem da vontade dos Espíritos. Mesmo admitindo-se a aptidão medianímica, ninguém pode responsabilizar-se de os obter em tal momento dado.&lt;br /&gt;Se os incrédulos são levados a suspeitarem da boa-fé dos médiuns em geral, seria bem pior se estes tivessem um estimulante interesse; poder-se-ia suspeitar, com todo direito, que o médium retribuiria com simulação, porque ele precisaria, antes de tudo, ganhar seu dinheiro.&lt;br /&gt;Não somente o desinteresse absoluto é a melhor garantia de sinceridade, como repugnaria à razão evocar a peso de ouro os Espíritos de pessoas que nos são caras, supondo que eles a isso consentissem, o que é mais que duvidoso. Não haveria, em todos os casos, senão Espíritos inferiores, pouco escrupulosos quanto aos meios, e que não mereceriam nenhuma confiança. Estes mesmos, ainda, freqüentemente, agem com um prazer maldoso, frustrando as combinações e os cálculos dos seus evocadores.&lt;br /&gt;A natureza da faculdade mediúnica se opõe, pois, a que ela se torne uma profissão, uma vez que depende de uma vontade estranha ao médium, e ela poderia faltar-lhe no momento que dela tivesse necessidade, a menos que ele a supra pela agilidade. Mas, em se admitindo mesmo uma inteira boa-fé, desde que os fenômenos não se obtêm à vontade, seria um efeito do acaso se, na sessão que se tivesse pago, se produzisse precisamente aquilo que se desejaria para se convencer. Daríeis cem mil francos a um médium e não o faríeis obter dos Espíritos o que estes não quisessem fazer. Essa paga, que desnaturaria a intenção e a transformaria em um violento desejo de lucro, seria mesmo, ao contrário, um motivo para que ele não tivesse sucesso. Se se está bem compenetrado dessa verdade, que a afeição e a simpatia são as mais poderosas motivações de atração dos Espíritos, compreender-se-ia que eles não podem ser solicitados com o pensamento de os usarem para ganhar dinheiro.&lt;br /&gt;Aquele, pois, que tem necessidade de fatos para se convencer, deve provar aos Espíritos sua boa vontade por uma observação séria e paciente, se quer por eles ser secundado. Mas, se é verdadeiro que a fé não se impõe, não o é menos dizer-se que ela não se compra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Eu compreendo esse raciocínio sob o ponto de vista moral; entretanto, não é justo que aquele que dá seu tempo no interesse de seu ideal, dele seja indenizado, se isso o impede de trabalhar para viver?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Em primeiro lugar, é no interesse da causa que ele o faz ou é no seu próprio interesse? Se mudou sua posição, é que não estava satisfeito e que esperava ganhar mais ou ter menos trabalho nesse novo ofício. Não há nenhum devotamento em dar seu tempo quando é para dele tirar proveito. É como se se dissesse que o padeiro fabrica o pão no interesse da Humanidade. A mediunidade não é o único recurso; sem ela eles seriam obrigados a ganharem a vida de outra maneira. Os médiuns verdadeiramente sérios e devotados, quando não têm uma existência independente, procuram os meios de vida em seu trabalho normal, e não mudam sua posição. Eles não consagram à mediunidade senão o tempo que podem dar-lhe sem prejuízo e se o tomam do seu lazer ou do seu repouso, espontaneamente, então são devotados e se os estima e respeita mais por isso.&lt;br /&gt;A multiplicidade de médiuns nas famílias, aliás, torna os médiuns profissionais inúteis, mesmo supondo-se que eles oferecem todas as garantias desejáveis, o que é muito raro. Sem o descrédito que se atribui a esse gênero de exploração, do qual me felicito de ter contribuído grandemente, ver-se-ia pulularem os médiuns mercenários e os jornais se cobrirem dos seus anúncios. Ora, para um que tivesse podido ser leal, haveria cem charlatães que, abusando de uma faculdade real ou simulada, teriam feito o maior mal ao Espiritismo. É, pois, como princípio que todos aqueles que vêem no Espiritismo alguma coisa além de exibição de fenômenos curiosos, que compreendem e estimam a dignidade, a consideração e os verdadeiros interesses da doutrina, reprovam toda espécie de especulação, sob qualquer forma ou disfarce que ela se apresente. Os médiuns sérios e sinceros, e eu dou esse nome àqueles que compreendem a santidade do mandato que Deus lhes confiou, evitam até na aparência o que poderia fazer pairar sobre eles a menor suspeita de cupidez. A acusação de tirar um proveito qualquer de sua faculdade, seria para eles uma injúria.&lt;br /&gt;Concordai, senhor, inteiramente incrédulo que sois, que um médium nessas condições faria sobre vós uma outra impressão se tivésseis pago vosso lugar para vê-lo operar, ou mesmo que tivésseis obtido uma entrada de favor, se sabíeis que havia em tudo isso uma questão de dinheiro. Concordai que, vendo o médium animado de um verdadeiro sentimento religioso, estimulado só pela fé e não pelo desejo de ganho, involuntariamente ele se imporia ao vosso respeito, fosse ele o mais humilde proletário, e vos inspiraria mais confiança, porque não teríeis nenhum motivo para suspeitar de sua lealdade. Pois bem, senhor, encontrareis nestas condições mil por um, e é isso uma das causas que contribuíram poderosamente para o crédito e a propagação da doutrina, enquanto que se ela não tivesse tido senão intérpretes interesseiros, ela não contaria hoje a quarta parte dos adeptos que tem.&lt;br /&gt;Compreende-se muito bem que os médiuns profissionais são raríssimos, pelo menos na França; que são desconhecidos na maioria dos centros espíritas do país, onde a reputação dos mercenários bastaria para os excluir de todos os grupos sérios, e onde, para eles, o ofício não seria lucrativo, em razão do descrédito de que seriam objeto e da concorrência de médiuns desinteressados que se encontram por toda parte. Para suprir, seja a faculdade que lhe falta, seja a insuficiência da clientela, há supostos médiuns que usam o jogo de cartas, a clara de ovo, a borra de café, etc., a fim de satisfazer todos os gostos, esperando por esses meios, na falta dos Espíritos, atrair aqueles que ainda crêem nessas tolices. Se eles não fizessem mal senão a si mesmos, o mal seria insignificante; contudo, há pessoas que, sem ir mais longe, confundem o abuso com a realidade e depois os mal intencionados delas se aproveitam para dizer que nisso consiste o Espiritismo. Vede, pois, senhor, que a exploração da mediunidade conduzindo aos abusos prejudiciais à doutrina, o Espiritismo sério tem razão de a condenar e de a repudiar como auxiliar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Tudo isso é muito lógico, eu convenho, mas os médiuns desinteressados não estão à disposição dos que os buscam, e não é justo desviá-los do seu trabalho, enquanto que não se teria escrúpulos de procurar aqueles que se fazem pagar, porque se sabe não fazê-los perder seu tempo. Se houvesse médiuns públicos, seria mais fácil para as pessoas que querem se convencer.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Mas se os médiuns públicos, como os chamais, não oferecem as garantias desejadas, que utilidade podem ter para a convicção? O inconveniente que assinalais não destrói aqueles bem mais graves a que me referi. Ir-se-ia até eles mais por divertimento ou para tirar a sorte, que para se instruir. Aquele que quer, seriamente, se convencer encontra, cedo ou tarde, os meios para isso, se tem perseverança e boa vontade. Mas não é porque assistiu a uma sessão que se convencerá, se para isso não está preparado. Se ela lhe dá uma impressão desfavorável, ficará pior que antes e talvez desanimado de continuar um estudo no qual nada viu de sério; isso é o que prova a experiência.&lt;br /&gt;Mas ao lado das considerações morais, os progressos da ciência espírita nos mostram hoje uma dificuldade material, que não supusemos no início, fazendo-nos conhecer melhor as condições sob as quais se produzem as manifestações. Essa dificuldade diz respeito às afinidades fluídicas que devem existir entre o Espírito evocado e o médium.&lt;br /&gt;Coloco de lado todo pensamento de fraude e de mistificação e suponho a mais completa lealdade. Para que um médium profissional pudesse oferecer toda segurança às pessoas que viessem a consultá-lo, seria preciso que ele possuísse uma faculdade permanente e universal, quer dizer, que pudesse se comunicar facilmente com todos os Espíritos e a qualquer momento, para estar constantemente à disposição do público, como um médico, e satisfazer a todas as evocações que lhe fossem pedidas. Ora, isso não ocorre com nenhum médium, não mais nos desinteressados que nos outros, e isso por causas independentes da vontade do Espírito, mas que não posso desenvolver aqui porque não vos estou dando um curso de Espiritismo. Eu me limitarei a dizer que as afinidades fluídicas, que são o próprio princípio das faculdades mediúnicas, são individuais e não gerais, e que podem existir do médium para tal Espírito e não a tal outro; que sem essas afinidades, cujas nuances são muito diversificadas, as comunicações são incompletas, falsas ou impossíveis; que, o mais freqüentemente, a assimilação fluídica entre o Espírito e o médium não se estabelece senão com o tempo, é que não ocorre, uma vez em dez, que ela seja completa desde a primeira vez. Como vedes, senhor, a mediunidade está subordinada a leis, de alguma sorte orgânicas, às quais todo médium está sujeito. Ora, não se pode negar que isso não seja um escolho para a mediunidade profissional, uma vez que a possibilidade e a exatidão das comunicações prendem-se a causas independentes do médium e do Espírito (ver adiante cap. II, parágrafo Dos Médiuns).&lt;br /&gt;Se, pois, repelimos a exploração da mediunidade, não é nem por capricho nem por espírito de sistema, mas porque os próprios princípios que regem as comunicações com o mundo invisível se opõem à regularidade e à precisão necessárias para aquele que se coloca à disposição do público, e que o desejo de satisfazer a uma clientela pagante conduz ao abuso. Disso não concluo que todos os médiuns interesseiros são charlatães, mas digo que o interesse de ganho conduz ao charlatanismo e autoriza a suposição de fraude se não a justifica. Aquele que quer se convencer deve, antes de tudo, procurar os elementos de sinceridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.15. Os médiuns e os feiticeiros&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Desde o instante em que a mediunidade consiste em se colocar em comunicação com as forças ocultas, parece-me que médiuns e feiticeiros são mais ou menos sinônimos.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Houve em todas as épocas médiuns naturais e inconscientes que, só porque produziam fenômenos insólitos e incompreendidos, foram qualificados de feiticeiros e acusados de pactuarem com o diabo. Ocorreu o mesmo com a maioria dos sábios que possuíam conhecimentos acima do vulgar. A ignorância exagerou seu poder e, eles mesmos, freqüentemente, abusaram da credulidade pública, explorando-a; daí a justa reprovação de que foram objeto. Basta comparar o poder atribuído aos feiticeiros e a faculdade dos verdadeiros médiuns, para estabelecer-lhes a diferença, mas a maioria dos críticos não se dão a esse trabalho. O Espiritismo, longe de ressuscitar a feitiçaria, a destruiu para sempre, despojando-a do seu pretenso poder sobrenatural, de suas fórmulas, de seus livros de magia, amuletos e talismãs, reduzindo os fenômenos possíveis ao seu justo valor, sem sair das leis naturais.&lt;br /&gt;A semelhança que certas pessoas pretendem estabelecer, provém do erro em que se encontram, de que os Espíritos estão às ordens dos médiuns; repugna à sua razão crer que possa depender de alguém, fazer vir à sua vontade e chamado, o Espírito de tal ou tal personagem mais ou menos ilustre; nisso estão perfeitamente com a verdade, e se, antes de atirar pedra ao Espiritismo, tivessem se dado ao trabalho de dele se inteirar, saberiam que ele diz positivamente que os Espíritos não estão ao capricho de ninguém, e que ninguém pode, à vontade, fazê-los vir a contragosto; do que se segue que os médiuns não são feiticeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Desse modo, todos os efeitos que certos médiuns acreditados obtêm, à vontade e em público, não seriam, segundo vós, senão hipocrisia?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Eu não o digo de um modo absoluto. Tais fenômenos não são impossíveis porque há Espíritos inferiores que podem se prestar a essas espécies de coisas, e que nelas se divertem, talvez tendo já feito, em suas vidas, o trabalho dos prestidigitadores, e também médiuns especialmente propensos a esse gênero de manifestações. Mas, o mais vulgar bom senso repele a idéia de que os Espíritos, embora pouco elevados, venham fazer exibições para divertir os curiosos.&lt;br /&gt;A obtenção desses fenômenos à vontade e, sobretudo, em público, é sempre suspeita; nesse caso, a mediunidade e a prestidigitação se tocam tão de perto que, freqüentemente, é bem difícil distingui-las. Antes de ver nisso a ação dos Espíritos, é preciso minuciosas observações, e levar em conta seja o caráter e os antecedentes do médium, seja de uma multidão de circunstâncias, que só um estudo aprofundado da teoria dos fenômenos espíritas pode levar a apreciar. Anote-se que esse gênero de mediunidade, quando mediunidade há, é limitado à produção do mesmo fenômeno, com algumas variantes, o que não é de natureza a dissipar as dúvidas. Um desinteresse absoluto seria aí a melhor garantia de sinceridade.&lt;br /&gt;Qualquer que seja a realidade desses fenômenos, como efeitos medianímicos, eles têm como bom resultado dar notoriedade à idéia espírita. A controvérsia que se estabelece a esse propósito provoca, em muitas, pessoas, um estudo mais aprofundado. Não é certo que é necessário ir buscar aí instruções sérias de Espiritismo, nem a filosofia da doutrina, mas é um meio de forçar a atenção dos indiferentes e obrigar os mais recalcitrantes a falarem deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.16. Diversidade nos Espíritos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Falais de Espíritos bons ou maus, sérios ou levianos; eu não me explico, confesso, essa diferença. Parece-me que, deixando seu envoltório corporal, eles devem se despojar das imperfeições inerentes à matéria; que a luz deve se fazer para eles sobre todas as verdades que nos são ocultas e que eles devem estar isentos dos preconceitos terrestres.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Sem dúvida, eles estão livres das imperfeições físicas, quer dizer, das doenças e enfermidades do corpo; mas as imperfeições morais são do Espírito e não do corpo. Entre eles há os que estão mais ou menos avançados intelectual e moralmente. Seria um erro crer-se que os Espíritos, deixando seu corpo material, são subitamente atingidos pela luz da verdade. Credes, por exemplo, que quando morrerdes não haverá nenhuma diferença entre vosso Espírito e o de um selvagem ou o de um malfeitor? Se fora assim, de que vos serviria ter trabalhado pela vossa instrução e aprimoramento, uma vez que um vadio seria tanto quanto vós depois da morte? O progresso dos Espíritos não se realiza senão gradualmente e, algumas vezes, bem lentamente. Entre eles, e isso depende da sua depuração, há os que vêem as coisas sob um ponto de vista mais justo que em sua vida física; outros, ao contrário, têm as mesmas paixões, os mesmos preconceitos e os mesmos erros, até que o tempo e novas provas lhes tenham permitido se esclarecerem. Notai bem que isto é um resultado da experiência, porque é assim que eles se apresentam a nós em suas comunicações. É, pois, um princípio elementar do Espiritismo que, entre os Espíritos, há os de todos os graus de inteligência e de moralidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Mas, então, por que os Espíritos não são todos perfeitos? Deus, pois, os criou de todas as categorias.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Igualmente gostaria de perguntar por que todos os alunos de um colégio não estão em filosofia. Os Espíritos têm, todos, a mesma origem e a mesma destinação. As diferenças que existem entre eles não constituem espécie distinta, mas diversos graus de adiantamento. Os Espíritos não são perfeitos porque são as almas dos homens e os homens não são perfeitos; pela mesma razão os homens não são perfeitos porque são a encarnação de Espíritos mais ou menos avançados. O mundo corporal e o mundo espiritual se derramam incessantemente um sobre o outro; pela morte do corpo, o mundo corporal fornece seu contingente ao mundo espiritual e, pelo nascimento, o mundo espiritual alimenta a Humanidade. A cada nova existência, o Espírito realiza um progresso mais ou menos grande, e quando adquire sobre a Terra a soma de conhecimentos e elevação moral que comporta nosso globo, ele o troca para passar a um mundo mais elevado, onde aprende coisas novas.&lt;br /&gt;Os Espíritos que formam a população invisível da Terra são, de alguma sorte, o reflexo do mundo corporal; encontram-se aí os mesmos vícios e as mesmas virtudes. Há entre eles sábios, ignorantes e falsos sábios, prudentes e estouvados, filósofos, raciocinadores e sistemáticos. Não se tendo desfeito de todos os seus&lt;br /&gt;preconceitos, todas as opiniões políticas e religiosas têm aí seus representantes. Cada um fala segundo as suas idéias e o que dizem, freqüentemente, não é senão sua opinião pessoal. Eis porque não é preciso acreditar cegamente em tudo o que dizem os Espíritos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Se assim é, eu percebo uma grande dificuldade. Nesse conflito de opiniões diversas, como distinguir o erro da verdade? Eu não vejo que os Espíritos nos sirvam para grande coisa e tenhamos a ganhar com sua conversação.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Não servissem os Espíritos senão para nos ensinar que há Espíritos e que esses Espíritos são as almas dos homens, não seriam de uma grande importância para todos aqueles que duvidam que têm uma alma e que não sabem em que se tornarão depois da morte?&lt;br /&gt;Como todas as ciências filosóficas, esta exige longos estudos e minuciosas observações; é então que se aprende a distinguir a verdade da impostura, e os meios de afastar os Espíritos mentirosos. Acima dessa turba de Espíritos inferiores, há os Espíritos superiores que não têm em vista senão o bem e que têm por missão conduzir os homens ao bom caminho. Cabe a nós saber apreciá-los e compreendê-los. Estes nos ensinam grandes coisas, mas, não credes que o estudo dos outros seja inútil; para conhecer um povo é preciso examiná-lo sob todas as suas faces. Disso vós mesmos sois a prova; pensáveis que bastaria aos Espíritos deixarem seu envoltório corporal para se despojarem de suas imperfeições. Ora, foram as comunicações com eles que nos ensinaram o contrário, e nos fizeram conhecer o verdadeiro estado do mundo espiritual, que nos interessa a todos no mais alto grau, uma vez que para lá devemos ir. Quanto aos erros que podem nascer da divergência de opinião entre os Espíritos, por si mesmos desaparecem, à medida que se aprende a distinguir os bons dos maus, os sábios dos ignorantes, os sinceros dos hipócritas, da mesma forma como entre nós; então o bom senso faz justiça às falsas doutrinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Minha observação subsiste sempre no ponto de vista das questões científicas e outras a que se pode submeter os Espíritos. A divergência de suas opiniões sobre as teorias que dividem os sábios, nos deixam na incerteza. Eu compreendo que, não tendo todos o mesmo grau de instrução, não podem tudo saber. Então, qual o peso que pode ter para nós a opinião daqueles que sabem, se não podemos verificar se têm, ou não têm, razão? Tem igual valor dirigir-se aos homens ou aos Espíritos.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Essa reflexão é ainda uma conseqüência da ignorância do verdadeiro caráter do Espiritismo. Aquele que crê nele encontrar um meio fácil de tudo saber, de tudo descobrir, incorre em um grande erro. Os Espíritos não estão encarregados de nos trazerem a ciência pronta. Seria, com efeito, muito cômodo se nos bastasse perguntar para sermos esclarecidos, poupando-nos assim o trabalho de pesquisa. Deus quer que trabalhemos, que nosso pensamento se exercite, e será a esse preço que adquiriremos a ciência. Os Espíritos não vêm nos livrar dessa necessidade; eles são o que são e o Espiritismo tem por objeto estudá-los, a fim de saber, por analogia, o que seremos um dia e não de nos fazer conhecer o que nos deve estar oculto, ou nos revelar as coisas antes do tempo.&lt;br /&gt;Os Espíritos já não podem ser tidos como ledores de sorte, e quem quer que se iluda de obter deles certos segredos, que se prepare para estranhas decepções por parte dos Espíritos zombeteiros. Em uma palavra, o Espiritismo é uma ciência de observação e não uma ciência de adivinhação ou de especulação. Estudamo-lo para conhecer o estado das individualidades do mundo invisível, as relações que existem entre elas e nós, sua ação oculta sobre o mundo visível, e não pela utilidade material que dele possamos tirar. Sob esse ponto de vista, não há nenhum Espírito cujo estudo nos seja inútil, pois aprendemos alguma coisa com todos eles; suas imperfeições, seus defeitos, sua incapacidade, e mesmo sua ignorância, são igualmente objetos de observação que nos iniciam no estudo da natureza íntima desse mundo. Quando não são eles que nos instruem pelos seus ensinamentos, somos nós que nos instruímos estudando-os, como o fazemos quando estudamos os costumes de um povo que desconhecemos. Quanto aos Espíritos esclarecidos, eles nos ensinam muito, mas no limites das coisas possíveis, não precisando perguntar-lhes o que eles não podem, ou não devem, nos revelar. É preciso contentar-se com aquilo que nos dizem, pois, ir além é expor-se às mistificações dos Espíritos levianos, sempre prontos para responderem a tudo. A experiência nos ensina a discernir o grau de confiança que lhes podemos dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.17. Utilidade prática das manifestações&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Partindo da suposição de que a coisa seja constatada e o Espiritismo reconhecido como realidade, que utilidade prática isso pode ter? Se, até o presente, se passou sem ele, parece-me que se poderia, ainda, passar sem ele e viver mais tranqüilamente.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – O mesmo se poderia dizer das estradas de ferro e do vapor, sem as quais viveu-se muito bem.&lt;br /&gt;Se entendeis por utilidade prática, os meios de viver bem, de fazer fortuna, de conhecer o futuro, de descobrir minas de carvão ou tesouros ocultos, de recuperar heranças, de se poupar do trabalho das pesquisas, ele não serve para nada; ele não pode fazer subir nem abaixar a cotação da Bolsa, nem ser transformado em ações, nem mesmo fornecer invenções prontas, aptas a serem exploradas. Sob esse ponto de vista, quantas ciências seriam inúteis! Quantas há que não trazem vantagem, comercialmente falando! Os homens se portavam muito bem antes da descoberta de todos os novos planetas, antes que se soubesse que é a Terra que gira e não o Sol, antes que fossem calculados os eclipses, antes que se conhecesse o mundo miscroscópico e uma centena de outras coisas. O camponês, para viver e produzir seu trigo, não tinha necessidade de saber o que é um cometa. Por que, pois, os sábios se entregam a essas pesquisas, e quem ousaria dizer que perdem seu tempo? Tudo o que serve para erguer um canto do véu, ajuda o desenvolvimento da inteligência, alarga o círculo das idéias fazendo-nos penetrar mais além nas leis da Natureza. Ora, o mundo dos Espíritos existe em virtude de uma dessas leis da Natureza e o Espiritismo nos faz conhecê-la. Ele nos ensina a influência que o mundo invisível exerce sobre o mundo visível, e as relações que existem entre eles, da mesma forma que a Astronomia nos ensina as relações dos astros com a Terra; ele nô-lo mostra como uma das forças que regem o Universo e contribuem para a manutenção da harmonia geral. Suponhamos que a isso se limite sua utilidade; já não seria muito útil a revelação de semelhante força, abstração feita de toda doutrina moral? Não é nada, pois, que todo um mundo novo se nos revele, se, sobretudo, o conhecimento desse mundo nos coloca na trilha de uma multidão de problemas, até então, insolúveis? se nos inicia nos mistérios de além-túmulo, que nos interessa um pouco, uma vez que todos, pelo que somos, devemos cedo ou tarde transpor o passo fatal? Mas há uma outra utilidade mais positiva do Espiritismo, que é a influência moral que ele exerce pela própria força das coisas. O Espiritismo é a prova patente da existência da alma, da sua individualidade depois da morte, da sua imortalidade e do seu futuro. É, pois, a destruição do materialismo, não pelo raciocínio, mas pelos fatos.&lt;br /&gt;Não é preciso perguntar ao Espiritismo o que ele pode dar, e nem nele procurar além do seu objetivo providencial. Antes dos progressos sérios da Astronomia, acreditava-se na Astrologia. Seria razoável pretender que a Astronomia de nada serve porque não se pode mais encontrar na influência dos astros o prognóstico do futuro? Da mesma forma que a Astronomia destronou os&lt;br /&gt;astrólogos, o Espiritismo destronou os adivinhos, os feiticeiros e os ledores de sorte. Ele é para a magia o que a Astronomia é para a Astrologia, a Química para a Alquimia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.18. Loucura - Suicídio - Obsessão&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Certas pessoas consideram as idéias espíritas como de natureza a perturbarem as faculdades mentais, e, por esse motivo, acham prudente deter-lhes a divulgação.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Conheceis o provérbio: quando se quer matar um cão, diz-se que ele está raivoso. Não é, pois, de espantar, que os inimigos do Espiritismo procurem se apoiar sobre todos os pretextos; este lhes pareceu apropriado para despertar os temores e as suscetibilidades, tomando-o zelosamente, embora ele caia diante do mais superficial exame. Ouvi, pois, sobre esta loucura, o raciocínio de um louco.&lt;br /&gt;Todas as grandes preocupações do espírito podem ocasionar a loucura; as ciências, as artes, e a própria religião fornecem seus contingentes. A loucura tem por princípio um estado patológico do cérebro, instrumento do pensamento: estando o instrumento danificado, o pensamento é alterado. A loucura, pois, é um efeito consecutivo, cuja causa primeira é uma predisposição orgânica que torna o cérebro mais, ou menos, acessível a certas impressões; isso é tão verdadeiro que tendes as pessoas que pensam demais e não se tornam loucas, enquanto que outras se tornam sob o domínio da menor superexcitação. Havendo uma predisposição à loucura, esta toma o caráter da preocupação principal, que se torna, então, uma idéia fixa. Essa idéia fixa poderá ser a dos Espíritos, naqueles que deles se ocupam, como poderá ser a de Deus, dos anjos, do diabo, da fortuna, do poder, de uma arte, de uma ciência, da maternidade, de um sistema político ou social. É provável que o louco religioso se tornasse um louco espírita, se o Espiritismo tivesse sido sua preocupação dominante. Um jornal disse, é verdade, que em uma única localidade da América, cujo nome não me recordo, contaram-se quatro mil casos de loucura espírita; mas sabe-se que, entre nossos adversários, é uma idéia fixa crerem-se os únicos dotados de razão, e isso é uma mania como as outras. Aos seus olhos nós somos todos dignos de um manicômio e, por conseguinte, os quatro mil espíritas da localidade em questão, deviam ser igualmente loucos. Nesse aspecto, os Estados Unidos têm centenas de milhares deles, e todos os outros países do mundo, um número bem maior. Esse mau gracejo começou a ser usado depois que se viu esta loucura ganhar as classes mais elevadas da sociedade. Fez-se grande alarde de um exemplo conhecido, de Victor Hennequin, esquecendo-se que, antes de se ocupar com o Espiritismo, ele tinha já dado provas de excentricidade das idéias. Se as mesas girantes não tivessem acontecido, o que, segundo um jogo de palavras bem espirituoso de nossos adversários, fizeram lhe girar a cabeça, sua loucura teria tomado outro curso.&lt;br /&gt;Eu digo, pois, que o Espiritismo não tem nenhum privilégio a esse respeito; e vou mais longe: digo que, bem compreendido, é um preservativo contra a loucura e o suicídio.&lt;br /&gt;Entre as causas mais freqüentes de superexcitação cerebral, é preciso contar as decepções, os desgostos, as afeições contrariadas, que são, ao mesmo tempo, as causas mais freqüentes de suicídios. Ora, o verdadeiro espírita vê as coisas deste mundo de um ponto de vista tão elevado, que as tribulações não são para ele senão os incidentes desagradáveis de uma viagem. O que, em outro, produziria uma emoção violenta, o afeta levemente. Ele sabe, aliás, que os sofrimentos da vida são provas que servem para o seu adiantamento, se as suporta sem reclamar, porque será recompensado de acordo com a coragem com a qual as tiver suportado. Suas convicções lhe dão, pois, uma resignação que o preserva do desespero, e, por conseguinte, de uma causa permanente de loucura e de suicídio. Por outro lado, ele sabe, pelo que vê nas comunicações com os Espíritos, da sorte deplorável daqueles que abreviam voluntariamente seus dias, e esse quadro basta para fazê-lo refletir; por isso é considerável o número daqueles que se detiveram sobre essa inclinação funesta. Eis aí um dos resultados do Espiritismo.&lt;br /&gt;Ao número das causas de loucura, é preciso ainda acrescentar o medo, e o medo do diabo desarranjou mais de um cérebro. Sabe-se, acaso, o número de vítimas que se fez amedrontando-se imaginações fracas com esse quadro que se esforça em tornar mais assustador por detalhes hediondos? O diabo, diz-se, não assusta senão as crianças e é um freio para torná-las sábias; sim, como o bicho papão e o lobisomem, e quando elas não têm mais medo, tornam-se piores que antes. E, para esse belo resultado, não se conta o número de epilepsias causadas pela comoção de um cérebro delicado.&lt;br /&gt;É preciso não confundir a loucura patológica com a obsessão. Esta não se origina de nenhuma lesão cerebral, mas da subjugação que Espíritos malfazejos exercem sobre certos indivíduos, e tem por vezes as aparências da loucura propriamente dita. Essa doença, que é muito freqüente e independente de qualquer crença no Espiritismo, existiu em todos os tempos. Nesse caso, a medicação ordinária é ineficaz e mesmo nociva. O Espiritismo, fazendo conhecer esta nova causa de perturbação da saúde, dá ao mesmo tempo o único meio de triunfar sobre ela, agindo não sobre a doença, mas sobre o Espírito obsessor. Ele é o remédio e não a causa do mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.19. Esquecimento do passado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Eu não entendo como o homem pode aproveitar a experiência adquirida em suas existências anteriores, se delas não se lembra, porque, desde o momento em que delas não se recorda, cada existência é para ele como se fosse a primeira e, assim, tem sempre que recomeçar. Suponhamos que, cada dia, ao despertarmos, percamos a memória do que fizemos na véspera, nós não seríamos mais avançados aos setenta anos que aos dez anos; enquanto que lembrando nossas faltas, nossas imperfeições e as punições em que incorremos, diligenciaríamos para não recomeçarmos. Para me servir da comparação que haveis feito do homem sobre a Terra com o aluno do colégio, eu não compreenderia que esse aluno pudesse aproveitar as lições da quarta série se ele não lembrasse do que aprendeu na anterior. (1) Essas soluções de continuidade na vida do Espírito interrompem todas as relações e fazem dele, de alguma sorte, um novo ser; de onde se pode dizer que nossos pensamentos morrem a cada existência, para se renascer sem consciência do que se foi. É uma espécie de nada.&lt;br /&gt;(1) No original: en Cinquième, a criação do curso escolar devia obedecer a uma ordem numérica decrescente. (NOTA DO TRADUTOR.)&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – De questão em questão me conduzireis a vos ministrar um curso completo de Espiritismo. Todas as objeções que fizestes são naturais naquele que nada sabe, ao passo que ele encontra, em um estudo sério, uma solução bem mais explícita que a que eu possa dar numa explicação sumária que, por si mesma, deve provocar, incessantemente, novas questões. Tudo se encadeia no Espiritismo, e quando se segue o conjunto, vê-se que os princípios decorrem uns dos outros, apoiando-se mutuamente. Então, o que parecia uma anomalia contrária à justiça e à sabedoria de Deus, parece muito natural e vem confirmar essa justiça e essa sabedoria.&lt;br /&gt;Tal é o problema do esquecimento do passado que se liga a outras questões de igual importância e que, por isso, não farei mais que aflorar aqui.&lt;br /&gt;Se, a cada existência, um véu é lançado sobre o passado, o Espírito não perde nada daquilo que adquiriu no passado: ele não esquece senão a maneira pela qual adquiriu a experiência. Para me servir da comparação do escolar, eu diria que: pouco importa para ele saber onde, como, e sob a orientação de que professores ele fez o ano anterior se, alcançando a quarta série ele sabe o que se aprende na anterior. Que lhe importa saber quem o castigou pela sua preguiça e sua insubordinação, se esses castigos o tornaram laborioso e dócil? É assim que, em se reencarnando, o homem traz, por intuição e como idéias inatas, o que adquiriu em ciência e moralidade. Eu digo em moralidade porque se, durante uma existência, ele se melhorou, se aproveitou as lições das experiências, quando retornar, será instintivamente melhor; seu Espírito amadurece na escola do sofrimento e, pelo trabalho, terá mais firmeza; longe de dever a tudo recomeçar, ele possui um fundo cada vez mais rico, sobre o qual se apóia para progredir mais.&lt;br /&gt;A segunda parte da vossa objeção, referente ao aniquilamento do pensamento, não está melhor alicerçada, porque esse esquecimento não ocorre senão durante a vida corporal; deixando-a, o Espírito recobra a lembrança do seu passado e pode julgar quanto à sua caminhada e do que lhe resta ainda a realizar, de sorte que não há solução de continuidade na vida espiritual, que é a vida normal do Espírito.&lt;br /&gt;O esquecimento temporário é um benefício da Providência. A experiência, freqüentemente, é adquirida em rudes provas e terríveis expiações, cuja lembrança seria muito penosa e viria aumentar as angústias das tribulações da vida presente. Se os sofrimentos da vida parecem longos, que seriam, pois, se sua duração fosse aumentada com as lembranças dos sofrimentos do passado? Vós, por exemplo, senhor, sois hoje um homem honesto, mas o deveis, talvez, aos rudes castigos que haveis suportado por faltas que, atualmente, repugnariam a vossa consciência; ser-vos-ia agradável lembrar de ter sido enforcado por isso? A vergonha não vos perseguiria imaginando que o mundo sabe do mal que haveis feito? Que importa o que haveis podido fazer, e o que haveis podido suportar para expiar, se agora sois um homem estimável? Aos olhos do mundo sois um homem novo, e aos olhos de Deus um Espírito reabilitado. Livre da lembrança de um passado importuno, agireis com mais liberdade; é para vós um novo ponto de partida; vossas dívidas anteriores estão pagas, cabendo-vos não contrair novas dívidas.&lt;br /&gt;Assim, quantos homens gostariam de poder, durante a vida, lançar um véu sobre seus primeiros anos! Quantos disseram, ao fim de sua caminhada: "Se devesse recomeçar, eu não faria o que fiz"! Pois bem!, o que eles não podem refazer nesta vida, refarão em outra; em uma nova existência seu Espírito trará, no estado de intuição, as boas resoluções que eles terão tomado. É assim que se cumpre, gradualmente, o progresso da Humanidade.&lt;br /&gt;Suponhamos, ainda, – o que é um caso muito comum – que em vossas relações, em vosso lar mesmo, se encontre um ser do qual tendes muitas queixas, que talvez vos arruinou ou desonrou em uma outra existência e que, Espírito arrependido, vem se encarnar em vosso meio, unir-se a vós pelos laços de família, para reparar o mal que vos fez pelo seu devotamento e sua afeição: ambos não estaríeis na mais falsa posição se, todos os dois, vos lembrásseis de vossas inimizades? Ao invés de se apaziguarem, os ódios se eternizariam.&lt;br /&gt;Concluí com isso que a lembrança do passado perturbaria as relações sociais e seria um entrave ao progresso. Quereis disso uma prova atual? Que um homem condenado às galeras tome a firme resolução de se tornar honesto; que ocorrerá em sua saída? Será repelido pela sociedade e essa repulsa, quase sempre o recoloca no vício. Suponhamos, ao contrário, que todo o mundo ignore seus antecedentes: ele será bem acolhido; se ele próprio pudesse esquecê-los, não seria por isso menos honesto e poderia andar de cabeça erguida ao invés de curvá-la sob a vergonha da recordação.&lt;br /&gt;Isso concorda perfeitamente com a doutrina dos Espíritos sobre os mundos superiores ao nosso. Nesses mundos, onde não reina senão o bem, a lembrança do passado nada tem de penosa; eis porque aí lembram-se de sua existência precedente como nos lembramos do que fizemos na véspera. Quanto à sua estada em mundos inferiores, ela não é mais que um sonho mau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.20. Elementos de convicção&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Eu convenho, senhor, que, do ponto de vista filosófico, a Doutrina Espírita é perfeitamente racional. Mas, resta sempre a questão das manifestações que não pode ser resolvida senão pelos fatos; ora, é a realidade desses fatos que muitas pessoas contestam e não deveis achar espantoso o desejo que se exprime de testemunhá-los.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Acho isso muito natural; somente, como procuro que sejam proveitosos, explico em que condições convém se colocar para melhor observá-los e, sobretudo, para compreendê-los. Ora, aquele que não quer se colocar nessas condições é porque não tem desejo sério de se esclarecer e, então, é inútil perder-se tempo com ele.&lt;br /&gt;Compreendereis também, senhor, que seria estranho que uma filosofia racional tivesse saído de fatos ilusórios e controvertidos. Em boa lógica, a realidade do efeito implica na realidade da causa; se um é verdadeiro, o outro não pode ser falso, porque onde não houvesse árvore não se recolheriam frutos.&lt;br /&gt;Todo o mundo, é verdade, não pôde constatar os fatos, porque todo o mundo não se colocou nas condições desejadas para os observar e, para isso, não se armou da paciência e perseverança necessárias. Mas, ocorre aqui como em todas as ciências: o que uns não fazem, outros o fazem: todos os dias, aceita-se o resultado de cálculos astronômicos sem os ter feito. Qualquer que ela seja, se achais uma filosofia boa, podereis aceitá-la como aceitaríeis uma outra, reservando, porém, vossa opinião sobre os caminhos e meios que a ela conduziram, ou, pelos menos, não admitindo-a senão como hipótese até mais ampla constatação.&lt;br /&gt;Os elementos de convicção não são os mesmos para todo o mundo; o que convence a alguns, não causa nenhuma impressão sobre outros: por isso é preciso um pouco de tudo. Mas, é um erro crer-se que as experiências físicas sejam o único meio de convencer. Vi pessoas que os fenômenos mais notáveis não puderam sacudir e para as quais uma simples resposta escrita triunfou. Quando se vê um fato que não se compreende, quanto mais ele é extraordinário, mais parece suspeito, e o pensamento nele procura sempre uma causa vulgar. Se se o compreende, mais facilmente é admitido porque tem uma razão de ser: o maravilhoso e o sobrenatural desaparecem. Certamente, as explicações que vos acabo de dar nesta entrevista estão longe de serem completas; mas, por mais sumárias que sejam, estou persuadido de que vos levarão a refletir e, se as circunstâncias vos testemunharem quaisquer fatos de manifestações, os vereis com menos prevenção, porque podereis raciocinar com base.&lt;br /&gt;Há duas coisas no Espiritismo: a parte experimental das manifestações e a doutrina filosófica. Ora, todos os dias sou visitado por pessoas que nada viram e crêem tão firmemente como eu apenas pelo estudo que fizeram da parte filosófica; para elas o fenômeno das manifestações é acessório e o fundo é a doutrina, a ciência. Elas a vêem grande, tão racional, que nela encontram tudo o que pode satisfazer suas aspirações íntimas, sem o fato das manifestações, de onde concluem que, supondo-se que as manifestações não existissem, a doutrina não seria menos aquela que resolve melhor uma multidão de problemas reputados insolúveis. Quantos não disseram que essas idéias tinham germinado no seu cérebro, mas que elas aí estavam confusas! O Espiritismo veio formulá-las, dar-lhes um corpo, e foi para eles como um rasgo de luz. Isso explica o número de adeptos que apenas a leitura de O Livro dos Espíritos fez. Acreditais que ela estaria assim se não tivesse passado das mesas girantes e falantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Tendes razão em dizer, senhor, que das mesas girantes saiu uma doutrina filosófica; e eu estava longe de supor as conseqüências que poderiam surgir de uma coisa que se olhava como simples objeto de curiosidade. Vejo agora quanto é vasto o campo aberto pelo vosso sistema.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Aqui eu vos detenho, senhor; me fazeis muita honra atribuindo-me esse sistema, porque não me pertence. Ele foi inteiramente deduzido do ensinamento dos Espíritos. Eu vi, observei, coordenei, e procuro fazer os outros compreenderem o que eu próprio compreendo; eis toda a parte que nele me cabe. Há entre o Espiritismo e os outros sistemas filosóficos esta diferença capital: os últimos são obra de homens mais ou menos esclarecidos, enquanto que naquele que vós me atribuís não tenho o mérito de invenção de um único princípio. Diz-se: a filosofia de Platão, de Descartes, de Leibnitz; não se dirá: a doutrina de Allan Kardec, e isso é bom, pois que importância teria um nome em uma tão grave questão? O Espiritismo tem auxiliares bem mais preponderantes, perto dos quais não somos senão átomos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.21. Sociedade Espírita de Paris&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sociedade para a continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec - Rua de Lille, 7&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Tendes uma sociedade que se ocupa desses estudos; ser-me-ia possível fazer parte dela?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Seguramente não, para o momento. Se para ser recebido não é necessário ser doutor em Espiritismo, é preciso, ao menos, ter sobre esse assunto idéias mais sólidas que as vossas. Como ela não quer ser perturbada em seus estudos, não pode admitir aqueles que lhe viriam fazer perder seu tempo com questões elementares, nem aqueles que, não simpatizando com seus princípios e suas convicções, nela lançariam a desordem com discussões intempestivas ou um espírito de contradição. É uma sociedade científica, como tantas outras, que se ocupa em aprofundar os diferentes princípios da ciência espírita, e que busca se esclarecer. É o centro para onde convergem as informações de todas as partes do mundo, e onde se elaboram e se coordenam as questões relacionadas com o progresso da ciência; mas não é uma escola, nem um curso de ensinamentos elementares. Mais tarde, quando vossas convicções estiverem formadas pelo estudo, ela verá se poderá vos admitir. Até lá, podereis assistir, quando muito, a uma ou duas sessões como ouvinte, com a condição de nela não fazer nenhuma reflexão de natureza a magoar ninguém, sem o que, eu, que aí vos terei introduzido, me exporei à censura da parte dos meus colegas, e a porta da sociedade lhe será fechada para sempre. Vereis aí uma reunião de homens graves e de boa companhia, cuja maioria se recomenda pela superioridade do seu saber e sua posição social, e que não permitiria que aqueles que ela quer admitir se afastem, no que quer que seja, das conveniências; porque não creiais que ela convida o público e que chama a qualquer um para as suas sessões. Como não faz demonstrações, tendo em vista satisfazer a curiosidade, ela afasta com cuidado os curiosos. Portanto, aqueles que crêem aí encontrar uma distração, e uma espécie de espetáculo, ficariam desapontados e melhor fariam se a ela não se apresentassem. Eis porque ela recusa admitir, mesmo como simples ouvintes, aqueles que lhes são desconhecidos, ou cujas disposições hostis são notórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.22. Interdição ao Espiritismo&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;VISITANTE – Eu vos peço uma última questão. O Espiritismo tem inimigos poderosos; eles não poderiam interditar-lhe a atividade e as sociedades, e por esse meio deter a sua propagação?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Isso seria um meio de perder a disputa um pouco mais depressa, porque a violência é o argumento daqueles que nada de bom têm a dizer. Se o Espiritismo é uma quimera, ele cairá por si mesmo, sem que se dê a esse trabalho; se o perseguem é porque o temem, e não se teme senão aquilo que é sério. Se é uma realidade, ele está, como eu o disse, na Natureza, e não se revoga uma lei da Natureza com uma penada.&lt;br /&gt;Se as manifestações espíritas fossem o privilégio de um homem, ninguém duvida que colocando esse homem de lado, põe-se fim às manifestações. Infelizmente para os adversários, elas não são um mistério para ninguém; nada há de secreto, nada de oculto, tudo se passa em pleno dia; elas estão à disposição de todo o mundo, e a usam desde o palácio à mansarda. Pode-se interditar-lhe o exercício público; mas sabe-se precisamente que não é em público que elas se produzem melhor, mas na intimidade. Ora, cada um podendo ser médium, quem pode impedir uma família em seu lar, um indivíduo no silêncio do gabinete, o prisioneiro sob os ferrolhos, de ter comunicações com os Espíritos, com o desconhecimento e mesmo sob as barbas dos esbirros? Todavia, admitamos que um governante fosse bastante forte para impedi-los, impediria seus vizinhos, o mundo inteiro, uma vez que não há um só país, nos dois continentes, onde não haja médiuns?&lt;br /&gt;O Espiritismo, aliás, não tem sua origem entre os homens, pois é obra dos Espíritos, aos quais não se os pode nem queimar, nem prender. Ele repousa na crença individual e não nas sociedades, que de nenhum modo são necessárias.&lt;br /&gt;Se viessem a destruir todos os livros espíritas, os Espíritos os ditariam de novo.&lt;br /&gt;Em resumo, o Espiritismo é hoje um fato consumado; ele conquistou seu lugar na opinião pública e entre as doutrinas filosóficas. É preciso, pois, que aqueles aos quais não convém, disponham-se a vê-lo ao seu lado, ficando perfeitamente livres para não aceitá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1.23. Terceiro Diálogo - O Padre&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ABADE – Permiti-me, senhor, dirigir-vos, a meu turno, algumas questões?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – De bom grado, senhor, mas, antes de responder-vos, creio ser útil fazer-vos conhecer o terreno sobre o qual tenciono me colocar convosco.&lt;br /&gt;Primeiramente, devo declarar-vos que não procurarei, de nenhum modo, converter-vos à nossas idéias. Se desejais conhecê-las detalhadamente, as encontrareis nos livros onde elas estão expostas. Lá podereis estudá-las com vagar e estareis livre para aceitá-las ou rejeitá-las.&lt;br /&gt;O Espiritismo tem por objetivo combater a incredulidade e suas funestas conseqüências, dando provas patentes da existência da alma e da vida futura. Ele se dirige, pois, àqueles que não crêem em nada, ou que duvidam, e o número deles é grande, como o sabeis. Aqueles que têm um fé religiosa, e aos quais essa fé basta, dele não têm necessidade; àquele que diz: "eu creio na autoridade da Igreja, e me atenho ao que ela ensina, sem nada procurar além dela", o Espiritismo responde que ele não se impõe a ninguém e não vem forçar nenhuma convicção.&lt;br /&gt;A liberdade de consciência é uma conseqüência da liberdade de pensar, que é um dos atributos do homem; o Espiritismo estaria em contradição com seus princípios de caridade e de tolerância, se ele não a respeitasse. Aos seus olhos, toda crença, quando sincera e não conduz o seu próximo ao erro, é respeitável, mesmo que ela fosse errônea. Se alguém tiver sua consciência empenhada em crer, por exemplo, que é o Sol que gira, nós lhe diremos: crede se isso vos satisfaz, porque não impedirá a Terra de girar; mas, da mesma forma que não procuramos violentar vossa consciência, não procurai violentar a dos outros. Se de uma crença, inocente em si mesma, fazeis um instrumento de perseguição, ela torna-se nociva e pode ser combatida.&lt;br /&gt;Tal é, senhor abade, a linha de conduta que tive com os ministros de diversos cultos que a mim se dirigiram. Quando me questionaram sobre alguns pontos da doutrina, lhes dei as explicações necessárias, abstendo-me de discutir certos dogmas com os quais o Espiritismo não tem preocupações, cada um estando livre em sua apreciação; mas jamais fui procurá-los no desejo de abalar sua fé mediante uma pressão qualquer. Aquele que vem a nós como um irmão, como tal o acolhemos; aquele que nos recusa, nós o deixamos em paz. É o conselho que não cesso de dar aos espíritas, porque nunca aprovei aqueles que se atribuem a missão de converter o clero. Sempre lhes disse: semeai no campo dos incrédulos, porque lá está uma ampla colheita a fazer.&lt;br /&gt;O Espiritismo não se impõe porque, como eu o disse, ele respeita a liberdade de consciência e sabe que toda crença imposta é superficial e não dá senão as aparências da fé, mas não a fé sincera. Ele expõe seus princípios aos olhos de todos, de maneira a que cada um possa formar sua opinião com conhecimento de causa. Aqueles que o aceitam, padres ou laicos, o fazem livremente e porque os acham racionais; mas não nos zangamos de nenhum modo com aqueles que não são da nossa opinião. Se hoje há luta entre a Igreja e o Espiritismo, temos a consciência tranqüila de não tê-la provocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Se a Igreja, vendo surgir uma nova doutrina, nela encontra princípios que, no seu entender, crê dever condenar, contestai-lhe o direito de discuti-los e de combatê-los, de precaver seus fiéis contra aquilo que ela considera um erro?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – De forma alguma contestamos um direito que reclamamos para nós mesmos. Se ela tivesse se contido nos limites da discussão, nada de melhor; mas, lede a maioria dos escritos emanados dos seus membros ou publicados em nome da religião, os sermões que pregaram e aí vereis a injúria e a calúnia extravasar de todas as partes, e os princípios da doutrina sempre indigna e maldosamente deturpados. Não se tem ouvido, do alto do púlpito, seus partidários serem qualificados de inimigos da sociedade e da ordem pública? aqueles que ela reconduziu para a fé, anatematizados e rejeitados pela Igreja, pela razão que ela entende melhor ser incrédulo que crer em Deus e na alma através do Espiritismo? não se afligiram por não haver para os espíritas as fogueiras da Inquisição? Em certas localidades, não os apontaram à repreensão dos seus concidadãos, chegando a fazê-los perseguir e injuriar nas ruas? Não se impôs, a todos os fiéis, fugirem deles como de pestilentos, desviando os serviçais de entrarem ao seu serviço? As mulheres não foram solicitadas a separarem-se de seus maridos, e os maridos de suas mulheres, por causa do Espiritismo? Não se fez perder seus lugares nos empregos, retirando aos operários o pão do trabalho e aos necessitados o pão da caridade porque eram espíritas? Não foram despedidos de certos asilos até os cegos, porque não quiseram abjurar sua crença? Dizei-me, senhor abade, está aí a discussão real? Os espíritas opuseram a injúria pela injúria, o mal pelo mal? Não. A tudo opuseram a calma e a moderação. A consciência pública já lhes rendeu a justiça de que eles não foram os agressores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Todo homem sensato deplora esses excessos; mas a Igreja não poderia ser responsável pelo abuso cometido por alguns de seus membros pouco esclarecidos.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Concordo com isso; mas esses membros pouco esclarecidos são os príncipes da Igreja? Vede a pastoral do bispo de Argel e de alguns outros. Não foi um bispo que ordenou o auto-de-fé de Barcelona? A superior autoridade eclesiástica não tem todo o poder sobre os seus subordinados? Se, pois, ela tolera sermões indignos no púlpito evangélico, se favorece a publicação de escritos injuriosos e difamatórios contra uma classe de cidadãos, se não se opõe às perseguições exercidas em nome da religião, é porque ela os aprova.&lt;br /&gt;Em resumo, a Igreja, repelindo sistematicamente os espíritas que voltavam para ela, forçou-os a retrocederem; pela natureza e violência de seus ataques, ela alargou a discussão e a conduziu para um terreno novo. O Espiritismo não era senão uma simples doutrina filosófica e foi ela mesma que o engrandeceu apresentando-o como um inimigo terrível; enfim, foi ela que o proclamou como uma nova religião. Foi uma imperícia, mas a paixão não raciocina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LIVRE PENSADOR – Tendes proclamado, a toda hora, a liberdade de pensamento e de consciência, e declarado que toda crença sincera é respeitável. O materialismo é uma crença como qualquer outra; por que não gozaria ele da liberdade que concedeis a todas as outras?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Cada um é, seguramente, livre para crer no que lhe agrada, ou para não crer em nada, e não desculparíamos mais uma perseguição contra aquele que crê no nada depois da morte, que contra um cismático de uma religião qualquer. Combatendo o materialismo, nós atacamos, não os indivíduos, mas uma doutrina que, se é inofensiva para a sociedade quando se encerra no foro íntimo da consciência de pessoas esclarecidas, é uma calamidade social, se ela se generaliza.&lt;br /&gt;A crença de que tudo termina para o homem depois da morte, que toda solidariedade cessa com a vida, o conduz a considerar o sacrifício do bem-estar presente em proveito de outro como uma intrujice; daí a máxima: cada um por si durante a vida, uma vez que nada há além dela. A caridade, a fraternidade, a moral, em uma palavra, não têm nenhuma base, nenhuma razão de ser. Por que se mortificar, se reprimir, se privar hoje quando, amanhã talvez, não existiremos mais? A negação do futuro, a simples dúvida sobre a vida futura, são os maiores estimulantes do egoísmo, fonte da maioria dos males da Humanidade. É preciso uma virtude bem grande para se deter sobre a inclinação do vício e do crime, sem outro freio além da força da vontade. O respeito humano pode conter o homem do mundo, mas não aquele para o qual o temor da opinião pública é nulo.&lt;br /&gt;A crença na vida futura, mostrando a perpetuidade das relações entre os homens, estabelece entre eles uma solidariedade que não termina no túmulo; ela muda, assim, o curso das idéias. Se essa crença fosse apenas um espantalho, seria temporária; mas como sua realidade é um fato adquirido pela experiência, ela está no dever de a propagar e de combater a crença contrária, no interesse mesmo da ordem social. É isso o que faz o Espiritismo, e com sucesso, porque dá as provas, e porque, em definitivo, o homem prefere ter a certeza de viver feliz em um mundo melhor, como compensação às misérias deste mundo, do que crer estar morto para sempre. O pensamento de se ver aniquilado para sempre, de crer os filhos e os seres que nos são caros, perdidos sem retorno, sorri a um bem pequeno número, crede-me; por isso os ataques dirigidos contra o Espiritismo em nome da incredulidade têm tão pouco sucesso, e não o abalaram um instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – A religião ensina tudo isso e bastou até o momento; qual é, pois, a necessidade de uma nova doutrina?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Se a religião basta, por que há tantos incrédulos, religiosamente falando? A religião nos ensina, é verdade, e nos diz para crer; mas há muitas pessoas que não crêem apenas em palavras. O Espiritismo prova, e faz ver o que a religião ensina por teoria. Aliás, de onde vêm essas provas? Da manifestação dos Espíritos. Ora, é provável que os Espíritos não se manifestem senão com a permissão de Deus; se, pois, Deus, em sua misericórdia, envia aos homens esse socorro para tirá-los da incredulidade, é uma impiedade recusá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Não discordais, entretanto, que o Espiritismo não está, sobre todos os pontos, de acordo com a religião.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Meu Deus, senhor abade, todas as religiões dirão a mesma coisa: os protestantes, os judeus, os muçulmanos, assim como os católicos.&lt;br /&gt;Se o Espiritismo negasse a existência de Deus, da alma, da sua individualidade e da imortalidade, das penas e das recompensas futuras, do livre arbítrio do homem; se ele ensinasse que cada um, neste mundo, não está senão para si e não deve pensar senão em si, ele seria não somente contrário à religião católica, mas a todas as religiões do mundo; isso seria a negação de todas as leis morais, bases das sociedades humanas. Longe disso, os Espíritos proclamam um Deus único, soberanamente justo e bom; eles dizem que o homem é livre e responsável por seus atos, recompensado e punido segundo o bem ou o mal que fez; eles colocam acima de todas as virtudes a caridade evangélica e esta regra sublime ensinada pelo Cristo: agir para com os outros como gostaríamos que os outros agissem para conosco. Não estão aí os fundamentos da religião? Eles fazem mais: nos iniciam nos mistérios da vida futura, que para nós não é mais uma abstração, mas uma realidade, porque são aqueles mesmos que conhecemos que vêm nos descrever suas situações, nos dizer como e porque eles sofrem ou são felizes. Que há nisso de anti-religioso? Essa certeza do futuro, de reencontro com aqueles que amamos, não é uma consolação? Essa grandiosidade da vida espiritual que é nossa essência, comparada às mesquinhas preocupações da vida terrestre, não é própria para elevar nossa alma e a nos encorajar ao bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Eu concordo que para as questões gerais, o Espiritismo está conforme as grandes verdades do Cristianismo; mas ocorre o mesmo do ponto de vista dos dogmas? Ele não contradiz certos princípios que a Igreja nos ensina?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – O Espiritismo é, antes de tudo, uma ciência e não se ocupa com questões dogmáticas. Essa ciência tem conseqüências morais como todas as ciências filosóficas; são essas conseqüências boas ou más? Pode-se julgá-las pelos princípios gerais que acabo de lembrar. Algumas pessoas estão equivocadas sobre o verdadeiro caráter do Espiritismo. A questão é bastante grave e merece algum desenvolvimento.&lt;br /&gt;Citemos primeiro uma comparação: a eletricidade, estando na Natureza, existiu de todos os tempos e de todos os tempos também produziu os efeitos que nós conhecemos e muitos outros efeitos que não conhecemos ainda. Os homens, na ignorância da causa verdadeira, explicaram esses efeitos de uma maneira mais ou menos bizarra. A descoberta da eletricidade e das suas propriedades veio desmoronar uma multidão de teorias absurdas, lançando luz sobre mais de um mistério da Natureza. O que a eletricidade e as ciências físicas em geral fizeram por certos fenômenos, o Espiritismo fez por fenômenos de uma outra ordem.&lt;br /&gt;O Espiritismo está fundado sobre a existência de um mundo invisível, formado de seres incorpóreos que povoam o espaço, e que não são outros senão as almas daqueles que viveram sobre a Terra, ou em outros globos, onde deixaram seu envoltório material. São a esses seres que damos o nome de Espíritos. Eles nos rodeiam permanentemente, exercendo sobre os homens, com o seu desconhecimento, uma grande influência; eles desempenham um papel muito ativo no mundo moral, e, até um certo ponto, no mundo físico. O Espiritismo, pois, está na Natureza e pode-se dizer que, em uma certa ordem de idéias, é uma potência, como a eletricidade o é em outro ponto de vista, como a gravitação o é em outro. Os fenômenos, dos quais o mundo invisível é a fonte, são efeitos produzidos em todos os tempos; eis porque a história de todos os povos deles faz menção. Somente que, em sua ignorância, como para a eletricidade, os homens atribuíram esses fenômenos a causas mais ou menos racionais, e deram a esse respeito livre curso à imaginação.&lt;br /&gt;O Espiritismo, melhor observado depois que se vulgarizou, veio lançar luz sobre uma multidão de questões até aqui insolúveis ou mal compreendidas. Seu verdadeiro caráter, pois, é o de uma ciência, e não de uma religião; e a prova disso é que conta entre seus adeptos homens de todas as crenças, que não renunciaram por isso às suas convicções: católicos fervorosos que não praticam menos todos os deveres de seu culto, quando não são repelidos pela Igreja, protestantes de todas as seitas, israelitas, muçulmanos, e até budistas e brâmanes. Ele repousa, pois, sobre princípios independentes de toda questão dogmática. Suas conseqüências morais estão no sentido do Cristianismo, porque o Cristianismo é, de todas as doutrinas, a mais esclarecida e a mais pura, e é por essa razão que, de todas as seitas religiosas do mundo, os cristãos estão mais aptos a compreendê-lo em sua verdadeira essência. Pode-se, por isso, fazer-lhe uma censura? Cada um, sem dúvida, pode fazer uma religião de suas opiniões, interpretar à vontade as religiões conhecidas, mas daí à constituição de uma nova Igreja, há distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Não fazeis, entretanto, as evocações depois de uma fórmula religiosa?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Seguramente colocamos um sentimento de religiosidade nas evocações e nas nossas reuniões, mas não há fórmula sacramental; para os Espíritos o pensamento é tudo e a forma nada. Nós os chamamos em nome de Deus porque cremos em Deus, e sabemos que nada se faz neste mundo sem sua permissão, e que se Deus não lhes permitir vir, eles não virão. Procedemos em nossos trabalhos com calma e recolhimento, porque é uma condição necessária para as observações, e, em segundo lugar, porque conhecemos o respeito que se deve àqueles que não vivem mais sobre a Terra, qualquer que seja sua condição, feliz ou infeliz, no mundo dos Espíritos. Fazemos um apelo aos bons Espíritos porque, sabendo que há bons e maus, resulta que estes últimos não vêem se misturar fraudulentamente nas comunicações que recebemos. O que tudo isso prova? Que nós não somos ateus, mas isso não implica, de nenhum modo, que sejamos religiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Pois bem! que dizem os Espíritos superiores com respeito à religião? Os bons devem nos aconselhar, nos guiar. Suponho que eu não tenha nenhuma religião e queira uma. Se eu lhes perguntar: me aconselhais que me torne católico, protestante, anglicano, quaker, judeu, maometano ou mórmon, que responderão eles?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Há dois pontos a considerar nas religiões: os princípios gerais, comuns a todos, e os princípios particulares a cada uma. Os primeiros são aqueles de que falamos a toda hora, e que todos os Espíritos proclamam qualquer que seja sua posição. Quanto aos segundos, os Espíritos vulgares, sem serem maus, podem ter preferências e opiniões; eles podem preconizar tal ou tal forma. Eles podem, pois, encorajar em certas práticas, seja por convicção pessoal, seja porque conservam as idéias da vida terrestre, seja por prudência, para não assustar consciências tímidas. Credes, por exemplo, que um Espírito esclarecido, fosse mesmo Fénelon, dirigindo-se a um muçulmano, irá desastradamente dizer-lhe que Maomé era um impostor, e que estará perdido se não se tornar cristão? Ele se guardará disso, porque será repelido.&lt;br /&gt;Os Espíritos superiores, e quando não são solicitados por nenhuma consideração especial, não se preocupam com questões de detalhes. Eles se limitam a dizer: "Deus é bom e justo; ele não quer senão o bem; a melhor de todas as religiões, pois, é aquela que não ensina senão conforme a bondade e a justiça de Deus; que dá de Deus uma idéia mais ampla, mais sublime, e não o rebaixa emprestando-lhe a pequenez e as paixões da Humanidade; que torna os homens bons e virtuosos e lhes ensina a se amarem todos como irmãos; que condena todo mal feito ao próximo; que não autoriza a injustiça sob qualquer forma ou pretexto que seja; que não prescreve nada de contrário às leis imutáveis da Natureza, porque Deus não pode se contradizer; aquela cujos ministros dão o melhor exemplo de bondade, de caridade e de moralidade; aquela que tende a combater melhor o egoísmo e a lisonjear menos o orgulho e a vaidade dos homens; aquela, enfim, em nome da qual se comete menos mal, porque uma boa religião não pode ser o pretexto de um mal qualquer; ela não deve lhe deixar nenhuma porta aberta, nem diretamente, nem pela interpretação.&lt;br /&gt;Vede, julgai e escolhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Suponho que certos pontos da doutrina católica sejam contestados pelos Espíritos, que considerais como superiores. Suponho mesmo que esses pontos sejam errados; aquele para quem eles são artigos de fé, errados ou certos, que os pratica em conseqüência, pode essa crença, segundo esses mesmos Espíritos, ser prejudicial à sua salvação?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Seguramente não, se essa crença não o afasta da prática do bem, se, ao contrário, ela o incita a isso; enquanto que, a crença mais bem fundada, o prejudicará, evidentemente, se ela lhe é ocasião para a prática do mal, de falta de caridade para com seu próximo, se o torna duro e egoísta, porque, então, ele não age conforme a lei de Deus, e Deus considera o pensamento antes dos atos. Quem ousaria sustentar o contrário?&lt;br /&gt;Pensais, por exemplo, que um homem que cresse perfeitamente em Deus, e que, em nome de Deus, cometesse atos desumanos ou contrários à caridade, sua fé lhe seja muito proveitosa? Não é tanto mais culpado quanto maiores os meios de esclarecimentos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Assim, o católico fervoroso que cumpre escrupulosamente os deveres do seu culto não é censurado pelos Espíritos?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Não, se é para ele uma questão de consciência, se o faz com sinceridade; sim, mil vezes sim, se é por hipocrisia, e se não há nele senão uma piedade aparente.&lt;br /&gt;Os Espíritos superiores, aqueles que têm por missão o progresso da Humanidade, se erguem contra todos os abusos que podem retardar esse progresso, qualquer que seja a sua natureza, e quaisquer que sejam os indivíduos ou as classes sociais que deles se aproveitam. Ora, não negareis que a religião disso não esteve sempre isenta; se, entre seus ministros, há os que cumprem sua missão com um devotamento todo cristão, que a fazem grande, bela e respeitável, concordareis que nem todos cumpriram sempre a santidade do seu ministério. Os Espíritos eliminam o mal por toda parte onde ele se encontre; assinalar os abusos da religião é atacá-la? Ela não tem maiores inimigos que aqueles que os defendem, porque são esses abusos que fazem nascer o pensamento de que alguma coisa de melhor pode substituí-la. Se a religião corresse um perigo qualquer, seria necessário atribuí-lo àqueles que dela dão uma falsa idéia, transformando-a numa arena das paixões humanas, e que a exploram em proveito da sua ambição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Dizeis que o Espiritismo não discute os dogmas, e, todavia, admite certos pontos combatidos pela Igreja, tais como, por exemplo, a reencarnação, a presença do homem sobre a Terra antes de Adão; ele nega a eternidade das penas, a existência dos demônios, o purgatório, o fogo do inferno.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Esses pontos foram discutidos durante muito tempo, e não foi o Espiritismo que os questionou; são opiniões das quais algumas mesmo são contestadas pela teologia e que o futuro julgará. Um grande princípio os domina a todos: a prática do bem, que é a lei superior, a condição sine qua non do nosso futuro, como nos prova o estado dos Espíritos que se comunicam conosco. A espera de que a luz seja feita para vós sobre essas questões, crede, se quiserdes, nas chamas e nas torturas materiais, se isso pode vos impedir de fazer o mal: isso não as tornará mais reais se não existem. Acreditai que temos uma só existência corporal, se vos agrada: isso não impedirá de renascer aqui ou alhures, se assim deve ser, malgrado vós. Acreditai que o mundo foi criado, em todas as suas partes, em seis vezes vinte e quatro horas, se é essa vossa opinião: isso não impedirá a Terra de trazer escrito em suas camadas geológicas a prova contrária. Se quiserdes, acreditai que Josué deteve o sol: isso não impedirá a Terra de girar. Acreditai que o homem não está sobre a Terra senão há seis mil anos: isso não impedirá aos fatos de mostrarem sua impossibilidade. E que direis se, um belo dia, essa inexorável geologia venha demonstrar por marcas patentes a anterioridade do homem, como demonstrou tantas outras coisas? Acreditai, pois, em tudo o que quereis, mesmo no diabo, se essa crença pode vos tornar bom, humano e caridoso para com os vossos semelhantes. O Espiritismo, como doutrina moral, não impõe senão uma coisa: a necessidade da prática do bem e de não fazer o mal. É uma ciência de observação que, repito-o, tem conseqüências morais, e essas conseqüências são a confirmação e a prova dos grandes princípios da religião; quanto às questões secundárias, ele as deixa à consciência de cada um.&lt;br /&gt;Anotai bem, senhor, que alguns dos pontos divergentes, dos quais acabais de falar, o Espiritismo não os contesta, em princípio. Se tivésseis lido tudo o que escrevi sobre esse assunto, teríeis visto que ele se limita a lhes dar uma explicação mais lógica e mais racional que aquela que lhes dão vulgarmente.&lt;br /&gt;É assim, por exemplo, que ele não nega o purgatório, mas lhe demonstra, ao contrário, a necessidade e a justiça, indo mais além ao defini-lo. O inferno foi descrito como uma imensa fornalha; mas é assim que o entende a alta teologia? Evidentemente não; ela diz muito bem que é uma figura e que o fogo no qual se queima é um fogo moral, símbolo das dores maiores. Quanto à eternidade das penas, se fosse possível pôr a questão em votação para conhecer a opinião íntima de todos os homens em estado de raciocinar ou de compreender, mesmo entre os mais religiosos, ver-se-ia de que lado está a maioria, porque a idéia de uma eternidade de suplícios é a negação da infinita misericórdia de Deus.&lt;br /&gt;Eis, de resto, o que diz a Doutrina Espírita a esse respeito:&lt;br /&gt;A duração do castigo está subordinada ao aprimoramento do Espírito culpado. Nenhuma condenação por tempo determinado é pronunciada contra ele. O que Deus exige para pôr termo ao sofrimento, é o arrependimento, a expiação e a reparação, em uma palavra, um aprimoramento sério, efetivo, e um retorno sincero ao bem. O Espírito tem, assim, o arbítrio de sua própria sorte; ele pode prolongar seus sofrimentos pela sua obstinação no mal, abrandá-los ou abreviá-los pelos seus esforços em fazer o bem.&lt;br /&gt;A duração do castigo estando subordinada ao arrependimento, disso resulta que o Espírito culpado que não se arrependesse e não se melhorasse jamais, sofreria sempre, e que, para ele, a pena seria eterna. A eternidade das penas, pois, deve-se entender no sentido relativo e não no sentido absoluto.&lt;br /&gt;Uma condição inerente à inferioridade dos Espíritos é de, não podendo ver o termo da sua situação, crer que sofrerão sempre; é para eles um castigo. Mas, desde que sua alma se abra ao arrependimento, Deus lhes faz entrever um raio de esperança.&lt;br /&gt;Esta doutrina, evidentemente, está mais conforme a justiça de Deus, que pune enquanto se persiste no mal e perdoa quando se entra no bom caminho. Quem a imaginou? Nós? Não; são os Espíritos que a ensinam e a provam pelos exemplos que colocam diariamente sob nossos olhos.&lt;br /&gt;Os Espíritos não negam, pois, as penas futuras, uma vez que descrevem seus próprios sofrimentos; e esse quadro nos toca mais que os das chamas perpétuas, porque tudo nele é perfeitamente lógico. Compreende-se que isso é impossível, que deve sê-lo assim, que essa situação é uma conseqüência toda natural das coisas; pode ser aceita pelo pensador filósofo, porque nada nisso repugna a razão. Eis porque as crenças espíritas conduziram ao bem uma multidão de pessoas, mesmo materialistas, que o medo do inferno, tal como nos é pintado, não tinha podido deter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Admitindo vosso raciocínio, pensais que falta ao vulgo imagens mais apavorantes do que uma filosofia que ele não pode compreender?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Está aí um erro que fez mais de um materialista ou, pelo menos, desviou mais de um homem da religião. Chega um momento em que essas imagens não assustam mais e, então, as pessoas que não se aprofundam, rejeitando uma parte, rejeitam o todo, porque dizem: se me ensinaram como uma verdade incontestável um princípio que é falso, se me deram uma imagem, uma figura pela realidade, quem me diz que o resto é mais verdadeiro? Se, ao contrário, a razão, num crescente, não repele nada, a fé se fortifica. A religião ganhará sempre seguindo o progresso das idéias; se nunca ela devesse periclitar, seria porque os homens não teriam avançado e ela permanecido estacionária. É equivocar-se com a época crer que se pode, hoje, conduzir os homens pelo temor do demônio e das torturas eternas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – A Igreja, com efeito, reconhece hoje que o inferno material é uma figura; mas isso não exclui a existência dos demônios; sem eles, como explicar a influência do mal que não pode vir de Deus?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – O Espiritismo não admite os demônios no sentido vulgar da palavra, mas admite os maus Espíritos que não valem melhor e que fazem igualmente o mal, suscitando maus pensamentos; somente ele diz que esses não são seres à parte, criados para o mal e perpetuamente devotados ao mal, espécie de párias da criação e carrascos do gênero humano; são seres atrasados, ainda imperfeitos, mas aos quais Deus reserva o futuro. Isso está de acordo com a Igreja Católica grega que admite a conversão de Satã, alusão ao melhoramento dos maus Espíritos. Anotai ainda que a palavra demônio não implica a idéia de maus Espíritos senão pela acepção moderna que lhe foi dada, porque a palavra grega daímôn significa gênio, inteligência. Ora, admitir a comunicação dos maus Espíritos é reconhecer, em princípio, a realidade das manifestações. É preciso saber se só eles se comunicam, como o afirma a Igreja para motivar a proibição que faz de comunicar-se com os Espíritos. Invocamos aqui o raciocínio e os fatos. Se Espíritos, quaisquer que sejam, se comunicam, não é senão com a permissão de Deus: compreender-se-ia que ele permitisse apenas aos maus? Como? enquanto que deixaria a estes toda a liberdade de vir enganar os homens, interditaria aos bons de virem contrabalançar, neutralizar suas perniciosas doutrinas? Crer que seja assim não seria colocar em dúvida seu poder e sua bondade e fazer de Satã um rival da Divindade? A Bíblia, o Evangelho, os Pais da Igreja, reconhecem perfeitamente a possibilidade de comunicação com o mundo invisível, e desse mundo os bons não estão excluídos; por que, pois, o seriam hoje? Aliás, a Igreja admitindo a autenticidade de certas aparições e comunicações de santos, exclui por isso mesmo a idéia de que não se pode ter relações senão com os maus Espíritos. Seguramente, quando as comunicações não encerram senão coisas boas, como a pregação da moral evangélica mais pura e mais sublime, a abnegação, o desinteresse e o amor ao próximo; quando aí se combate o mal, com qualquer coloração que ele se apresente, é racional crer-se que o Espírito maligno vem assim realizar seu trabalho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – O Evangelho nos ensina que o anjo das trevas, ou Satã, se transforma em anjo de luz para seduzir os homens.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Satã, segundo o Espiritismo e a opinião de muitos filósofos cristãos, não é um ser real; é a personificação do mal, como outrora Saturno era a personificação do tempo. A Igreja prende à letra essa figura alegórica; é um negócio de opinião que eu não discutirei. Admitamos, por um instante, que Satã seja um ser real; a Igreja, à força de exagerar seu poder para amedrontar, chega a um resultado todo contrário, quer dizer, à destruição, não só de todo medo mas também de toda crença em sua pessoa, segundo o provérbio: "quem quer muito provar não prova nada". Ela o representa como eminentemente fino, sagaz e astuto, e na questão do Espiritismo o faz representar o papel de um tolo e de um inábil.&lt;br /&gt;Uma vez que o objetivo de Satã é alimentar o inferno com suas vítimas e arrebatar almas de Deus, compreende-se que ele se dirija àqueles que estão no caminho do bem para os induzir ao mal, e que por isso ele se transforme, segundo uma muito bela alegoria, em anjo da luz, quer dizer, simule hipocritamente a virtude; mas que ele deixe escapar aqueles que já tem em suas garras é o que não se compreende. Aqueles que não crêem nem em Deus, nem em sua alma, que desprezaram a prece e estão mergulhados no vício, estão para ele tanto quanto é possível estar; nada mais há a fazer para os afundar mais na lama; ora, incitá-los a retornar a Deus, a lhe pedir, a submeter-se à sua vontade, encorajá-los a renunciar ao mal mostrando-lhe a felicidade dos eleitos, e a triste sorte que espera os maus, seria ato de um tolo, mais estúpido que se desse a liberdade a pássaros engaiolados com o pensamento de os recuperar em seguida.&lt;br /&gt;Há, pois, na doutrina da comunicação exclusiva dos demônios uma contradição que fere o homem sensato; por isso não se persuadirá jamais que os Espíritos que reconduzem a Deus aqueles que o negavam, ao bem, aqueles que faziam o mal, que consolam os aflitos, dão força e coragem aos fracos; que, pela sublimidade dos seus ensinamentos elevam a alma acima da vida material, sejam os subordinados de Satã, e que, por esse motivo, deve-se interditar toda relação com o mundo invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Se a Igreja proíbe as comunicações com os Espíritos dos mortos é porque são contrárias à religião, como estão formalmente condenadas pelo Evangelho e por Moisés. Este último, pronunciando a pena de morte contra essas práticas, prova quanto elas são repreensíveis aos olhos de Deus.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Eu vos peço perdão, mas essa proibição não está em nenhuma parte no Evangelho; ela está somente na lei mosaica. Trata-se, pois, de saber se a Igreja coloca a lei mosaica acima da lei evangélica, quer dizer, se ela é mais judaica que cristã. Observe-se mesmo que de todas as religiões, a que faz menos oposição ao Espiritismo é a Judaica, e que ela não tem invocado a lei de Moisés, sobre as quais se apóiam as seitas cristãs, contra as evocações. Se as prescrições bíblicas são o código da fé cristã, por que interditar a leitura da Bíblia? Que se diria se se proibisse a um cidadão estudar o código das leis de seu país?&lt;br /&gt;A proibição feita por Moisés tinha então sua razão de ser, porque o legislador hebreu queria que seu povo rompesse com todos os costumes adquiridos entre os Egípcios, e que este, do qual se trata aqui, era um motivo de abusos. Não se evocavam os mortos por respeito e afeição por eles, nem com um sentimento de piedade; era um meio de adivinhação, objeto de um tráfico vergonhoso explorado pelo charlatanismo e a superstição; portanto, Moisés teve razão em proibi-la. Se ele pronunciou contra esse abuso uma penalidade severa, é que precisava de meios rigorosos para governar seu povo indisciplinado; também a pena de morte está prodigalizada na sua legislação. Apóia-se erradamente sobre a severidade do castigo para provar o grau de culpabilidade da evocação dos mortos.&lt;br /&gt;Se a proibição de evocar os mortos veio do próprio Deus, como pretende a Igreja, deve ter sido Deus quem editou a pena de morte contra os infratores. A pena tem, pois, uma origem tão sacra quanto a proibição; por que não a conservaram? Moisés promulgou todas as suas leis em nome de Deus, e por sua ordem. Se se crê que Deus seja seu autor, por que não são elas mais observadas? Se a lei de Moisés é para a Igreja um artigo de fé sobre algum ponto, por que não o é sobre todos? Por que a ela recorrer naquilo que tem necessidade e repeli-la no que não convém? Por que não segui-la em todas as suas prescrições, a circuncisão, entre outras, que Jesus suportou e não aboliu?&lt;br /&gt;Havia na lei mosaica duas partes: primeiro, a lei de Deus, resumida nas tábuas do Sinai, e que permaneceu porque era divina e o Cristo não fez senão desenvolvê-la; segundo, a lei civil ou disciplinar, apropriada aos costumes da época e que o Cristo aboliu.&lt;br /&gt;Hoje, as circunstâncias não são as mesmas e a proibição de Moisés não tem mais cabimento. Aliás, se a Igreja proíbe evocar os mortos, pode ela impedir que eles venham sem que sejam chamados? Não se vê todos os dias pessoas que jamais se ocuparam com o Espiritismo, como se via antes que ele fosse discutido, ter manifestações de todos os gêneros?&lt;br /&gt;Outra contradição: se Moisés proibiu a evocação dos Espíritos dos mortos, é porque esses Espíritos poderiam vir, de outro modo a proibição teria sido inútil. Se eles podiam vir naquele tempo, podem ainda hoje; se eles são os Espíritos dos mortos, não são, pois, exclusivamente demônios. É preciso ser lógico antes de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – A Igreja não nega que os bons Espíritos possam se comunicar, uma vez que reconhece que os santos se manifestaram; ela, porém, não pode considerar como bons os que vêm contradizer seus princípios imutáveis. Os Espíritos ensinam as penas e as recompensas futuras, mas não ensinam como ela; só ela pode julgar seus ensinamentos e discernir os bons dos maus.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Eis a grande questão. Galileu foi acusado de heresia e de ser inspirado pelo demônio, porque revelou uma lei da Natureza provando o erro de uma crença que se acreditava inatacável; fossem considerados como bons aqueles que vêm contradizer todos os pontos arraigados na opinião exclusiva da Igreja, ou não tivessem proclamado a liberdade de consciência e condenado certos abusos, eles teriam sido os bem-vindos e não seriam qualificados de demônio.&lt;br /&gt;Tal é também a razão pela qual todas as religiões, os muçulmanos tanto quanto os católicos, se crêem na posse exclusiva da verdade absoluta, considerando como obra do demônio toda doutrina que não coincide inteiramente com seu ponto de vista. Ora, os Espíritos não vêm destruir a religião mas, como Galileu, revelar novas leis da Natureza. Se alguns pontos de fé passam por isso, é que, da mesma forma que a crença no movimento do Sol, eles estão em contradição com essas leis. A questão é de saber se um artigo de fé pode anular uma lei da Natureza, que é obra de Deus; e se, essa lei reconhecida, não é mais sábio interpretar o dogma no sentido da lei ao invés de atribuir esta ao demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Passemos sobre a questão dos demônios, pois eu sei que ela é diversamente interpretada pelos teólogos. Mas o sistema da reencarnação me parece mais difícil conciliar com os dogmas, porque ele não é uma outra coisa senão a metempsicose renovada de Pitágoras.&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Este não é o momento de discutir uma questão que exigiria um longo desenvolvimento; encontrá-la-eis tratada em O Livro dos Espíritos e em A Moral do Evangelho Segundo o Espiritismo (1). Eu não direi sobre isso, pois, senão duas palavras.&lt;br /&gt;(1) Ver O Livro dos Espíritos, nº 166 e seguintes, idem 222 e 1010. A Moral do Evangelho, cap. IV e V.&lt;br /&gt;A metempsicose dos antigos consistia na transmigração da alma do homem nos animais, o que implicava uma degradação. De resto, essa doutrina não era o que se acredita vulgarmente. A transmigração nos animais não era considerada como uma condição inerente à natureza da alma humana, mas como um castigo temporário; é assim que as almas dos assassinos passariam no corpo de animais ferozes para aí receberem sua punição; a dos impudicos nos porcos e nos javalis; as dos inconstantes e dos avoados, nos pássaros; as dos preguiçosos e dos ignorantes nos animais aquáticos. Depois de alguns milhares de anos, mais ou menos segundo a culpabilidade dessa espécie de prisão, a alma reentraria na Humanidade. A encarnação animal não era, pois, uma condição absoluta, e ela se aliava, como se vê, à reencarnação humana, e a prova disso é que a punição dos homens tímidos consistia em passar no corpo de mulheres expostas ao desprezo e às injúrias. (1) Era uma espécie de espantalho para os simples, bem mais que um artigo de fé entre os filósofos. Da mesma forma que se diz à crianças: "se sois maus o lobo vos comerá", os antigos diziam aos criminosos: "tornar-vos-eis lobos". Hoje se lhes diz: "o diabo vos tomará e vos carregará para o inferno".&lt;br /&gt;(1) Ver A pluralidade das existências da alma, por Pezzani.&lt;br /&gt;A pluralidade das existências, segundo o Espiritismo, difere essencialmente da metempsicose, no sentido de que não admite a encarnação da alma nos animais, mesmo como punição. Os Espíritos ensinam que a alma não retrograda, mas que progride sem cessar. Suas diferentes existências corporais se realizam na Humanidade; cada existência é para ela um passo adiante na senda do progresso intelectual e moral, o que é bem diferente. Não podendo adquirir um desenvolvimento completo em uma única existência, freqüentemente abreviada por causas acidentais, Deus lhe permite continuar em uma nova encarnação a tarefa que ela não pôde acabar, ou de recomeçar a que fez mal. A expiação na vida corporal consiste nas tribulações que aí se suporta.&lt;br /&gt;Quanto à questão de saber se a pluralidade das existências é, ou não, contrária a certos dogmas da Igreja, eu me limitarei a dizer isto:&lt;br /&gt;De duas coisas uma, ou a reencarnação existe ou não existe; se ela existe é porque está nas leis da Natureza. Para provar que ela não existe seria preciso provar que ela é contrária, não aos dogmas, mas a essas leis, e que se pode encontrar uma outra que explique mais claramente e mais logicamente, as questões que só ela pode resolver.&lt;br /&gt;De resto, é fácil demonstrar que certos dogmas aí encontram uma sanção racional que os faz aceitos por aqueles que os repeliam por não compreendê-los. Não se trata, pois, de destruir, mas de interpretar, o que acontecerá mais tarde pela força das coisas. Aqueles que não quiserem aceitar a interpretação estarão perfeitamente livres, como estão, hoje, de crer que é o Sol que gira ao redor da Terra. A idéia da pluralidade das existências se vulgariza com uma espantosa rapidez em razão de sua extrema lógica e da sua conformidade com a justiça de Deus. Quando ela for reconhecida como verdade natural e for aceita por todo o mundo, que fará a Igreja?&lt;br /&gt;Em resumo, a reencarnação não é um sistema imaginado pelas necessidades de uma causa, nem uma opinião pessoal; é, ou não é, um fato. Se está demonstrado que certas coisas que existem são materialmente impossíveis sem a reencarnação, é preciso admitir que elas são o fato da reencarnação, pois se ela está na Natureza, não poderia ser anulada por uma opinião contrária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Aqueles que não crêem nos Espíritos e em suas manifestações, são, no dizer dos Espíritos, menos dotados na vida futura?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Se essa crença fosse indispensável à salvação dos homens, em que se tornariam aqueles que, desde que o mundo existe, não a puderam ter, e aqueles que, por muito tempo ainda, morrerão sem a ter? Deus pode lhes fechar a porta do futuro? Não; os Espíritos que nos instruem são mais lógicos que isso e nos dizem: Deus é soberanamente justo e bom, e não faz depender a sorte futura do homem, de condições independentes da sua vontade; eles não dizem: fora do Espiritismo não há salvação, mas como o Cristo: fora da caridade não há salvação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PADRE – Então, permiti-me dizer-vos que, desde o momento em que os Espíritos não ensinam senão os princípios da moral que encontramos no Evangelho, eu não vejo que utilidade pode ter o Espiritismo, uma vez que podíamos nos salvar antes e que ainda podemos fazê-lo sem ele. Não seria o mesmo se os Espíritos viessem ensinar algumas grandes verdades novas, alguns princípios que mudassem a face do mundo, como fez o Cristo. Pelo menos era só o Cristo, sua doutrina era única, enquanto que os Espíritos são milhares que se contradizem; uns dizem branco, outros preto; de onde seguiu-se que, desde o princípio, seus partidários formam já várias seitas. Não seria melhor deixar os Espíritos tranqüilos e nos atermos ao que temos?&lt;br /&gt;ALLAN KARDEC – Errais, senhor, em não sair do vosso ponto de vista e de tomar a Igreja como único critério dos conhecimentos humanos. Se Cristo disse a verdade, o Espiritismo não podia dizer outra coisa e, em lugar de lhe lançar pedras, se deveria acolhê-lo como um poderoso auxiliar que veio confirmar, por todas as vozes de além-túmulo, as verdades fundamentais da religião, combatidas pela incredulidade. Que o materialismo o combata, isso se compreende; mas que a Igreja se ligue contra ele com o materialismo, é menos concebível. O que é de todo inconseqüente é que ela qualifica de demoníaco um ensinamento que se apóia sobre a mesma autoridade, e proclama a missão divina do fundador do Cristianismo.&lt;br /&gt;Mas Cristo disse tudo? podia tudo revelar? Não, porque ele mesmo disse: "teria ainda muitas coisas a vos dizer, mas não as compreenderíeis, por isso vos falo por parábolas". O Espiritismo vem, hoje que o homem está maduro para o compreender, completar e explicar o que Cristo não fez senão esflorar, ou não disse senão sob a forma alegórica. Direis, sem dúvida, que o mérito dessa explicação pertence à Igreja. Mas a qual? à Igreja romana, grega ou protestante? Uma vez que elas não estão de acordo, cada uma explicou no seu sentido e reivindicou esse privilégio. Qual aquela que religou todos os cultos dissidentes? Deus, que é sábio, prevendo que os homens aí misturariam suas paixões e seus preconceitos, não quis lhes confiar os cuidados dessa nova revelação: disso encarregou os Espíritos, seus mensageiros, que a proclamam sobre todos os pontos do globo, e isso fora de todo culto particular, a fim de que ela possa se aplicar a todos, e que ninguém a desvie em proveito próprio.&lt;br /&gt;Por outro lado, os diversos cultos cristãos não estão em nada afastados do caminho traçado pelo Cristo? Seus preceitos de moral são escrupulosamente observados? Não se tem desvirtuado suas palavras para fazê-las um apoio da ambição e das paixões humanas, que são por elas condenadas? Ora, o Espiritismo, pela voz dos Espíritos enviados de Deus, vem chamar à estrita observação de seus preceitos aqueles que deles se afastam; não seria esse último motivo que o faz qualificar de obra satânica?&lt;br /&gt;Erradamente, dais o nome de seitas a algumas divergências de opiniões relacionadas com os fenômenos espíritas. Não é de espantar que, no início de uma ciência, quando para muitos as observações eram ainda incompletas, tenham surgido teorias contraditórias, mas essas teorias repousam sobre detalhes e não sobre o princípio fundamental. Elas podem constituir escolas que explicam certos fatos à sua maneira, mas não têm mais de seitas que os diferentes sistemas que dividem os nossos sábios sobre as ciências exatas: em medicina, física, etc. Suprimi, pois, a palavra seita que é de todo imprópria no caso presente. Aliás, desde sua origem, o próprio Cristianismo não deu nascimento a uma multidão de seitas? Por que a palavra de Cristo não foi bastante poderosa para impor silêncio a todas as controvérsias? Por que ela é suscetível de interpretações que dividem, ainda hoje, os Cristãos em diferentes Igrejas, que pretendem ser as únicas detentoras da verdade necessária à salvação, se detestam cordialmente e se anatematizam em nome do seu Divino Mestre, que não pregou senão o amor e a caridade? A fraqueza dos homens, direis? seja; por que quereis que o Espiritismo triunfe subitamente dessa fraqueza e transforme a Humanidade como por encantamento?&lt;br /&gt;Eu me encaminho para a questão de utilidade. Dissestes que o Espiritismo não ensina nada de novo; é um erro. Ele ensina muito àqueles que não se detêm em superficialidades. Tivesse apenas substituído a máxima: fora da caridade não há salvação, em lugar de fora da Igreja não há salvação que os divide, e já teria marcado uma nova era da Humanidade.&lt;br /&gt;Dissestes que se poderia passar sem ele; de acordo; como se poderia passar sem uma multidão de descobertas científicas. Os homens também se comportavam bem antes da descoberta de todos os novos planetas; antes que se tivessem calculado os eclipses; antes que se conhecesse o mundo microscópico e cem outras coisas. O camponês, para viver e produzir seu trigo, não tem necessidade de saber o que é um cometa. Todavia, ninguém nega que todas essas coisas alargam o círculo de idéias e nos fazem penetrar mais além nas leis da Natureza. Ora, o mundo dos Espíritos é uma dessas leis, que o Espiritismo nos faz conhecer ensinando-nos a influência que exerce sobre o mundo corporal; supondo-se que a isso se limite sua utilidade, já não seria bastante a revelação de semelhante força?&lt;br /&gt;Vejamos, agora, sua influência moral. Admitamos que ele não ensine absolutamente nada de novo a esse respeito; qual é o maior inimigo da religião? O materialismo, porque o materialismo não crê em nada; ora, o Espiritismo é a negação do materialismo que não tem mais razão de ser. Não é mais pelo raciocínio, pela fé cega, que se diz ao materialista que tudo não termina com seu corpo, mas pelos fatos, que lhe mostra, permite-lhe tocar com os dedos e com o olhar. Não está aí um pequeno serviço que ele presta à Humanidade, à religião? Mas não é tudo: a certeza da vida futura, o quadro vivo daqueles que nela nos antecederam, mostram a necessidade do bem, e as conseqüências inevitáveis do mal. Eis porque sem ser, em si mesmo, uma religião, ele leva essencialmente às idéias religiosas, as desenvolve naqueles que não as têm e as fortifica naqueles em que elas são hesitantes. A religião, pois, encontra nele um apoio, não para essas pessoas de vista estreita que a vêem inteiramente na doutrina do fogo eterno, na letra mais que no espírito, mas para aqueles que a vêem segundo a grandeza e a majestade de Deus.&lt;br /&gt;Em uma palavra, o Espiritismo engrandece e eleva as idéias; ele combate os abusos engendrados pelo egoísmo, a cupidez, a ambição; mas quem ousaria proibi-los e deles declarar-se vencedor? Se ele não é indispensável à salvação, facilita-a consolidando-nos no caminho do bem. Qual é, aliás, o homem sensato que ousaria adiantar que um defeito do ortodoxo é mais repreensível aos olhos de Deus do que do ateu e do materialista? Eu coloco honestamente as questões seguintes a todos aqueles que combatem o Espiritismo relativamente às suas conseqüências religiosas:&lt;br /&gt;1. – Qual é o pior dotado na vida futura, aquele que não crê em nada ou aquele que, crendo nas verdades gerais, não admite certas partes do dogma?&lt;br /&gt;2. – O protestante e o cismático estão confundidos na mesma reprovação do ateu e do materialista?&lt;br /&gt;3. – Aquele que não é ortodoxo, no rigor da palavra, mas que faz todo o bem que pode, que é bom e indulgente para com o seu próximo, leal em suas relações sociais, está menos garantido de sua salvação que aquele que crê em tudo, mas que é duro, egoísta e descaridoso?&lt;br /&gt;4. – Qual vale mais aos olhos de Deus: a prática das virtudes cristãs sem as do dever da ortodoxia, ou a prática destes últimos sem as da moral?&lt;br /&gt;Eu respondi, senhor abade, às questões e às objeções que me haveis dirigido, mas, como vos disse inicialmente, sem nenhuma intenção preconcebida de vos conduzir às nossas idéias e mudar vossas convicções, limitando-me a vos fazer examinar o Espiritismo sob seu verdadeiro ponto de vista. Se não tivésseis vindo eu não vos teria procurado. Isso não quer dizer que desprezemos vossa adesão aos nossos princípios se ela deva ter lugar; bem longe disso; somos felizes, ao contrário, com todas as aquisições que fazemos e que têm para nós tanto maior valor quanto sejam livres e voluntárias. Não temos nenhum direito para constranger quem quer que seja e teríamos escrúpulo em perturbar a consciência daqueles que, tendo crenças que os satisfazem, não vêm espontaneamente a nós.&lt;br /&gt;Nós dissemos que o melhor meio de se esclarecer sobre o Espiritismo é estudando previamente sua teoria; os fatos virão naturalmente em seguida, e serão compreendidos, qualquer que seja a ordem na qual os conduzam as circunstâncias. Nossas publicações são feitas com o objetivo de favorecer esse estudo; eis, a esse respeito, o roteiro que aconselhamos.&lt;br /&gt;A primeira leitura a fazer-se é a deste resumo que apresenta o conjunto dos pontos mais destacados da ciência; com isso, já se pode fazer dela uma idéia e se convencer de que, no fundo, há alguma coisa séria. Nesta rápida exposição fomos levados a indicar os pontos que devem, particularmente, fixar a atenção do observador. A ignorância dos princípios fundamentais é a causa das falsas apreciações da maioria daqueles que julgam o que não compreendem ou segundo suas idéias preconcebidas.&lt;br /&gt;Se este primeiro contato dá o desejo de sobre ele se saber mais, ler-se-á O Livro dos Espíritos, onde os princípios da doutrina estão completamente desenvolvidos; depois, O Livro dos Médiuns para a parte experimental, destinado a servir de guia para aqueles que querem operar por si mesmos, como para aqueles que querem se inteirar dos fenômenos. Vêm, em seguida, as diversas obras onde estão desenvolvidas as aplicações e as conseqüências da doutrina, tais como: A Moral do Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno Segundo o Espiritismo, etc.&lt;br /&gt;A Revista Espírita é, de alguma sorte, um curso de aplicação, pelos numerosos exemplos e os desenvolvimentos que ela encerra, sobre a parte teórica e sobre a parte experimental.&lt;br /&gt;Às pessoas sérias, que tenham feito um estudo prévio, teremos prazer em dar, verbalmente, as explicações necessárias sobre os pontos que não tenham compreendido inteiramente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc0000;"&gt;&lt;strong&gt;2. Noções Elementares de Espiritismo&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.1. Observações preliminares&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1 - É um erro crer-se que basta a certos incrédulos verem fenômenos extraordinários para estarem convencidos. Aqueles que não admitem a alma ou o Espírito no homem, não podem admiti-lo fora do homem; por conseguinte, negando a causa, negam o efeito. Chegam assim, quase sempre, com uma idéia preconcebida e uma posição de negação que os desviam de uma observação séria e imparcial. Fazem perguntas e objeções às quais é impossível responder-se instantaneamente de um modo completo, porque seria preciso, para cada pessoa, fazer uma espécie de curso e recomeçar as coisas desde o início. O estudo prévio tem por resultado responder antecipadamente às objeções, das quais a maioria é fundada sobre a ignorância da causa dos fenômenos, e das condições nas quais eles se produzem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2 - Aqueles que não conhecem o Espiritismo, imaginam que se produzem fenômenos espíritas como se faz em experiências de física e de química. Daí sua pretensão em os submeter à sua vontade, e a recusa de se colocar nas condições necessárias para a observação. Não admitindo, em princípio, a existência e a intervenção dos Espíritos, ou pelo menos não conhecendo sua natureza, nem seu modo de ação, eles agem como se operassem sobre a matéria bruta; e do fato de não obterem o que procuram, concluem que não há Espíritos.&lt;br /&gt;Colocando-se em um outro ponto de vista, compreender-se-á que os Espíritos, sendo a alma dos homens depois da morte, nós mesmos seremos Espíritos, e que estaríamos pouco dispostos a servirmos de joguete para satisfazer as fantasias dos curiosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3 - Se bem que certos fenômenos possam ser provocados, em razão de provirem de inteligências livres, eles não estão jamais à disposição absoluta de quem quer que seja, e quem se empenhasse em obtê-los à vontade, provaria ou sua ignorância ou sua má-fé. É preciso esperá-los, compreendê-los em sua passagem e, freqüentemente, é no momento em que menos se espera, que se apresentam os fatos mais interessantes e mais concludentes. Aquele que quer, seriamente, se instruir deve, pois, levar nisso, como em todas as coisas, a paciência, a perseverança, e fazer aquilo que é necessário; de outro modo, é melhor para ele disso não se ocupar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4 - As reuniões destinadas às manifestações espíritas não estão sempre em boas condições, seja para obter-se resultados satisfatórios, seja para conduzir à convicção: há reuniões mesmo, é preciso nisso convir, das quais os incrédulos saem menos convencidos do que quando entraram, fazendo restrições àqueles que lhes falam do caráter sério do Espiritismo em vista das coisas, freqüentemente ridículas, que testemunharam. Eles não são mais lógicos que aquele que julgasse uma arte pelos esboços de um estudante, de uma pessoa pela sua caricatura, ou de uma tragédia pela sua paródia. O Espiritismo tem também seus estudantes e aquele que quer se esclarecer não haure seus ensinamentos em uma só fonte; não é senão pelo exame e pela comparação que ele pode assentar seu julgamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 - As reuniões frívolas têm um grave inconveniente para os iniciantes que as assistem, quando lhes dão uma idéia falsa do caráter do Espiritismo. Aqueles que não assistiram senão a reuniões desse gênero, não saberiam levar a sério uma coisa que vêem tratada com leviandade por aqueles mesmos que dela se dizem seus adeptos. Um estudo prévio os ensinará a julgar a importância daquilo que vêem e a separar o bom do mau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6 - O mesmo raciocínio se aplica àqueles que julgam o Espiritismo por certas obras excêntricas que não podem dele dar senão uma idéia incompleta e ridícula. O Espiritismo sério não é mais responsável por aqueles que o compreendem mal ou o praticam insensatamente, do que a poesia não é responsável por aqueles que fazem maus versos. É deplorável, diz-se, que tais obras existam, porque elas comprometem a verdadeira ciência. Sem dúvida, seria preferível que ele não tivesse senão obras boas; mas o maior erro cabe àqueles que não se dão ao trabalho de tudo estudar. Todas as artes, todas as ciências, aliás, estão no mesmo caso; não há sobre as coisas mais sérias tratados absurdos e cheios de erros? Por que o Espiritismo seria privilegiado a esse respeito, sobretudo em seu início? Se aqueles que o criticam não o julgassem pelas aparências, saberiam o que ele admite e o que ele rejeita, e não o acusariam daquilo que ele repudia em nome da razão e da experiência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.2 Dos Espíritos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;7 - Os Espíritos não são, como freqüentemente se imagina, seres à parte na criação; são as almas daqueles que viveram sobre a Terra ou em outros mundos, despojados de seu envoltório corporal. Quem admitir a existência da alma sobrevivendo ao corpo, admite por isso mesmo a existência dos Espíritos. Negar os Espíritos seria negar a alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8 - Geralmente, faz-se um idéia muito falsa do estado dos Espíritos; eles não são, como alguns o crêem, seres vagos e indefinidos, nem chamas como os fogos-fátuos, nem fantasmas como nos contos de almas do outro mundo. São seres semelhantes a nós, tendo um corpo como o nosso, mas fluídico e invisível em seu estado normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9 - Quando a alma está unida ao corpo, durante a vida, ela tem um duplo envoltório: um pesado, grosseiro e destrutível, que é o corpo; outro fluídico, leve e indestrutível, chamado perispírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10 - Há, pois, no homem três coisas essenciais: primeiro, a alma ou Espírito, princípio inteligente que abriga o pensamento, a vontade e o senso moral; segundo, o corpo, envoltório material que coloca o Espírito em relação com o mundo exterior; terceiro, o perispírito, envoltório fluídico, leve, imponderável, servindo de liame e de intermediário entre o Espírito e o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 - Quando o envoltório exterior está gasto e não pode mais funcionar, ele sucumbe e o Espírito dele se despoja, como o fruto se despoja de sua casca, a árvore de sua casca, a serpente de sua pele, em uma palavra, como se tira uma veste velha e imprestável: é o que se chama de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 - A morte não é senão a destruição do envoltório material; a alma abandona esse envoltório como a borboleta deixa sua crisálida; contudo, ela conserva seu corpo fluídico ou perispírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 - A morte do corpo livra o Espírito do envoltório que o amarrava à Terra e o fazia sofrer; uma vez liberto desse fardo, ele não tem mais que seu corpo etéreo, que lhe permite percorrer o espaço e transpor as distâncias com a rapidez do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14 - A união da alma, do perispírito e do corpo material constitui o homem; a alma e o perispírito separados do corpo constituem o ser chamado Espírito.&lt;br /&gt;Nota - A alma é, assim, um ser simples; o Espírito um ser duplo e o homem um ser triplo. Seria, pois, mais exato reservar a palavra alma para designar o princípio inteligente, e a palavra Espírito para o ser semi-material formado desse princípio e do corpo fluídico. Mas, como não se pode conceber o princípio inteligente isolado de toda matéria, nem o perispírito sem estar animado pelo princípio inteligente, as palavras alma e Espírito são, usualmente, empregadas indiferentemente uma pela outra; é a aparência que consiste pelo todo, da mesma forma que se diz de uma vila que ela é povoada por tantas em tomar a parte almas, um povoado de tantas casas; mas, filosoficamente, é essencial diferenciá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 - Os Espíritos revestidos de corpos materiais constituem a Humanidade ou mundo corporal visível; despojados desses corpos, eles constituem o mundo espiritual ou mundo invisível, que povoam o espaço no meio do qual vivemos, sem disso suspeitar, como vivemos no meio do mundo dos infinitamente pequenos que não supúnhamos antes da invenção do microscópio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 - Os Espíritos não são, pois, seres abstratos, vagos e indefinidos, mas seres concretos e circunscritos, aos quais não falta senão serem visíveis para assemelharem-se aos humanos, de onde se segue que, se em dado momento, o véu que os oculta pudesse ser levantado, eles formariam para nós toda uma população circundante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;17 - Os Espíritos têm todas as percepções que tinham sobre a Terra, mas em um mais alto grau, porque suas faculdades não estão mais amortecidas pela matéria; eles têm sensações que nos são desconhecidas, vêem e ouvem coisas que nossos sentidos limitados não nos permitem nem ver, nem ouvir. Para eles não há obscuridade, salvo para aqueles cuja punição é de estarem temporariamente nas trevas. Todos os nossos pensamentos repercutem neles, que os lêem como em um livro aberto; de sorte que aquilo que podemos ocultar a qualquer outra pessoa, não o podemos mais desde que ela é Espírito. (Espíritos, nº O Livro dos 237)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18 - Os Espíritos estão por toda parte: entre nós, ao nosso lado, nos acotovelando e nos observando incessantemente. Pela sua presença permanente em nosso meio, os Espíritos são os agentes de diversos fenômenos, desempenhando um papel importante no mundo moral e, até um certo ponto, no mundo físico, constituindo, assim, uma das forças da Natureza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 - Desde que se admita a sobrevivência da alma ou do Espírito, é racional admitir-se a sobrevivência das afeições; sem isso as almas de nossos parentes e de nossos amigos estariam perdidas para sempre, para nós.&lt;br /&gt;Uma vez que os Espíritos podem ir por toda parte, é igualmente racional admitir-se que aqueles que nos amaram durante sua vida terrestre, nos amem ainda depois da morte, venham para perto de nós, desejem se comunicar conosco, servindo-se para isso dos meios que estão à sua disposição.&lt;br /&gt;Isso é o que a experiência confirma.&lt;br /&gt;A experiência prova, com efeito, que os Espíritos conservam as afeições sérias que tinham sobre a Terra, e se alegram em vir até aqueles que amaram, sobretudo quando são atraídos pelo pensamento e sentimentos afetuosos que se lhes dirige, enquanto que são indiferentes para aqueles que não lhes têm senão indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20 - O Espiritismo tem por objetivo a constatação e o estudo da manifestação dos Espíritos, de suas faculdades, de sua situação feliz ou infeliz, e do seu futuro; em uma palavra, o conhecimento do mundo espiritual. Essas manifestações sendo confirmadas, têm por resultado a prova irrecusável da existência da alma, de sua sobrevivência ao corpo, de sua individualidade depois da morte, quer dizer, da vida futura. Por isso mesmo, é a negação das doutrinas materialistas, não mais pelo raciocínio, mas pelos fatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;21 - Uma idéia mais ou menos geral entre as pessoas que não conhecem o Espiritismo, é de crer que os Espíritos, só porque estão livres da matéria, devem saber tudo e possuir a soberana sabedoria. Há aí um erro grave.&lt;br /&gt;Os Espíritos não sendo senão as almas dos homens, estes não adquiriram a perfeição, deixando seu envoltório terrestre. O progresso do Espírito não se realiza senão com o tempo, e não é senão sucessivamente que ele se despoja de suas imperfeições e adquire os conhecimentos que lhe faltam. Seria também ilógico admitir-se que o Espírito de um selvagem, ou de um criminoso, torne-se de repente sábio e virtuoso, como seria contrário à justiça de Deus pensar que ele ficaria perpetuamente em sua inferioridade.&lt;br /&gt;Como há homens de todos os graus de saber e de ignorância, de bondade e de maldade, ocorre o mesmo com os Espíritos. Há os que não são senão espertos e ágeis, outros são mentirosos, trapaceiros, hipócritas, maus, vingativos; outros, ao contrário, possuem as mais sublimes virtudes e o saber em grau desconhecido sobre a Terra. Essa diversidade na qualidade dos Espíritos é um dos mais importantes pontos a considerar, porque ela explica a natureza boa ou má das comunicações que se recebem; é preciso, sobretudo, se interessar em distingui-las. (O Livro dos Espíritos, nº 100, Escala Espírita. - O Livro dos Médiuns, cap. XXIV).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.3. Comunicações com o mundo invisível&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;22 - A existência, a sobrevivência e a individualidade da alma sendo admitidas, o Espiritismo se reduz a uma só questão principal: as comunicações entre as almas e os vivos são possíveis? Essa possibilidade é um resultado da experiência. O fato de o intercâmbio entre o mundo visível e o mundo invisível uma vez estabelecido, a natureza, a causa e o modo desses intercâmbios sendo conhecidos, é um novo campo aberto à observação e a chave de uma multidão de problemas; é, ao mesmo tempo, um poderoso elemento moralizador para acabar com a dúvida sobre o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 - O que lança no pensamento de muitas pessoas a dúvida sobre a possibilidade das comunicações de além-túmulo, é a idéia falsa que se faz do estado da alma depois da morte. Se a figura, geralmente, como um sopro, uma fumaça, alguma coisa vaga, apenas compreendida pelo pensamento, que se evapora e vai para não se sabe onde, mas tão longe que mal se compreende que ela possa voltar sobre a Terra. Se a considerarmos, ao contrário, na sua união com um corpo fluídico, semi-material, com o qual ela forma um ser concreto e individual, seus intercâmbios com os vivos não têm nada de incompatível com a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 - O mundo visível vivendo no meio do mundo invisível, com o qual está em contato perpétuo, disso resulta que eles reagem incessantemente um sobre o outro; que desde que há homens, há Espíritos, e que se estes últimos têm o poder de se manifestar, devem tê-lo feito em todas as épocas e entre todos os povos. Entretanto, nestes últimos tempos, as manifestações dos Espíritos tomaram grande desenvolvimento e adquiriram um maior caráter de autenticidade, porque estava nos objetivos da Providência colocar termo ao flagelo da incredulidade e do materialismo mediante provas evidentes, permitindo àqueles que deixaram a Terra virem atestar sua existência e nos revelar sua situação feliz ou infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25 - Os intercâmbios entre o mundo visível e o mundo invisível podem ser ocultos ou patentes, espontâneos ou provocados.&lt;br /&gt;Os Espíritos agem sobre os homens, de maneira oculta, pelos pensamentos que lhes sugerem e por certas influências; de um modo patente, por efeitos apreciáveis pelos sentidos.&lt;br /&gt;As manifestações espontâneas ocorrem inopinadamente e de improviso; elas se produzem, freqüentemente, nas pessoas desprovidas de idéias espíritas e que, por isso mesmo, não podendo compreendê-las, as atribuem a causas sobrenaturais. Aquelas que são provocadas ocorrem pela intervenção de certas pessoas dotadas, para esse efeito, de faculdades especiais e que se designam pelo nome de médiuns.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 - Os Espíritos podem se manifestar de muitas maneiras diferentes: pela visão, pela audição, pelo tato, pelos ruídos, o movimento dos corpos, a escrita, o desenho, a música, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27 - Os Espíritos se manifestam algumas vezes espontaneamente por ruídos e pancadas; é, freqüentemente, para eles um meio de atestar sua presença e chamar a atenção sobre si, absolutamente como quando uma pessoa bate para advertir que há alguém. Há os que não se limitam a ruídos moderados, mas que vão até à produção de um barulho parecido com o da louça que se quebra, de portas que se abrem e se fecham, ou de móveis que se derrubam; alguns causam mesmo uma perturbação real e verdadeiros estragos.&lt;br /&gt;(Revista Espírita, 1858: O Espírito batedor de Bergzabern, págs. 125, 153, 184 - idem: O Espírito batedor de Dibbelsdorf, pág. 219 – idem 1860: O padeiro de Dieppe, pág. 76 - idem: O fabricante de Saint Pétersburg, pág. 115 - idem: O farrapeiro da rua Noyers, pág. 236).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;28 - O perispírito, ainda que invisível para nós no estado normal, não é por isso menos matéria etérea. O Espírito pode, em certos casos, fazê-lo experimentar uma espécie de modificação molecular que o torna visível e mesmo tangível; é assim que se produzem as aparições. Esse fenômeno não é mais extraordinário que o do vapor, que é invisível quando está muito rarefeito e que se torna visível quando está condensado.&lt;br /&gt;Os Espíritos que se tornam visíveis se apresentam, quase sempre, sob a aparência que tiveram em sua vida e que pode fazê-los reconhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29 - A visão permanente e geral dos Espíritos é muito rara, mas as aparições isoladas são bastante freqüentes, sobretudo no momento da morte; o Espírito liberto parece apressar-se em rever seus parentes e amigos, como para os advertir que acaba de deixar a Terra e lhes dizer que vive sempre. Que cada um medite suas lembranças e se verá quantos fatos autênticos desse gênero, dos quais não se apercebeu, ocorreram não só à noite, durante o sono, mas em plena luz do dia, no estado de vigília mais completo. Outrora, consideravam-se esses fatos como sobrenaturais e maravilhosos, e se os atribuía à magia e à feitiçaria; hoje os incrédulos os atribuem à imaginação; mas, desde que a ciência espírita deles deu a chave, sabe-se como eles se produzem e que não saem da ordem dos fenômenos naturais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;30 - Era com a ajuda do seu perispírito que o Espírito agia sobre seu corpo físico; é ainda com esse mesmo fluido que ele se manifesta agindo sobre a matéria inerte; que ele produz os ruídos, os movimentos de mesas e outros objetos, que ele eleva, derruba ou transporta. Esse fenômeno nada tem de surpreendente se se considerar que, entre nós, os mais possantes motores usam os fluidos, os mais rarefeitos e mesmo imponderáveis, como o ar, o vapor e a eletricidade.&lt;br /&gt;Igualmente, é com a ajuda do seu perispírito que o Espírito faz o médium escrever, falar ou desenhar. Não tendo mais corpo tangível para agir ostensivamente, quando quer se manifestar, ele se serve do corpo do médium do qual empresta os órgãos, com os quais age como se fora com seu próprio corpo, e isso pelo eflúvio fluídico que derrama sobre ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;31 - No fenômeno designado sob o nome de mesas moventes ou mesas falantes é pelo mesmo meio que o Espírito age sobre a mesa, seja para fazer mover sem significação determinada, seja para dar pancadas inteligentes indicando as letras do alfabeto para formar palavras e frases, fenômeno designado sob o nome de tiptologia. A mesa, aqui, não é senão um instrumento do qual ele se serve, como o faz com o lápis para escrever; ele lhe dá uma vitalidade momentânea pelo fluido que a penetra, mas não se identifica com ela. As pessoas que, em sua emoção, vendo se manifestar um ser que lhes é caro, abraçam a mesa, fazem um ato ridículo, porque é absolutamente como se abraçassem um bastão do qual um amigo se serve para dar pancadas. Ocorre o mesmo com aqueles que dirigem a palavra à mesa, como se o Espírito estivesse encerrado na madeira, ou como se a madeira se tivesse tornado Espírito.&lt;br /&gt;Quando as comunicações ocorrem por esse meio, é preciso representar o Espírito, não na mesa, mas ao seu lado, tal como era vivo, e tal como seria visto se, nesse momento, ele pudesse se tornar visível. A mesma coisa ocorre nas comunicações escritas; ver-se-ia o Espírito ao lado do médium, dirigindo sua mão, ou lhe transmitindo seu pensamento por uma corrente fluídica.&lt;br /&gt;Quando a mesa se destaca do solo e flutua no espaço sem ponto de apoio, o Espírito não a ergue com o braço, mas a envolve e a penetra com uma espécie de atmosfera fluídica que neutraliza os efeitos da gravitação, como faz o ar nos balões e nos papagaios de papel. O fluido do qual ela está penetrada lhe dá, momentaneamente, uma leveza específica maior. Quando ela está colada ao chão, está em caso análogo ao da campânula pneumática sob a qual se faz o vácuo. Estas não são comparações senão para mostrar a analogia dos efeitos, mas não a semelhança absoluta das causas.&lt;br /&gt;Quando a mesa persegue alguém, não é o Espírito que corre, porque ele pode ficar tranqüilamente no mesmo lugar, mas que a impulsiona por uma corrente fluídica, com a ajuda da qual a faz mover-se à sua vontade. Quando as pancadas se fazem ouvir na mesa ou outro lugar, o Espírito não bate nem com a mão nem com um objeto qualquer; ele dirige sobre o ponto de onde parte o barulho, um jato de fluido que produz o efeito de um choque elétrico. Ele modifica o barulho, como se podem modificar os sons produzidos pelo ar.&lt;br /&gt;Compreende-se, segundo isso, que não é mais difícil ao Espírito erguer uma pessoa do que erguer uma mesa, transportar um objeto de um lugar para outro ou de o lançar em qualquer parte; esses fenômenos se produzem em razão da mesma lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;32 - Pode-se ver, por essas poucas explicações, que as manifestações espíritas, de qualquer natureza que sejam, nada têm de sobrenatural ou de maravilhoso. São fenômenos que se produzem em virtude da lei que rege o intercâmbio do mundo visível com o mundo invisível, lei tão natural como a da eletricidade, da gravitação, etc. O Espiritismo é a ciência que nos faz conhecer essa lei, como a mecânica nos faz conhecer a lei do movimento, a ótica a da luz. As manifestações espíritas, estando na Natureza, produziram-se em todas as épocas; a lei que as rege, uma vez conhecida, nos explica uma série de problemas considerados insolúveis; é a chave de uma multidão de fenômenos explorados e ampliados pela superstição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;33 - O maravilhoso, uma vez afastado, esses fenômenos nada mais têm que repugne à razão, porque eles vêm se colocar ao lado de outros fenômenos naturais. Nos tempos de ignorância, todos os efeitos dos quais não se conheciam as causas eram reputados como sobrenaturais. As descobertas científicas, sucessivamente, restringiram o círculo do maravilhoso; o conhecimento desta nova lei o reduziu a nada. Aqueles, pois, que acusam o Espiritismo de ressuscitar o maravilhoso provam, com isso, que falam de uma coisa que não conhecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;34 - As manifestações dos Espíritos são de duas naturezas: os efeitos físicos e as manifestações inteligentes. Os primeiros são os fenômenos materiais e ostensivos, tais como os movimentos, os ruídos, os transportes de objetos, etc.; as outras consistem na permuta regular de pensamentos com a ajuda de sinais, da palavra e, principalmente, da escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;35 - As comunicações que se recebem dos Espíritos podem ser boas ou más, justas ou falsas, profundas ou superficiais, segundo a natureza dos Espíritos que se manifestem. Aqueles que provam sabedoria e saber são Espíritos que progrediram; aqueles que provam ignorância e más qualidades são Espíritos ainda atrasados, que progredirão com o tempo. Os Espíritos não podem responder senão sobre o que sabem, segundo seu adiantamento, e, além disso, sobre o que lhes é permitido dizer, porque há coisas que não devem revelar, visto que não é dado, ainda, ao homem tudo conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;36 - Da diversidade nas qualidades e aptidões dos Espíritos resulta que não basta se dirigir a um Espírito qualquer para ter uma resposta justa a toda questão, porque, sobre muitas coisas, ele não pode dar senão sua opinião pessoal, que pode ser justa ou falsa. Se ele é sábio, reconhecerá sua ignorância sobre o que não sabe; se é leviano ou mentiroso, responderá sobre tudo sem se preocupar com a verdade; se é orgulhoso, dará sua idéia como uma verdade absoluta. Foi por isso que São João Evangelista disse: não creiais em todo Espírito, mas examinai se os Espíritos são de Deus. A experiência prova a sabedoria desse conselho. Haveria, pois, imprudência e leviandade em aceitar sem controle tudo o que vem dos Espíritos. Por isso, é essencial conhecer a natureza daqueles com os quais se tem relação. (O Livro dos Médiuns, nº 267).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;37 - Reconhece-se a qualidade dos Espíritos pela sua linguagem; a dos Espíritos verdadeiramente bons e superiores é sempre digna, nobre, lógica, isenta de contradições; nela transparecem a sabedoria, a benevolência, a modéstia e a moral mais pura; ela é concisa e sem palavras inúteis. Nos Espíritos inferiores, ignorantes ou orgulhosos, o vazio das idéias é quase sempre compensado pela abundância de palavras. Todo pensamento evidentemente falso, toda máxima contrária à moral sadia, todo conselho ridículo, toda expressão grosseira, trivial ou simplesmente frívola, enfim toda marca de malevolência, presunção ou arrogância, são sinais incontestáveis de inferioridade num Espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;38 - Os Espíritos inferiores são mais ou menos ignorantes; seu horizonte moral é limitado, sua perspicácia restrita. Eles não têm das coisas senão uma idéia freqüentemente falsa e incompleta e estão, por outro lado, ainda sob a influência dos preconceitos terrestres que tomam, algumas vezes, por verdades; por isso, eles são incapazes de resolverem certas questões. Eles podem nos induzir ao erro, voluntária ou involuntariamente, sobre o que eles próprios não compreendem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;39 - Os Espíritos inferiores não são, por isso, todos essencialmente maus; há os que não são senão ignorantes e levianos; há os gracejadores, os espirituosos, os divertidos e que sabem manejar o gracejo fino e mordaz. Ao lado disso, encontram-se no mundo dos Espíritos, como sobre a Terra, todos os gêneros de perversidades e todos os graus de superioridade intelectual e moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;40 - Os Espíritos superiores não se ocupam senão com manifestações inteligentes objetivando nossa instrução; as manifestações físicas ou puramente materiais, estão mais especialmente nas atribuições dos Espíritos inferiores, vulgarmente designados sob o nome de Espíritos batedores, como, entre nós, os torneios de força cabem aos saltimbancos e não aos sábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;41 - As comunicações com os Espíritos devem sempre ser feitas com calma e recolhimento; não se deve jamais perder de vista que os Espíritos são as almas dos homens e que seria inconveniente deles fazer um jogo e um objeto de divertimento. Se se deve respeito aos despojos mortais, deve-se muito mais ainda ao Espírito. As reuniões frívolas e levianas faltam, pois, a um dever, e aqueles que delas fazem parte deveriam meditar que, de um momento para o outro, podem entrar no mundo dos Espíritos, e não veriam com prazer que os tratassem com tão pouca deferência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;42 - Um outro ponto igualmente essencial a considerar é que os Espíritos são livres; eles se comunicam quando querem, com quem lhes convém e também quando podem, porque têm suas ocupações. Eles não estão às ordens e ao capricho de quem quer que seja, e não é dado a ninguém fazê-los vir contra a sua vontade, nem dizerem o que querem calar; de sorte que ninguém pode afirmar que um Espírito qualquer virá ao seu chamado em um momento determinado, ou responderá a tal ou tal questão. Dizer o contrário é provar ignorância absoluta dos mais elementares princípios do Espiritismo; só o charlatanismo tem fontes infalíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;43 - Os Espíritos são atraídos pela simpatia, semelhança de gostos e de caráter e pela intenção dos que desejam sua presença. Os Espíritos superiores não vão mais a uma reunião fútil do que um sábio da Terra não iria em uma reunião de jovens estouvados. O simples bom senso diz que não poderia ser de outra forma. Se eles vão, algumas vezes, é para dar um conselho salutar, combater os vícios, procurar conduzir ao bom caminho; se não são escutados, retiram-se. Seria ter uma idéia completamente falsa, crer-se que os Espíritos sérios pudessem se comprazer em responder a futilidades, a questões ociosas que não provam, ou atribuem, nem respeito por eles nem desejo real de instrução, e ainda menos que possam vir dar espetáculo para divertir curiosos. Se não o fizeram durante sua vida, não o podem fazer depois da sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;44 - A frivolidade das reuniões tem como resultado atrair os Espíritos levianos que não procuram senão as ocasiões de enganar e mistificar. Pela mesma razão de que os homens graves e sérios não vão em assembléias inconseqüentes, os Espíritos sérios não vão senão em reuniões sérias, cujo objetivo seja a instrução, e não a curiosidade; é nas reuniões desse gênero que os Espíritos superiores gostam de dar seus ensinamentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;45 - Do que precede, resulta que toda reunião espírita, para ser proveitosa, deve, como primeira condição, ser séria e reservada, que tudo deve aí se passar respeitosamente, religiosamente, e com dignidade, se se quer obter o concurso habitual dos bons Espíritos. É preciso não esquecer que se esses mesmos Espíritos nelas estivessem presentes em vida, ter-se-ia por eles a consideração a que têm ainda mais direito depois de sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;46 - Em vão alega-se a utilidade de certas experiências curiosas, frívolas e recreativas para convencer os incrédulos; chega-se a um resultado todo oposto. O incrédulo já levado a zombar das crenças mais sagradas, não pode ver uma coisa séria onde se faz brincadeira; ele não pode ser levado a respeitar o que não lhe é apresentado de uma maneira respeitável; por isso, das reuniões fúteis e levianas, daquelas nas quais não há nem ordem, nem gravidade e nem recolhimento, ele carrega sempre uma impressão má. O que pode, sobretudo, convencê-lo é a prova da presença de seres cuja memória lhe é cara; é diante de suas palavras, graves e solenes, diante das revelações íntimas, que ele se comove e empalidece. Mas porque tem mais respeito, veneração e consideração pela pessoa cuja alma se lhe apresenta, fica chocado, escandalizado, em vê-la vir em uma assembléia de pouco respeito, no meio de mesas que dançam e da pantomima de Espíritos levianos. Incrédulo que é, sua consciência repele essa aliança do sério e do frívolo, do religioso e do profano, e é por isso que taxa tudo isso de hipocrisia, e sai, freqüentemente, menos convencido do que quando entrou.&lt;br /&gt;As reuniões dessa natureza fazem sempre mais mal que bem, porque afastam da doutrina mais pessoas do que a ela conduzem, sem contar que se expõem à crítica dos detratores que nelas encontram motivos fundados de zombaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;47 - É erradamente que se faz um jogo das manifestações físicas; se elas não têm mais a importância do ensinamento filosófico, têm a sua utilidade, do ponto de vista do fenômeno, porque são o alfabeto da ciência, da qual deram a chave. Embora menos necessárias hoje, elas ajudam ainda a convencer certas pessoas. Elas, porém, não excluem de nenhum modo a ordem e a decência das reuniões onde se as experimenta; se fossem sempre praticadas de maneira conveniente, convenceriam mais facilmente e produziriam, sob todos os aspectos, melhores resultados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;48 - Certas pessoas fazem uma idéia muito falsa das evocações; há os que crêem que elas consistem em fazer voltar os mortos com a aparência lúgubre da sepultura. O pouco que dissemos a esse respeito deve dissipar esse erro. Não é senão nos romances, nos contos fantásticos de almas do outro mundo e no teatro que se vêem os mortos descarnados saírem de suas sepulturas, vestidos ridiculamente de mortalha e fazendo chocalhar seus ossos. O Espiritismo, que jamais fez milagres, não fez mais este que outros, e jamais fez reviver um corpo morto; quando o corpo está na cova, aí está definitivamente. Mas o ser espiritual, fluídico, inteligente, não foi aí encerrado com seu envoltório grosseiro, do qual se separou no momento da morte, e uma vez operada a separação, nada tem em comum com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;49 - A crítica malévola se inclina a representar as comunicações espíritas como cercadas de práticas ridículas e supersticiosas da magia e da necromancia. Se aqueles que falam do Espiritismo, sem o conhecer, se tivessem se dado ao trabalho de estudar aquilo de que querem falar, se poupariam de gastos da imaginação ou de alegações que não servem senão para provarem sua ignorância e sua má vontade. Para a edificação de pessoas estranhas à ciência espírita, nós diremos que não há, para se comunicar com os Espíritos, nem dias, nem horas, nem lugar mais propícios uns que os outros; que não é preciso para os evocar, nem fórmulas, nem palavras sacramentais ou cabalísticas; que não há necessidade de nenhuma preparação, de nenhuma iniciação; que o emprego de todo sinal ou objeto material, seja para os atrair, seja para os repelir, não tem efeito, e que o pensamento basta; enfim, que os médiuns recebem suas comunicações tão simplesmente e tão naturalmente, como se fossem ditadas por uma pessoa viva, sem saírem do estado normal. Só o charlatanismo poderia tomar maneiras excêntricas e adicionar acessórios ridículos.&lt;br /&gt;A evocação dos Espíritos se faz em nome de Deus, com respeito e recolhimento; é a única coisa recomendada às pessoas sérias que querem ter intercâmbio como os Espíritos sérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2.4. Fim providencial das manifestações espíritas&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;50 - O fim providencial das manifestações é de convencer os incrédulos de que tudo não termina para o homem com a vida terrestre, e de dar aos crentes idéias mais justas sobre o futuro. Os bons Espíritos vêm nos instruir para nossa melhoria e nosso progresso, e não para nos revelar o que não devemos ainda saber, ou aquilo que não devemos aprender senão pelo nosso trabalho. Se bastasse interrogar os Espíritos para obter a solução de todas as dificuldades científicas, ou para fazer descobertas ou invenções lucrativas, todo ignorante poderia tornar-se sábio gratuitamente, e todo preguiçoso poderia se enriquecer sem trabalhar; é o que Deus não quer. Os Espíritos ajudam o homem de gênio pela inspiração oculta, mas não o isentam do trabalho e da pesquisa, a fim de deixar-lhe o mérito deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;51 - Seria ter uma idéia bem falsa dos Espíritos, ver neles apenas auxiliares de adivinhos; os Espíritos sérios recusam se ocupar de coisas fúteis. Os Espíritos levianos e zombeteiros se ocupam de tudo, respondem a tudo, predizem a tudo o que se quer, sem se importarem com a verdade, e sentem um prazer maligno em mistificarem para as pessoas muito crédulas; por isso, é essencial estar perfeitamente fixado sobre a natureza das questões que se podem dirigir aos Espíritos (O Livro dos Médiuns, nº 286: Questões que se podem dirigir aos Espíritos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;52 - Fora do que pode ajudar ao progresso moral, não há senão incerteza nas revelações que se podem obter dos Espíritos. A primeira conseqüência deplorável para aquele que desvia s
